sábado, 1 de julho de 2017

A história de Jesus é plágio?

Jesus ou Horus?
Um artigo em um site americano dizendo que a verdadeira vida de Jesus, que até a ciência afirmou como tendo sido uma pessoa real, pode ter sido muito diferente e não como sugere a Bíblia, me chamou atenção. As histórias de Horus e Mithras, por exemplo, figuras messiânicas que antecederam Jesus, têm semelhanças significativas demais com a história de Cristo para serem ignoradas como inspiração para a criação de um suposto mito sobre a vida deste.

Horus, o deus egípcio do céu e da realeza, nasceu de uma virgem, foi batizado aos 30 anos, tinha 12 discípulos, também foi crucificado e também ressuscitou, como Jesus.

Mithras era um deus de culto romano e também nasceu de uma virgem, teve seu dia comemorado em 25 de dezembro, marcou seus seguidores na testa, foi associado com o leão e o cordeiro, sacrificou-se e teve seu dia sagrado aos domingos.

Achei o texto abaixo interessante e bastante pertinente.

A Religião do Egito de 4400 a.C. e semelhanças com o Cristianismo

O Livro dos Mortos
Ressurreição e vida futura, a grande idéia central da imortalidade, o viver no além túmulo, a natureza divina e o julgamento moral dos mortos, tudo isso está na coleção de textos religiosos que é o Livro dos Mortos, cujo verdadeiro nome é “Saída para a Luz do Dia” e é o 1o livro da humanidade.

O medo do desconhecido foi a causa que impulsionou o homem, apavorado com os trovões e raios, terremotos e vulcões, para um ser superior a ele, que assim se manifestava sobre as coisas do seu entorno.

Com o tempo, há uma evolução e o homem começa a temer as ações desse ser superior sobre sua vida e, depois, em suas manifestações sobre sua morte, nesse ponto o homem supera o animal e desponta como ser humano, e começa a enterrar os seus mortos e a lhes oferecer meios de sobreviver na vida eterna em suas tumbas, numa prática de oferendas mortuárias que perdura até hoje, através das ofertas de flores e outras dádivas nas sepulturas.

No Egito, desde 4400 a.C., no reinado de Mena o 1o rei histórico do país, I Dinastia, o egípcio esperava comer, beber, e levar uma vida regalada na região em que supunha estar o céu e ali partilharia para sempre, em companhia dos deuses, de todos os gozos celestiais. Já na IV dinastia, (3800 a.C.), todos os textos religiosos supõem que se imune o corpo por inteiro, mumificado/embalsamado cujo procedimento era o seguinte:

o cérebro do cadáver era extraído pelas narinas, as entranhas pelo anus, ou por uma incisão na barriga; por fim o coração era retirado e substituído por um escaravelho de pedra. Seguia-se uma lavagem e salgação onde o cadáver ficava por um mês. Era secado novamente por outro mês ou dois. Para evitar a deformação, o corpo era recheado de argila, areia, rolos de pano de linho, inclusive os seios, e embebidos em drogas aromáticas, ungüentos e betume. Geralmente o amortalhamento era feito em vários ataúdes de madeira, uns dentro dos outros e, finalmente, colocado em um sarcófago de pedra.

O homem egípcio e sua conceituação
A religião egípcia elabora um conceito complexo, e sofisticadíssimo, para entender/explicar a natureza do homem que, por ela, é composto de 8 partes:

“O corpo físico era o CAT. Ligado a esse CAT estava o duplo do homem o CA, cuja existência é independente do CAT podendo ir para lugares à sua vontade, as oferendas são para alimentar o CA que come, bebe e aprecia o cheiro do incenso. À alma chamava-se BA que é algo sublime, nobre, poderoso. O Ba morava no CA e tinha forma e substância e aparece como um falcão com cabeça humana nos papiros. O coração, AB, era a sede da vida humana. A inteligência espiritual, ou o espírito do homem era CU que era a parte brilhante e etérea do corpo e vivia com os deuses no céu. Outra parte do homem que também ia para o céu era o SEQUEM que era a sua força vital. Outra parte do homem era o CAIBIT, ou sombra, sempre considerada próxima à alma, o BA. Por fim, temos o REN que é o nome do homem e que é uma de suas partes mais importantes, pois se o nome for eliminado poder-se-á se destruir o homem, ou seja, o homem se constituía de corpo, duplo, alma, coração, inteligência espiritual, poder vital, sombra e nome, e essas 8 partes podem se reduzir a 3 partes corpo, alma e espírito, deixando-se de lado as 5 outras”. Na V dinastia (3400 a.C.) afirmava-se de modo preciso:

“A alma para o céu e o corpo para a terra”.

O julgamento da alma e a vida eterna
A religião egípcia, como todas as outras religiões antigas, com execeção do Budismo, apresenta os deuses como seres com os vícios e virtudes dos homens, porém muito mais sábios e com a magia que os torna muito mais poderosos.

Graças ao Livro dos Mortos, o defunto pode vencer todos os obstáculos e ser convertido em Espírito Santificado, após cruzar os 21 pilares, passar pelas 15 entradas, e cruzar 7 salas até chegar frente a Osíris e aos 42 juizes que irão julgá-lo. E graças ao Livro, ele sabe o que pode salvá-lo e conduzi-lo à morada dos deuses após transpor as Portas da Morte, onde, no Campo de Paz, gozará os prazeres da Vida Eterna entre os deuses.

O Livro ajuda a alma a se refazer do susto da morte quando tenta voltar ao corpo, porém os deuses encarregados de guiá-la, arrastam-na para longe do ataúde. Sempre guiada, a alma atravessa uma região de trevas, o Aukert, o Mundo Subterrâneo, sem ar e água, difícil e muitas vezes obstruída. Depois ela chega ao Amenti, onde mora Osíris que, imóvel e enigmático, contempla a alma tendo atrás de si suas irmãs, e esposas, Ísis e Néftis; a alma é conduzida por Horo, e Anúbis verifica o fiel da balança, e pesa o coração do defunto na balança, junto a uma pena, na presença da deusa da Justiça/Verdade, Maât, que não toma parte no julgamento, e mais os 42 deuses (cada um representa um nome do Egito) e, ante cada um, o falecido o interpela pelo nome e declara não ter cometido determinado pecado é a “Confissão Negativa” do papiro de NU (O Juízo Final e os 10 Mandamentos):

“Nada surja para opor-se a mim no julgamento, não haja oposição a mim em presença dos príncipes soberanos, não haja separação entre mim e ti na presença do que guarda a Balança. Não deixe os funcionários da corte de Osíris (cujo nome é: “O Senhor da Ordem do Universo” e cujos 2 Olhos são as 2 deusas irmãs, Ísis e Néftis) que estipulam as condições da vida do homens, que meu nome cheire mal!. Seja o Julgamento satisfatório para mim, seja a audiência satisfatória para mim, e tenha eu alegria de coração na pesagem das palavras. Não se permita que o falso se profira contra mim perante o Grande Deus, Senhor de Amenti”. É de um texto da época de Mencau-Ra (Miquerino dos gregos) 3800 anos a.C., IV Dinastia. E Tot anota o resultado e faz o seguinte discurso aos deuses:

“Ouvi esse julgamento, ............ verificou-se que ele é puro, ............ e ser-lhe-ão concedidas oferendas de comida e a entrada à presença do deus Osíris, juntamente com uma herdade perpétua no Sekht-Ianru, o Campo de Paz (Paraíso), como as que se consideram para os seguidores de Horo”.

O papiro de NU permite observar que o código moral egípcio era muito abrangente, pois o falecido afirma que não lançou maldições contra deus, nem desprezou o deus da cidade, nem maldisse o Faraó, nem praticou roubo de espécie alguma, nem matou, nem praticou adultério, nem sodomia, nem crime contra o deus da geração, não foi imperioso ou soberbo, nem violento, nem colérico, nem precipitado, nem hipócrita, nem subserviente, nem blasfemador, nem astuto, nem ávaro, nem fraudulento, nem surdo a palavras piedosas, nem praticou más ações, nem foi orgulhoso, não aterrorizou homem algum, não enganou ninguém na praça do mercado, não poluiu a água corrente pública, não assolou a terra cultivada da comunidade (10 Mandamentos).

Desde os tempos mais remotos, (II Dinastia), a religião egípcia tendeu para o monoteísmo que aflorou na XVIII Dinastia, (1500 a.C.), com Amenófis IV e sua rainha Nefertiti, a Bela, e seu deus Aton para quem constrói uma cidade fora de Tebas, Tel El Amarna, esse culto durou apenas no seu reinado e, depois, foi proscrito de todo Egito. Lembremos que os seguidores de cada grande religião do mundo nunca se livraram das superstições que sabiam ser produto de seus antepassados selvagens e que, em todas as gerações, as herdam de seus avós e, o que é verdadeiro em relação aos povos do passado é verdadeiro, até certo ponto, em relação aos povos de hoje. No Oriente, quanto mais velhas forem as idéias, crenças e tradições, mais elas serão sagradas. No Egito foi desenvolvido um códice de elevadas concepções morais e espirituais, extremamente sérias e maduras, entre elas, a do DEUS UNO, auto gerado e auto existente, que os egípcios adoravam (O Deus cristão).

A criação do Mundo conforme os egípcios
Houve um tempo em que não existia nem céu, nem terra, e nada era senão a água primeva, sem limites, amortalhada, contudo em densa escuridão (e Deus fez a Luz), nessas condições, permaneceu água primeva por tempo considerável, muito embora contivesse dentro de si os germes de todas as coisas que, mais tarde, vieram a existir neste mundo, e o próprio mundo. Por fim, NU, o espirito da água primeva, o pai dos deuses, sentiu o desejo da atividade criadora e, tendo pronunciado a palavra, o mundo existiu imediatamente na forma já traçada na mente do espírito e antes de se pronunciar a palavra, (o Verbo Divino) que resultou na criação do mundo. O ato da criação, seguinte à palavra, foi a formação de um germe, ou ovo, do qual saltou Ra, o deus sol, dentro de cuja forma brilhante estava incluído o poder absoluto do espirito divino, o criador do mundo, Ra o deus sol, adorado desde os tempos pré históricos sendo, em 3800 a.C., considerado o rei de todos os deuses, na IV Dinastia suas oferendas são apresentadas por Osíris que, mais tarde, suplanta Rá.

Papiro de Hunefer (1370 a.C.): homenagem a ti que é Rá quando te levantas e Temu quando te pões, .................... És o senhor do céu, és o senhor da terra; o criador dos que habitam nas alturas e dos que moram nas profundezas. És o Deus Uno que nasceu no principio dos tempos, criaste a Terra, modelaste o Homem, fizeste o grande aqüífero do céu, formaste Hapi, (o Nilo), criaste o grande mar e dás vida a quantos existem dentro dele. Juntaste as montanhas umas às outras, produziste o gênero humano e os animais do campo, fizeste os céus e a terra, ............Salve, oh tu, que pariste a si mesmo. Salve Único Ser poderoso de miríades de formas e aspectos, rei do mundo. Homenagem a ti Amon-Rá que descansas sobre Maât, ............És desconhecido e nenhuma língua será capaz de descrever seu aspecto; só mesmo tu, ....... És Uno, ......... Os homens te exaltam e juram por ti, pois é senhor deles. .......Milhões de anos passaram pelo mundo, .......... seu nome “Viajor”.

Papiro de Nesi Amsu (300 a.C.): Rá o deus solar, evolveu do abismo aqüífero primevo por obra do deus Quépera, que produziu esse resultado pelo simples pronunciar do próprio nome e que seu nome é Osíris, a matéria primeva da matéria primeva, sendo Osíris como resultado disso, idêntico a Quépera no que respeita suas evoluções.

Osíris, deus da ressurreição e da vida eterna nos Campos de Paz
Os egípcios, de todos os períodos dinásticos, acreditavam em Osíris que, sendo de origem divina, padeceu a morte e a mutilação sob as potências do mal, após grande combate com essas potências e voltou a levantar-se tornando-se, dali para adiante, rei do mundo inferior e juiz dos mortos e acreditavam que, por ele ter vencido a morte, os virtuosos também poderiam vencê-la. Osíris é a união do Sol e da Lua e foi morto e esquartejado em 14 pedaços por seu irmão Set, filho de Seb e Nut e marido de Néftis, que espalhou seus membros por todo o Egito, isto é, todo o Universo pois, ao separar a dupla original, o Sol e a Lua, Set dá origem aos planetas, às estrelas fixas, a todos os seres da Natureza, tudo isso nascido dos membros de Osíris, que foram arrancados e disseminados por todo o Universo, o Egito. Entretanto Osíris, ligado à morte, é o mundo atado, petrificado, privado da liberdade e submetido às leis da Natureza e aos ritmos implacáveis do Destino. Sua irmã, e esposa, Ísis, o trouxe de volta à vida depois de muito trabalho e esforço utilizando as fórmulas mágicas que lhe dera Tot, e teve um filho dele, Horo, que cresceu e combateu Set venceu-o e assim vingou o pai. Osíris passou a ser igual, ou maior, que Rá. Ele representa para os homens a idéia de um ser que era, ao mesmo tempo, deus e homem, e tipificou para os egípcios, de todas as épocas, a entidade capaz, em razão de seus padecimentos e de sua morte como homem, de compreender-lhes as próprias enfermidades e a morte. Originalmente, encaravam Osíris como um homem que vivera na terra como eles, comera e bebera, sofrera morte cruel e, com a ajuda de Ísis e Horo (seu filho), triunfara da morte e alcançara a vida eterna ao subir aos céus (Jesus Cristo). Por mais que se recue no tempo das crenças religiosas egípcias sempre há a crença na ressurreição e a morte física pouco importava, pois o morto atingia o Além que é a representação da terra ideal no céu e, porisso, era importante a conservação do corpo, pois o morto renascia no além. O centro do culto de Osíris, durante as 1as dinastias, foi Abidos capital do Antigo Egito e que recebe as tumbas dos 1os Faraós e lá onde estaria enterrada a cabeça do deus quando fora esquartejado pelas potências do mal e aonde, a partir o Reino Médio, se fazem peregrinações anuais com milhares de peregrinos, inclusive com a participação do próprio Faraó, para celebrar a ressurreição de Osíris. Os vários episódios da vida do morto se constituíram em representações no templo de Abidos (Via Sacra). Há outros templos, Ahmose, Senusret III, Seti I, Ramses II, cujas construções se sucedem desde as 1as Dinastias, continuam pelo Reino Médio (1975-1640 a.C.) atravessam o Reino Novo (1539-1075 a.C.) até o Último Período (715-332 a.C.). Com o tempo, Osíris passa de exemplo de ressurreição para a causa da ressurreição dos mortos e Osíris se torna um deus nacional igual e, em alguns casos, maior que Rá. Nas XVIII e XIX dinastias (1600 a.C.), ele parece ter disputado a soberania das 3 companhias de deuses, o que quer dizer, a trindade das trindades das trindades. Durante 5.000 anos no Egito, mumificaram-se os homens à imitação da forma mumificada de Osíris e eles foram para os seus túmulos crentes que seus corpos venceriam o poder da morte, o túmulo e a decomposição, porque Osíris os vencera.

A principal razão da persistência do culto de Osíris no Egito foi, provavelmente, ele prometer a ressurreição e a vida eterna aos fiéis. Mesmo depois de haver abraçado o cristianismo, os egípcios, continuaram a mumificar os seus mortos e a misturar os atributos de Osíris aos de Cristo e as estátuas de Ísis, amamentando seu filho Horo, são o protótipo da Virgem Maria e seu Filho.

Outros Deuses do Egito
Além dos deuses da família e da aldeia havia os deuses nacionais, deuses dos rios das montanhas, da terra, do céu formando um número formidável de seres divinos. Os egípcios tentaram estabelecer um sistema de deuses incluindo-os em tríades , ou grupos de 9 deuses e, nos últimos anos, se aprendeu que houve diversas escolas teológicas no Egito; Heliópolis, Mênfis, Abido, Tebas e, de todas essas, a que mais perdurou foi a de Heliópolis (V e VI dinastias) com sua grande companhia dos deuses, tendo Temu como deus maior mas que se funde em um único deus com Rá e Nu. Havia uma grande quantidade de deuses, mas apenas os que lidavam com o destino do homem, obtinham o culto e a reverencia do povo e, pode-se dizer que, eram os deuses que se constituíam na grande companhia de Heliópolis, ou seja, nos deuses pertencentes ao ciclo de Osíris.

São esses os 9 deuses, da grande companhia de Heliópolis.
  • ·         Seb é a terra, era filho de Xu e é o pai dos deuses: Osíris, Ísis, Set e Néftis, passou, mais tarde, a ser o deus dos mortos.
  • ·         Nut é o céu, é esposa de Seb e mãe de: Osíris, Ísis, Set e Néftis é considerada mãe dos deuses e de todas as coisas vivas.
  • ·         Seb e Nut existiam no aqüífero primevo ao lado de Xu e Tefnut.
  • ·         Osíris, filho de Seb, e de Nut, marido de Ísis, e pai de Horo, é o Deus da Ressurreição e sua história já foi retro citada.
  • ·         Ísis esposa e irmã de Osíris e mãe de Horo, é a deusa da natureza, a divina mãe, nessa qualidade tem milhares de estátuas onde está sentada amamentando o filho Horo, (Virgem Maria e Jesus Cristo) suas peregrinações em busca do corpo de Osíris, a tristeza ao dar a luz e educar o filho, Horo, no pântano de papiro do Delta do Nilo, a perseguição que sofreu dos inimigos do marido são citados em textos de todas as dinastias.
  • ·         Set, filho de Seb e Nut, é marido de Néftis sua irmã, e é irmão de Osíris e Ísis, representa a noite, e estava sempre em guerra com Horo, o dia e é a personificação de todo o mal.
  • ·         Néftis, mulher, e irmã, de Set, irmã de Osíris e Ísis, e é mãe de Anúbis filho dela e de Osíris; ela ajudava os mortos a superar os poderes da morte e do túmulo.


A seguir, os principais deuses das outras companhias:

  • ·         Nu, pai dos deuses, e progenitor da grande companhia dos deuses, era a massa aqüífera primeva.
  • ·         Ptá, é uma forma de Rá e é tipificado como o abridor do dia.
  • ·         Ptá-Sequer, é o deus duplo da encarnação do Boi Ápis de Mênfis com Ptá.
  • ·         Ptá-Sequer-Ausar, três deuses em um, simbolizava: a vida, a morte e a ressurreição.
  • ·         Cnemu, foi quem modelou o homem numa roda de oleiro, ajudava Ptá a cumprir as ordens de Tot (o homem moldado no barro por Deus).
  • ·         Quépera, é o tipo da matéria que contem em si o germe da vida em vias de aflorar numa nova existência, significava o corpo morto que estava preste a fazer surgir o corpo espiritual.
  • ·         Amon, era um deus local de Tebas com seu santuário fundado na XII dinastia (2500 a.C.), significa oculto, e passou a ser um deus de primeiríssima importância nas XVIII, XIX e XX dinastias e, a partir de 1700 a.C. foi declarado representante do poder oculto e misterioso que criou e sustenta o universo e o fundiram com os deuses mais antigos e ele usurpou os poderes de Nu, Cnemu, Ptá e vira um deus sagrado senhor de todos os deuses, Amon Rá, como está no papiro da princesa Nesi-Quensu de 1000 a.C.. A partir de 800 a.C. declina o poder de Amon.
  • ·         Maât, grande deusa, tipifica a Verdade/Justiça. Presente no julgamento dos mortos, dela dependia a salvação.
  • ·         Horo, simbolizado pelo falcão, que parece ser a 1a coisa viva que os egípcios adoraram, era o deus sol como Rá que em épocas mais recentes foi confundido com Horo filho de Osíris e Ísis. Ele estava associado aos deuses que sustentam o céu nos 4 pontos cardeais, os 4 espíritos de Horo, que são: Hapi, Tuamutef, Amset e Quebsenuf. É, também, tipificado como o dia sempre em luta contra Set.
  • ·         Anúbis, filho de Osíris com Néftis que presidia a morada dos mortos, era o condutor dos mortos e protetor dos cemitérios.
  • ·         Tot, deus da Palavra criadora e mágica, divindade lunar, encarnação da sabedoria, toda a cultura humana era obra de suas inspirações.
  • ·         Ápis, touro que recebia culto, pois acreditavam que a alma de Osíris tivesse habitado o seu corpo, tinha uma mancha branca, em forma de crescente, na testa.
  • ·         Rá, o deus Sol, é, provavelmente, o mais antigo dos deuses adorados no Egito, ele velejava pelo céu em 2 barcos o Atet, desde o nascer do sol até o meio dia, e o Sectet, do meio dia até o por do sol. Visto ser Rá o pai dos deuses nada mais natural que cada deus representasse uma fase dele e que ele representasse cada um dos milhares de deuses egípcios, numa explícita alegoria do fundamento moneteista da religião egípcia.


A trindade Egípcia:
  • ·         Temu ou Atmu, isto é, o que fecha o dia, seu culto vem da V Dinastia e é o fazedor dos deuses, criador de homens.
  • ·         Xu, é o primogênito de Temu e tipifica a luz. Ele colocava um pilar em cada ponto cardeal para sustentar o céu, os suportes de Xu são os esteios do céu.
  • ·         Tefnut, era irmã gêmea de Xu e tipificava a umidade, seu irmão Xu é o olho direito, e ela é o olho esquerdo de Temu.


Os deuses Temu, Xu e Tefnut formavam uma trindade e Temu na história da criação diz:
“Assim, sendo um deus, tornei-me 3” (a Santíssima Trindade católica).

O Barco do Sol representa a lua, seu quarto crescente, tendo o disco do Sol sobre ele e, essas 2 luminárias, formam essa imagem que é o núcleo central da religião egípcia, a Lua é fria e úmida, sempre em eterna mutação, governa a afeição, os amores, é feminina. O Sol é quente e seco e governa a razão de modo impessoal e objetivo, é masculino. Essas duas forças são equipotentes, com naturezas opostas, é o Yin e Yang da religião chinesa, o Enxofre e o Mercúrio da Alquimia, o Positivo e o Negativo da Eletricidade, a eterna oposição do bem e do mal,do amor e do ódio, do dia e da noite, a sublime dualidade de todas as coisas, desde sua Criação do aqüífero primevo, na gênese do mundo contada pelos egípcios, há 6.000 anos atrás, através dessa religião e sistema moral complexo e maduro, que nada fica a dever às concepções desenvolvidas pela Grécia que dizia que: a matéria era uma carga muito pesada para o espírito, nascido no Céu e, consequentemente, a vida consistia em viver morrendo, enquanto a morte era, para a alma, a porta da Liberdade.

Anibal de Almeida Fernandes, Junho, 2006.

Bibliografia:
O Livro dos Mortos, Hemus, Editora LTDA SP.
A Religião Egípcia, E. A Wallis Budge, Cultrix, SP.
Egypt's First Pharaohs, National Geographic, April 2005, pgs 106 a 121.


quarta-feira, 28 de junho de 2017

Juiz atropela a Constituição e autoriza deputado preso a voltar a exercer seu mandato

Celso Jacob
O deputado Celso Jacob (PMDB-RJ), condenado a sete anos e dois meses de xilindró por falsificação de documento público, pediu e o juiz Valter Bueno Araújo, da Vara e Execuções Penais de Brasília, concedeu-lhe o direito de manter a atividade parlamentar aprovando leis, emendas constitucionais e medidas provisórias, etc., em regime semi-aberto.

Como é que pode um juiz atropelar a Constituição dessa maneira tão escancarada? Em seu Artigo 55, inciso VI a Constituição diz que “Perderá o mandato o Deputado ou Senador (...) que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado”. Mais claro do que isso só dois disso!

Pior que isso: como é que pode a Justiça ter deixado de cassar o mandato de Jacob concomitantemente com a expedição da sua condenação definitiva se ela não depende de qualquer iniciativa, bastando apenas a aplicação, de ofício, do Artigo 55?

Eu me considero um otimista - ainda -, mas, a cada dia, as dezenas de notícias com absurdos desse quilate minam meu entusiasmo de uma tal maneira que, dentro em breve, provavelmente trocarei de lado.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Bar de Ferreirinha é excluído da plataforma do Google sem maiores explicações


Eis a mensagem que recebi dos seus editores:

Ricardo,
O endereço bardeferreirinha.blogspot.com.br foi excluído da plataforma do Google, sem maiores explicações, exceto a de que teríamos violado a sua política de uso.
Não houve detalhamento desta violação.
Enviamos um pedido de reconsideração, porque há milhares de textos produzidos pelos editores e colaboradores, que dizem respeito à cultura do povo de Caicó e do Seridó.
Muitos destes textos viraram livros, com enorme repercussão na cena cultural norte-rio-grandense.
De calças curtas, e atendendo a milhares de apelos enviados via whatsapp e telefone, reativamos o blogue Bar de Ferreirinha noutro endereço: www.novobardeferreirinha.blogspot.com.br
Enquanto isso, providenciaremos o registro de um domínio próprio do Bar que nos dê garantia da propriedade e integridade do conteúdo que eventualmente for publicado.
A frase 'Não existe almoço grátis' atribuída ao economista americano Milton Friedman revelou-se por inteiro neste episódio.
O Google não cobra nada pelo uso da sua plataforma, mas também não dá maiores satisfações aos usuários quando resolve excluir uma conta.
Agradecemos a compreensão e, quando puder, altere o link de redirecionamento na sua página.
Um abraço,
Roberto e Pituleira

Editores

Solidarizo-me com vocês. Tais situações são, infelizmente, inevitáveis e imprevisíveis, já que tudo indica que apenas uma queixa contra um blog seja motivo suficiente para os donos da web apliquem punições sem justificativas, sem dar direito a argumentações e sem respostas às nossas solicitações, visto que essa parafernália é gerida por algoritmos tão estúpidos quanto seus criadores.

Ricardo Froes

Em seis anos, BNDES torrou 25% a mais do que foi gasto no Plano Marshall

Uma história de dois Planos Marshall

Samuel Pessôa

Entre 1948 e 1951, os EUA despenderam pouco mais de US$ 13 bilhões para ajudar na reconstrução de 16 países europeus, com população, à época, de 290 milhões.

O gasto do programa de recuperação da Europa, também conhecido por Plano Marshall, corresponderia a preços de hoje a cerca de US$ 100 bilhões, ou R$ 315 bilhões ao câmbio de R$ 3,15 por dólar.

Por aqui, entre 2008 e 2014, o Tesouro emprestou ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a taxas muito reduzidas e em condições extremamente favoráveis, R$ 400 bilhões. Ou seja, uma quantia de dinheiro 25% maior e que atingiu uma população 31% menor do que aquela beneficiada pelo Plano Marshall.

No nosso “Plano Marshall”, diversos trabalhos acadêmicos documentaram que as firmas que se beneficiaram do crédito subsidiado eram as maiores, mais antigas e menos arriscadas. Essas empresas não investiram mais do que as empresas equivalentes não beneficiadas pelos créditos subsidiados.

A elegância dessa literatura é que a evidência foi obtida comparando empresas incentivadas com empresas com as mesmas características, mas que não tiveram acesso ao incentivo. As empresas não incentivadas funcionaram como um grupo de controle, sugerindo, portanto, que o efeito medido representa de fato a causalidade do incentivo sobre o comportamento das firmas.

Adicionalmente, as empresas beneficiadas efetivamente experimentaram redução de seu custo financeiro e aumentaram seu grau de endividamento.

Dado que essas empresas não elevaram seu investimento, mas aumentaram seu endividamento e seu custo financeiro foi reduzido, provavelmente o crédito subsidiado foi empregado para liberar recursos dos acionistas para serem aplicados no mercado financeiro com maiores retornos.

O leitor encontra resenha recente da evidência empírica no trabalho “Brazil - Financial Intermediation Costs and Credit Allocation”, texto para discussão do Banco Mundial de março de 2017, preparado por diversos autores.

Evidentemente, os subsídios saíram caro para o Tesouro. Segundo cálculos de meu colega do Ibre Manoel Pires, o custo total dos subsídios foi, somente em 2015, de R$ 57 bilhões, algo próximo ao custo anual de dois programas Bolsa Família.

Também há evidência de que o crédito subsidiado dificulta a política monetária, aumentando o juro necessário para estabilizar a inflação. Segundo trabalho recente de Monica de Bolle (goo.gl/VTEunr), cada 1 ponto percentual do PIB de crédito subsidiado eleva os juros em 0,5 ponto percentual.

Esse resultado é mais sujeito a crítica. A razão são as dificuldades naturais de inferência de causalidade com dados macroeconômicos. De qualquer forma, outros estudos
têm obtido resultado equivalente.

É praticamente consensual entre diversos analistas -suportando, portanto, a evidência de Mônica- que a taxa de juro neutra brasileira, aquela que estabiliza a inflação, reduziu-se recentemente por volta de um ponto percentual, em razão da mudança de política do BNDES.

Aqui temos que desfazer nosso Plano Marshall para arrumar a casa de uma economia devastada por esta e outras iniciativas da ruinosa nova matriz econômica. Na Europa, o verdadeiro Plano Marshall estabeleceu as bases do formidável crescimento do pós-guerra.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O fabuloso despertar dos idiotas.


Até o século XIX o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar um cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os “melhores” pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas. Nelson Rodrigues

terça-feira, 20 de junho de 2017

Filosofando com Olavo de Carvalho


Depois o cara quer ser levado a sério, diz que neguinho está boicotando o filme sobre a vida dele e outras choramingações mais.


2.056 operações da PF revelam prejuízos estimados em R$ 123 bilhões ao País

Estadão

Dados da PF revelam prejuízo causado em 4 anos por grupos investigados em 2.056 operações; quase metade do valor está ligado a fraudes nos fundos de pensão

Em quatro anos, a Polícia Federal deflagrou 2.056 operações contra organizações criminosas que provocaram prejuízos estimados em R$ 123 bilhões ao País. Os números revelam que o maior rombo não é o apurado pela Lava Jato, mas o causado pelas fraudes nos fundos de pensão investigadas na Operação Greenfield, que alcançam R$ 53,8 bilhões ou quatro vezes o valor de R$ 13,8 bilhões desviados pelo esquema que agiu na Petrobrás.

Esse quadro é o resultado da conta feita pelos investigadores federais com base em valores de contratos fraudulentos, impostos sonegados, crimes financeiros e cibernéticos, verbas públicas desviadas e até mesmo danos ambientais causados por empresas, madeireiras e garimpos. Tudo misturado ao pagamento de propina a agentes públicos e políticos.

Os dados são da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor), da PF, e foram obtidos pelo Estado por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).


Segundo especialistas em máfias e grupos criminosos, a análise dos números mostra a mudança do perfil do trabalho da PF, priorizando a investigação patrimonial das organizações. “Há uma tendência das investigações em se preocupar mais com os aspectos patrimoniais do que acontecia há 5 anos, quando se pensava só em autoria e materialidade”, afirmou o procurador da República Andrey Borges de Mendonça.

De fato, nos últimos três anos, esse montante cresceu ano a ano, partindo de R$ 6,8 bilhões em 2014 até atingir R$ 80 bilhões em 2016, um aumento de 1.068%. Os valores sequestrados ou recuperados com as operações também aumentaram ano a ano. Em 2013, a Dicor listou R$ 6 milhões. Já no seguinte – início da Lava Jato – esse número subiu para R$ 2,6 bilhões e, em 2016, atingiu R$ 12,4 bilhões.

“Isso também mostra as prioridades adotadas pela Polícia Federal”, disse o juiz aposentado e ex-secretário nacional antidrogas Wálter Maierovitch, que participou como perito convidado da Convenção de Palermo. Organizada pelas Nações Unidas em 2000, a convenção, da qual o Brasil é signatário, definiu as regras de combate ao crime organizado.

Escalada semelhante de valores pode ainda ser observada naquilo que os agentes federais chamam de “prejuízos evitados”, quando a operação interrompe a prática de crimes, antes que eles se consumem. Nesse caso, os valores subiram de R$ 2,8 bilhões em 2014 para chegar a R$ 59,1 bilhões em 2016 – e já teriam atingido R$ 12,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano. “O objetivo é asfixiar essas organizações, pois não adianta nada investigar autoria e materialidade se não se consegue recuperar o patrimônio”, disse Mendonça.

Além do enfoque na descoberta e no sequestro dos bens das organizações criminosas, os números também mostrariam o efeito da disseminação do estilo de investigação adotado pela Lava Jato, em Curitiba, com a criação de forças-tarefa envolvendo diversos órgãos.

“O que a força-tarefa de Curitiba trouxe é essa forma nova de investigar”, disse Mendonça, que participa da forças-tarefa da Lava Jato e hoje atua nas Operações Greenfield e Custo Brasil, que investiga fraudes e corrupção no Ministério do Planejamento no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, a PF tem de cumprir seu papel e sua missão em todos os aspectos e espectros onde tem criminalidade dentro de sua competência. “É isso o que a sociedade espera da corporação.”

E são muito os afetados. Quase 2 milhão de beneficiários de fundos de pensão investigados na Greenfield tiveram de arcar com parte dos prejuízos gerados. “A gente se sente impotente diante de tudo o que aconteceu e é preciso botar a boca no trombone para não ocorrer outra vez”, disse Suzy Cristiny Costa, da Fentect, federação do servidores dos Correios.

Ranking. Entre os dez maiores prejuízos investigados pela PF, além dos apurados pela Greenfield e Lava Jato, estão os causados pelas organizações criminosas que são alvo das Operações Acrônimo, que apura o desvio de verbas e financiamento ilícito de campanhas eleitorais, e Zelotes, que averigua crimes tributários e corrupção no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda.

Há ainda os casos envolvendo as Operações Enredados – R$ 5,1 bilhões de prejuízo – em que os agentes federais apuraram crimes ambientais e pagamento de propinas no extinto Ministério da Pesca, e esquemas de fraudes tributárias, contrabando e evasão de divisas apurados nas Operações Celeno, Valeta e Huno. A lista é completada pela Janus, que verifica supostas fraudes no financiamento do BNDES para obras da Odebrecht em Angola.


Estado Laico: que diabo é isso?

Alexandre Borges

O episódio final do Big Brother Brasil 5 conquistou 47 pontos de audiência, um recorde. Ainda mais se comparado à média do principal produto da emissora, a novela das nove, que hoje se equilibra entre os 25 e 30 pontos. A disputa ficou entre a ex-Miss Paraná Grazi Massafera, uma loura estonteante de 1,73m e futura estrela global, e um baiano do interior sem qualquer carisma, homossexual assumido e socialista radical, chamado Jean Wyllys.

O Brasil “homofóbico” escolheu Jean Wyllys, atualmente no segundo mandato de deputado federal, para receber o prêmio de R$ 2 milhões (valores atuais). Agora tente imaginar esta mesma disputa envolvendo eleitores da Arábia Saudita, Somália ou Iêmen. Ou explique para um islâmico salafista que aqui a loura perdeu. É este Brasil que os organizadores da 21ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo sugerem que é preconceituoso e intolerante com gays por ser cristão.

A passeata de ontem, segundo o noticiário, pede “estado laico”. É um país realmente curioso. Aqui se faz manifestação pedindo algo que, até a última vez que eu chequei, já existe, está consolidado na Constituição, e que ninguém discute ou ameaça. É como fazer passeata em favor na construção de Brasília ou pela substituição do Cruzeiro pelo Real.

A primeira Constituição brasileira, de 1824, instituía em seu artigo 5º uma religião oficial do império, a católica apostólica romana. As outras religiões eram permitidas desde que praticadas em cultos particulares. Na segunda Constituição, de 1891, o estado já era oficialmente laico.

Não há nada no Brasil remotamente parecido com o que existe numa teocracia, tanto no ordenamento jurídico como nos costumes do país do sincretismo religioso, da festa de ano novo com milhões vestindo branco e jogando oferendas para Iemanjá, do budismo e da cabala de butique dos endinheirados, do povo que cultua o espírita Chico Xavier com o mesmo fervor que reza para Nossa Senhora Aparecida.

Segundo o último censo (2010), 65% dos brasileiros se declaram católicos e 22% protestantes, num total de quase 90% de cristãos. Mesmo assim, a participação da igreja católica na política brasileira é praticamente irrelevante, exceção feita ao lobby pela manutenção dos feriados religiosos tradicionais e da estátua do Cristo Redentor no topo do Corcovado. A organização católica mais influente na política brasileira, CNBB, por seu alinhamento quase total com a Teologia da Libertação e com a esquerda, dificilmente pode ser associada aos cânones do catolicismo.

Os protestantes controlam ao menos dois partidos políticos atualmente (PRB e PSC). Diversos pastores e políticos oriundos da comunidade evangélica como Anthony Garotinho, Marina Silva, Magno Malta, Marco Feliciano e Eduardo Cunha já ocuparam ou exercem cargos políticos de destaque. O prefeito do Rio de Janeiro, desde o início do ano, é o Bispo Marcelo Crivella. Ainda assim, não há absolutamente nada que aproxime o Brasil de um estado religioso como se vê no mundo islâmico.

A Constituição brasileira, não custa lembrar, já garante que vivemos um estado laico (“leigo”), ou seja, no Brasil há total liberdade de crença, inclusive a liberdade de não tem crença alguma. No artigo 19, inciso I, artigo 5, lê-se: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.”

Se o estado é laico na lei e nos costumes, o que diabos está por trás desse pedido?

Por que a Avenida Paulista foi tomada, num domingo, por uma multidão que pedia algo que é desnecessário pedir? Como uma manifestação de “Orgulho LGBT” autorizada pela prefeitura da maior cidade do país, apoiada por grandes empresas, realizada na sua principal avenida em pleno domingo, celebrada pelos principais órgãos de comunicação e artistas, estaria de alguma forma servindo para protestar contra qualquer tipo de perseguição? Para entender o que está em jogo é preciso abrir mão do sentido literal do que é dito e buscar nas entrelinhas.

O que fica sugerido, especialmente pelo noticiário, é que, de alguma forma, o Brasil, pela influência do cristianismo, é intolerante com gays. É mesmo? Vejamos. O Brasil é um país que:
1) Criminaliza e persegue o homossexualismo, como vários países islâmicos hoje?
2) Proíbe ou não reconhece a união civil entre adultos do mesmo sexo?
3) Exclui gays da fila de adoção de crianças?
4) Mesmo com incríveis 60 mil homicídios por ano, sofre algo parecido com um surto de violência contra gays?
5) Discrimina a comunidade LGBT na cultura, na música, na academia e nos espaços públicos?

Se você respondeu “não” para todas as perguntas acima, entenda que a pauta é muito mais sutil e insidiosa. É o preconceito religioso e, especialmente, anti-cristão que exala enxofre por trás do discurso alegadamente laicista. Para os ativistas que pedem “estado laico” no Brasil, que já existe, é preciso que ele seja ateu. Para combater o cristianismo, sonham ressuscitar o jacobinismo.

“O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre”
Jean Meslier (1664-1729)

Como queriam os iluministas franceses, intelectuais como Nietzche, Sartre ou Foucault, toda esquerda desde os jacobinos, passando por Marx, Mao, Lênin, Stálin e Castro, e como defendem hoje muitos cientificistas neoateus e radicais islâmicos, a meta é eliminar qualquer traço dos valores e preceitos judaico-cristãos que construíram o Ocidente. É a autofagia da sociedade mais livre e próspera que humanidade concebeu e que acolhe até quem se volta contra ela.

Um estado laico e secular, liberal e democrático, é perfeitamente compatível com o cristianismo e com o judaísmo, e não é coincidência. Ele é filho legítimo destas religiões, com alguns acréscimos de preceitos filosóficos da Grécia antiga incorporados pelos próprios pensadores cristãos como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Como disse um dos pais fundadores dos EUA e seu segundo presidente, John Adams, “nossa Constituição foi feita apenas para um povo moral e religioso, sendo totalmente inadequada para governar qualquer outro”. A cópia de aspectos meramente formais e normativos da lei de outros povos desprezando a cultura e tradições que produziram aquele ordenamento social e jurídico é meio caminho para o caos.

Foram as tradições judaico-cristãs que criaram as bases para a tolerância e o respeito que gozam homossexuais no Brasil. Abrir mão delas, por mais que os líderes do braço político do movimento LGBT não entendam ou aceitem, é namorar com o risco de um retrocesso como se vê em alguns regiões da Europa que começam a ser ocupadas por povos com culturas distintas e que não demonstram qualquer inclinação para assimilação ou aceitação dos costumes e do ordenamento social e jurídico dos país anfritriões. Os verdadeiros defensores dos gays sabem disso.

Richard Dawkins, ícone máximo da militância ateísta no mundo, declarou semana passada que a educação religiosa é “crucial” para as crianças britânicas. Aterrorizado com a invasão islâmica do seu país, o biólogo passou a reconhecer publicamente a importância da cultura cristã para a preservação do Ocidente no choque atual de civilizações. Nada mais que o óbvio, mas o óbvio não costuma ser popular no Brasil.

Sem uma cultura de tolerância e respeito, sem “amar ao próximo” e considerar todos “filhos de Deus” e cada vida sagrada, optando por proibir a discriminação com a mão de ferro da coerção estatal, é abreviar o caminho para o totalitarismo, já que a lei não refletirá os valores e crenças da população. E isso é tudo menos democracia.

Uma passeata pedindo “estado laico” poderia ser mais impactante em Riad, capital da Arábia Saudita, mas não é preciso explicar porque a Parada do Orgulho LGBT de ontem prefere mostrar sua revolta contra as tradições culturais da religião cristã num país cristão que permite que essa manifestação ocorra.

Ao final, a passeata serviu como prova involuntária de tudo que seus líderes insistem em negar sobre o cristianismo. Deus sabe ser irônico.


segunda-feira, 19 de junho de 2017

O perfil dos evangélicos

Jarbas Aragão

Uma pesquisa feita com os evangélicos que participaram da 25ª edição da Marcha para Jesus, nesta quinta-feira (15) pretende traçar um perfil sobre as opiniões mais comuns do segmento.

Considerada uma “pesquisa qualitativa”, o levantamento foi coordenado pelos professores da área de Ciências Sociais Esther Solano, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Marcio Moretto Ribeiro e Pablo Ortellado, da USP (Universidade de São Paulo), com apoio da Fundação Friederich Ebert.

Segundo os pesquisadores, ela levou em consideração as “identidades políticas, guerras culturais e posicionamento frente a debates atuais sobre política” dos entrevistados, todos maiores de 18 anos e que declararam se evangélicos.

Entre os resultados divulgados pelo site, destacam-se a questão da identificação política.

Afinal, a maioria (66,5%) afirma não se reconhecer nem de direita (10,1%), esquerda (6%), centro-direita (3,3%), centro-esquerda (1,9%) ou de centro (1,2%). Ao mesmo tempo, um elevado índice dos entrevistados se declarou “muito conservador” (45,5%) e “muito antipetista”. Contudo, a resposta mais comum (76,9%) é que não se identificam com nenhum partido político.

A coordenação da pesquisa desataca que há pouca confiança dos fiéis em partidos da “bancada evangélica”. A maioria das pessoas ouvidas afirma “não confiar” no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (83,7%) e no governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (61,4%).

Também são vistos com desconfiança o deputado Jair Bolsonaro, do PSC (57,4%), a ex-senadora Marina Silva, da Rede (57%), o pastor e deputado federal Marco Feliciano, do PSC (54,1%), e o prefeito do Rio Marcelo Crivella, do PRB (53,9%), nomes mais identificados com as pautas evangélicas.

Chama atenção que a maioria absoluta (91,9%) rechaça a ideia que, em momento de crise, “o governo precisa cortar gastos, inclusive em saúde e educação” e com a proposta de “quem começou a trabalhar cedo deve poder se aposentar cedo sem limite mínimo de idade?”, pergunta feita tendo como base a reforma da Previdência, proposta pelo governo de Michel Temer (PMDB). Nesse caso, 86,6% afirmaram concordar, contra 10,7% que discordam.

A socióloga Esther Solano, uma das coordenadoras da pesquisa, acredita que o descolamento entre o discurso das lideranças políticas evangélicas e os fiéis não está afinado. “O nível de confiança da base em algumas das lideranças evangélicas mais representativas é muito baixo. Sobre casos como o dos pastores Marco Feliciano e Marcelo Crivella, ouvimos que a pessoa confia nessas figuras ‘como pastor, não como político’. Isso demonstra um descolamento: são lideranças representantes dos evangélicos, mas não são reconhecidas por eles”.

Para ela, “Estudar os evangélicos é fundamental para compreender o Brasil –é um grupo que tem crescido muito em número e também em simbologia, à medida em que a igreja evangélica se configura como grande fator de sociabilidade, sobretudo, na periferia. Ela se transformou em uma instituição fundamental nas periferias brasileiras – e evidentemente, tem ganhado cada vez mais capital e poder político”.

Respeito aos gays
Outra questão destacada pelos estudiosos é que houve altos índices de concordância com afirmações como
“A escola deveria ensinar a respeitar os gays” (77,1%)
“Os valores religiosos deveriam orientar as leis” (75%)
“Menores de idade que cometem crimes devem ir para a cadeia” (83,7%)
“Precisamos punir os criminosos com mais tempo de cadeia” (76%)
“O bolsa família estimula as pessoas a não trabalhar” (74,2%)

Por outro lado, discordam em massa de ideias como
“Deveria ser permitido aos adultos fumar maconha” (82,9%)
“Fazer aborto deve ser um direito da mulher” (73,1%)
“Travestis devem poder usar o banheiro feminino” (67,4%)
“O cidadão de bem deve ter o direito de portar arma” (65,5%).


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Um erro comum: afirmar que os EUA têm apenas dois partidos quando eles são 144!


Uma postagem no Facebook de um suposto professor me chamou atenção ao culpar o excesso de partidos pelo caos político que domina do Brasil. Dizia ele:

“A quantidade de partidos no Brasil é um absurdo. Não tem sentido, não encontra semelhança em qualquer outra nação, é uma inutilidade ideológica, pragmática e social. Não apresenta qualquer benefício ou ajuda ao Brasil. Pelo contrário, estressa a população, confunde os ingênuos, inviabiliza o voto ético, assegura a falsidade de propósitos, sustenta a impunidade dos corruptos e alimenta a formação de canalhas e calhordas dependentes do suborno e da propina. A média mundial fica ao redor de 10 partidos por nação.”

Logo depois desse parágrafo ele publicou uma lista de países - com a respectiva quantidade de partidos - encabeçada pelos Estados Unidos com apenas dois partidos. Ledo engano. A maior democracia do mundo tem 144 partidos! Só partidos “verdes” há 52!

A diferença é que lá, o partido que não pode se sustentar sozinho, sem mesada do governo, vai pro saco.

Aliás, só para lembrar, nas últimas eleições presidenciais nos EUA, não foram só Trump, com 60.261.924 (47,30%), e Hillary, com 60.828.358 (47,75%), que receberam votos para presidente dos Estados Unidos. Gary Johnson (Libertarian), Jill Stein (Green), Evan McMullin (independente) e Darrell Castle (Constitution) tiveram 4.151.138 (3,26%), 1.249.970 (0,98%), 437.783 (0,34%) e 180.632 (0,14%) votos respectivamente e, além destes, houve centenas de outros candidatos (vide http://www.politics1.com/p2016.htm).

Eis a lista oficial dos partidos dos Estados Unidos:

Partidos Nacionais (30):
America First Party, American Conservative Party, American Freedom Party, Americans Elect, America's Party, Christian Liberty Party, Citizens Party of the United States, Communist Party USA, Democratic Party, Freedom Socialist Party, Independent American Party, Justice Party, Modern Whig Party, National Socialist Movement, Objectivist Party, Party for Socialism and Liberation, Peace and Freedom Party, Pirate Party, Prohibition Party, Reform Party of the United States of America, Republican Party, Socialist Action, Socialist Alternative, Socialist Equality Party, Socialist Party USA, Socialist Workers Party, United States Marijuana Party, United States Pacifist Party, Unity Party of America, Workers World Party.

Partidos Regionais (30)
Alaskan Independence Party, Independent Party of Connecticut, Blue Enigma Party, Independent Party of Delaware, Ecology Democracy Party, Grassroots Party, Independence Party of Minnesota, Conservative Party of New York State, New York State Right to Life Party, Liberal Party of New York, Rent Is Too Damn High Party, Tax Revolt Party of Nassau County*, Working Families Party of New York*, Charter Party (Cincinnati only), Constitution Party of Oregon, Independent Party of Oregon, Oregon Progressive Party, Oregon Working Families Party, Sovereign Union Movement, (Movimiento Unión Soberanista), New Progressive Party of Puerto Rico, also translated New Party for Progress of Puerto Rico (Partido Nuevo Progresista de Puerto Rico), Popular Democratic Party of Puerto Rico, (Partido Popular Democrático de Puerto Rico), Puerto Ricans for Puerto Rico Party, (Partido por Puerto Rico), Puerto Rican Independence Party, (Partido Independentista Puertorriqueño), Worker's People Party of Puerto Rico, (Partido del Pueblo Trabajador), Moderate Party of Rhode Island, Vermont Progressive Party, Liberty Union Party, Vermont Working Families Party, Independent Citizens Movement, Progressive Dane.

 Só Partidos Verdes - regionais (52):
Alabama Green Party, Green Party of Alaska, Arizona Green Party, Green Party of Arkansas, Green Party of California, Green Party of Colorado, Green Party of Connecticut, D.C. Statehood Green Party, Green Party of Delaware, Green Party of Florida, Georgia Green Party, Green Party of Hawaii, Idaho Green Party, Illinois Green Party, Indiana Green Party, Iowa Green Party, Kansas Green Party, Kentucky Green Party, Green Party of Louisiana, Maine Green Independent Party, Maryland Green Party, Massachusetts Green-Rainbow Party, Green Party of Michigan, Green Party of Minnesota, Green Party of Mississippi, Green Party of Missouri formerly Progressive Party of Missouri, Missouri Green Party, Montana Green Party, Nebraska Green Party, Green Party of Nevada, Green Party of New Hampshire, Green Party of New Jersey, Green Party of New Mexico, Green Party of New York State, North Carolina Green Party, North Dakota, Green Party of Ohio, Green Party of Oklahoma, Pacific Green Party of Oregon, Green Party of Pennsylvania, Green Party of Rhode Island, South Carolina Green Party, South Dakota, Green Party of Tennessee, Green Party of Texas, Green Party of Utah aka Desert Greens, Vermont Green Party, Green Party of Virginia, Green Party of Washington State, West Virginia Mountain Party, Wisconsin Green Party, Green Party of Wyoming.

Partidos que não indicam candidatos - alguns já o fizeram no passado (32):
American Nazi Party, American Reform Party, Committees of Correspondence for Democracy and Socialism, Communist Voice Organization, Democratic Socialists of America, Freedom Road Socialist Organization, Freedom Road Socialist Organization, Fourth International Caucus (faction of Solidarity), Greens/Green Party USA, International Socialist Organization, Internationalism, Internationalist Group, Internationalist Workers' Group, League for the Revolutionary Party, League of Revolutionaries for a New America, News and Letters Committees, Progressive Labor Party, Refoundation and Revolution (faction of Solidarity), Revolutionary Communist Party, USA, Revolutionary Organization of Labor, Social Democrats, USA, Socialist Organizer, Socialist Workers Organization, Solidarity, Spartacist League, The Spark, U.S. Marxist–Leninist Organization, Workers Party, World Socialist Party of the United States, Socialist Educational Society, Workers' Socialist Party, World Socialist Movement.


terça-feira, 13 de junho de 2017

Verdade...


Será que veremos o dia...

Em que Lula será só um molusco cefalópode?
Em que Temer será só o infinitivo de um verbo a ser evitado?
Em que Dirceu será só o amado de Marília?
Em que Maia será só um dos membros da família da obra do Eça?
Em que Cabral será só o descobridor do Brasil?
Em que Pezão será só uma extremidade do membro inferior avantajada?
Em que Jucá será só uma árvore da família das leguminosas, o pau-ferro?
Em que Janot será só um erro de revisão num texto sobre um sujeito afetado no vestir?
Em que Napoleão será só o Bonaparte?
Em que Lindbergh será só o Charles, aquele que fez o primeiro voo solitário transatlântico?
Em que Gleisi será só uma nova marca de absorvente feminino?
Em que Vanessa será só a filha de Zezé de Camargo?
Em que Jandira será só um município da microrregião de Osasco?



segunda-feira, 12 de junho de 2017

A juíza e o seu brinquedinho de mais de R$ 400 mil


Um acidente na madrugada deste domingo causou a explosão de um carro na Avenida Delfim Moreira, no Leblon. O veículo, um Chevrolet Cruze, pertencia a um motorista do Uber, que bateu na traseira de uma Mercedes GLE 350 e logo após o impacto, houve uma explosão na parte frontal do Cruze, que pegou fogo e ficou completamente destruído. Apesar do susto, não houve feridos em nenhum dos veículos.

O Mercedes GLE 350 pertence à juíza federal Cláudia Valéria Bastos Fernandes Rodrigues Mello, que estava com seu marido, o músico Allyrio Domingues de Mello Junior no banco de trás do veículo na hora da batida.

Segundo ela mesma “o impacto foi muito forte na parte de trás do carro. Se o nosso veículo não fosse blindado, provavelmente o acidente teria sido mais grave, e eu meu marido, que estávamos no banco traseiro, teríamos nos machucado. Graças a Deus, apesar do susto, ninguém ficou ferido”.

Detalhe : O Mercedes GLE 350 blindado custa mais de R$ 400 mil (um usado está a venda por R$ 437.900 em Sampa - foto acima).

Como eu achei no mínimo inusitado o fato de uma juíza federal possuir um brinquedinho tão caro, saí em busca de mais dados sobre a meritíssima e seu marido músico, e descobri que ela é juíza titular da 4a Vara Federal de São João de Meriti (cujo salário era de R$ 30.471,11 até o fim do ano passado) e ele é violinista (foto).

Em se tratando de benefícios pagos a magistrados, todos sabem como a mágica da sua multiplicação funciona (ver esquema do Globo) e que não há limites para ela. Portanto não admira a posse de um carrinho tão caro por talvez muitos deles.

Mas não me dei por satisfeito e achei duas notas dos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal do Commercio de 13 de março de 2009 revelando que “o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio e Espírito Santo) decidiu, por 15 votos a 5, abrir processo criminal contra a juíza federal Cláudia Valéria Bastos Fernandes Rodrigues Mello e seu marido, o músico Allyrio Domingues de Mello Junior. Ela é acusada de corrupção passiva, mediante venda de decisões judiciais, e, com o marido, de lavagem do dinheiro ganho ilegalmente.”

Claudia foi acusada de receber vantagens indevidas de distribuidoras de combustíveis para as quais deu liminares suspendendo o recolhimento de impostos e contribuições como Cide e PIS/Confis. Pela denúncia, essas empresas abriam escritórios fictícios nas cidades onde a juíza atuava. Angra dos Reis e uma das cidades onde a juíza atuou e onde houve escritórios fictícios.

Não localizei o processo, portanto, mais não ouso dizer sobre ele.

Só como complemento, descobri também que no ano passado o Órgão Especial do Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu pelo arquivamento da representação encaminhada pelo Sisejufe (Sindicato dos Servidores das Justiças Federais ) contra a juíza Claudia Valeria Bastos Fernandes Domingues de Mello, responsável pela Direção do Foro da Subseção de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A magistrada foi acusada por servidores lotados na Coordenadoria de Apoio desta Subseção de práticas que configurariam assédio moral e abuso de autoridade.

“O Sisejufe pediu a instauração de procedimento para apuração dos fatos em novembro do ano passado [2015], logo após receber denúncia dos próprios servidores lotados no referido setor, que estariam sendo expostos, de forma reiterada, a situações constrangedoras e abusivas, que fizeram com que o ambiente de trabalho se tornasse nocivo, levando os funcionários ao adoecimento e total desestímulo. O departamento médico chegou a afastar todos os servidores do setor para tratamento de saúde.

As vítimas apontam que a juíza apresenta surtos de agressividade e se dirige aos servidores e terceirizados de forma hostil, chamando-os de “toupeiras”, trastes e outros termos pejorativos. Uma das colaboradoras teria sido dispensada grávida de sete meses, sob o argumento de que não estaria dando conta do serviço. Outro servidor foi colocado à disposição em razão de gozar de licença médica.

O Sisejufe também recebeu denúncias que dão conta de que a magistrada requisitava estagiários, servidores e terceirizados para realizar serviços pessoais, como comprar medicamentos, lanches, fazer serviços bancários e buscar materiais alheios à função. A juíza, em sua defesa, afirma que pouquíssimas vezes pediu para os agentes realizarem tais tarefas.

Além da falta de urbanidade e do abuso de autoridade, os relatos incluem a constante utilização indevida do veículo oficial para fins de interesse particular da magistrada, em descordo com os regulamentos expedidos pelo CNJ sobre a matéria, além do desvio de função dos agentes encarregados de conduzir o veículo e alterações indevidas nas jornadas de trabalho desses servidores.

O Sisejufe insiste que as condutas da juíza caracterizam assédio institucional ou coletivo, ofendendo o direito fundamental dos trabalhadores a um ambiente de trabalho saudável e, por isso, vai recorrer ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para pedir revisão disciplinar da decisão do TRF2 de arquivamento da sindicância.”

Eu acho que basta.