sexta-feira, 8 de abril de 2016

A catarse que nos falta

Por Roberto Rachewsky, publicado pelo Instituto Liberal

Impressionante a catarse experimentada pela advogada Janaína Paschoal, na manifestação ocorrida no pátio frontal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, também conhecida como Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

Demonstração invejável de indignação incontida a serviço de uma razão pautada na realidade dos fatos e na lógica pura.

Quem acha que razão e emoção não combinam, tem aí uma prova de que uma não subsiste sem a outra quando se trata de colocar as coisas em funcionamento.

Já estávamos informados das razões que levaram Janaína Paschoal a pedir o impeachment de Dilma Rousseff, junto com os juristas Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo.

Não é à toa que Janaína é a cara do impeachment. Ela tem conhecimento, coragem e atrevimento para  liderar o movimento que visa sanear o governo brasileiro, afastando do poder quem sintetiza o mal que tem assolado o Brasil nos últimos anos.

A esquerda faz troça do discurso que termina com a genuína teatralidade dos que nasceram para impressionar. Aqui, justifica-se a forma histriônica demonstrada pela inquietude atávica de uma mente livre e independente. O teor e o conteúdo da sua fala transcendem a necessidade de chamar a atenção para si. Janaína, nitidamente, fala em nome de uma causa, tenta bradar por justiça como se quisesse derrubar o muro de impunidade que protege os poderosos da República com o som de sua voz.

A responsabilidade autoimposta por essa brava mulher só poderia nascer de seu âmago, e só poderia se sustentar com a força atávica de seus princípios.

Eu apoio Janaína Paschoal neste episódio. Viva a sua catarse! Abaixo a República da Cobra!

José Nêumanne - Golpes contra as instituições

Esqueça comunismo, socialismo, bolivarianismo ou populismo. Tudo isso serve apenas de lorota retórica para engabelar o povo. O que o Partido dos Trabalhadores (PT) e aliados executaram em 13 anos e três meses no poder na República foi um crime comum planejado e executado com frieza e cálculo. E justificado com mantras ideológicos para manter vivo o fervor da militância. A Operação Carbono 14, 27ª fase da Lava Jato, que completa dois anos de profícua existência, prova também que os casos Celso Daniel, mensalão e petrolão não foram isolados, mas um escândalo só: o maior assalto aos cofres públicos, como nunca antes tinha havido na História deste País. Quiçá do mundo!

Há quem diga que as instituições do Estado Democrático de Direito estão funcionando normalmente no Brasil. Graças a Deus! Mas será que estão mesmo? Até este momento as aparências mostram que sim. Mas, como dizia o título de uma coluna do chargista Carlos Estêvão, na extinta revista O Cruzeiro, “as aparências enganam”. É. Pode ser! Até agora, a força-tarefa, composta por agentes da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), tem produzido uma surpreendente devassa da compra de dirigentes políticos, empresários de peso e burocratas antes intocáveis e esta mostra o pleno funcionamento da Justiça. A confirmação das decisões do juiz federal paranaense Sérgio Moro por tribunais superiores reforça tal impressão. Mas será que não é apenas uma impressão?

Os impropérios públicos contra a atuação independente dessa fração do Poder Judiciário proferidos pela presidente da República, pelo maior líder (e sua principal base política de sustentação) e por dirigentes, parlamentares e militantes do partido deles, contudo, ameaçam a continuidade e efetividade da operação. Já se comenta abertamente nos meios de comunicação a possibilidade da anulação de seus atos por impugnação de algum deslize do juiz, como ocorreu antes na Operação Castelo de Areia, por exemplo.

Ora, direis, estas são apenas conjecturas. Pois o povo na rua prestigia o desempenho de policiais, procuradores e do juiz, mantendo eventuais desafetos de seu trabalho sob pressão. Mas na República não vigora o lema de grevista segundo o qual “o povo unido jamais será vencido”. Ainda que o trabalho da “República de Curitiba” seja aplaudido e defendido por 90% da população, segundo o Instituto Ipsos, isto não bastará para mantê-lo. Ele precisa do suporte das instâncias superiores do Judiciário e, embora esteja sendo confirmado, já começa a receber alguns avisos bastante claros da mais alta delas, o Supremo Tribunal Federal (STF), em decisões que podem significar: “devagar com o andor, que o santo é de barro”.

De qualquer maneira, as últimas notícias não deixam dúvidas quanto à evidência de que o aparelhamento do Poder Executivo pelos partidos governistas, principalmente o da “chefa” do governo, não se limita mais à ocupação dos cargos nas repartições públicas e nas estatais, sem a qual o gigantesco assalto não teria sido possível. Agora atingiu o topo. Apoiada na máquina pública aparelhada e na vitória apertadíssima no pleito de 2014, a militante Dilma Vana Rousseff Linhares passou a ocupar a sede do poder republicano, o Palácio do Planalto, como se fosse um aparelho de seus tempos de guerrilheira Estela, reunindo massas fanáticas que berram palavras de ordem provocadoras como “não vai ter golpe”.

E pior: “vai ter sangue”. Fazendo coro a gritos de guerra puxados pela alterada ocupante temporária do próprio público, o deputado Major Olímpio (SD-SP) foi agredido e expulso de uma posse de ministros. Os presidentes da CUT, Vagner de Freitas, e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, ameaçaram pegar em armas para defender a permanência da chefe no governo. E o secretário de Comunicação, Edinho Silva, falou até em cadáver.

Para animar plateias que se dispõem a ouvir suas arengas, a “presidenta” manda Montesquieu às favas agredindo o Legislativo e o Judiciário, como se estes tivessem obrigação de concordar com ela, com a afirmação que afronta a lei, “impeachment é golpe”, agora acrescentada da pretensa atenuante “sem provas”.

E madama Dilma vai além: o palácio que virou aparelho e, depois, auditório para resistência sindical, está sendo usado como brechó de quinta categoria. Nele, a adesão de parlamentares à manutenção a qualquer custo do resto de mandato de Dilma está sendo alugada com dinheiro do contribuinte. Primeiramente, ela fez ouvidos de mercador à crise ética, permitindo por omissão o assalto desmesurado ao patrimônio público, que levou ao empobrecimento da Petrobrás e à recessão. Gerou, assim, a maior crise econômica da História. E decidiu esvaziar de vez o caixa para manter a posse de sua chave.

O parágrafo anterior revela a desmoralização do Poder Legislativo, que é base da democracia, por representar o poder do cidadão. Mas o crime impune descrito é apenas uma das demonstrações da ameaça à higidez desta instituição basilar do Estado Democrático de Direito. Pois ainda salta aos olhos da multidão a degeneração das casas de leis presididas por parlamentares investigados em vários casos criminais.

A lerdeza torna-se sinônima de leniência do Judiciário, que o cidadão constata comparando dois números: 67 condenados em 17 processos na primeira instância e nenhum político com foro privilegiado punido na forma da lei na instância final. E o Supremo Tribunal Federal (STF) tem também seu prestígio institucional arranhado pela corrida de seus membros rumo à luz dos holofotes e à proximidade dos microfones dos meios de comunicação.

Nem quartéis nem ruas ocupadas pelo povo ameaçam o funcionamento das instituições. Mas, sim, seus ditos guardiões que, em vez de fortalecê-las, as usam para se manterem no topo e ficarem à sombra e água fresca de paraísos fiscais.

TCU paralisa reforma agrária no País após identificar 578 mil beneficiários irregulares

Sinceramente, eu pensei que esses números eram mais uma cascata desse pessoal que ouve o galo cantar e não sabe onde. Era tudo verdade! O pior é que Dilma, em mais um pacotão de bondades para escapar da cadeia, assinou um monte de desapropriações de terras anteontem. Felizmente esse processo também foi interrompido.

Estadão

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a paralisação imediata do programa de reforma agrária do Incra em todo o País. Estão suspensos novos processos de seleção de beneficiários de lotes, bem como de pessoas que já tenham sido selecionadas pelo programa. A medida cautelar emitida pelo tribunal decorre de uma auditoria que identificou mais de 578 mil beneficiários irregulares do programa do governo federal.

São dezenas de problemas de extrema gravidade identificados pela corte de contas, entre eles a relação de 1.017 políticos que, criminosamente, receberam lotes do programa. A relação inclui 847 vereadores, 96 deputados estaduais, 69 vice-prefeitos, quatro prefeitos e um senador. O TCU não divulgou a lista desses políticos beneficiados.

A auditoria revela centenas de casos grotescos, como a concessão de lotes para pessoas de alto poder aquisitivo, donas de veículos de luxo como Porche, Land Rover ou Volvo. Há 37 mil pessoas falecidas cadastradas como beneficiárias do programa.

As irregularidades atingem praticamente 30% de toda a base de beneficiários do programa, que é da ordem de 1,5 milhão de famílias. Em 11 mil casos, o cônjuge de uma pessoa que já foi contemplada com um imóvel pelo programa é novamente atendido com uma segunda moradia. A precariedade do programa é tanta que há pessoas com idade de um ou dois anos de idade que também receberam imóveis.

Milhares de beneficiários pelo programa possuem diversos cargos públicos, o que é proibido por lei. Foram encontrados ainda 61 mil empresários beneficiados pelo Incra. Outros 213 processos aprovados beneficiam estrangeiros.

Para medir a quantidade de concessão de lotes para pessoas de alto poder aquisitivo, o TCU adotou como critério a oferta de lotes para pessoas que tenham carros com valor superior a R$ 70 mil. Foram identificados 4.293 proprietários nessa condição, todos eles donos de carros de luxo.

Os achados de auditoria já levam em conta explicações dadas pelo próprio órgão federal aos auditores da corte de contas. O ministro relator do processo Augusto Shermann criticou duramente o programa e relembrou que o Incra tem descumprido há anos determinações já feitas pelo TCU em relação à concessão dos benefícios. “É um processo que está sendo feito totalmente à margem da lei”, disse o ministro.

O colegiado do TCU foi unânime nas críticas ao programa e na necessidade de completa reestruturação do Incra e de seu trabalho. Em janeiro, a Controladoria-Geral da União (CGU) já havia demonstrado problemas graves do programa.

O tribunal determinou ao Incra que apresente medidas para resolver cada um dos problemas identificados e que submeta essas ações para, após análise do TCU, seguir com as medidas.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Os trastes que defendem o governo

 A maratona de quatro horas, fora a prorrogação, da leitura do relatório de impeachment pelo relator da comissão, Jovair Arantes, cansou, mas rendeu algumas comédias interessantes como o ato falho do deputado do petralha Paulo Pimenta, que quase chama Dilma de “ex-presidenta” (vídeo).
Fora as falas das verdadeiras piadas perambulantes que são os parlamentares governistas, eu pude concluir, do que vi em todas as sessões dessa comissão, que Jandira Feghali é muito, mas muito mais chata, mal educada, mal intencionada e sem noção do que eu imaginava. E olha que eu já a tinha em alta conta negativa nesses quesitos.

A mulher simplesmente não parava quieta um minuto sequer, tentando de todo jeito obstruir as sessões, fosse reivindicando a maldita “questão de ordem” ou fosse simplesmente berrando o mais alto que podia, interrompendo sistematicamente as falas de todos os deputados de oposição. Nem com o coitado do presidente da comissão, Rogério Rosso - diga-se de passagem, um gentleman -, fazendo das tripas coração, aquela máquina de asneiras desligava seu furor verborrágico.

Diga-se de passagem, pelo que eu vi, e vi muito, nenhum dos deputados presentes desrespeitou a tresloucada deputada que, em compensação, desrespeitou todos eles, além do povo e da democracia. A bem da verdade, ninguém tem o direito de ter esperança que uma comunista respeite seus contrários, o povo ou a democracia.

De qualquer maneira, a tarada (que ou quem tem deficiência ou desequilíbrio mental) merece muito menos consideração por parte dos seus pares do que vem recebendo. Um “cala essa boca!” de vez em quando não faria mal nenhum, assim como uma quebra de decoro por tentativa de obstrução indevida também cairia bem.

E é gente como esse traste que o governo dispõe para sua defesa. Quiuspariu!


Canalhas capitaneados por Cunha querem censurar a internet no Brasil

Políticos querem censurar a internet no Brasil com a desculpa de combater o “cibercrime”
ITS Rio

Preste atenção no que acabou de acontecer: o Congresso Nacional acabou de divulgar o relatório final da CPI dos Crimes Cibernéticos. O relatório propõe a criação de 8 projetos de lei para controlar a internet. Esses projetos são bombásticos: eles atacam diretamente direitos fundamentais, como a liberdade de expressão, o direito à privacidade e mutilam as partes mais importantes do Marco Civil da Internet, justamente aquelas que protegem os internautas contra a vigilância e a censura.

Dentre as propostas que estão previstas no relatório final da CPI dos Cibercrimes estão:

a) Transformar as redes sociais em órgãos de censura para proteger a honra de políticos. Se alguém falar mal de um político em uma rede social, a rede social será obrigada a remover o conteúdo em no máximo 48 horas. Se não remover, a empresa será co-responsabilizada por aquele conteúdo e terá de indenizar o político ofendido. Em outras palavras, as redes sociais se tornarão agentes de vigilância e censura permanentes dos seus usuários.

b) Mandar para a cadeia por 2 anos quem simplesmente violar os “termos de uso” de um site. Entrou em um site ou aplicativo e desrespeitou alguma cláusula daquele documento enorme que todo mundo clica sem sequer ter lido: cadeia para você por 2 anos.

c) Desviar 10% dos arrecadados pelo Fistel, que têm por objetivo melhorar a qualidade das telecomunicações no Brasil, para financiar a polícia. As telecomunicações que já são caras e precárias no Brasil ficarão ainda piores. O recurso que é arrecadado para fiscalizar a qualidade do acesso à internet, telefonia e outro serviços será desviado para financiar a polícia. É claro que esse financiamento é importante. Mas para isso já pagamos nossos impostos. Não precisa desviar recursos essenciais para isso.

d) Atribuir competência à Polícia Federal para qualquer crime praticado usando um computador ou celular. Em outras palavras, o garoto ou a garota que baixar uma música da internet poderá receber a visita do japonês da federal. Alguém que escrever algo considerado “difamatório” ou “injurioso” contra um político nas redes sociais poderá ter de se explicar à Polícia Federal. Em outras palavras, vários milhões de brasileiros que fazem essas atividades todos os dias poderão ser vigiados e até mesmo presos pela Polícia Federal sob suspeita de de terem cometido “crimes mediante uso de computador”, mesmo que sejam crimes de baixo potencial ofensivo.

e) Obrigar os provedores de internet a revelarem automaticamente quem está por trás de cada endereço de IP na rede, informando para a polícia o nome, filiação e endereço domiciliar da pessoa, sem a necessidade de ordem judicial prévia. Em outras palavras, todos serão presumidamente “culpados” na internet brasileira e poderão ser constantemente vigiados. Se falou mal de um político na internet, na hora será possível saber a sua identidade e a Polícia Federal poderá ser acionada contra você.

f) Estabelecer a censura pura e simples na internet. O projeto de lei altera o Marco Civil, que proíbe a censura, criando um novo artigo que permitirá “determinar aos provedores de conexão bloqueio ao acesso a a aplicações de internet por parte dos usuários” para “coibir serviços que sejam considerados ilegais”. Em outras palavras: qualquer site poderá ser derrubado da internet brasileira. Lembra do bloqueio do WhatsApp? Isso será fichinha perto do que irá acontecer. Qualquer aplicativo, site ou serviço poderá ser bloqueado e censurado diretamente pelos provedores de internet e os brasileiros ficarão privados de acessá-lo sem qualquer defesa, afetando a vida de milhões de pessoas.

O relatório da CPI que propõe essas mudanças abre com a assinatura do deputado Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara. A CPI foi presidida pela Deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO) e o texto preparado pelo deputado Espiridião Amim (PP-SC) e pelos deputados Sandro Alex (PSD-PR), Rafael Motta (PSB-RN), Daniel Coelho (PSDB-PE) e Rodrigo Martins (PSB-PI).

O que mais pasma nesse relatório da CPI dos cibercrimes é como a internet é vista apenas como se fosse um “antro de perdição” e não como uma fonte de empregos, de inovação, de desenvolvimento, ou um instrumento essencial para o futuro do Brasil.

Em outras palavras, estão criminalizando a internet e colocando a rede sob o controle estrito do Estado. Esse é o mesmo caminho trilhado por países como a Arábia Saudita, Irã, Turquia, Coreia do Norte e Rússia.

É uma lástima que o Brasil, nesse momento em que a liberdade de expressão e a internet são ferramentas essenciais, tenha sua internet ameaçada por iniciativa da CPI dos cibercrimes. É claro que o crime na internet precisa ser combatido. Mas isso deve ser feito respeitando-se direitos fundamentais. O que estamos assistindo agora não é uma tentativa de se combater os cibercrimes, mas sim uma tentativa de controlar a internet, que tanto tem incomodado os políticos corruptos no Brasil.

Se você não quer a que internet seja censurada, compartilhe essas informações e manifeste-se contra a CPI dos Cibercrimes e os oito projetos de lei que ela propõe para controlar a internet. Censura nunca mais.


Hollande desiste de nomear embaixador gay para o Vaticano

A França desistiu definitivamente de indicar o homossexual assumido Laurent Stefanini como embaixador na Santa Sé, após o Vaticano ter se recusado a aceitar suas credenciais diplomáticas durante mais de um ano. Com isso, Stefanini foi designado como embaixador de Paris na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O diplomata havia sido escolhido em janeiro de 2015 pelo presidente François Hollande para representar a França na Santa Sé.

Stefanini foi o "número dois" da Embaixada francesa perante o Vaticano, mas ainda assim suas credenciais não foram aceitas pela Igreja. Oficialmente, a Santa Sé nunca fechou as portas para o francês, mas a demora em dar uma aprovação foi considerada como uma recusa. Para a imprensa de Paris, o motivo é justamente a homossexualidade declarada do embaixador.

Sendo assim, o posto de embaixador da França na Santa Sé continua vago, e agora Hollande deverá escolher outra pessoa. Em 2008, a Igreja já havia vetado Jean-Loup Kuhn Delforge, atual representante francês na Grécia, alegando que ele era abertamente homossexual.

Esses socialistas estão sempre inventando moda. A da vez parece que é esculhambar a diplomacia. Essa indicação não tem o menor cabimento. Mesmo levando-se em conta que o atual Papa é chegado a uma demagogia barata e gosta de passar a mão na cabeça dessas minorias esdrúxulas, há de se levar em conta que a Igreja, que é contra o homossexualismo, é muito maior que o Papa.

Eu deixo aqui uma sugestão a Hollande: já que ele quer desafiar conceitos, que seja radical e mande o cara para o Irã, para a Arábia ou para qualquer outro país islâmico.


Um barão negro, seu palácio e seus 200 escravos

Globo

Algumas páginas poderiam se desfazer em mãos descuidadas. São documentos guardados a sete chaves há mais de um século. Embora esmaecidas, as folhas mancham de tinta os dedos de quem as manuseia. “Aqui está a história da nossa família”, diz Mônica de Souza Destro, de 44 anos, na sala de sua casa, em Juiz de Fora. Ela tem muitas pastas empilhadas na sua frente, onde guarda fragmentos de uma história tão esquecida quanto fascinante.

Revirar esses papéis é voltar ao tempo do tataravô de Mônica, o mineiro Francisco Paulo de Almeida, um dos mais importantes barões do café do segundo reinado. Titulado como Barão de Guaraciaba pela própria princesa Isabel, acumulou um enorme patrimônio no Vale do Paraíba fluminense. Suas fazendas estendiam-se pelos estados do Rio e também de Minas Gerais, somando um vasto território estimado em 250 quilômetros quadrados - e uma fortuna de quase 700 mil contos de réis, coisa de bilionário. Mas um detalhe tornava o barão diferente dos outros nobres. Ele era negro em um país escravocrata. Reinou em um mundo dominado por brancos.

- Foi um gênio das finanças. Seu patrimônio era colossal, nem a queda do café o fez quebrar. As sedes de suas fazendas eram belíssimas, ele vivia no extremo luxo. Tinha investimentos diversificados, aplicava em ações, fundou bancos. Por isso se tornou um dos homens mais ricos de seu tempo - afirma o historiador José Carlos Vasconcelos, especialista no passado do Vale do Paraíba.

Mônica é a guardiã dos documentos históricos que reconstroem a história do barão. Com a ajuda de Vasconcelos, ela está montando a árvore genealógica de sua família. É um trabalho hercúleo. Em um software de genealogia instalado em seu computador, já cadastrou 580 nomes de parentes. A lista começa com os 15 filhos que o barão teve com a mulher, dona Brasília, e chega até Marina, de 10 anos, caçula de Mônica. Quem começou a organizar o arquivo da família foi seu avô, o engenheiro Antonio Augusto de Almeida e Souza. Até os 98 anos, idade em que morreu, cuidou com esmero de todas as fotos, inventários, testamentos e certidões de nascimento e óbito dos parentes. Cada filho e neto do barão possui uma minibiografia, escrita à mão por seu Antonio.

Mônica, uma legítima afrodescendente

Embora fosse negro, o aristocrata estava longe de ser um abolicionista. Quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, tinha cerca de 200 escravos na fazenda Veneza, em Conservatória, onde possuía mais de 400 mil pés de café. Mesmo com a abolição, a maioria continuou trabalhando para o barão, e alguns foram incluídos no testamento - caso de Isabelinha, que trabalhava na sede da fazenda e ganhou, na divisão da herança, o mesmo valor em dinheiro que os filhos homens: quase 2.000 contos de réis.

Para desenvolver a árvore genealógica da família, Mônica, que trabalha como secretária em um consultório médico, foi atrás dos primos mais distantes. Conheceu diversos parentes de quem nunca ouvira falar, vários deles encontrados no Facebook - nem todos se interessaram em ajudá-la. Dos 13 filhos do barão, 12 casaram e aumentaram a família - a exceção é Serbelina, a primogênita, que só viveu até os 2 anos. Com a morte do patriarca, em 1901, em uma mansão no Catete - para onde se mudou após vender o Palácio Amarelo, em Petrópolis, à Câmara dos Vereadores -, sua família se espalhou por cidades do Rio e de Minas. A maioria dos descendentes não se parece mais nem de longe com o barão. Alguns, como Mônica, têm olhos claros - as filhas de Guaraciaba se casaram com portugueses, e os filhos, com mulheres brancas.

Familiares e historiadores acreditam que o barão tenha começado a vida como ourives, especialista na confecção de abotoaduras de ouro. Também ganhava dinheiro tocando violino em enterros. Mas foi ao tornar-se tropeiro que ele teria lucrado o bastante para comprar sua primeira fazenda, em meados do século XIX.

O que ainda não se sabe sobre o barão, a tataraneta Mônica está tentando descobrir. Seu sonho é escrever um livro contando a saga do negro que conquistou o império.

- O ramo da minha família é um dos que possuem menos recursos. Mas a história está conosco. Para mim, é o que importa - afirma.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

“Allan Kardec, A Verdadeira Biografia” por Milton Valdameri

Meu amigo, comentarista e colaborador, Milton Valdameri, disponibilizou, de sua autoria, “Allan Kardec, A Verdadeira Biografia”, em PDF.

Quem quiser ler as 36 páginas - e vale a pena -  ela está em 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Golpe na Islândia!

Pois é. Na Islândia, um dia depois de ser divulgada uma conta do seu primeiro ministro em uma offshore no Panamá, milhares de pessoas da elite branca de olhos azuis foram para as ruas exigindo sua renúncia, ao que ele prontamente obedeceu, efetivamente renunciando.
Que cara banana! Será que ele não conhece a Dilma?

“Maria...” é uma obra confusa

Acabei de ler “Maria - A biografia da mulher que gerou o homem mais importante da história, viveu um inferno, dividiu os cristãos, conquistou meio mundo e é chamada Mãe de Deus” (ufa!). Seu autor é Rodrigo Alvarez, um repórter simpático e correspondente da Globo em Jerusalém. Com uma tiragem inicial de 100.000 cópias, o livro figura na lista dos 10 livros mais vendidos no Brasil há algum tempo, segundo a Veja.

Um dos releases informa que o livro é “uma obra completa sobre a mãe de Cristo segundo o olhar de um brasileiro”. Pretensão não falta. Longe de ser uma “obra completa” sobre Maria, para começo de conversa, o livro é muito mal escrito, mal estruturado e de difícil compreensão, fatos que me obrigaram a consultar outras obras para que eu pudesse me situar dentro do tempo e do espaço, até porque o autor faz uma barafunda danada com tempos de verbos - ora fala no passado, ora no presente, ora no futuro -, com distâncias - medidas em dias percorridos em lombo de burros - e localizações - não há um só mapa em um livro que fala de várias cidades, embora hajam fotos dispensáveis em profusão.

Some-se a isso algumas mancadas imperdoáveis, como se referir a Ísis como “deusa grega” quando ela é egípcia (o fato de sua adoração ter se estendido ao mundo greco-romano não invalida sua “nacionalidade”) e a do texto abaixo, onde o autor fala na volta da família sagrada do Egito para Nazaré aos dois anos de Jesus para, no parágrafo seguinte dizer que isso ocorreu “alguns anos depois”. Ora, dois anos não são alguns anos.


É uma pena, porque o assunto é interessante, o material das pesquisas do autor é bom, mas, infelizmente, mal compilado, dando atenção demasiada a “figurantes” em profusão, o que prejudica mais ainda a compreensão do leitor.

Estranho que “Maria” esteja há tanto tempo na lista dos mais vendidos. Enfim, como Paulo Coelho e Edir Macedo são frequentadores assíduos da lista, eu não duvido mais de nada.

A Feirinha da Presidenta...

Acreditem, senhores, o que vêm acima é a página 95 da defesa de Dilma, apresentada ontem por Cardozo, mostrando a "feirinha da presidenta".

O cartapácio de 201 páginas está em http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/especiais/55a-legislatura/denuncia-contra-a-presidente-da-republica/documentos/outros-documentos/ManifestaodaDenunciada.PDF

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Por que essa algazarra toda com o humor do “Porta dos Fundos”?

Nunca perdi meu tempo seguindo o “Porta dos Fundos”. A não ser por um ou outro sketch que me enviam, não assisto. Tampouco saberia dizer se eles são chegados a fazer vídeos políticos, já que os que eu me lembro vagamente de ter assistido eram todos nos estilo besteirol desengajado. Meu problema é que eu não gosto mesmo dos atores e nem das suas tentativas de fazer humor. Questão de gosto, apenas.

Acontece que no fim de semana que passou fizeram uma alaúza danada sobre um vídeo deles - “Delator” - em que Fabio Porchat e Gregorio Duvivier satirizaram a PF e o MPF. Sem graça como todas as outras.

Tá bom, pra nós eles estão do lado errado da coisa, mas e daí? Por acaso eles não podem tentar fazer humor por causa disso? Se eu e a torcida do Flamengo recebemos trocentas piadas por dia sobre Dilma, Lula et caterva, sendo que a maioria é bem mais ácida que o “Delator”, por que eles não podem fazê-lo?

Aliás o resultado dessa indignação coletiva e estúpida não poderia ser outro que não o inverso da expectativa dos tolinhos: o “Delator” já lhes rendeu 3.187.895 acessos em menos de dois dias.

Não se trata de gostar ou não, mas sim de respeitar o direito deles, que é o mesmo que o nosso. Enquanto a coisa estiver no humor, na piada, não há o que discutir.


Descoberta de 107 offshores de 57 investigados no Lava Jato vai dar caldo

Folha

Uma investigação internacional sobre um escritório do Panamá conhecido por abrir empresas para esconder dinheiro ilícito aponta que a Odebrecht criou três firmas que operam contas secretas que são desconhecidas pelos investigadores da Operação Lava Jato, segundo reportagem do UOL deste domingo (4). As empresas offshores controladas pela Odebrecht são as seguintes, de acordo com a reportagem: Davos Holdings Group SA, Crystal Research Services Pesquisa e Salmet Trad Corp.

A Odebrechet negocia um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e não quis comentar o caso.

O escritório panamenho que criou as empresas é o Mossack Fonseca, que tem uma filial em São Paulo e também é investigado pela Lava Jato.

MILHÕES DE DOCUMENTOS

A apuração internacional começou quando o jornal alemão “Süddeustche Zeitung” obteve 11,5 milhões de documentos sobre o escritório do Panamá e compartilhou os papéis com 376 jornalistas de 109 veículos em 76 países, todos ligados ao ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), uma entidade sem fins lucrativos com sede em Washington, nos Estados Unidos.

No Brasil, a investigação foi conduzida pelo UOL, que faz parte do grupo Folha, pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e pela Rede TV!. A série de reportagens foi batizada internacionalmente de “Panama Papers”.

107 EMPRESAS

A apuração revela que o escritório panamenho criou empresas para 57 investigados no esquema de corrupção da Petrobras, de acordo com o UOL. Para esses investigados foram criadas 107 empresas offshores, ainda segundo o UOL.

Essas firmas podem ser legais ou ilegais, mas têm em comum o fato de operarem em paraísos fiscais para pagar menos impostos e dificultar que as autoridades descubram quem são seus verdadeiros donos.

Os papéis do Mossack Fonseca mostram que um operador de propinas do PMDB chamado João Henriques é sócio em uma offshore do ex-controlador do banco BVA, José Augusto Ferreira dos Santos.

LOBÃO ENVOLVIDO

O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró havia citado em sua delação premiada a relação do BVA com o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Segundo Cerveró, Lobão lhe deu ordens para não “atrapalhar” um investimento do fundo de pensão Petros, de funcionário da Petrobras, no BVA.

Esse banco quebrou em 2012, deixando um rombo de R$ 4,5 bilhões. Setenta fundos de pensão perderam recursos no BVA. O maior prejudicado foi o Petros, conforme a Folha revelou em janeiro de 2014.

CUNHA NA JOGADA

A documentação confirma que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), controla uma empresa offshore, a Penbur Holdings, que foi usada para receber suborno no exterior, de acordo com outro delator, o empresário Ricardo Pernambuco, da Carioca Engenharia.

O empresário disse em acordo de delação que pagou US$ 3,9 milhões a Cunha entre 2011 e 2014 para obter recursos da Caixa para investir no Porto Maravilha, um dos principais projetos do prefeito daquela cidade, Eduardo Paes (PMDB-RJ).

Documentos entregues pelo empresário à Procuradoria Geral da República mostram que a Penbur recebeu US$ 702,3 mil do total do suposto suborno pago ao presidente da Câmara.

Os papéis mostram que um empresário português que é suspeito de ter pago propina para Cunha, Idalécio de Oliveira, abriu empresas offshore pouco antes de vender campos de petróleo em Benin para a Petrobras, em 2011. O negócio resultou em prejuízo para a estatal brasileira. Investigadores da Lava Jato suspeitam que Cunha tenha recebido propina na Suíça por conta dessa transação, o que o presidente da Câmara refuta.

QUEIROZ GALVÃO

Uma das empresas investigadas na Lava Jato, a Queiroz Galvão, usou o escritório do Panamá para abrir duas offshores em junho de 2014, três meses depois de a Polícia Federal e do Ministério Público Federal desencadearam a operação.

A empresa foi aberta por Carlos Queiroz Galvão, sócio da empreiteira. A troca de correspondência com a Mossack Fonseca sugere que ele tinha pressa em criar as offshores.

Um outro documento da Queiroz Galvão aponta que a empreiteira pagava 3% de comissão de tudo o que receber do governo da Venezuela em um projeto de irrigação naquele país.

BANCO SCHAHIN

O escritório do Panamá criou também uma empresa para Carlos Eduardo Schahin, sobrinho de Milton Schahin, que era controlador do banco que leva o seu sobrenome até ser vendido ao BMG em 2011.

A offshore, chamada Lardner Inverstiments Ltd. e aberta em 1996, tinha como sócios outros três executivos do banco: Eugênio Bergamo, Robert Van Dijk e Teruo Hyai.

Investigado pela Lava Jato, Milton Schahin fez um acordo de delação com os investigadores e revelou que o banco fez um empréstimo de R$ 12 milhões ao empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, que nunca foi pago.

Preso pela Lava Jato, Bumlai confessou que os recursos foram repassados ao PT e que o partido nunca quitou o empréstimo, mas recompensou a família com um contrato de R$ 1,6 bilhão da Petrobras, para operação de sondas de petróleo.

MENDES JÚNIOR

A empreiteira Mendes Júnior também adquiriu uma offshore da Mossack Fonseca, em 1997, chamada Lanite Development. Aparecem como sócios da offshore Jésus Murilo Vale Mendes, Ângelo Marcus de Lima Cota e Jefferson Eustáquio, que são, respectivamente, presidente, diretor financeiro e superintendente da Mendes Júnior.


Se é montagem, é bem feita

Examinei bem o vídeo e o gráfico de som e, aparentemente, não há montagem, mas ficou um grilo na minha cabeça: um clique exatamente onde caberia uma emenda para situar Hitler como contemporâneo de Marx (aos 12 segundos desse resumo). No entanto, não há emendas no vídeo ou no som, a não ser que o trabalho tenha sido feito por um profissional do ramo, o que não acredito.

Estado de saúde de Dilma requer afastamento imediato do cargo

Carlos Newton, da Tribuna da Internet

A reportagem da revista IstoÉ, assinada pelos jornalistas Sérgio Pardellas e Débora Bergamasco, levanta um assunto da maior gravidade, ao trazer informações vazadas nos bastidores do Planalto, fornecidas por funcionários de carreira da Presidência da República, que revelam o agravamento do estado de saúde da presidente Dilma Rousseff, a ponto de estar submetida a tratamento psiquiátrico com aplicação de medicamento indicado para esquizofrenia, uma gravíssima doença mental. A impressionante reportagem mostra que a situação chegou a tal ponto que a Aeronáutica já ameaçou transferir a uma tripulação terceirizada o comando do Airbus presidencial, devido a graves episódios de desrespeito aos oficiais da FAB que prestam serviços à Presidência.

Por óbvio, o assunto é extremamente delicado e a revista IstoÉ assumiu de forma correta o risco de trazer a questão a público. O repórter Sérgio Pardellas, um dos melhores do país, é respeitado por sua seriedade, e Débora Bergamasco não fica atrás. Sempre bem informada e ativa, foi ela quem noticiou, com absoluta exclusivamente, o teor da delação do senador petista Delcídio Amaral. Além do mais, em Brasília é sabido que Débora Bergamasco é (ou era) namorada do ministro José Eduardo Cardozo, atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), que está defendendo Dilma Rousseff nas questões judiciais de interesse da Presidência.

Não temos informações sobre o atual relacionamento entre a repórter e o ministro Cardozo, que coincidentemente comanda a AGU, encarregada pela presidente Dilma de abrir inquérito contra a revista e os dois jornalistas, para exigir indenização por perdas e danos, vejam só que situação esquisitíssima. Com certeza, fica difícil que um caso amoroso possa sobreviver a um episódio desse tipo, que nem Freud explicaria, nem Nelson Rodrigues poderia imaginar algo semelhante.

Não se pode duvidar das informações de repórteres de tão alto nível. O Planalto erra mais uma vez, ao ameaçar processá-los. A cúpula do governo não pode continuar escondendo a doença de Dilma Rousseff, que é muito grave, sua família já deveria ter interferido e providenciado tratamento adequado.

A responsabilidade, aliás, não é somente da família, mas também do corpo médico da Presidência da República, que dá plantão 24 horas e acompanha a chefe do governo aonde ela for, com ambulância especial e equipamento portátil de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Por que os médicos da Presidência deixaram que a situação chegasse a tal ponto? Pretendiam permitir que o quadro patológico se agravasse indefinidamente?

De repente, já não se trata mais de discutir se a Câmara dos Deputados deve ou não aprovar a abertura de processo de impeachment da presidente da República. O problema tornou-se muito mais pessoal e delicado, porque a matéria da IstoÉ deixa claro que Dilma Rousseff  não tem condições de seguir à frente do governo, sobretudo num momento de altíssimo estresse, quando ela está sob ameaça de sofrer impeachment, ser afastada do governo e manchar para sempre sua biografia.

Portanto, além da questão de interesse e segurança nacional, há outro aspecto importantíssimo a ser considerado. Trata-se de uma doença que requer cuidados intensivos e repouso, é desumano que Dilma Rousseff continue a suportar essa imensa carga de tensão emocional a que está hoje permanentemente submetida. Por uma questão de solidariedade humana, é preciso poupá-la, para que possa se submeter ao tratamento adequado e buscar recuperação.

Os ministros do chamado “núcleo duro” do Planalto, que são os mais ligados a Dilma Rousseff, também estão se omitindo, não podiam permitir que a situação chegasse a esse ponto. Com a máxima urgência, é preciso submeter a presidente a uma junta médica, para que seja tratada pelos maiores especialistas do país.

Se realmente esses ministros se consideram amigos dela, devem intervir imediatamente, não somente para o bem da nação, mas sobretudo em benefício de uma pessoa obviamente sem condições de aguentar uma carga insuportável e desumana, que hoje transformou sua vida num inferno, conforme se pode constatar na avaliação do dr. Ednei Freitas, considerado um dos mais psiquiatras e psicanalistas do país. Mas será que esses ministros terão coragem de agir, em benefício da própria presidente Dilma, ou pretendem continuar fingindo que não está acontecendo nada?

A PRESIDENTE PRECISA DE TRATAMENTO ADEQUADO
Ednei Freitas - Psiquiatra

O quadro psiquiátrico que acomete a presidente Dilma Rousseff é muito sério. Tive oportunidade de ler o inteiro teor do relato na revista IstoÉ sobre a postura da presidente Dilma nos últimos anos, cujo comportamento já era hostil com todos, mas salta aos olhos que de dois meses para cá ela entrou em crise aguda de mania (transtorno afetivo bipolar) que antigamente chamávamos com mais propriedade de “mania furiosa”, em contrapartida à “mania franca”, aquela pseudo alegre, multicolorida, eivada de otimismos absurdos, comportamentos sociais sempre amigáveis e exagerados, gastança de dinheiro, indumentária imprópria e excessivamente colorida, com muita falta de gosto.

A presidente Dilma, ao que tudo indica, está num quadro de “mania furiosa” e em medicina forense se encontra incapaz de responder pelos próprios atos ou ter discernimento sobre o que está fazendo. A substância Olanzapina é bem apropriada, mas a perspectiva de sucesso absoluto é praticamente reduzida a zero. Apenas melhora o quadro, centra um pouco mais o paciente, mas é muito raro que ele volte a ser uma criatura normal. Pode ser, e muitas vezes acontece, que mesmo sob uso da Olanzapina a pessoa se torne alienada mental, ou doente crônica.

Por que estou falando isso? Num impulso maníaco a presidente pode ordenar que se gastem as reservas estratégicas do Tesouro Nacional para alimentar o programa “Minha Casa, Minha Vida”, aumentar o alcance do “Bolsa Família”, inchar ainda mais de correligionários a máquina estatal, usar recursos públicos no suborno de políticos inescrupulosos para votar algo de seu interesse e afundar mais e mais nossa economia, acabar de quebrar as indústrias, pagar juros aos banqueiros com dinheiro da reserva do Tesouro, enfim, cometer uma série de sandices que irá colocar os brasileiros em situação de mais desemprego, mais inflação, mais corte ou diminuição de salários (congelamento, que já está acontecendo) dos funcionários públicos do Executivo Federal, tudo é possível, enfim…

Eu digo que a chance da presidente Dilma curar-se e ficar hígida sob o ponto de vista da saúde mental é de uma em cem. Cabe, sim, a sugestão do jurista Jorge Béja, de que o procurador-geral da República deve providenciar que a presidente Dilma Rousseff seja imediatamente examinada por uma banca de especialistas indicados pela Associação Brasileira de Psiquiatria, para verificação de seu estado de saúde. Até porque o tratamento atual, sabendo eu de detalhes do que vem acontecendo, não está sendo o ideal.

De momento, há necessidade de internação psiquiátrica por algumas semanas, no mínimo, até que o quadro se estabilize mais um pouco. Do contrário, estou antevendo uma tragédia para todos nós brasileiros, a curto prazo. Não há tempo a perder. Além do mais, Dilma Rousseff é uma pessoa que está doente e deve ser cuidada, agora com todo o carinho. Não se pode perder de vista o desdobramento desta doença, porque, sem o tratamento devido, pode ter graves consequências , implicando até em risco de vida. Esta é a realidade.


Uma presidente fora de si

Sérgio Pardellas e Débora Bergamasco, da IstoÉ

Os últimos dias no Planalto têm sido marcados por momentos de extrema tensão e absoluta desordem com uma presidente da República dominada por sucessivas explosões nervosas, quando, além de destempero, exibe total desconexão com a realidade do País. Não bastassem as crises moral, política e econômica, Dilma Rousseff perdeu também as condições emocionais para conduzir o governo. Assessores palacianos, mesmo os já acostumados com a descompostura presidencial, andam aturdidos com o seu comportamento às vésperas da votação do impeachment pelo Congresso. Segundo relatos, a mandatária está irascível, fora de si e mais agressiva do que nunca. Lembra o Lula dos grampos em seus impropérios. Na última semana, a presidente mandou eliminar jornais e revistas do seu gabinete. Agora, contenta-se com o clipping resumido por um de seus subordinados. Mesmo assim, dispara palavrões aos borbotões a cada nova e frequente má notícia recebida. Por isso, os mais próximos da presidente têm evitado tecer comentários sobre a evolução do processo de impeachment. Nem com Lula as conversas têm sido amenas. Num de seus acessos recentes, Dilma reclamou dos que classificou de “traidores” e prometeu “vingança”. Numa conversa com um assessor, na semana passada, a presidente investiu pesado contra o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato. “Quem esse menino pensa que é? Um dia ele ainda vai pagar pelo quem vem fazendo”, disse. Há duas semanas, ao receber a informação da chamada “delação definitiva” em negociação por executivos da Odebrecht, Dilma teria, segundo o testemunho de um integrante do primeiro escalão do governo, avariado um móvel de seu gabinete, depois de emitir uma série de xingamentos. Para tentar aplacar as crises, cada vez mais recorrentes, a presidente tem sido medicada com dois remédios ministrados a ela desde a eclosão do seu processo de afastamento: rivotril e olanzapina, este último usado para esquizofrenia, mas com efeito calmante. A medicação nem sempre apresenta eficácia, como é possível notar.

Em recente viagem a bordo do avião presidencial, um Airbus A319, tripulantes e passageiros ficaram estupefatos com outro surto de Dilma. Depois de uma forte turbulência, a presidente invadiu a cabine do piloto aos berros: “Você está maluco? Vai se f...! É a presidente que está aqui. O que está acontecendo?”, vociferou. Não seria a primeira vez que Dilma perdia o equilíbrio durante um vôo oficial. No final de janeiro, o avião da presidente despencou 100 metros, enquanto passava pela região entre a floresta Amazônica e o Acre. O piloto preparava-se para pousar em Quito, no Equador. Devido ao tranco mais brusco, Marco Aurélio Garcia, assessor especial, acabou banhado de vinho e uma ajudante de ordens bateu levemente com a cabeça no teto da aeronave. Copos e pratos foram ao chão, mas ninguém se machucou. A presidente saiu de si. Na sequência do incidente, tratou de cobrar satisfações do piloto. Aos gritos. “Não te falei para não pegar esse trajeto? Quer que eu morra de susto, cace...?”. Os desvarios de Dilma durante os vôos já lhe renderam uma reclamação formal. Em carta, a Aeronáutica pediu para que a presidente não formulasse tantas perguntas sobre trajetos e condições climáticas nem adentrasse repentinamente às cabines para não tirar a concentração dos pilotos. A presidente não demonstra paciência nem mesmo para esperar o avião presidencial seguir o procedimento usual de taxiamento. Um de seus assessores lembra que, certa feita, Dilma chegou a determinar à Aeronáutica que reservasse uma pista exclusiva para a decolagem de sua aeronave. Com isso, outros aviões na dianteira tiveram de esperar na fila por horas.

O modelo consagrado pela renomada psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross descreve cinco estágios pelo qual as pessoas atravessam ao lidar com a perda ou a proximidade dela. São eles a negação, a raiva, a negociação, a depressão e a aceitação. Por ora, Dilma oscila entre os dois primeiros estágios. Além dos surtos de raiva, a presidente, segundo relatos de seus auxiliares, apresenta uma espécie de negação da realidade. Na semana passada, um presidente de uma instituição estatal foi chamado por Dilma para despachar assuntos de sua pasta. Chegou ao Palácio do Planalto, subiu ao terceiro andar e falaram longamente acerca da saúde da empresa e especialmente sobre a economia do Brasil e o contexto internacional. Ao final da conversa, observando o visível abatimento do executivo, Dilma quis saber: “Por que você está cabisbaixo?”. Franco, ele revelou sua preocupação com o cenário de impeachment que se desenhava, especialmente com o então iminente rompimento do PMDB. Ao ouvir a angústia do seu subordinado, que não está há muito tempo à frente da empresa, Dilma teve uma reação que tem se repetido sistematicamente: descartou totalmente a hipótese do seu impedimento. Ela exclamou: “Imagine, nada disso vai acontecer. Já temos garantidos 250 votos na Câmara”. O executivo tentou argumentar, mas foi novamente interrompido. A petista avaliou ser “até melhor” o rompimento com o PMDB, assim teriam a chance de “refundar” o governo. O presidente da instituição deixou a conversa completamente atônito. Considerou inacreditável a avaliação da chefe do Executivo.

Outro interlocutor freqüente diz que a desaprovação recorde junto aos eleitores é vista como mero detalhe pela presidente. “Que falta faz um João Santana”, disse referindo-se ao marqueteiro preso e, principalmente, conselheiro para todas as horas. Aos integrantes do núcleo político, Dilma deixa transparecer que não lhe importa mais a opinião pública. Seu objetivo é seguir no posto a todo e qualquer custo e, se lograr êxito, punir aqueles que considera hoje seus mais ferozes inimigos. Especialmente os do Congresso. Na tática do desespero oferece cargos e verbas para angariar apoios à sua causa, não se importando com o estouro do orçamento e muito menos com o processo sobre suas contas abertos nos órgãos de fiscalização e controle, como o TCU. Na quarta-feira 30, chegou ao cúmulo de sugerir uma audiência com Valdemar Costa Neto, do PR, para oferecer-lhe a indicação do ministério de Minas e Energia. Ocorre que, hoje, Costa Neto apresenta dificuldades e limites de locomoção devido ao uso de uma tornozeleira. Depois da gafe, o jeito foi recorrer a emissários.

É bem verdade que Dilma nunca se caracterizou por ser uma pessoa lhana no trato com os subordinados. Mas não precisa ser psicanalista para perceber que, nas últimas semanas, a presidente desmantelou-se emocionalmente. Um governante, ou mesmo um líder, é colocado à prova exatamente nas crises. E, hoje, ela não é nem uma coisa nem outra. A autoridade se esvai quando seu exercício exige exacerbar no tom, com gritos, berros e ofensas. Helmuth von Moltke, chefe do Estado-Maior do Exército prussiano, depois de aposentado, concedeu uma entrevista que deveria servir de exemplo para governantes que se pretendam grandes líderes. Perguntado como se sentia como um general invicto e o mais bem-sucedido militar da segunda metade do século XIX, Moltke respondeu de pronto: “Não se pode dizer que sou o mais bem-sucedido. Só se pode dizer isso de um grande general, quando ele foi testado na derrota e na retirada. Aí se mostram os grandes generais, os grandes líderes e os grandes estadistas”. Na retirada, Dilma sucumbiu ao teste a que Moltke se refere. Os surtos, os seguidos destemperos e a negação da realidade revelam uma presidente completamente fora do eixo e incapaz de gerir o País.

A maneira temperamental de lidar com as situações não é nova, embora tenha se agravado nas últimas semanas. Desde o primeiro mandato de Dilma, um importante assessor palaciano dedicou-se a registrar num livro de capa preta as reprimendas aplicadas por Dilma em seus subordinados. Ele deixou o governo recentemente por não aturar mais os insultos da presidente. A maioria injustificável, em sua visão. No caderno, anotou mais de 80 casos ocorridos entre 2010 e 2016. Entre eles, há o de um motorista que largou o automóvel presidencial no meio da Esplanada dos Ministérios depois de ser ofendido compulsivamente pela presidente e ameaçado de demissão por causa de um atraso. “Você não percebeu que não posso atrasar, seu m...Ande logo com isso senão está no olho da rua”, atacou Dilma. Consta também das anotações os três pedidos de demissão de Anderson Dornelles, que deixou o Planalto no último mês sob fortes suspeitas de ser sócio oculto de um bar localizado no estádio Beira-Rio de propriedade da Andrade Gutierrez. Nas vezes em que ameaçou deixar o governo, alegou cansaço dos destratos da presidente. “Menino, você não faz nada direito!”, afirmou ela numa das brigas. O ministro da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, também já experimentou a fúria da presidente. A irritação, neste caso, derivou das revelações feitas pelo empresário Ricardo Pessoa, da UTC, sobre as doações a sua campanha à reeleição em 2014. Participaram dessa reunião convocada pela presidente, além de Cardozo, os ministros Aloizio Mercadante, Edinho Silva e o assessor especial Giles Azevedo. Na frente de todos, Dilma cobrou Cardozo por não ter evitado que as revelações de Ricardo Pessoa se tornassem públicas dias antes de sua visita oficial aos Estados Unidos, quando buscava notícias positivas para reagir à crise. “Você não poderia ter pedido ao Teori (Zavascki) para aguardar quatro ou cinco dias para homologar a delação?”, perguntou Dilma referindo-se ao ministro que conduz os processos da Lava Jato no STF. “Cardozo, você fodeu a minha viagem”, bradou a presidente.

 O episódio envolvendo Cardozo, no entanto, pode ser considerado até brando se comparado às situações enfrentadas por duas ex-ministras do governo, Maria do Rosário e Ideli Salvatti. Em 2011, ao debater com Rosário o andamento dos trabalhos da Comissão da Verdade, àquela altura prestes a ser criada pelo Congresso para esclarecer casos de violação de direitos humanos durante a ditadura militar, Dilma perdeu as estribeiras: “Cale sua boca. Você não entende disso. Só fala besteira”. Já Ideli conheceu o despautério da presidente logo no dia seguinte à sua nomeação para as Relações Institucionais. Quando ainda devorava jornais, Dilma leu uma reportagem em que a titular da pasta fazia considerações sobre os desafios do novo trabalho. Não gostou e deixou clara sua insatisfação: “Ideli, se na primeira coletiva você já disse bobagens, imagine nas próximas”.

Publicamente, a presidente tenta disfarçar seu estado de ânimo atual. Mas nem sempre é possível deixar transparecer serenidade quando, por dentro, os nervos estão à flor da pele. Seus últimos discursos refletem a tensão reinante nos corredores do Palácio do Planalto. Na quarta-feira 30, Dilma converteu o evento de entrega de moradias da terceira fase do Minha Casa Minha Vida em um palanque contra o impeachment. Na cerimônia, estiveram presentes integrantes de movimentos sociais, como o MST. Os representantes, —muitos deles chamados de última hora já que nenhum governador se dignou a ir e, dos 300 prefeitos convocados, só oito compareceram —, foram acomodados em lugares destinados a convidados, onde entoaram gritos de guerra pró-governo mesmo antes de o evento começar. Os presentes chamaram o juiz Sérgio Moro, o vice Michel Temer e a OAB de “golpistas” e bradaram o já tradicional “não vai ter golpe”. Detalhe: o coro foi puxado pela militante travestida de presidente da República.

Durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff pagou para seus marqueteiros desenvolverem e disseminarem o nocivo “discurso do medo”. Espalhou o pavor entre os brasileiros mais carentes dizendo que, se seus concorrentes Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (na época no PSB) ganhassem a eleição, os programas sociais estariam em risco. Funcionou. Hoje, cara a cara com o impeachment, ela coloca sua tropa de choque novamente para atemorizar a população. Disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), na última segunda-feira: “Programas sociais como Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, Fies e tantos outros que beneficiam os mais pobres correm sério risco de sofrer corte caso a presidente Dilma seja impedida de continuar seu governo”.

Não bastasse a repetição da retórica cretina da campanha eleitoral, a presidente disse nos últimos dias que o que está se vendo o País é um verdadeiro “nazismo”, sem lembrar que o discurso do “nós contra eles” foi gestado e cultivado por sua equipe. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, foi na mesma toada ao tentar reverter a posição do governo de incitador de ódio para pacificador: “Nós vamos baixar o tom ou esperar o primeiro cadáver?”. Sem mencionar, é claro, provocações até do presidente do PT, Rui Falcão, que no twitter escreveu recentemente: “Queremos a paz, mas não tememos a guerra”. Ou as palavras de Guilherme Boulos, coordenador do MTST, que disse que se o impeachment for efetivado ou Lula for preso, o Brasil seria “incendiado por greves, ocupações e mobilizações” e que “Não haverá um dia de paz do Brasil”.

As diabruras de “Maria, a Louca”
Não é exclusividade de nosso tempo e nem de nossas cercanias que, na iminência de perder o poder, governantes ajam de maneira ensandecida e passem a negar a realidade. No século 18, o renomado psiquiatra britânico Francis Willis se especializou no acompanhamento de imperadores e mandatários que perderam o controle mental em momentos de crise política e chegou a desenvolver um método terapêutico composto por “remédios evacuantes” para tratar desses casos. Sua fórmula, no entanto, pouco resultado obteve com a paciente Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança, que a história registra como “Maria I, a Louca”. Foi a primeira mulher a sentar-se no trono de Portugal e, por decorrência geopolítica, a primeira rainha do Brasil. O psiquiatra observou que os sintomas de sandice e de negação da realidade manifestados por Maria I se agravaram na medida em que ela era colocada sob forte pressão. “Maria I, a Louca”, por exemplo, dizia ver o “corpo” de seu “pai ardendo feito carvão”, quando adversários políticos da Casa de Bragança tentavam alijá-la do poder. Nesses momentos, seus atos de governo denotavam desatino, como relatou doutor Willis: “proibir a produção de vinho do Porto na cidade do Porto”. Diante desse quadro, era preciso que ocorresse o seu “impedimento na Coroa”. Quanto mais pressão, mais a sua consciência se obnubilava, até que finalmente foi “impedida de qualquer ato na Corte”. Já com o filho Dom João VI no comando de Portugal, “Maria I, a Louca” veio às pressas para o Rio de Janeiro com a Família Real diante da invasão de Portugal. Aqui, ela tinha por hábito usar longos vestidos pretos e passava horas correndo pelos corredores palacianos gritando palavrões desconexos. Costumava acordar na madrugada e “berrava para seres imaginários descerem do Pão de Açúcar” porque nele “morava o diabo”. A sua derradeira frase em território lusitano pode ser interpretada como faísca de lucidez na loucura: “Não corram tanto, vão pensar que estamos sendo tocados ou que estamos fugindo”.
Antonio Carlos Prado


Esperidião Amin relata CPI com proposta de censura na Internet

E pensar que esse cara já me enganou quando, há 40 anos, parecia um bom moço, um político de futuro... De uns tempos para cá, no entanto, é só lambança.

Sob o pretexto de combater crimes na Internet, o relatório final da CPI dos Crimes Cibernéticos, da Câmara dos Deputados, propõe oito projetos de lei para controlar, censurar e realizar processos de vigilância em massa contra usuários da rede mundial de computadores. Assinado pelo deputado federal Esperidião Amin (PP-SC), o documento foi divulgado esta semana e traz propostas consideradas draconianas por especialistas. Segundo nota publicada na página do Instituto Tecnologia e Sociedade (ITS), do Rio de Janeiro, os projetos são “bombásticos” e “atacam diretamente direitos fundamentais, como a liberdade de expressão, o direito à privacidade e mutilam as partes mais importantes do Marco Civil da Internet”.

O próprio ITS lançou uma petição online contra o relatório de Esperidião Amin e a censura na internet, que pode ser visualizado aqui.

Um pedido de vista coletivo adiou, por duas sessões, o início da discussão do texto. A expectativa é que a votação da matéria ocorra entre os dias 12 e 13 de abril – prazo final de funcionamento da CPI.

Confira a opinião do ITS sobre as propostas do deputado Catarinense.

a) Transformar as redes sociais em órgãos de censura para proteger a honra de políticos. Se alguém falar mal de um político em uma rede social, a rede social será obrigada a remover o conteúdo em no máximo 48 horas. Se não remover, a empresa será co-responsabilizada por aquele conteúdo e terá de indenizar o político ofendido. Em outras palavras, as redes sociais se tornarão agentes de vigilância e censura permanentes dos seus usuários.

b) Mandar para a cadeia por 2 anos quem simplesmente violar os “termos de uso” de um site. Entrou em um site ou aplicativo e desrespeitou alguma cláusula daquele documento enorme que todo mundo clica sem sequer ter lido: cadeia para você por 2 anos.

c) Desviar 10% dos arrecadados pelo Fistel, que têm por objetivo melhorar a qualidade das telecomunicações no Brasil, para financiar a polícia. As telecomunicações que já são caras e precárias no Brasil ficarão ainda piores. O recurso que é arrecadado para fiscalizar a qualidade do acesso à internet, telefonia e outro serviços será desviado para financiar a polícia. É claro que esse financiamento é importante. Mas para isso já pagamos nossos impostos. Não precisa desviar recursos essenciais para isso.

d) Atribuir competência à Polícia Federal para qualquer crime praticado usando um computador ou celular. Em outras palavras, o garoto ou a garota que baixar uma música da internet poderá receber a visita do japonês da federal. Alguém que escrever algo considerado “difamatório” ou “injurioso” contra um político nas redes sociais poderá ter de se explicar à Polícia Federal. Em outras palavras, vários milhões de brasileiros que fazem essas atividades todos os dias poderão ser vigiados e até mesmo presos pela Polícia Federal sob suspeita de de terem cometido “crimes mediante uso de computador”, mesmo que sejam crimes de baixo potencial ofensivo.

e) Obrigar os provedores de internet a revelarem automaticamente quem está por trás de cada endereço de IP na rede, informando para a polícia o nome, filiação e endereço domiciliar da pessoa, sem a necessidade de ordem judicial prévia. Em outras palavras, todos serão presumidamente “culpados” na internet brasileira e poderão ser constantemente vigiados. Se falou mal de um político na internet, na hora será possível saber a sua identidade e a Polícia Federal poderá ser acionada contra você.

f) Estabelecer a censura pura e simples na internet. O projeto de lei altera o Marco Civil, que proíbe a censura, criando um novo artigo que permitirá “determinar aos provedores de conexão bloqueio ao acesso a a aplicações de internet por parte dos usuários” para “coibir serviços que sejam considerados ilegais”. Em outras palavras: qualquer site poderá ser derrubado da internet brasileira. Lembra do bloqueio do WhatsApp? Isso será fichinha perto do que irá acontecer. Qualquer aplicativo, site ou serviço poderá ser bloqueado e censurado diretamente pelos provedores de internet e os brasileiros ficarão privados de acessá-lo sem qualquer defesa, afetando a vida de milhões de pessoas.

O relatório da CPI que propõe essas mudanças abre com a assinatura do deputado Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara. A CPI foi presidida pela Deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO) e o texto preparado pelo deputado Espiridião Amim (PP-SC) e pelos deputados Sandro Alex (PSD-PR), Rafael Motta (PSB-RN), Daniel Coelho (PSDB-PE) e Rodrigo Martins (PSB-PI).

O que mais pasma nesse relatório da CPI dos cibercrimes é como a internet é vista apenas como se fosse um “antro de perdição” e não como uma fonte de empregos, de inovação, de desenvolvimento, ou um instrumento essencial para o futuro do Brasil.

Em outras palavras, estão criminalizando a internet e colocando a rede sob o controle estrito do Estado. Esse é o mesmo caminho trilhado por países como a Arábia Saudita, Irã, Turquia, Coreia do Norte e Rússia.

É uma lástima que o Brasil, nesse momento em que a liberdade de expressão e a internet são ferramentas essenciais, tenha sua internet ameaçada por iniciativa da CPI dos cibercrimes. É claro que o crime na internet precisa ser combatido. Mas isso deve ser feito respeitando-se direitos fundamentais. O que estamos assistindo agora não é uma tentativa de se combater os cibercrimes, mas sim uma tentativa de controlar a internet, que tanto tem incomodado os políticos corruptos no Brasil.

Se você não quer a que internet seja censurada, compartilhe essas informações e manifeste-se contra a CPI dos Cibercrimes e os oito projetos de lei que ela propõe para controlar a internet. Censura nunca mais.


sexta-feira, 1 de abril de 2016

O Rio de Janeiro é um lixo!


Ver esse vídeo dá uma inveja danada, mas, ao mesmo tempo, dá uma puta raiva desses políticos canalhas e impunes que infestam o Brasil.

Em 26/05/2010, segundo O Globo, o governo do estado e a prefeitura do Rio queriam dar um rápido fim ao problema da gestão do lixo na Região Metropolitana e no interior. A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, informou que em três anos todos os resíduos gerados pela população fluminense teriam destinação adequada - em aterros sanitários e outras áreas com tecnologia permitida. O prefeito em exercício da capital, Carlos Alberto Muniz, declarou que o Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica seria inaugurado em 2011 para substituir o Aterro de Gramacho, que hoje recebe praticamente todo o lixo da capital.

O Centro, consta, foi inaugurado em 2011, só que nas coxas, como é de hábito, sem a estação própria para tratamento de chorume, líquido contaminante resultante da putrefação do lixo orgânico, que ficou de ser inaugurada no fim de 2013. Não sei se o foi na data prevista, mas é fato que ele está funcionando hoje. Mal.

A prefeitura de Seropédica notificou, em fevereiro do corrente ano, a empresa responsável pela Central de Tratamento de Resíduos porque após um dia de chuva houve vazamento de chorume para um córrego e para o reservatório subterrâneo de água sendo que o Aquífero Piranema pode ter sido contaminado com o vazamento.

Além do chorume que vazou, o córrego também recebe o esgoto das casas do bairro de Aperó e esta não é a primeira vez que ocorre esse tipo de acidente. O córrego passa nas proximidades do Centro de Tratamento de Resíduos Santa Rosa. O centro é administrado pela empresa Ciclus que explicou em nota que "o vazamento ocorreu por causa de um corte de energia elétrica, o que - pasmem - provocou uma falha nos geradores, durante o transporte do chorume para o centro de tratamento".

Agora, que alguém me explique como um corte de energia elétrica pode ter provocado falha nos geradores se estes estão lá justamente para suprir eventuais cortes de energia! É muita cara de pau!

A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, “para avançar nessa área” segundo ela, assinou com o governo de Portugal, ainda em 2010, um acordo de cooperação técnica, já que o país “tem experiências bem sucedidas de práticas como responsabilidade compartilhada e de pós-consumo”.

“O modelo prevê que produtores tenham responsabilidades com a embalagem depois que ela deixa o consumidor. Espero estar com esse projeto pronto até o fim deste ano [2010].”, disse ela.

Esse convescote entre estado e município realizado em 2010, como, sempre, deve ter sido apenas um blablablá para dividir comissões, já que Marilene declarou que dispunha “de R$ 200 milhões do estado e outros R$ 200 milhões da iniciativa privada para resolver essa questão do lixo” e não resolveu coisa nenhuma!

Cadê isso tudo que foi prometido, já que o aterro sanitário não funciona a contento e o resto, o lixo reciclável, como garrafas pet, plásticos em geral, etc., continua sendo largado nas ruas, favelas, rios e mar?
Isso é - ou era - um canal sob a Linha Amarela, uma das principais vias da cidade