quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O Black Lives Matter e o racismo ideológico

Paulo Cruz

Dificilmente induziremos o negro a acreditar que, se seus estômagos estiverem cheios, pouca importância terão os seus cérebros.
(W. E. B. Du Bois)

Em 1964, num discurso contundente, Malcolm X, um dos mais influentes líderes do Movimento Negro americano, disse:

“Os Democratas [ou seja, a esquerda americana] só estão em Washington, D.C., por causa do voto negro. […] Vocês os colocaram em primeiro lugar e eles os colocaram por último, porque vocês são estúpidos. Politicamente estúpidos. Sempre que vocês jogam seu peso político por detrás de um partido que controla 2/3 do governo, e este partido não mantém as promessas que lhes fez durante a época de eleição, e vocês são idiotas o suficiente para continuarem a se identificar com esse partido, vocês não são apenas estúpidos, são traidores de sua raça”.

Antes disso, em 1916, W. E. B. Du Bois, fundador da NAACP (National Association for the Advancement of Colored People/Associação Nacional para o Avanço da População Negra)  -  a maior instituição de luta pelos direitos civis dos negros americanos  -  e o primeiro negro a graduar-se doutor em Harvard (1895), já demonstrava o seu desapontamento com o presidente Woodrow Wilson, o proto-fascista do Partido Democrata que, tendo garantido o apoio da população negra em sua primeira eleição, sob vagas promessas em favor dos direitos civis, a abandonou aos horrores das leis Jim Crow e promoveu uma verdadeira sangria segregacionista nos serviços públicos federais  -  que eram integrados desde o fim da Guerra Civil.

Mas a decepção com o American Dream, que (aparentemente) nunca chegava para os negros, e, sobretudo, o recrudescimento das Leis Jim Crow e dos linchamentos, fizeram com que personalidades como Du Bois  -  inicialmente um conservador que lutou arduamente pelo progresso intelectual dos negros dentro da tradição ocidental  -  bandeassem pateticamente para o lado de seu pior inimigo: o Partido Democrata  -  criador da Ku Klux Klan e das próprias Leis Jim Crow. Outros fatores decisivos para a migração do eleitorado negro para o Partido Democrata foram: a reeleição de Harry Truman, em 1948, com seu discurso a favor dos Direitos Civis; e, no final dos anos 1960, a influência do pastor Jesse Jackson, que se tornou o líder mais importante dos negros americanos após a morte de Martin Luther King Jr.. Outros foram ainda mais longe: apoiaram e militaram em favor do Comunismo. Du Bois, por exemplo, visitou a China, de Mao Tsé-Tung, e a União Soviética  -  esta última por 4 vezes! E, desde então, o negro americano mantém uma estranha fidelidade ao Partido Democrata e ao Socialismo.

Como podemos ver, a triste história do negro americano com a esquerda  -  que sempre foi falsamente preocupada com a desigualdade racial/social  -  é antiga, e produziu muitos frutos podres. Dentre estes, o famigerado movimento Black Lives Matter é a bola da vez.

Criado em resposta à absolvição, em 2013, do segurança de ascendência latina George Zimmerman, que matou o jovem negro Trayvon Martin, o movimento é, segundo encontramos em seu website, “enraizado na experiência das pessoas que os EUA insistem ativamente em desumanizar”. Sim, é isto mesmo: o país que elegeu e reelegeu um presidente negro é acusado de desumanizar os negros. Isso não poderia ser levado a sério. Mas é. Esse caso gerou uma narrativa de racismo ridiculamente fabricada por racialistas negros americanos da estirpe do Rev. Al Sharpton (um dos mais ferrenhos propagadores do ódio racial na atualidade).

Numa mistura de movimento revolucionário, vitimismo e segregação racial (com requintes de violência), o Black Lives Matter (BLM) foi criado por três mulheres  -  Alicia Garza, Patrisse Cullors e Opal Tometi  -  com a divulgação da hashtag #BlackLivesMatter, no Twitter, em 2013, a fim de protestar contra a absolvição de Zimmerman. Em 2014, a morte de Michael Brown foi o estopim para o movimento ganhar alcance mundial  -  e a cidade de Brown, Ferguson, ser destruída por protestos violentos.

Os fatos comprovam a pantomima: Brown  -  um jovem de 18 anos, quase 2 metros de altura e 138 kg  -  assaltou uma loja de conveniência. Na saída da loja, ao ser abordado pelo policial Darren Wilson, impediu que este saísse do carro, projetou-se para dentro do veículo pela janela e espancou o policial, tentando tomar-lhe a arma. A arma disparou, feriu a mão de Brown, que tentou fugir. Wilson saiu do carro, Brown se virou e voltou em sua direção; foi só então que Wilson atirou contra Brown e o matou. Obviamente, um caso de legítima defesa. Mas quem liga para os fatos? A narrativa criada pelos vitimistas da esquerda e pela imprensa insiste que Brown fora morto simplesmente por estar andando no meio da rua; ou, nas palavras de Barack Hussein Obama, o ex-presidente: por estar “andando como negro”. Para toda a imprensa, Brown fora apelidado de “Gigante Gentil”, um santo que nunca se tinha metido em uma briga. Tudo invenção. Posteriormente, os controversos casos de Eric Garner, Freddie Gray e, mais recentemente, Alton Sterling e Philando Castile tornaram a narrativa do BLM ainda mais sedutora. Mas há um grande problema aí.

A Realidade, sempre ela!

Diante da crescente onda de protestos violentos contra o que chama de “violência estatal”, o BLM se recusa a admitir  -  apesar de, no site, parecer preocupado com todas as nuances do problema  -  que, nos EUA, mais de 90% dos assassinatos de negros são cometidos por outros negros. E que os negros representam 13% da população americana, mas cometem 50% dos crimes.

De acordo com o FBI, em 2014 os negros foram responsáveis por 2.205 dos 2.451 negros assassinados. Brigas entre gangues estão entre as principais causas. Quem, por exemplo, aqui no Brasil (principalmente quem gosta de RAP), já não ouviu falar em Bloods e Crips, duas gigantescas gangues da Califórnia, famosas por suas relações com os rappers da Costa Oeste  -  dentre estes: 2 Pac, Dr. Dre, Snoopy Dogg e o produtor (e gangster) Suge Knight? E a rivalidade entre Costa Leste e Costa Oeste, pivô da morte de 2 Pac e Notorious BIG? Chicago, cidade reduto do Partido Democrata e de Obama, mesmo possuindo leis severas para controle de armas, amarga índices alarmantes de crimes e assassinatos. Em julho deste ano [em 2016], já bateu a marca de 2.005 vítimas de violência (319 assassinatos); mais de 60% relacionados a gangues. Chicago tem aproximadamente 60 facções, com mais de 100.000 membros no total. Em Chicago, os negros somam 35% da população, mas cometem 76% dos homicídios.

E foi na mesma Chicago que, em novembro de 2015, o garotinho Tyshawn Lee, de 9 anos, foi assassinado por membros de uma gangue em retaliação contra seu pai, membro de uma gangue rival. A esse respeito não ouvimos ou lemos uma palavra do BLM. Até o diretor Spike Lee, famoso por seus filmes com temática negra, obamista convicto que, na última eleição, apoiou o comunista Bernie Sanders, disse, em entrevista: “Não foi um policial que matou Tyshawn Lee […]. Não podemos ignorar que estamos matando uns aos outros também”. Lee filmou recentemente uma sátira, Chi-Raq (baseada na comédia Lisístrata, de Aristófanes), criticando o alto índice do chamado “Black-on-Black Violence” (violência de negros contra negros) em Chicago. O início do filme é avassalador:

2001 até hoje: 2349 americanos foram mortos na guerra do Afeganistão; 2003 a 2011: 4424 americanos foram mortos na guerra do Iraque; 2001 a 2015: 7356 assassinatos em Chicago. Os homicídios em Chicago, Illinois, superam o número de mortos das forças especiais americanas no Iraque. Mais de 400 crianças em idade escolar foram mortas esse ano. Na semana do 4 de Julho de 2015, dia da independência americana, 55 pessoas foram alvejadas e feridas; 10 morreram, incluindo um garoto de 7 anos. Onde estava a liberdade deles? Onde estava seu direito à vida, à liberdade, e à busca da felicidade?

Apesar de um libelo desarmamentista, o filme de Lee bota o dedo na ferida dos negros americanos.

Ghetto Boys

O fato é que os negros foram incentivados, pela mesma esquerda multiculturalistas que lhe jura amor incondicional, a uma cultura de marginalidade. Curiosamente, de acordo com o economista Thomas Sowell, aquilo que hoje é enaltecido como “cultura negra”  -  incluindo o chamado “Black English”, espécie de dialeto falado entre os negros americanos  -  tem sua origem nos Rednecks [caipira, em tradução livre], os primeiros imigrantes britânicos que chegaram ao sul dos EUA. Sowell diz:

“[…] música animada e dança, um estilo de oratória religiosa marcada pela retórica estridente, emoções desenfreadas e estética extravagante. Tudo isso se tornaria parte do legado cultural dos negros, que viveram durante séculos no meio da cultura caipira do Sul. […] Muitos entre os intelectuais retratam a cultura negra redneck de hoje como a única cultura negra “autêntica”, e até mesmo a glorificam. Eles denunciam qualquer crítica ao estilo de vida do gueto ou qualquer tentativa de mudá-lo. Os professores pensam não ser apropriado corrigir jovens negros que falam o “Black English”, e ninguém acha certo criticar o estilo de vida de negros rednecks. Nesta cultura, a beligerância é considerada virilidade, e a crueldade, legal (cool), enquanto ser civilizado é considerado “agir como branco”.

A glorificação da marginalidade impede muitos negros de buscarem alternativas. Ser “malandro” é sinônimo de ser respeitado, esperto, sedutor etc. Quando vemos, por exemplo, o senador negro que se tornaria, tempos depois, o presidente dos EUA comportando-se como um redneck no programa da Ellen Degeneres  -  sendo ovacionado por isso –, temos a real dimensão de quão nociva é essa cultura. Quando vemos, no Brasil, programas como Esquenta!, da Globo [extinto, graças a Deus], cuja maior contribuição é reforçar, ao melhor estilo “pagode na laje”, o estereótipo festeiro e esteticamente grosseiro da população periférica; ou, ainda, seriados como Mister Brau  -  estrelado pelos mais novos representantes da negritude vitimista, o casal de atores Thaís Araújo e Lázaro Ramos –, que, mesmo tentando dar um certo protagonismo ao negro, ainda o mantém mergulhado em estereótipos patéticos, notamos que o enaltecimento da “cultura de gueto” não é um problema só dos americanos.

Outro importante fator para o altíssimo índice de violência entre os negros  -  e também completamente desprezado pelo BLM  -  é a grande quantidade de crianças que nascem e vivem sem o pai nos EUA.

Atualmente, 75% das crianças negras dos EUA nascem e vivem sem o pai em casa. Estas têm 5 vezes mais chances de viverem na pobreza e cometerem crimes; 9 vezes mais chances de abandonarem a escola; e 20 vezes mais chances de serem presos. Um número assustador se compararmos com a década de 1960, quando esse era de 25%. Para Larry Elder, advogado e apresentador do pograma The Larry Elder Show, no rádio, esse é o principal problema da população negra americana. E não culpemos a pobreza, pois como diz Thomas Sowell:

Somos informados de que esses distúrbios são um resultado da pobreza negra e do racismo branco. Mas, na verdade  -  para aqueles que ainda têm algum respeito pelos fatos  -  a pobreza negra era muito maior e o racismo branco era muito pior antes de 1960. Mas o crime violento nos guetos negros era muito menor.

As taxas de homicídio entre homens negros estavam diminuindo  -  repito, diminuindo  -  na década muito lamentada de 1950; porém, subiram muito após os célebres anos de 1960, atingindo mais do que o dobro do que tinham sido anteriormente. A maioria das crianças negras eram criadas em famílias com ambos os pais antes da década de 1960. Mas hoje a grande maioria das crianças negras são criadas em famílias monoparentais.

E em outro importante artigo, de 2013, escreve Sowell:

A taxa de pobreza entre os negros é 36%. A maior taxa é encontrada em famílias chefiadas por mulheres. A taxa de pobreza entre casais negros tem se mantido em um dígito desde 1994, e hoje é de cerca de 8%. A taxa de nascimentos na ilegitimidade, entre os negros, é de 75%, e, em algumas cidades, de 90%. Mas se esse é um legado da escravidão, deve ter pulado várias gerações, porque na década de 1940 os nascimentos entre as solteiras giravam em torno de 14%.
Pois é, caro leitor, é difícil lutar contra os fatos.

Até o rapper Tupac Shakur disse, certa vez, que se tivesse tido um pai por perto, teria adquirido mais disciplina e confiança. Que seu envolvimento com gangues se deu, principalmente, pela falta de um pai que o orientasse.

No Brasil

Cá em nossas plagas foi publicada, recentemente, uma pesquisa que nos aproxima da realidade americana  -  um verdadeiro milagre, uma vez que, em geral, as pesquisas por aqui só servem para reforçar narrativas ideológicas: 2 em cada 3 menores que cometem crimes não têm o pai em casa. Apenas 34% convivem com o pai na mesma residência; e 37% dos entrevistados têm parentes com antecedentes criminais. Ou seja, prevalece a máxima contida na música do Racionais MC’s: “ele se espelha em quem tá mais perto”.

No Brasil, onde abundam estatísticas raciais a respeito das vítimas, mas NUNCA dos criminosos, é curioso encontrar tais dados  -  mesmo que a intenção tenha sido vitimizar os menores criminosos.

E para não dizer que não há dado algum sobre agressores/criminosos adultos, uma dissertação de mestrado sobre violência contra mulheres negras, de 2013, encontrada na internet, informa que 10 das 14 entrevistadas foram agredidas por negros, ou seja, mais de 70%. Revelar a cor dos criminosos  -  e não só das vítimas, como maliciosamente se faz no Brasil  -  mudaria completamente a interpretação dos fatos.

E é exatamente esse ponto que nos liga ao início deste artigo, à citação de Malcolm X e à ideologização do racismo para fins político-ideológicos. Malcolm e muitos outros líderes negros  -  não só dos EUA, mas, por exemplo, na Martinica (Aimé Césaire), em Cuba (Carlos Moore) ou mesmo no Brasil (Abdias do Nascimento) –, perceberam que a causa do negro não tem nada que ver com a esquerda, e que esta só se interessa pelo voto negro, pelo apoio da massa manipulável dos excluídos. Mas isso não é algo fortuito, há uma gênese e uma intenção.

O novo lumpemproletariado

Após a derrocada da idéia estapafúrdia de Marx sobre a Revolução do Proletariado, é de interesse da esquerda contemporânea  -  influenciada, sobretudo, por Antônio Gramsci e Herbert Marcuse  -  que os “marginalizados” (criminosos, proscritos, discriminados, excluídos) sejam a nova classe revolucionária. São manipulados e incentivados à revolta constante, a fim de desestabilizar a sociedade, instaurar o caos e garantir o sucesso de sua intenção primeva (contida, inclusive, nos primeiros escritos de Marx): a destruição da família e da cultura ocidental. Como nos alertava o filósofo Olavo de Carvalho, no início dos anos 1990:

Outro fenômeno que ocorreu no Brasil foi “lumpenização” da esquerda. Hoje em dia, graças a esse tipo de bandeira, que se sobrepõe muito a qualquer bandeira de ordem econômica ou até à idéia de socialismo, o conceito de povo que a esquerda tem é o lumpemproletariado, ou seja, os bandidos, as prostitutas, os viciados, traficantes, etc. É essa faixa social que a esquerda hoje defende e em nome da qual ela fala. Inclusive do ponto de vista estético. A tendência é cada vez mais a classe média imitar os hábitos do lumpem, se vestir como lumpem, falar como lumpem, etc. Marx estava muito certo quando dizia que o lumpem não é uma força revolucionária, mas certamente é uma força de decomposição. E o que se observa no Brasil é o fenômeno da decomposição: financeira, administrativa, moral, cultural etc. O Brasil é um país que está se desfazendo diante de nós. A corrupção galopante que ninguém consegue deter, a magnífica compra de consciências com a qual se transforma o Supremo Tribunal Federal num escritório do Partido, são apenas sintomas da decomposição moral.

Olavo fala do Brasil, mas essa é uma regra geral. Nas palavras do próprio Herbert Marcuse:

No entanto, sob a base popular conservadora se encontra o substrato dos proscritos e “outsiders”, os explorados e perseguidos de outras raças e outras cores, os desempregados e aqueles que não podem ser empregados. Eles existem fora do processo democrático; sua vida é a necessidade mais imediata e mais real para acabar com às instituições e condições intoleráveis. Assim, a sua oposição é revolucionária mesmo que a sua consciência não seja. Sua oposição atinge o sistema a partir do exterior e, portanto, não é derrotada pelo sistema; É uma força elementar que viola as regras do jogo e, ao fazê-lo, revela-o como um jogo falsificado.

Ou seja, a esquerda contemporânea se apossou de causas que, inicialmente, eram até genuínas  -  movimento pelos direitos civis, sufrágio feminino, discriminação racial/social etc.  -  misturou às suas teses revolucionárias e formou o seu lumpemproletariado, a sociedade de revoltados cujas demandas não precisam e nem devem ser solucionadas, pois a revolta constante é o que importa. Defendendo tais “causas”, tem o seu eleitorado garantido por anos a fio.

Um exemplo de como a manipulação de causas legítimas, aliadas a teorias revolucionárias, trazem prejuízos quase irremediáveis a seus possíveis beneficiários, é a Revolução Sexual da década de 1960. O livro Eros e Civilização (1955), de Herbert Marcuse, foi o grande catalisador do período. Para Marcuse, o prazer era inibido pela opressão imposta pelo trabalho (capitalismo) e pela vida moral burguesa:

Enquanto, fora do privatismo da família, a existência do homem foi principalmente determinada pelo valor de troca dos seus produtos e desempenhos, sua vida no lar e na cama foi impregnada do espírito da lei divina e moral. Supôs-se que a humanidade era um fim em si e nunca um simples meio; mas essa ideologia era efetiva mais nas funções privadas do que nas sociais dos indivíduos; mais na esfera da satisfação libidinal do que na do trabalho. A força plena da moralidade civilizada foi mobilizada contra o uso do corpo como mero objeto, meio, instrumento de prazer; tal coisificação era tabu e manteve-se como infeliz privilégio de prostitutas, degenerados e pervertidos. .

Mas sua proposta é a destruição dessa repressão, na busca por uma sociedade não-patriarcal e não-opressora  -  ou seja, mais “livre”:

Com o aparecimento de um princípio de realidade não-repressivo, com a abolição da mais-repressão requerida pelo princípio de desempenho, esse processo seria invertido. Nas relações sociais, a coisificação reduzir-se-ia à medida que a divisão do trabalho se reorientasse para a gratificação de necessidades individuais desenvolvendo-se livremente; ao passo que, na esfera das relações libidinais, o tabu sobre a coisificação do corpo seria atenuado. Tendo deixado de ser usado como instrumento de trabalho em tempo integral, o corpo seria ressexualizado. A regressão envolvida nessa propagação da libido manifestar-se-ia, primeiro, numa reativação de todas as zonas erotogênicas e, conseqüentemente, numa ressurgência da sexualidade polimórfica pré-genital e num declínio da supremacia genital. Todo o corpo se converteria em objeto de catexe, uma coisa a ser desfrutada um instrumento de prazer. Essa mudança no valor e extensão das relações libidinais levaria a uma desintegração das instituições em que foram organizadas as relações privadas interpessoais, particularmente a família monogâmica e patriarcal .

Porém, o tiro saiu pela culatra. A liberação sexual piorou (e muito) a vida das mulheres. De acordo com o psiquiatra Theodore Dalrymple:

Os profetas dessa revolução desejavam esvaziar do relacionamento entre os sexos todo o significado moral e destruir os costumes e as instituições que o regiam. […] O programa dos revolucionários sexuais foi mais ou menos executado, especialmente nas classes mais baixas da sociedade, no entanto, os resultados foram imensamente diferentes do que fora previsto de maneira tão estúpida. A revolução foi a pique na rocha da realidade inconfessa: de que as mulheres são mais vulneráveis à violência que os homens exclusivamente em virtude da biologia, e que o desejo da posse sexual exclusiva do parceiro continuou tão forte quanto antes. Esse desejo é incompatível, é claro, com o desejo igualmente poderoso  -  eterno nos sentimentos humanos, mas até agora controlado por inibições sociais e legais  -  de total liberdade sexual. Por conta dessas realidades biológicas e psicológicas, os frutos da revolução sexual não foram o admirável mundo novo de felicidade humana, mas, ao contrário, um enorme aumento da violência entre os sexos por razões prontamente compreensíveis .

O fruto da farsa

Nos EUA, Barack Hussein Obama prometeu um governo para todos os americanos, mas, além de quebrar muitas de suas promessas, só fez dividi-los; recentemente disse que o racismo está no DNA americano. De novo: o país que elegeu e reelegeu um presidente negro tem o DNA racista (?). E o Black Lives Matter, um movimento que se julga tão autônomo, foi disputado, descaradamente, na corrida presidencial de 2016, pelos socialistas Hillary Clinton e Bernie Sanders. Por que? Porque a pseudo-causa do BLM pertence aos socialistas. E mesmo que o BLM rejeite suas investidas, a pseudo-causa ainda lhes pertence, e eles não desistirão. Ainda assim, mais de 80% dos negros americanos são eleitores do Partido Democrata.

No Brasil, o “governo para os pobres” do PT fez a miséria aumentar em 10%. E mesmo mudando os cálculos para transformar em classe média quem ganha R$ 300/mês, a promessa de eliminar a miséria em 2016 falhou completamente. Por outro lado, durante os governos Lula e Dilma, os bancos lucraram 850%. Ainda assim, mais de 50% dos eleitores do PT são pobres.

E dessa forma a esquerda faz dos negros, dos pobres, das mulheres, dos homossexuais e de toda a sorte de excluídos e marginalizados, o seu lumpemproletariado, garantindo sua hegemonia. Por isso, para o bem da sociedade, movimentos como Black Lives Matter  -  ou, aqui no Brasil, o Sistema de Cotas Raciais  -  precisam ser desmascarados.


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Réquiem para um ladrão - Dilma Rousseff

A PERDA DE UM COMPANHEIRO

“O mundo é mágico.
As pessoas não morrem, ficam encantadas.”
(Guimarães Rosa)

Perdi hoje um parceiro de uma vida.

Carlos Araújo foi um bravo lutador.

Foi um bravo lutador no enfrentamento da ditadura militar, que não conseguiu destruir nem sua força vital, nem seu caráter, nem sua coragem.

Foi um bravo lutador no esforço pela reconstrução do trabalhismo no Brasil, missão à qual ele e muitos companheiros se dedicaram.

Carlos Araújo amou a vida, e lutou por ela, tanto quanto lutou por uma vida melhor para todos.

Morreu ontem, mas viverá para sempre: em sua família, em sua companheira Ana, em seus filhos Leandro e Rodrigo, em nossa filha, Paula, em nossos netos, Gabriel e Guilherme, nos muitos amigos que fez e nos muitos admiradores que conquistou.

Viverá nas nossas fortes lembranças do esforço comum pela sobrevivência, das lutas que travamos lado a lado, dos sacrifícios e das dificuldades pelas quais passamos, e também das conquistas que alcançamos juntos.

Aprendi com ele. E agradeço a oportunidade de tê-lo conhecido e de ter convivido tantos anos com um ser humano tão generoso, afetuoso e correto.

O mundo nos impôs desafios que tivemos de vencer. Enfrentamos percalços que poderiam ter nos destruído. Mas vencemos muitas dessas dificuldades, uma a uma.

Em qualquer circunstância, sempre pude contar com ele, com sua inteligência, com sua capacidade e com sua força.

Vai fazer falta aos nossos netos, fará falta à nossa filha, fará falta a todos que o amam e que o amaram, e fará muita falta a mim.

E é para honrá-lo e prestar-lhe tributo que continuarei lutando por um mundo melhor, por um Brasil mais justo e pela emancipação do povo do meu país.

Exaltarei sempre a sua coragem, enaltecerei sempre a sua bravura e a grandeza com que lutou sempre por seus ideais. Não cedeu, não se deixou vergar. Partiu, ontem, como viveu toda uma vida: digno, altivo, sereno, amoroso, amigo e parceiro.

Carlos Araújo viveu visceralmente e brilhou intensamente.

Agradeço por sua existência e por ter feito parte da minha vida. Carlos encantou a todos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo.


DILMA ROUSSEFF

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Os charlatões e Charlottesville

Ana Paula Henkel

A manifestação ocorrida em Charlottesville neste fim de semana é inaceitável. Ponto. Sem “mas”.  Até a liberdade de expressão, como qualquer outra liberdade, tem seus limites morais.

A América é uma nação de imigrantes. Atesto e dou fé que este é o país mais acolhedor do planeta e cheio de oportunidades. A América é o “melting pot” formado por índios, negros, brancos, asiáticos e hispânicos. A América é dos Democratas, dos Republicanos e dos Independentes de todas as origens, etnias e credos. Manifestações marginais e nada representativas do pensamento do povo americano como as ocorridas em Charlottesville chamam atenção exatamente pelo surrealismo.

É preciso deixar claro que a intolerância e o preconceito não possuem cores ideológicas de origem. A tentativa partidária e intelectualmente desonesta de jogar o nazismo (ou nacional-socialismo) no colo da “esquerda” ou da “direita”, seja lá o que se entenda hoje em dia por esses termos da Revolução Francesa, joga mais fumaça que luz no debate.

Não é de hoje que existe uma leniência perigosa de parte das elites urbanas “progressistas” com movimentos violentos e divisionistas como o Black Lives Matter (BLM). O site da organização se descreve como “uma intervenção ideológica e política em um mundo onde vidas negras são sistematicamente e intencionalmente tiradas.” A “guerra” do BLM contra toda e qualquer instituição policial no país é declarada e assumida, com passeatas pelas principais cidades americanas gritando “Porcos (policiais) enrolados, fritem todos como bacon.”

O ex-presidente Barack Obama, de triste memória, mostrou durante sua administração ser um apoiador do BLM, convidando seus líderes para a Casa Branca mesmo depois que policiais foram assassinados aleatoriamente nas ruas, inclusive negros, em atos terroristas e que nunca tiveram a devida condenação do governo passado. O BLM não é, diga-se, representativo do pensamento majoritário dos negros americanos.

Donald Trump condenou a violência de “todos os lados”. A imprensa mais partidária (perdoem a redundância) evidentemente criticou, previsível que é. Os que apostam em mais divisão da sociedade realmente têm motivos para reclamar. Não tenho qualquer simpatia pelo bufão laranja da Casa Branca, mas o tom para quem quer pacificar a sociedade é este. Não existe “violência do bem”.

Tão intelectualmente desonesto quanto carimbar qualquer negro do país como um apoiador do BLM é querer tatuar “nazista” na testa dos brancos americanos, uma narrativa de extrema-esquerda que lamentavelmente impregnou parte da cobertura sobre as manifestações em Charlottesville. É usar um episódio nascido no ódio para criar mais ódio.

Muitas análises recorrem até ao revisionismo histórico, apagando as ligações históricas inegáveis do racismo político e da Ku Klux Klan com o Partido Democrata. A KKK era uma milícia nascida no partido que fez uma guerra civil para combater o abolicionismo do republicano Abraham Lincoln. O racismo tem suas raízes no coletivismo e na eugenia, duas perversões ideológicas opostas ao liberalismo clássico defendido pelo Partido Republicano. A defesa irrestrita da Primeira Emenda é perfeitamente compatível com o debate moral sobre como a liberdade de expressão é usada caso a caso.

Micah Johnson, o atirador negro de Dallas que disse querer “matar pessoas brancas, especialmente policiais” em nome do Black Lives Matter, tinha uma página em uma rede social que pregava a supremacia negra.  Johnson é a triste imagem espelhada de Dylan Roof, o branco nacionalista que matou nove negros numa igreja em Charleston, na Carolina do Sul, no ano passado. Eles são duas faces da mesma moeda de intolerância que não cabem no país da liberdade e da oportunidade para todos.

Na Segunda Guerra, esquerda e direita se juntaram para combater o nacional-socialismo e o fascismo. Se tivessem optado por brigar entre si em vez de focarem nas potências do Eixo, poderíamos ter hoje um mundo bem pior. Não podemos deixar que esta geração caia nas armadilhas ideológicas que Churchill e Roosevelt conseguiram escapar para vencer o inimigo comum.


sábado, 12 de agosto de 2017

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Herdeira do Credit Suisse, com peninha, presenteia o apedeuta com R$ 500 mil

Adriano De Aquino

Já vi de tudo!

Mas, essa notícia abriu uma gaveta enferrujada no arquivo da impostura.

Roberta Luchsinger, loura, 32 anos, herdeira da família que fundou o banco Credit Suisse deu início a duas campanhas.

A primeira é arrecadar recursos para ajudar o Lula a sobreviver depois que Moro bloqueou os quase 10 milhões de reais que o pobre coitado tinha em aplicações na Brasil Previ. Os rendimentos acumulativos do ex-presidente rendiam e continuam rendendo só 70 mil reais por mês. Quase o mesmo montante que a milionária recebia mensalmente de mesada do avô, banqueiro suíço.

Para confirmar sua disposição de salvar o ex-presidente da miséria, a herdeira juntou uns badulaques em ouro maciço, pedras preciosas, uma parte em papel moeda e o ultimo cheque 28 mil francos suíços (cerca de R$ 91 mil) da mesada que recebia do avô morto em 8 de julho, aos 92 anos (sniff) totalizando 500 mil reais. Com essa tralha reunida fez a primeira doação pessoal ao petista, inaugurando a campanha ‘Ajude a salvar o Lula.’

A obnubilada acredita piamente que os petistas repetirão a mesma generosidade doando parte do que roubaram enquanto estiveram no poder.

A segunda campanha é mais complicada. Porém, como em política tudo se vende e se compra, a milionária não se abala. Tem grana suficiente para comprar os que possam discordar da sua candidatura à deputada estadual pelo PCdoB na eleição de 2018.

Creio que a maior resistência no âmbito do PC do B virá das candidatas do partido. Sendo mais loira que a Vanessa Grazziotin é possível que encontre dificuldades em obter a legenda. Mas nada que o amigo Lula não possa resolver. Ele tem um jeitão especial para lidar com mulheres do “grelo duro”.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Assim até eu sou cineasta!

Vejam a quantidade absurda de produtores e patrocinadores de Budapeste. Deu 1:15 minuto na introdução só para exibi-los.

Registrando que entre estes estamos todos nós, que entramos com a parte do leão, além dos otários espontaneamente bitributados ao pagar pelos ingressos para assistir a essa josta.

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terça-feira, 8 de agosto de 2017

O inofensivo Bolsonaro

Carlos Andreazza

Houvesse uma direita no Brasil, e ele seria nota de rodapé exótica na história. É produto da doença política brasileira

Jair Bolsonaro é candidato a presidente, tem cerca de 15% nas pesquisas e vem de alugar um partido para concorrer. Nunca, porém, geriu algo que não a vida dos filhos. Precisa, pois, ser tratado seriamente. Cabe ao jornalismo tirá-lo da bolha tuiteira em que alguém como ele pode ser considerado solução para o Brasil e lhe franquear microfones para que fale o que pensa sobre o país.

Urge ouvi-lo sobre o tamanho do Estado, sobre reformas, sobre economia em geral — suas opiniões conhecidas a respeito precisam de decodificação antes de poderem ser tidas por alarmantes. Urge ouvi-lo sobre segurança pública, assunto que — com razão — define (é o único a fazê-lo) como prioridade e que seu militarismo sugere ser sua especialidade. Será?

É hora de investigar suas aptidões — excluída a capacidade, comprovada, de se autopromover como zelador dos costumes conservadores do brasileiro médio.

Deputado federal desde 1991, mas que já defendeu o fechamento do Congresso, quer ser presidente (já postulou o fuzilamento de um, FHC, por ter privatizado a Vale) empunhando as mesmas bandeiras — de natureza legislativa — que agita há décadas, o que de prático só resultou em fama para o agitador. Ou a agenda progressista não terá avançado livremente na Câmara justo no período mais histérico de Bolsonaro?

Não tendo, pois, conseguido defender a tradicional família brasileira no Parlamento, o lugar apropriado (onde, no entanto, acabou ingenuamente emboscado pelo vitimismo de Maria do Rosário), ele agora pretende levar sua causa ao Executivo, lá onde nada poderia fazer a respeito — senão por meio de uma ditadura. Como não lembrar, a propósito, que já elogiou Fujimori por intervir militarmente no Judiciário e no Legislativo peruanos?

Que eu escreva o óbvio: houvesse uma direita no Brasil, e Bolsonaro seria nota de rodapé exótica na história. Ele é produto da doença política brasileira, indivíduo cujo protagonismo é tão decorrente da miséria cultural em que se constitui a vida pública entre nós quanto simbólico de um país que se deixou cuspir aos extremos sem haver cevado o equilíbrio, o dissenso, a própria matéria com a qual se esculpe uma nação.

Que o militarista estatista Bolsonaro seja confundido com um conservador é prova de que a esquerda venceu. Que alguém com o histórico de indisciplina — de desafio à hierarquia — militar de Bolsonaro, um oficial de carreira sofrível, seja tomado por voz das Forças Armadas é simbólico das três décadas de sucateamento a que Exército, Marinha e Aeronáutica foram impostos desde o fim do regime militar.

O autocrata Bolsonaro é obra-prima do plano de hegemonia esquerdista, aquele que, ao ocupar todos os espaços de produção-divulgação do pensamento, empastelou a chance de que aqui houvesse um partido conservador ao menos. O fato de o PSDB ser considerado de direita é autoexplicativo do modo como as ideias liberais e conservadoras foram excluídas do debate público brasileiro, deformadas a uma única existência — aceitável porque útil: a do extremo.

Bolsonaro é útil. Mas não inocente. Depende da inexistência da direita no Brasil tanto quanto da demonização da política. Construiu a própria mitologia nesse vácuo democrático. Num país desprovido de representação conservadora, aceitou a ponta que seria dada a qualquer um que não se constrangesse em encenar o papel de extremista escrito pela narrativa da esquerda. Ele topou; intuiu que, sobretudo a partir da ascensão do PT, haveria cristãos dispostos a embarcar na conversa do político que incorporasse o antipetismo. Ele cresceu — cresce — com Lula. Lula torce para tê-lo como adversário. Um olhar de Geisel para a nação, aliás, une-os.

Da mesma forma que o PSDB é a direita falsificada pelo establishment, a que faz o contraponto ao PT, a esquerda que disputa o poder, Bolsonaro é a direita consentida, a extrema, o radical desejado, necessário ao status quo, o ultrainofensivo, que interdita o surgimento de uma direita democrática e que legitima a persistência da esquerda que ainda ousa associar socialismo e liberdade.

Na última quarta, ele votou pela aceitação da denúncia contra Temer. Sintomaticamente, votou como Jandira Feghali e Jean Wyllys. Não houve cusparada dessa vez. Nem discurso. Bolsonaro não homenageou o torturador Ustra nem o ex-deputado Cunha — como quando da votação do impeachment de Dilma. Naquela ocasião, ele também se manifestara pelo afastamento de um presidente.

Bolsonaro é assim. Não tem bandido de estimação, embora tenha permanecido por dez anos no mensaleiro PP. Ele é plano, direto: contra a corrupção; tipo intolerante a nuances, como só possível a um ser desprovido de lastro intelectual, incapaz de compreender sequer rudimentarmente o momento histórico.

Como todos aqueles erigidos no barro do personalismo, é refém da vontade sanguínea dos que o idolatram, daí porque ora atado à camisa de força do jacobinismo em curso — que a todos iguala com método, como se entre os políticos criminosos não houvesse aqueles, maiores, que assaltaram o Estado em prol de um projeto autoritário de poder.

Como todo inflexível em causa própria, ele só transige — pulando de PP em PSC, de PSC em PEN — se para cultivar a mitologia sobre si. O partido sou eu — dirá. O honesto sou eu — diz. Logo: e daí que seu voto seja presente aos esquerdistas que propagandeia combater? É o preço que paga todo arrivista. E ele sempre poderá se escudar na canalhice segundo a qual votou como Jandira e Jean, mas por motivos diversos.

É assim, com pureza, com distinção, que um mito presta serviço ao PT.


A grande família do Senado

Veja a relação dos senadores e seus parentes:

ACRE
Senadores
Gladson Cameli (PP) – Sobrinho do ex-governador Orleir Cameli e do ex-vice­governador do Acre César Messias.
Jorge Viana (PT) – Irmão do governador e ex-senador Tião Viana, filho do ex-deputado Wildy Viana e sobrinho do ex-governador Joaquim Macedo.
Sérgio Petecão (PSD) – Marido da suplente de deputada federal Marfisa Galvão, é irmão da vereadora Lene Petecão, de Rio Branco, e primo do ex-vereador Pedrinho Oliveira, também da capital do Acre.
ALAGOAS
Senadores
Benedito de Lira (PP) – Pai do deputado Arthur Lira (PP-AL) e padrasto de Marcelo Palmeira, vice-prefeito de Maceió.
Fernando Collor (PTC) – Filho do ex-senador e ex-governador Arnon de Mello e neto do ex-ministro do Trabalho Lindolfo Collor. Pai do ex-vereador de Rio Largo (AC) Fernando James e tio do ex-vice-prefeito de Atalaia (AC) Fernando Lyra Collor.
Renan Calheiros (PMDB) – Pai do governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), e irmão do deputado estadual Olavo Calheiros, do ex-deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB), que foi prefeito de Olinda, e de Robson Calheiros, ex-vereador de Maceió.  Remi Calheiros, seu outro irmão, e Olavo Calheiros Novais, seu pai, também foram prefeitos de Murici, município administrado hoje por Olavo Neto, sobrinho do senador.
AMAZONAS
Senadores
Eduardo Braga (PMDB) – Marido de Sandra Braga, que o substituiu como suplente no Senado enquanto ele era ministro.
Vanessa Grazziotin (PCdoB) – Casada com o ex-deputado estadual Eron Bezerra.
AMAPÁ
Senadores
Davi Alcolumbre (DEM) – Primo do deputado estadual Isaac Alcolumbre, do ex-vereador de Macapá Moisés Alcolumbre e do ex-suplente de senador Salomão Alcolumbre Junior.
João Capiberibe (PSB) – Marido da deputada Janete Capiberibe (PSB-AP) e pai do ex-governador do Amapá Camilo Capiberibe.
BAHIA
Senadores
Otto Alencar (PSD) – Irmão do ex-prefeito de Simões Filho (BA) Eduardo Alencar.
CEARÁ
Senadores
Eunício Oliveira (PMDB) – Irmão da ex-prefeita de Lavras da Mangabeira (CE) Dena Oliveira, genro do ex-presidente da Câmara Paes de Andrade e tio do deputado estadual Danniel Oliveira.
Tasso Jereissati (PSDB) – É filho do ex-senador e ex-deputado federal Carlos Jereissati.
DISTRITO FEDERAL
Senador
Reguffe (sem partido) – Neto do ex-deputado federal Expedito Machado e sobrinho do ex-senador Sérgio Machado.
ESPÍRITO SANTO
Senadores
Magno Malta (PR) – É casado com a ex-deputada federal Lauriete.
Ricardo Ferraço (PSDB) – Filho do deputado estadual Theodorico Ferraço e enteado da deputada federal Norma Ayub (DEM-ES).
Rose de Freitas (PMDB) – Foi casada com o ex-vereador de Vitória Huguinho Borges, já falecido, e cunhada do ex-deputado estadual Sérgio Borges, conselheiro do TCE-ES. O pai deles, Hugo Borges, foi prefeito de Guarapari (ES).
GOIÁS
Senadores
Lúcia Vânia (PSB) – Foi casada com o ex-governador Irapuan Costa Junior. É irmã do ex-senador Moisés Abrão Neto e prima do ex-deputado Pedrinho Abrão. É tia do deputado federal Marcos Abrão (PPS-GO).
Ronaldo Caiado (DEM) – Herdeiro de uma das famílias políticas mais tradicionais de Goiás nos séculos 19 e 20, é neto do ex-senador Totó Caiado, sobrinho dos ex-senadores Emival Caiado e Brasil Ramos Caiado e do ex-deputado Elcival Ramos Caiado. Primo dos ex-deputados Brasílio Ramos Caiado, Mário Alencastro Caiado e Sérgio Caiado e do ex-governador de Goiás Leonino Di Ramos Caiado.
Wilder Morais (PP) – Irmão do ex-prefeito de Taquaral de Goiás Willis Morais.
MARANHÃO
Senadores
Edison Lobão (PMDB) – Marido da ex-deputada federal Nice Lobão e pai de Lobão Filho, suplente que exerceu o mandato em seu lugar enquanto era ministro.
João Alberto (PMDB) – Pai do deputado João Marcelo Souza (PMDB).
Roberto Rocha (PSB) – Filho do ex-governador do Maranhão Luiz Rocha, ex-deputado federal, e irmão do ex-prefeito de Balsas (MA) Luiz Rocha Filho.
MINAS GERAIS
Senadores
Aécio Neves (PSDB) – Neto do ex-presidente Tancredo Neves e do ex-deputado Tristão da Cunha, é filho do também ex-deputado Aécio Cunha. É primo do vice-governador do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, e do deputado federal Marco Antônio Cabral (PMDB-RJ). É sobrinho-neto do ex-prefeito de Cláudio (MG) Múcio Tolentino.
Zezé Perrella (PMDB) – É filho de José Henrique Costa, ex-prefeito de São Gonçalo do Pará (MG), e pai do ex-deputado estadual Gustavo Perrella.
MATO GROSSO DO SUL
Senadores
Pedro Chaves (PSC) – Cunhado do ex-deputado estadual Jerson Domingos, conselheiro do TCE-MS, e da ex-vereadora de Campo Grande Tereza Name.
Simone Tebet (PMDB) – Casada com o deputado estadual Eduardo Rocha, é filha do ex-senador Ramez Tebet (PMDB-MS).
Waldemir Moka (PMDB) – Primo do ex-governador Zeca do PT, do ex-prefeito de Porto Murtinho (MS) Heitor Miranda e do deputado Vander Loubet (PT-MS).
MATO GROSSO
Senadores
Cidinho Santos (PR) – Irmão do ex-prefeito de Nova Marilândia (MT) Wener dos Santos.
Wellington Fagundes (PR) – Pai de João Antônio Fagundes Neto, que foi candidato a vice-prefeito de Rondonópolis (MT).
PARÁ
Senadores
Jader Barbalho (PMDB) – Pai do ministro Helder Barbalho, ex-prefeito de Ananindeua, marido da deputada Simone Morgado e primo do deputado José Priante, ambos do PMDB do Pará. Já foi casado com a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA).
PARAÍBA
Senadores
Raimundo Lira (PMDB) – Irmão de Francisco Lira e genro de Bento Figueiredo, ex-prefeitos de Campina Grande (PB), e cunhado do ex-prefeito de Igaracy (PB) Olívio Bandeira.
Cássio Cunha Lima (PSDB) – Filho do ex-governador e ex-senador Ronaldo Cunha e pai do deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB). É sobrinho do ex-senador Ivandro Cunha Lima e primo de Romero Rodrigues, prefeito de Campina Grande. Também é primo dos deputados estaduais Bruno Cunha Lima e Arthur Cunha Lima Filho.
José Maranhão (PMDB) – Filho de Benjamin Maranhão e irmão de Wilma Maranhão, ex-prefeitos de Araruna. O pai do senador ainda foi prefeito de Cacimba de Dentro. É tio do deputado federal Benjamin Maranhão (SD-PB) e da ex-deputada estadual Olenka Maranhão.
PERNAMBUCO
Senadores
Armando Monteiro (PTB) – Filho do ex-deputado e ex-ministro Armando Monteiro Filho e neto do ex-governador Agamenon Magalhães. É primo do deputado Fernando Monteiro (PP-PE) e do ex-deputado José Múcio Monteiro, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Fernando Bezerra Coelho (PSB) – Pai do deputado federal Fernado Coelho Filho, ministro de Minas e Energia, e do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. É sobrinho do ex-governador de Pernambuco Nilo Coelho e do ex-deputado Osvaldo Coelho. É irmão do ex-deputado Clementino Coelho e primo do deputado federal Guilherme Coelho (PSDB-PE).
PIAUÍ
Senadores
Ciro Nogueira (PP) – Marido da deputada federal Iracema Portella (PP-PI), filho do ex-deputado Ciro Nogueira e neto do ex-prefeito de Pedro II (PI) Manoel Nogueira Lima. É genro da ex-deputada federal Myriam Portella e do ex-governador Lucídio Portella.
Elmano Férrer (PMDB) – Primo do deputado estadual Heitor Férrer (PSB-CE).
PARANÁ
Senadores
Alvaro Dias (Podemos) – Irmão do ex-senador Osmar Dias.
Gleisi Hoffmann (PT) – Casada com o ex-deputado federal e ex-ministro Paulo Bernardo.
Roberto Requião (PMDB) – Filho do ex-prefeito de Curitiba Wallace Thadeude Mello e Silva, é pai do deputado estadual Requião Filho e irmão do ex-deputado federal Maurício Requião. É tio do deputado federal João Arruda (PMDB-PR).
RIO GRANDE DO NORTE
Senadores
Garibaldi Alves Filho (PMDB) – Filho do ex-vice-governador e ex-senador Garibaldi Alves e pai do deputado federal Walter Alves (PMDB-RN). É sobrinho do ex-governador e ex-ministro Aluizio Alves e do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Natal Agnelo Alves. É primo do ex-deputado Henrique Eduardo Alves e de Carlos Eduardo Alves, atual prefeito de Natal.
José Agripino (DEM) – Herdeiro de uma das mais famílias mais tradicionais da política do Rio Grande do Norte e da Paraíba, é pai do deputado Felipe Maia (DEM-RN) e primo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do ex-prefeito do Rio César Maia. É filho do ex-governador Tarcísio Maia, sobrinho do ex-senador João Agripino Maia Filho (PB) e primo do ex-deputado Lavoisier Maia. É parente da deputada Zenaide Maia (PR-RN), do ex-deputado João Maia e do deputado distrital Agaciel Maia. Outros parentes do senador exercem ou exerceram mandatos no Rio Grande do Norte.
RONDÔNIA
Senadores
Acir Gurgacz (PDT) – Filho do ex-vice-prefeito de Cascavel (PR) Assis Gurgacz, que exerceu mandato no Senado na condição de seu suplente, e irmão do deputado estadual Airton Gurgacz, ex-vice-governador de Rondônia.
Ivo Cassol (PP) – Filho de Reditário Cassol, suplente que já o substituiu no Senado e ex-prefeito de Colorado do Oeste. É irmão dos ex-prefeitos Nega Cassol, de Alta Floresta, e César Cassol, de Rolim de Moura (RO) e de Santa Luzia do Oeste (RO).
Valdir  Raupp (PMDB) – Casado com a deputada Marinha Raupp (PMDB-RO), irmão do suplente de deputado estadual Ademar Raupp e tio do ex-prefeito de Colniza (MT) Assis Raupp.
RORAIMA
Senadores
Angela Portela (PDT) – Casada com o ex-governador Flamarion Portela.
Romero Jucá (PMDB) – Pai do ex-deputado estadual Rodrigo Jucá e ex-marido da prefeita de Boa Vista, Teresa Surita.
Telmário Mota (PTB) – Marido de Suzete Mota e primo de Gelb Pereira, ex-deputados estaduais
RIO GRANDE DO SUL
Senadora
Ana Amélia (PP) – Viúva do ex-senador Octávio Cardoso.
SANTA CATARINA
Senadores
Dário Berger (PMDB) – Irmão do ex-deputado federal Djalma Berger, ex-prefeito de São José (SC).
Paulo Bauer (PSDB) – Filho do ex-prefeito de Jaraguúa do Sul (SC) Victor Bauer.
SERGIPE
Senadores
Antonio Carlos Valadares (PSB) – Pai do deputado Valadares Filho (PSB-SE) e filho de Josefa Matos Valadares e Pedro Almeida Valadares, ex-prefeitos de Simão Dias. Tio do ex-deputado federal Pedrinho Valadares.
Eduardo Amorim (PSDB) – Irmão do ex-candidato a deputado estadual Edivan Amorim e primo de Nenem Taxista, suplente de vereador em Capela (SE).
Maria do Carmo Alves (DEM) – Esposa do ex-governador de Sergipe João Alves Filho.
SÃO PAULO
Senadores
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) – licenciado, é ministro das Relações Exteriores
É filho do ex-deputado estadual Aloysio Nunes Ferreira.
Marta Suplicy (PMDB) – Foi casada com o ex-senador Eduardo Suplicy (PT), hoje vereador em São Paulo.
TOCANTINS
Senadores
Vicentinho Alves (PR) – Pai do deputado federal Vicentinho Junior (SD-TO) e primo do deputado estadual Paulo Mourão (PT).
Kátia Abreu (PMDB) – Mãe do deputado Irajá Abreu (PSD-TO) e do ex-vereador Iratã Abreu, de Palmas.


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Bozonarices

Um fulano qualquer contestou minhas críticas a Bozonaro dizendo:

“Insultar um cidadão formado em 5 anos de AMAM + um Curso de ESAO é um critério? Só se for no pensamento de esquerdopatas enrustidos.

Respondi:

“Qual, meu caro! Não confunda Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Então vamos lá.

Para dar apenas uma pincelada na carreira do capitão, na AMAN, os superiores de Bozonaro o avaliaram como dono de “excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente” bem como do “tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos”.

Na ESAO, Bozonaro foi preso por “transgressão grave”, acusado de “ter ferido a ética, gerando clima de inquietação no âmbito da organização militar” e também “por ter sido indiscreto na abordagem de assuntos de caráter oficial”, além de ter planejado explodir bombas em unidades militares do Rio para pressionar o comando, fato que ele tentou minimizar dizendo que seria “só a explosão de algumas espoletas” quando, sem o menor constrangimento, deu uma detalhada explicação sobre como construir uma bomba-relógio com TNT.

O fato de apenas frequentar instituições ilibadas não confere a ninguém o mesmo título.”

Por que não reconhecer o Rio como segunda capital do Brasil?

por Christian Edward Cyril Lynch* 

Regularizar a situação da cidade, devolvendo-lhe oficialmente a condição de Distrito Federal, repararia os males que lhe foram infligidos pela União
O atual governo, no intuito de apressar as reformas neoliberais que fazem parte do seu programa, tem procurado usar o Rio de Janeiro como espantalho, como se a crise do estado decorresse de excesso de gastos com funcionalismo e pudesse ser resolvido com o receituário da moda, que é arrocho e privatização. Mas são outras as causas profundas da crise fluminense.

Ela não é pontual, mas crônica, e data da transferência da capital em 1960, que a privou dos investimentos e da contribuição que lhe era paga pelo governo federal desde tempos imemoriais, e da falta de indenização pelo prejuízo, coisa inimaginável para os padrões atuais. A situação foi agravada pela ditadura, ao obrigar a fusão do Estado do Rio com a Guanabara, antiga capital da República, em 1975.
Hoje está patente a incapacidade do Rio de funcionar como Minas Gerais ou São Paulo, o que era o objetivo da fusão imposta pela ditadura. O estado deveria possuir uma elite política longamente estabelecida, consciente de seus interesses regionais, capaz de brigar pelos recursos federais. Em vez disso, é um estado anômalo no conjunto da federação, com uma capital que continua a ser um distrito federal, onde o governador manda pouco e tem menos funcionários que a União. Devido ao seu passado de capital, o estado governa-se tão mal quanto Brasília, elegendo quase sempre administradores incapazes, ambiciosos e corrompidos. Por fim, seus representantes no Congresso também se orientam como se o Rio ainda fosse centro do País e não precisasse antes de tudo focar nos seus interesses regionais. É o pior dos mundos: moldura jurídica estadual com mentalidade de capital.Essa situação contribuiu muito para a decadência do estado, obrigando a União nos últimos anos a fazer seguidas intervenções brancas em matéria de saúde e segurança pública. Por outro lado, de um ponto de vista “nacional”, o Rio nunca deixou de representar o papel de capital do Brasil. Se Brasília é hoje a capital federal, entendida como um espaço neutro em relação ao conjunto de estados que compõem a União, o Rio segue sendo percebido como a capital nacional do Brasil, como se viu nos Jogos Olímpicos. É o principal centro universitário federal do País e berço do nosso nacionalismo, que nele ainda pulsa intensamente como parte indissolúvel de identidade política.
Do ponto de vista “federal”, o Rio de Janeiro também nunca deixou de ser uma espécie de segundo Distrito Federal. De todos os órgãos e empresas públicas distribuídas entre Brasília e o Rio, cerca de um terço do total continua na ex-capital. São mais de 50 repartições, entre agências, autarquias, fundações e empresas públicas, como a Biblioteca Nacional, a Comissão Nacional de Energia Nuclear, a Fiocruz, a Petrobras, a Eletrobras, o IBGE, o BNDES, a Casa da Moeda, o Arquivo Nacional, para mencionar apenas alguns.
Gráfico 2
Além disso, o Rio de Janeiro possui um contingente de servidores federais que não só é superior ao de Brasília, mas também ao de servidores estaduais! Da mesma forma, é surpreende o fato de que o Rio continue sendo o estado da federação com o maior número de servidores públicos federais do Poder Executivo. Em outras palavras, o Rio é um Distrito Federal disfarçado de capital de estado.
Regularizar a situação do Rio, devolvendo-lhe oficialmente a condição de Distrito Federal, repararia os males que lhe foram infligidos pela União e o colocaria em uma condição de tutela federal permanente, de que ele se habitou e sem a qual reconhecidamente não sabe viver. A ideia não tem nada de maluca, porque mais de 15 países têm na prática duas capitais, como Alemanha, Holanda, Rússia, Chile e África do Sul.
Gráfico 1
Os municípios da Baixada Fluminense poderiam ser perfeitamente agregados ao novo Distrito Federal e se beneficiar do novo ambiente de negócios, que repercutiria por toda a região metropolitana. Brasília recebeu da União no ano passado o equivalente a todo o orçamento do município do Rio de Janeiro, tendo metade de sua população. Pode-se imaginar, pelo seu declínio, o impacto negativo que a perda desse investimento teve para o Rio no passado, mas também o impacto positivo que ele produziria em matéria de segurança pública, educação e saúde.
Está na hora de devolver o Rio de Janeiro ao Brasil. Consagrá-lo formalmente como segundo Distrito Federal seria tão somente reconhecer aquilo que ele já é, e de que precisa para continuar a sê-lo. O Rio serviu de capital do Brasil por 200 anos, sendo duramente disciplinada e treinada para exercer esse papel de representação do País. Até hoje não aprendeu a exercer outro e provavelmente não vai aprender mais.
Eis aí uma bela bandeira nesse período turbulento de nossa história, que impõe a refundação da República em bases mais democráticas. Ela seria a “meta-síntese” do projeto político mais amplo de que o País carece: o de uma República renovada, reintegrada com suas tradições, menos tecnocrática, menos oligárquica, mais próxima do povo e de sua sociedade civil.
* Cientista político, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj e pesquisador da Fundação Casa de Rui Barbosa
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domingo, 6 de agosto de 2017

sábado, 5 de agosto de 2017

Foucaults e chomskys da vida

Pois é. “Filosofia é uma coisa que se discute filosofia”, como diria Millôr. Não serve para coisa nenhuma, a não ser para criar minhocas no cérebro em função da vasta quantidade de estrume acumulada na cavidade craniana, principalmente nos dias de hoje quando qualquer mequetrefe do tope de uma Marilena Chauí se arvora como filósofo e, o pior, há quem goste, idolatre até. Vivemos a era do “formidável despertar dos idiotas” preconizada por Nelson Rodrigues, na qual “o grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos” enquanto os melhores emudecem.

Não é consolo, mas ao ler esse panaca mexicano no Globo de hoje, a gente percebe que o fenômeno é no mundo inteiro, onde hoje pululam os foucaults e chomskys da vida com seus séquitos de néscios a dar-lhes força sem sequer ter lido uma página das miríades de abobrinhas escritas por eles.


Um boçal que diz que a Venezuela está dando “uma lição forte de democracia” e “uma lição moral para o planeta” merece castração em praça pública. É um dos milhares de exemplos que somos obrigados a aturar diariamente em virtude do “despertar dos idiotas” da imprensa.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Bolsonaro, o oportunista que não carrega caixão, prefere se retirar antes do velório

Lei Manzani

Quando Bolsonaro fazia comícios em caminhões da CUT pedindo fuzilamento de FHC pelas privatizações, eu já sabia que a CUT era um sindicato de ladrões, braço armado do PT e que Lula era um embusteiro. Ah, mas o mito não sabia? Se não sabia ou é um otário ou é um oportunista. Afinal, Bolsonaro sempre foi muito mais alinhado com a esquerda do que com a direita. Quanto Bolsonaro se diz de direita, eu acredito da mesma forma quando Lula diz que é honesto. Em pleno século XXI e um pateta falando em estatização de nióbio e grafeno, francamente... Como o povo brasileiro é inocente!


Não entro no mérito de seu voto, apenas, não poderá jamais reclamar que está sendo perseguido e processado pelo STF, pois ontem o ilibado disse que neste país ninguém está acima da Lei e todos podem ser investigados! Paira apenas uma dúvida: se a pesquisa lançada recentemente apontasse que 90% dos brasileiros não queria que Temer fosse investigado, como teria votado o mito que está sempre do lado de quem tem alta popularidade? E quando há votações de projetos polêmicos, como o da terceirização, opta sempre pela abstenção pra não ficar mal com ninguém! É o exemplo típico do oportunista que não carrega caixão, prefere se retirar antes do velório!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Enio Mainardi, o politicamente incorreto

Desbundes

Já nasci politicamente incorreto. E as tentativas que fiz para me adaptar ao mundo convencional, onde eu não conseguia ficar, sempre geraram em mim muito sofrimento.

E não estou sozinho nesse esforço de me ajustar para sobreviver.

O atrito entre ser “normal” e me assumir como alguém que se coloca em dúvida quanto a valores sociais considerados aceitáveis, gerou em mim um mundo de contradições.

Mas fui aos poucos entendendo que só eu e minha consciência é que poderíamos decidir quem eu queria realmente ser.

Exemplos alheios nunca me serviram satisfatoriamente. Então fui tateando mundo afora. Estou falando tudo isso por causa de umas tantas coisas que andei escrevendo sobre o homossexualismo. Eu tive muitos amigos homo: alguns deles morreram de Aids. Fotógrafos, modelos, produtores - artistas, enfim, gente que girou sua vida em torno da propaganda, teatro, cinema.

O desbunde radical vivido por alguns deles nunca foi minha praia. Entre sexo, drogas e rock and roll, sempre fiquei com sexo e rock - as drogas eu deixei para os outros.

Sei só que vivi sempre envolvido em paixões por mulheres, mulheres. Uma espécie de vício, tipo cocaína, imagino.

Mas tive alguns amigos com quem pude dividir intensamente minhas angústias existenciais. Amigos tão importantes quanto as mulheres com quem cruzei em minha vida.

Nunca tive impulsos homossexuais - mas pude compreender perfeitamente como e porque dois homens podem se apaixonar um pelo outro. Saber disso faz parte de me reconhecer como um ser dual. Dual - não ambíguo.

Bem, nestes dias andei dizendo que o homossexualismo explícito, exibicionista, me incomoda. É que eu reconheço o amor homoafetivo como algo respeitável, sério.

Acho que qualquer um pode exercer sua opção sexual como desejar. Mas sem tentar impor aos outros sua maneira de ser.

O proselitismo homossexual, na verdade, é desagradável e inconveniente. Até porque esse tipo de comportamento pode afetar crianças e adolescentes que ainda não se conhecem o bastante para decidir que tipos de experiência lhes serão mais interessantes, na vida adulta.

Detesto a parada gay. Vejo lá pessoas que se colocam quase como num zoológico - mas do lado de dentro das grades. E reagindo contra eventuais críticas, se arrebentam em desafios à moralidade vigente, num exibicionismo feroz. E quanto mais provocativamente, melhor.

Chato tudo isso. Falta generosidade, dos desfilantes e dos que olham os homossexuais num misto de desprezo mal disfarçado.

Inclusive me toca negativamente que se admita, no ensino, nas escolas, a ideologia de gênero.

Vida dura, a nossa, está muito difícil de descomplicar.

Eu bem que poderia ter escrito isso...