segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O que pensa Bolsonaro (ele pensa?...)

Em entrevista à Folha nesta quinta (11), o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) voltou a criticar o jornal e a defender o recebimento de auxílio-moradia da Câmara, mesmo tendo imóvel próprio em Brasília.

Ele disse que pretende vendê-lo e pedir apartamento funcional. Questionado se usou o dinheiro do benefício para comprar seu apartamento, ele respondeu: “Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava pra comer gente”.

Ele nega ainda irregularidades na construção de seu patrimônio.

A Folha publicou no domingo (7) que o presidenciável e seus três filhos parlamentares multiplicaram o patrimônio na política, reunindo atualmente 13 imóveis em áreas valorizadas do Rio e de Brasília, com preço de mercado de cerca de R$ 15 milhões.

A entrevista não foi agendada. A Folha encontrou-se com o presidenciável na porta de sua casa em Angra dos Reis, durante apuração sobre servidora lotada em seu gabinete.


Folha - O sr. tem escritório em Angra?
Jair Bolsonaro - Não tenho escritório, ou você quer que eu tenha escritório? Como posso ter escritório aqui? Posso ter funcionário lotado no Distrito Federal e no Rio de Janeiro, como parlamentar. Não posso ter no Ceará, por exemplo. Se eu for abrir escritório em Resende, abrir em Angra, [já] tenho em Niterói, vou abrir quatro escritórios, vou pagar como?

A gente conversou aqui com algumas pessoas e todas identificam a Walderice (servidora da Câmara) e o Denilson como funcionários, caseiros.
Não são funcionários, a Wal raramente entra aqui, é esposa dele, não queira forçar uma barra...

O sr. afirmou que a Wal é comissionada (na Câmara). O que ela faz?
Ela faz o que qualquer comissionado faz. Qualquer problema da região ela entra em contato com o chefe de gabinete, tenho 15 funcionários no Estado do Rio de Janeiro.

Que tipo de problema?
Uma carência da prefeitura, para que um parlamentar possa apresentar uma emenda pra cá. O prefeito, atualmente, me dou muito bem com ele.

Mas o sr. tem quantos funcionários além dela?
Tem aqui, tem em Resende, tem no Rio de Janeiro, tem no DF.

Tem um período em que ela até virou “chefe de gabinete”?
Negativo.

Teve sim, em 2011 e 2012.
Chefe de gabinete? É comissionado, lá em Brasília, como é chefe de gabinete? O que acontece? De vez em quando o que acontece? Há um funcionário demitido, então aquela verba a gente destina por um funcionário por pouquíssimo tempo, é isso o que acontece. São pessoas paupérrimas aqui na região. Vocês querem criar um fato, não vão conseguir criar um fato.

O sr. fala que ela fica aqui atendendo demandas da região...
Sim, mas não tem uma vida constante nisso. É o tempo todo na rua? Não, não, ela lê jornais, acompanha o que acontece, faz contato comigo, não tem nada a ver com a casa.

Por que o senhor não responde as 32 perguntas que a Folha mandou (sobre patrimônio)?
Eu tenho obrigação? É CPI agora? Pergunta ao vivo que eu te respondo. Eu tô gravando agora, para vocês pinçar [sic] o que interessa... eu sei a serviço de quem vocês estão, vocês estão a serviço de me desestabilizar. Esse é o trabalho, que não é teu. Porque você, com todo respeito, você merece respeito, mas os interesses da Folha estão acima do seu conhecimento. Para vocês interessa qualquer um presidente da República, menos Jair Bolsonaro. Afinal de contas, aquela mamata de vocês, de milhões ao longo do governo do PT, aquela mamata da Folha vai deixar de existir. Dinheiro não é para dar pra vocês da imprensa desinformar, publicar mentiras ou meias verdades, o dinheiro público é para anteder à população, não pra atender vocês.

[Vídeo divulgado por Bolsonaro no dia 10 afirma que a Folha publica “mentiras”. “Imprensa que se presta a desinformar, publicar mentiras ou meia-verdades de acordo com seu interesse político não pode continuar recebendo recurso público. Folha de S.Paulo, isso um dia vai acabar.”
O vídeo reproduzia texto afirmando que “Grupo UOL (Folha de SP) recebeu aporte de mais de R$ 225 milhões durante o governo petista”. O texto diz ainda que, “coincidência ou não, o banco BTG Pactual (de André Esteves) tem 5,9% de ações do UOL”.
O UOL recebeu um financiamento da Finep, agência pública que incentiva empresas que investem em inovação, não um aporte. O BTG tem participação acionária minoritária no UOL, mas nenhuma relação com a Empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha.]

O senhor falou em um vídeo no Facebook na noite de quarta que está pensando em abrir mão do auxílio-moradia e vender seu apartamento.
Sim, olha só. O que eu devo fazer? Chegando lá em janeiro, acabando o recesso [parlamentar], vou pedir o apartamento funcional, inclusive tem mais ou menos 60m2 o meu apartamento, vou passar para um de 200m2, espero que pegue com hidromassagem, ok? Eu vou morar numa mansão, não vou pagar segurança, não vou pagar IPTU, no meu eu pago, não vou pagar condomínio, no meu eu pago, eu vou ter paz.

O senhor utilizou, em algum momento, o dinheiro que recebia de auxílio-moradia para pagar esse apartamento?
Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava pra comer gente, tá satisfeita agora ou não? Você tá satisfeita agora?

Eu estou satisfeita pelo senhor dar uma resposta.
Porque essa é a resposta que você merece. É a resposta que você merece (...) O dinheiro que entra do auxílio-moradia eu dormia em hotel, eu dormia em casa de colega militar em Brasília, o dinheiro foi gasto em alguma coisa ou você quer que eu preste continha: olha, recebi R$ 3 mil, gastei R$ 2 mil em hotel, vou devolver mil, tem cabimento isso?

Diversos colegas do senhor fazem isso. O auxílio-moradia tem uma modalidade que você recebe em dinheiro e outra que recebe em depósito e presta contas. A maioria dos colegas do senhor faz isso.
Dorme em hotel, flat, geralmente hotel. Ninguém pega dinheiro. Ele apresenta a nota, até aquele limite, R$ 6 mil, o dinheiro é ressarcido para a conta dele. Qual a diferença?

A diferença é que ele comprova o uso para o auxílio-moradia.
Nenhuma nota técnica da Câmara, nada. Nada da Câmara diz o que você tá falando. Não diz que é proibido o parlamentar que por ventura tenha casa...

Mas o senhor acha...
Não tem acha. Não vem com esse papo de acha.

É porque o senhor tem discurso de moralidade.
Sim, sim. Discurso, não. Prática. Por que vocês nunca publicaram na Folha que o Joaquim Barbosa me citou no mensalão? Peraí, me responda. Por que na Folha vocês nunca publicaram que o Joaquim Barbosa me citou no mensalão?

Deputado, vamos voltar, o sr está aqui para responder pergunta.
Que estou aqui pra responder pergunta, estou te atendendo, em consideração.

Por que o sr. não tem o mesmo comportamento do auxílio-moradia com a verba da Câmara que o sr. se orgulha de ter devolvido?
Opção. Onde eu errei aí? Onde eu estou em curso em alguma lei, onde cometi algum crime?

O sr. não considera que foi um erro?
Não. É um direito que eu tenho. Onde tem alguma instrução na Câmara que diz que quem tem imóvel em Brasília não pode receber auxílio-moradia?

O sr. não acha também que é uma contradição com seu discurso?
Negativo. Eu poderia, esses R$ 100 e pouco mil que devolvi do ano passado, ter encomendado trabalho em gráfica, pago matéria em jornal. Eu poderia ter pago matéria em jornal.

A diferença objetiva entre auxílio-moradia e a verba da Câmara é que a verba da Câmara não vai para o sr. O auxílio-moradia vai para o sr.
Oh, meu Deus do céu. Dá na mesma, cara.

Vamos falar do seu patrimônio. O senhor estava criticando o fato de a Folha ter divulgado o valor do patrimônio do sr., da sua família.
Peraí, você tem que divulgar é o meu patrimônio. Daqui a pouco vão querer pegar minha mãe, com 91 anos de idade. Começar a levantar a vida dela.

Pegamos só dos parlamentares.
Peraí. Você vai pegar da minha mãe daqui a pouco. Meu pai já morreu. dos meus irmãos. Ok? Tem que pegar o meu. Esquece meus filhos. Se o meu filho assaltar um banco agora ou ganhar na Mega Sena, é problema dele, não é meu.

O senhor, por exemplo, quando colocou a economia que o senhor fez (com dinheiro da Câmara), colocou a sua junto com a do seu filho do lado. É a mesma forma como tratamos na matéria. Fizemos levantamento dos parlamentares. Não envolvemos nenhuma pessoa da família que não seja político.
Tem familiares que são igual cão e gato, não se dão. Você tem que levantar a minha vida. Igual, pegaram meu irmão em SP. Pegaram um tempo atrás, funcionário fantasma da Alerj. Não foram vocês dessa vez. Funcionário fantasma. Quando fizeram a matéria, já tinha uma semana que tava demitido. Não foi demitido de forma retroativa. Ninguém, imprensa nenhuma falou... A Folha fez a matéria, depois bateu em cima, não sei quem foi, Record ou SBT. Não diz quem foi que empregou meu irmão em SP. Não disseram. O objetivo é atingir a mim.

A gente procurou o senhor.
Ah, procurou, procurou. Eu tenho obrigação de atender?

Não tem obrigação, mas tem que dizer que a gente procurou.
Não procuraram. Estão mentindo. Não me procuraram. No meu telefone, não.

Procuramos sim, senhor. Procuramos no telefone do senhor, no telefone do Eduardo.
Vocês têm medo de falar comigo.

Não temos medo.
Têm, sim. Várias vezes, entrevista em Brasília, depois de duas vezes que fiz com vocês, se negaram...

Deputado, aqui não é uma disputa de quem é mais corajoso. A gente está em uma conversa sobre...
Auxílio-moradia.

Não, auxílio-moradia a gente já passou.
Patrimônio.

Agora sobre patrimônio.
Patrimônio meu está aí. Bem, vamos lá. O Janot, isso tem uns 3 ou 4 anos, disse que não tinha qualquer indicio de crime na transação.

O senhor tem duas casas num condomínio. A casa 58 e a casa 36. Estão no nome do senhor. Está correta essa informação?
Tá certo.

A casa 58 o senhor comprou em 2009. Está correto?
Tá.

E a 36?
Em 2012, se não me engano.

E como é que foi a compra da 58?
Tá no contrato, cara. Eu estava procurando casa no condomínio porque eu morava de aluguel e apareceu essa oportunidade. O vizinho resolveu vender pra mim porque deu preferência por ser que não vai dar problema pra ele. É simples. O preço que ele botou lá é problema dele, não é meu.

Mas o senhor não acha curioso, estranho, o fato de ela ter comprado 4 meses antes por R$ 580 mil?
Não acho estranho.

Ela ter declarado à Folha que reformou o imóvel para vender e depois da reforma ela vendeu por R$ 400 mil?
Quando eu entrei na casa, ela estava pintada, ela estava caiada, a reforma foi caiar a casa, mais nada. Aquilo não foi reforma que fizeram. Tanto é que, quando eu entrei, tive que refazer tudo. O mais fácil, se eu tivesse recurso, era botar a casa no chão e fazer outra.

O ITBI estava calculado em R$ 1 milhão e o senhor pagou R$ 400 mil.
O ITBI não é em função do que você paga, ele é em função do valor venal, você não tem como sonegar o ITBI.

Mas o senhor recorreu [do valor cobrado no ITBI]? Porque o senhor acabou pagando o dobro de imposto.
Eu não quis recorrer, o meu advogado não quis recorrer.

O senhor pode explicar para quem não entendeu?
Lá, por exemplo, as casas, 90% das casas não têm habite-se, aquelas ruas nossas, com uma chuva um pouco além do normal, ela alaga.

Deputado, a gente está falando de um condomínio na rua Lúcio Costa.
É um bom condomínio, sim. O total da área, da minha casa, é de 240m2.

290 e pouco, segundo o IPTU.
Não é 450m2, que é o padrão que tem por aí.

Há diferença entre o que o senhor pagou e o que foi calculado pela prefeitura. A que o senhor atribui essa diferença?
O meu corretor que fez a compra. Você acha que foi sair de Brasília e ficar 2, 3 dias correndo cartório, tirando certidões negativas, o corretor que fez.

Em 1999, o senhor declarou em uma entrevista que sonegava, defendia a sonegação.
Sim. Mas pera aí, deixa eu complementar. Terminou? Vai, continue.

Esse modelo de compra que o senhor fez, o Coaf classifica atualmente como uma operação sob suspeita de lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. O senhor sonegou impostos nessa operação?
Quando eu falei que sonegava... quem hoje em dia e no passado nunca se indignou com a sua carga tributária? Quem quer ter segurança tem que fazer o quê? Segurança particular, quem quer ter saúde, tem que colocar o filho em escola particular...educação. Quem quer ter saúde, precisa ter um plano. Foi um desabafo, e desabafo hoje de novo também. Hoje o povo, como um todo, só não sonega o que não pode, e é uma verdade isso daí. Eu, representando o povo, desabafei naquele momento isso.

Mas o sr., como homem do povo, o sr. acha...
Não é justo você sonegar. O injusto é o governo não dar nada em troca dos impostos que estão sendo arrecadados.

O sr. declarou que sonegou.
Eu nunca soneguei. Eu sonego... ‘Eu mato tudo quanto é bandido que vier pela frente’. Matei algum bandido?

Mas naquela declaração, o sr. falou...
Eu estava na televisão, desabafando a questão da carga tributária nossa.

Sim, e o sr. desabafou que sonegou um imposto.
Não desabafei. Falei ‘sonego tudo que é possível’. Como posso sonegar, por exemplo, ICMS?

Se o sr. sonega tudo o que é possível, o sr. confirma uma sonegação. Concorda?
Não é possível. Não, não, não. Negativo. Era um desabafo. Você acha que, na minha função de parlamentar, se eu fosse um sonegador, ia estar falando?

Mas o sr. falou.
Você acha? Eu tenho imunidade para falar, não é para entrar na Lava Jato. Tenho imunidade para falar o que bem entender. Sou o único deputado que não tenho imunidade parlamentar.

O sr. pode falar que cometeu uma sonegação fiscal?
Nunca cometi.

Mas por que o sr. afirmou naquela época?
Naquela época, eu estava reverberando, como agora poderia reverberar, um clamor popular.

O sr. pode reverberar defendendo a sonegação. Mas o sr., além de defender de defender a sonegação...
Pega a fita lá na íntegra.

Eu peguei. Além de defender a sonegação, o que seria um apoio à população, o sr., como pessoa física, reconheceu ter sonegado. Falou ‘sonego e recomendo a todas as pessoas que soneguem’.
Mas qual o problema? Estou desabafando.

Se o sr. sonega, é um problema fiscal.
Eu não sonego nada. Se houve um deslize num palavreado meu, é uma coisa. O que eu tava é reverberando a indignação popular.

Foi um deslize do sr.?
Hoje em dia, sim. Com a situação que estou, vou falar que foi deslize. Se eu chegar à Presidência da República, nós vamos tratar o dinheiro com zelo. Tanto é que não vai ter dinheiro para vocês da imprensa, que faz essa imprensa fake news como vocês aí. Então, a Folha fake news foi R$ 180 milhões, mais ou menos, no governo do PT. Essa grana vai para o povo.

O sr. acha o salário de deputado justo?
Para mim está excelente. Para mim sobra dinheiro demais.

Mas o sr. acha correto isso?
Pô, cara, você quer que eu devolva meu salário agora?

Não. Quero a sua opinião como pré-candidato a presidente.
Perto da população brasileira, é um salário astronômico.

O sr. acha correto seu salário?
Eu uso meu salário até para fazer campanha. Os 10% que tenho direito, até isso eu uso.

E por que, ainda assim, o sr. pega auxílio-moradia?
Você quer que eu faça o quê? Que eu ganhe um salário mínimo por mês? Quanto tu ganha na Folha?

Eu não sou funcionário público, não sou obrigado a responder isso.
Ah, é? Ah, é?

É.
Ah, é? Você não tem obrigação, você não tem obrigação, mas abre o jogo. Vamos abrir o jogo.

Eu sou da iniciativa privada
Vamos abrir o jogo. Fala o teu salário aqui. Quanto a ‘Foice de S. Paulo’ paga pra você? Conta aí. Vocês tão sem matéria mesmo, né? O Brasil, com 14 milhões de desempregados, roubalheira bilionária, a Petrobras afundada, vocês vêm me encher o saco por causa de um auxílio-moradia de R$ 3 mil.

Você acha que o trabalho da imprensa é encher o saco?
Porra, você está enchendo o saco, porra. Você está procurando ovo... cabelo em ovo, poxa. Você está preocupado... Fica tranquilo. A partir de fevereiro agora, eu vou ocupar um apartamento funcional...

Para que o senhor precisa de apartamento funcional se o sr. tem apartamento em Brasília?
Vou vender o de Brasília. Se quiser comprar, vou ver o preço de mercado.

Deputado, só para esclarecer uma coisa: nenhuma das duas matérias da Folha acusou o sr. que fez alguma coisa ilegal.
Vocês fizeram uma bomba de merda.

O sr. pode classificar como o sr. quiser. Mas o sr. usa como exemplo o fato de não usar dinheiro que a Câmara disponibiliza como uma forma de economizar dinheiro público, que o sr. tem zelo pelo dinheiro público. Mas por que o sr. não tem essa preocupação com o auxílio-moradia, que o sr. ganha R$ 3 mil em dinheiro com o desconto de Imposto de Renda. Ou seja, a Câmara oficializa um aumento de salário já porque gasta Imposto de Renda.
Pergunte ao quarto secretário.

Mas por que o sr....
O dinheiro é legal.

Mas o sr. diz que é diferente de todos os 512 deputados...
Eu poderia devolver o auxílio-moradia e usar a verba da Câmara para outra finalidade. Qual a diferença? No final dá a mesma coisa.

O sr. está tratando o cotão como se fosse uma propriedade do sr. Aquilo ali é para o usar para o seu mandato, para o que o sr. necessita, para atividades parlamentares. Se o sr. não precisa, não tem por que o sr. usar. O sr. não devolveu.
Por que o sr. não questiona outros parlamentares que usaram 100% do cotão?

Porque o sr. é pré-candidato à Presidência. O sr. está em segundo lugar...
Ah, o objetivo é este?

Claro.
Me colocar numa estação de quem está denunciado no mensalão, na questão do petrolão, quem recebeu dezenas de milhões de caixa dois para campanha... Auxílio-moradia, para vocês, vale a mesma coisa de quem recebe R$ 20 milhões do petrolão. Ah, está de brincadeira comigo, né?

O sr. está concorrendo ao principal cargo do país.
E é bom vocês torcerem para eu não chegar porque vai acabar a teta de vocês e você vai perder o teu emprego lá.

Por que? O sr. vai pedir a demissão? O sr. vai interferir na imprensa?
Não vai ter dinheiro para vocês. O dinheiro para imprensa vai ser para o povo.

Mas aí quem vai avaliar a verdade é o sr. como presidente?
Não vai ter dinheiro meu, se eu for presidente, no Orçamento para vocês.

Mas o sr. se incomoda com esse olhar da imprensa em relação ao sr.?
Se você faz a matéria justa, bota as datas que eu adquiri, bota a data de compra da época...

A gente traz data, deputado...
Não. Bota lá atrás a data que foi adquirido, preço de mercado.... Como falei para você agora: quer comprar um apartamento em Copacabana por R$ 100 mil?

Mas os R$ 400 mil da casa 58 não é preço de mercado.
Aquela localização é igual a um apartamento em Copacabana na Ladeira dos Tabajaras.

Na orla, na avenida Lúcio Costa?
Isso foi em 2009.

Mas é disso que a gente está falando.
Pergunta para quem me vendeu. É simples o negócio. Se eu quiser vender essa casa aqui para este cara aqui agora por R$ 50 mil, eu posso vender?

Se o sr. quiser...
Ah, bom.

Mas que vai ser estranho o sr. vender esta casa por R$ 50 mil, vai.
Mas se eu quiser vender.

O sr. não vai achar estranho?
Não acho estranho.

Não?
Não. Se eu tenho uma dívida de gratidão com a pessoa. Posso até doar a coisa.

Como presidente o sr. vai manter essa postura de não responder a imprensa?
Respondo a imprensa séria.

Qual imprensa? O sr. já criticou O Globo, já criticou a Folha, já criticou a TV Globo...
Tem imprensa que eu elogio.

Quem por exemplo?
No Nordeste, quase todos os jornais do Nordeste, quando eu vou lá, eu sou tratado com dignidade. No Nordeste, eu sou tratado com dignidade. Estive agora no ‘A Crítica’, em Manaus, pergunta, resposta, numa boa, tranquilo. E a matéria saiu com o que foi tratado no dia anterior.

Como deputado e se for presidente, o sr. acha que pode escolher a quem responder e quem não responder?
Se você perguntar da Folha, vou falar ‘fake news, passe pra outra’. Pode ter certeza.

É essa a postura que o sr. vai ter?
Para vocês da Folha, vai. ‘O Globo’ não. ‘O Estado de S. Paulo’ não. É o meu entendimento. Eu respondo a quem eu quiser.

Como presidente da República?
Eu respondo a quem eu quiser. Vocês da Folha eu não respondo. Vocês da Folha desistam. Não precisa ter aquele comitê de imprensa no Planalto. Sai fora que vocês não vão ter resposta nenhuma.

Então, por que o sr. recebeu a gente aqui hoje?
Vocês estavam aqui na frente, eu até considerei. Querem conhecer a casa não? Filma a casa aí.


Em 2017, fartura de “homenagens” seguiu caracterizando a obra dos vereadores do Rio

O Globo

No primeiro ano da atual legislatura, as homenagens foram fartas na Câmara Municipal do Rio: entre moções, medalhas e títulos honoríficos, houve nada menos que 4.460. Mas, no Palácio Pedro Ernesto, 2017 também foi marcado por muitas negociações entre vereadores e o Executivo.

Com um grupo frágil de apoio à sua administração, o prefeito Marcelo Crivella só conseguiu votos suficientes para aumentar o IPTU, por exemplo, após concordar em não reduzir drasticamente o número de isenções do imposto predial, o que beneficiou bases eleitorais de parlamentares. Além disso, ele teve de fazer mudanças no primeiro e no segundo escalões do governo para favorecer aliados da Casa, e, consequentemente, retaliar quem tinha cargos e se opôs aos seus projetos.

UM VEREADOR PRESO -Representada por 51 eleitos (33 deles tiveram mandatos renovados), a Câmara passou os últimos cinco meses com um vereador a menos. Doutor Gilberto (PMN), que também é médico legista, foi preso em 8 de agosto, acusado de participar de um esquema de cobrança de propina para liberar corpos no IML de Campo Grande.

Um habeas corpus o tirou da cadeia no início de dezembro, mas ele continua impedido, por medida cautelar, de reassumir o cargo. Para seu lugar, após 120 dias de vacância, assumiu o suplente Ulysses Marins (PMN). Sua produção legislativa ainda está zerada.

BISPO RECORDISTA - Sem limites para oferecer moções, que não precisam ser submetidas ao Plenário, os vereadores foram generosos. Agraciaram 4.273 pessoas ou instituições. Bem mais do que as 3.562 de 2013, primeiro ano da legislatura passada. Nesse quesito, o bispo da Igreja Universal João Mendes de Jesus (PRB), em seu terceiro mandato, é imbatível: foram 877 em 2017, sendo 102 para comerciantes da Feira de São Cristóvão, que ele tenta tombar, e as demais para pastores, reverendos e missionários evangélicos. Por meio de sua assessoria, o parlamentar alegou que conhece muitos grupos e frisou que tem a prerrogativa de prestar homenagens.

Para entrega de medalhas e títulos de cidadão carioca, os vereadores têm cotas. Essas duas homenagens precisam ser aprovadas em sessão. Em 2017, foram sugeridas menos honrarias desses tipos do que há quatro anos: 153 contra 207, segundo levantamento feito pelo gabinete do ex-prefeito e vereador Cesar Maia (DEM).

NOMES DE RUAS  - Dos 677 projetos (de lei, de lei complementar e de emenda à Lei Orgânica) apresentados em 2017, 92 (13,5%) tiveram como objetivo dar nomes para ruas, ampliar a lista de instituições de utilidade pública e incluir dias comemorativos no calendário da cidade.

Também foi o ano de a Assembleia de Deus-Ministério Vida e Luz, a Casa de Trás-Os-Montes e Alto Douro e a Associação Sal & Luz se tornarem instituições de utilidade pública. E vereadores incluíram no calendário oficial da cidade os dias da Consciência Jovem, do Avivamento da Rua Azusa, do Prêmio Plumas e Paetês Cultural, do Combate ao Preconceito à Pessoa com Nanismo, e do Futevôlei, entre outros. Além disso, endereços em Campo Grande ganharam nomes de flores e árvores. Assim, passamos a ter no Rio as ruas Buquê de Noiva, Bromélia Imperial, Flor de Lótus, Eucalipto, Jequitibá e Ipê-Rosa.

CONTENÇÃO DE GASTOS? -Em relação a gastos, o Legislativo municipal teve orçamento aprovado para 2017 de R$ 602 milhões. Segundo a Câmara, até o dia 22 de dezembro, a despesa liquidada (autorizada para pagamento) estava em R$ 567,5 milhões. “É importante destacar que a Mesa Diretora promoveu uma série de ações com o objetivo de reduzir gastos e com foco na implementação de boas práticas de gestão administrativa”, afirmou a Câmara por email. Ainda de acordo com a nota, houve reduções de 50% no consumo de material de escritório e de 20% no de café, as despesas com selos caíram e 12 carros foram doados para a Secretaria Municipal de Saúde.

O site da Câmara Municipal, no entanto, informa que cada gabinete de vereador ainda tem direito a mil litros de combustível e 4 mil selos postais por mês.


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Talhos&Retalhos

Millôr do Dia:
“Prometer não é dar, mas contenta os idiotas.”
(Na verdade ele escreveu pascácios, mas eu mudei, e daí?)

“Não vejo nada no comportamento do Bolsonaro que contradiga a ideologia liberal.” Bivar, presidente do PSL, após comer cocô.

Aí, gente: não é por Bozonaro ter Messias (“ungido” em hebraico) no nome que ele vai ser o salvador de alguma coisa.

Bozonaro deve uma explicação sobre seus imóveis. Fazer piadinhas, como é seu hábito, não é atitude de quem quer a Presidência.

“Esse dinheiro de auxílio moradia eu usava pra comer gente.” Bozonaro em entrevista à Folha.
E é isso que querem pra Presidente...

Proponho uma justa homenagem ao nosso Judiciário:
Todas as Zonas de Meretrício passarão a se chamar Zonas de Meritíssimo.

Egito enforca 3 condenados por estupro. Enquanto isso o irmão do Garotinho, condenado pelo mesmo crime, assume como deputado.

Escárnio!
Livro de fotos de Chico Buarque capta R$ 417 mil da Lei Rouanet. Por que quem quer ver foto dele não compra a Capricho?

No dia em que partidos conservadores e liberais conseguirem ser tão objetivos quanto os de esquerda, o Brasil estará a salvo.

“Jornalismo é a segunda mais antiga profissão.” Paulo Francis. Hoje, quase todos são filhos das profissionais da primeira.

“O politicamente correto é uma arma usada para silenciar quem diz a verdade.” Ayaan Hirsi Ali

Quando e como alguém vai ter a decência de acabar com essa aberração da distribuição de Ministérios aos partidos? Isso dá nojo!

Rio tem 378 pontos de alagamento. Nem pra desentupir bueiro o Crivella presta!

Crivella culpa bandidos pelos 378 pontos de alagamento no Rio. Com certeza! Só que um dos bandidos, no caso, é o próprio.

Absurdo! Vocês sabem quanto cada brasileiro paga por ano para sustentar pessoal do serviço público? A “bagatela” de R$ 1,7 mil!

Millôr do Dia:
“Acabar com a corrupção é o objetivo supremo de quem ainda não chegou ao poder.”

Olavo de Carvalho
O ano mais azarado da minha vida - quase quatro décadas atrás - começou quando me convidaram para ver a festa de Iemanjá na praia de Copacabana, e eu, idiota, aceitei. Foi uma uruca do cão.

Leandro Karnal é um grande agroindustrial! Processa toda sua grande plantação de abobrinhas em palavras

Não sei por que tanta onda em torno do pedido de prisão do cunhado de Ana Hickmann. Promotor é para isso mesmo. Quem decide é o juiz.

“Deus é fiel! Justiça foi feita!” Clarissa Garotinho, promovendo Gilmar Mendes de “supremo” a “divino”.

“Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”. Platão

Circuncisfláutico. Aprendi hoje. Não é uma linda palavra? Significa macambúzio, meditabundo, outras duas lindas palavras...

Se juntarmos as decisões do Gilmar dá um compêndio de putaria.

Lamento muito que tanta gente supostamente preparada já tenha eleito Bozonaro como salvador da pátria.

“Um governo passa dos limites quando quer proteger as pessoas deles mesmas.” Reagan
Ou seja, Estado-Babá é o cacete!

Deu na IstoÉ: Maluf está na ala de Geddel e Luiz Estevão na Papuda... Até que Gilmar Mendes os separe.

MBL, os jovens gigantes do liberalismo

Nem tanto, mas com um pouco de amadurecimento dos meninos, é uma boa aposta.

Claudir Franciatto

Sinceramente, não esperava viver o tempo suficiente para ver isso. Por mais otimista que eu pudesse ser. Um movimento de jovens verdadeiramente liberais. Estudiosos, conscientes, convictos e ativistas dinâmicos. O MBL não é o único, mas o principal e, para mim, o fato mais importante da política brasileira dos últimos 30 ou 40 anos! E não estou exagerando.

Escrevo este artigo no intuito de dar aos nossos leitores uma noção de o quanto o panorama mudou. E o quanto esses jovens significam como o ápice de uma guinada em favor da luta pela liberdade. Vejam só:  há 32 anos, o Estadão me convidou para fazer um livro sobre o Liberalismo. Uma obra ambiciosa.  Eu deveria juntar liberais do Brasil e de outros países, formando um painel crítico sobre o passado, o presente e o futuro dessa filosofia política e visão de mundo. Convidei os principais intelectuais da ala liberal clássica do jornal no país para um debate, que foi transcrito na íntegra no livro. E convenci o peruano Mário Vargas Llosa, o mexicano Octavio Paz e o grande liberal venezuelano Carlos Rangel – que morreu de forma estranha três anos depois – , entre outros, a me enviarem textos exclusivos.

O livro ficou pronto e, aproveitando uma frase do próprio Mário Vargas Llosa, segundo a qual o fato de a liberdade ainda estar até então viva e lutando por ela mesma era um verdadeiro feito, quase um milagre – em face do avanço inexorável do social-estatismo na América Latina –  coloquei o título de A Façanha da Liberdade. Sim, era uma incrível façanha ela sobreviver num grau de resiliência inimaginável. E agora vemos que continua avançando.

Entretanto, tão logo a obra foi publicada, percebemos o tamanho do desafio. À época, o desalento quanto à sobrevivência e progresso do pensamento liberal era tão grande que nem eu, nem o jornal do qual partiu a ideia do livro, tivemos fôlego sequer para divulgar o trabalho. O projeto era iniciar algo com essa obra. Uma série de publicações de conteúdo liberal, forjar discussões para a cultura da liberdade numa sociedade de mercado não desaparecer, etc.. Mas lutávamos com os exageros do regime militar à direita e com o progresso da ideologia socialista à esquerda. A distância que havia entre o discurso dos poucos liberais da época e o resto da sociedade era tão gigantesca, que se tratou de um sonho natimorto. O deserto era desencorajador. E prevaleceu.

Foram necessárias uma sequência de descalabros intervencionistas nos governos pós-redemocratização e mais a tragédia dos 13 anos da malfadada experiência dos socialistas no poder para que muita gente acordasse. E esses jovens liberais representam hoje o sopro de vida de que o liberalismo necessitava. Diferentemente dos libertários e anarcocapitalistas (que, em minha opinião, são úteis no combate ao gigantismo do Estado, mas querem ser os mesmos intelectuais descritos por Thomas Sowell que se colocam acima da ordem espontânea definida por Hayek, tanto quanto os racionalistas-socialistas), os meninos do MBL apresentam uma lucidez de pensamento verdadeiramente espantosa.

Kim Kataguiri, Fernando Holiday e Artur Moledo do Val (que criou o canal “Mamãe, Falei” e tem tanta identificação com o MBL que a este se juntou em várias empreitadas) – principalmente estes – se posicionam sobre todas as matérias cujo conteúdo representa mais um risco à liberdade da sociedade civil. E o fazem com argumentos irrefutáveis. É constrangedor para políticos, intelectuais e estudantes socialistas quando se veem derrotados num debate diante de garotos de 20 a 30 anos de idade.

Eles escaparam da armadilha criada pelo regime militar de 1964 que involuntariamente favoreceu fortemente a trama cultural-socialista do gramiscismo. Eles fundamentam seus argumentos, com surpreendente desenvoltura, nos grandes mestres da escola austríaca, referendam teses econômicas de Milton Friedman e Roberto Campos da mesma forma que a minha geração de universitários adolescentes, desafortunados ideologicamente,  mencionávamos máximas de Marx, Lênin e Trotski.

É evidente que seria até infantilidade mitificá-los a ponto de afirmar que não cometem erros. Sim, eles erram, mas na direção certa. É notório que seria melhor uma proposta de “Escola sem tutela estatal” – pulverizar o MEC, uma ingerência absurda no ensino-aprendizado da sociedade civil –  do que a Escola sem Partido, uma lei desnecessária; talvez mais transparência em suas atividades, para sossegar os tresloucados adversários, etc. Mas nada disso supera a coragem de seguir em frente no bom combate, estando eles com a verdade soberana da defesa da ordem espontânea existente na cultura, na tradição, na moral e no mercado de um capitalismo liberal.

Nós, os liberais de todas as idades, precisamos estar atentos e denunciar firmemente toda e qualquer tentativa de perseguir e calar esses jovens. Como fez recentemente, por exemplo, Rodrigo Constantino no artigo “Auditores fiscais pedem investigação contra MBL por defender reforma da Previdência”, em 12 de dezembro passado. Nesse título está escrito tudo. É surreal! Os privilegiados funcionários públicos se revoltam contra os garotos que apoiam a luta para acabar com os privilégios!

Há uns meses, num grupo de mídia social do qual faço parte porque ali compartilhamos opiniões entre amigos de muitos anos, postei um vídeo em que um dos líderes do MBL dá uma aula de economia liberal para parlamentares petistas. Um show. Digno de se tirar o chapéu. Diante disso, um dos integrantes do grupo, esquerdista empedernido, respondeu: “Esses fascistas do MBL são financiados pela CIA”.

Isso nada mais é que a ampliação da falácia conhecida em epistemologia por argumentum ad hominem. Por falta de argumento contra o conteúdo, ataca-se o ser humano que se quer contestar. A cada mês surgem novos boatos sobre os “financiamentos interesseiros” ao MBL. Dou risada. E eles também riem diante dessas barbaridades. Assim também quando, inexoravelmente, seus entrevistadores questionam se não sabem que, entrando na política – o que pretendem fazer, em 2018, pelo voto -, irão fatalmente se corromper. Como se houvesse outro caminho senão o da política para mudar os rumos do país. Como se as assembleias parlamentares fossem pocilgas contagiosas. Em meu novo livro, O Círculo do Bem (ainda infelizmente sem editora), faço um mergulho mais fundo na questão do liberalismo nos dias de hoje e sua importância, adotando uma linguagem para os jovens. De uma forma inédita. As crianças do MBL me inspiraram.


Homenagem

Proponho uma justa homenagem ao nosso Judiciário:

Todas as Zonas de Meretrício passarão a se chamar Zonas de Meritíssimo.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

As viadagens de Olavo de Carvalho

No Facebook:

Olavo de Carvalho: Ódio é veadagem.

Ricardo Froes: Então você é veado (eu prefiro viadagem e viado, mas, para ser coerente com o “mestre”...).

Brasileiro preso na Venezuela é um tremendo 171!

“Não foi um ato de desespero. Enfrentei de cara pessoas poderosas daquele país, relacionadas pelo regime. Fui justamente porque eu queria ir à cadeia, justamente para conseguir a repercussão. Eu indo para a cadeia aconteceu exatamente o que estava nos meus planos.”

Foi divulgado hoje um vídeo do “ativista em prol das crianças” Jonatan Diniz, que foi preso pela ditadura venezuelana no mês de dezembro enquanto exercia seu trabalho social. No vídeo, Jonathan confessa que “foi lá para ser preso de propósito”; que fez isso de caso pensado para “divulgar sua causa”; que “os fins justificam os meios” e que “os dois lados (quem é contra a ditadura de Maduro e quem é favorável) estão errados. Para Jonathan, o único virtuoso na história é ele, que enganou todo um país.

No vídeo, Jonatan aparece na Califórnia, e sua postura arrogante e triunfalista se assemelha a de um psicopata: enganou sua mãe, seus irmãos e outros familiares em nome da fama; envolveu todo um país na luta pela sua libertação utilizando-se das mesmas práticas desonestas daqueles que levaram as crianças venezuelanas à mais pura miséria.

Percebe-se que Jonatan não sabe o que fala, tampouco o que faz. Que padece de um egoísmo doentio e, aparentemente, de profunda desonestidade. Sua suposta ONG – conforme demonstrado pela Folha de São Paulo – resume-se a uma página de Facebook recém aberta em novembro, o que demonstra pouca ou nenhuma efetividade em seu trabalho. Os indícios de golpe são claríssimos.

Do Facebook do MBL.


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O funeral do macho

O tal do Golden Globe Awards parecia o funeral do macho.

Interessante é que todas as artistas que se engajaram no “luto” deram até não poder para conseguir um papelzinho quando eram ninguém, apenas garotas gostosas. Agora, 10, 20 e até 30 anos depois, maduras, endinheiradas, famosas, mas mal-amadas, catando papel na ventania para arranjar um gigolô para chamar de seu, botaram a boca no trombone.

Santa hipocrisia!


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Anitta foi eleita a “cabrita expiatória” da putaria política


Não entendo por que fizeram a Anitta de cabrita expiatória de tudo de ruim que acontece no país. Não há a mínima relação entre as duas coisas. Quem dera os brasileiros fossem todos como Anitta, uma mulher que, com sua determinação, transformou seus 15 minutos de fama no Brasil em sucesso mundial. Aliás, como disse Tom Jobim, “no Brasil, sucesso é ofensa pessoal.”.

Não gostam dela, das suas músicas, como eu? Fácil: não vejam nem ouçam, como eu. Mas não me venham dizer, como Guzzo, o Villa e tantos outros “analistas políticos” o fizeram, o “Vai Malandra” é agora o símbolo nacional da atual putaria política e do fracasso das instituições por que, se é para representar alguma coisa, Anitta representa justamente o oposto, o êxito.


As treze provas contra Lula


Brasil, país poupador de terras

Devastação de matas e agricultura predatória são temas frequentes sobre preservação ambiental, num falatório mal informado, muitas vezes desonesto
       
O Estado de S.Paulo

Devastação de matas e agricultura predatória são dois temas frequentes quando se avalia a preservação ambiental no Brasil, num falatório mal informado, muitas vezes desonesto e frequentemente repetido, no País, pelos bem-pensantes de plantão. Quem se dispõe a discutir seriamente o assunto pode agora recorrer a informações da Nasa, a agência espacial americana. Segundo a agência, as lavouras ocupam 65,91 milhões de hectares, apenas 7,6% do território brasileiro, e a vegetação nativa é preservada em mais de dois terços da superfície do País. Esses números são muito mais compatíveis com os objetivos de conservação ambiental do que os encontrados na maior parte do mundo, incluídos os países mais desenvolvidos e apontados, costumeiramente, como os menos devastadores.

A informação da Nasa, divulgada no fim de dezembro, foi pouco difundida e escassamente comentada no Brasil. Nenhuma pessoa honestamente interessada no assunto deveria, no entanto, desconhecer os dados e negligenciar as comparações. A agricultura ocupa entre 20% e 30% da área na maior parte dos países, de acordo com o relatório, e em algumas economias importantes a parcela usada na produção rural é muito maior.

A proporção fica entre 45% e 65% na maior parte da União Europeia, em 18,3% nos Estados Unidos, em 17,7% na China e em 60,5% na Índia. Na Dinamarca a área cultivada corresponde a 76,8% do território. No Reino Unido, a 63,9%. Na Alemanha, a 56,9%.

Embora as lavouras ocupem uma pequena porcentagem do território brasileiro, o País é uma potência agrícola e um dos líderes no comércio global de vários produtos. Quem acompanhou a evolução do agronegócio desde as décadas finais do século passado entende facilmente como esse quadro se tornou possível.

A explicação principal está nos ganhos de produtividade, centrados, no caso brasileiro, no volume produzido por hectare. Isso depende da fertilização e da preservação da fertilidade do solo, assim como das técnicas de manejo da terra e também do melhoramento e da seleção das plantas. Graças a esses avanços, durante um longo período foi possível aumentar muito mais a produção de vários grupos de lavouras do que a superfície cultivada. Em outras palavras, a agricultura brasileira tornou-se uma atividade poupadora de terra.

A produção de grãos é o exemplo mais visível dos ganhos de produtividade. O aumento da eficiência, observado desde os anos 1980, tornou-se mais ostensivo neste século. Entre a safra de 1997/98 e a de 2006/2007, a produção geral foi sempre superior a 2 toneladas e inferior a 3 toneladas por hectare. Oscilou nas duas temporadas seguintes e a partir de 2009/10 ficou sempre acima da nova marca. Em 2009/10 foram colhidas 3,15 toneladas por hectare. Em 2016/17, 3,91 toneladas. A proporção caiu para 3,67 na safra seguinte, mas o volume produzido por unidade de área ainda foi 29,29% superior ao de 2006/07. Esse conjunto inclui algodão, arroz, feijão, milho, soja, trigo e cereais de inverno. São produtos fundamentais para o mercado interno, para a produção de aves e suínos e para a exportação.

A cafeicultura, outra área de liderança brasileira, também tem acumulado ganhos de eficiência na produção por área. Em 2004 foram colhidas 17,75 sacas por hectare. Em 2006, 19,75. Entre 2010 e 2014 a produção ficou sempre acima de 20 sacas, tendo atingido 24,80 em 2012. Em 2016 foram 26,33 sacas por hectare. No ano passado, 24,10. Em 2017 completaram-se três anos de problemas climáticos e, além disso, o ano foi de ciclo baixo (uma das características da cafeicultura). Mesmo assim, o rendimento foi muito maior do que o de uma década atrás.

Nenhum desses fatos é justificativa para descuidar da preservação ou para deixar de punir devastadores da Amazônia ou de qualquer outro bioma. Mas os dados da Nasa permitem uma discussão mais informada e mais honesta sobre como os brasileiros cuidam dos compromissos ambientais. São também um testemunho a mais sobre o sucesso e a enorme importância da Embrapa e de outras instituições de pesquisa agropecuária.


Esse aquecimento global não para de surpreender

Nevou ontem no Saara, perto da cidade de Ain Sefra, na Argélia.



Retalhos

Um pouquinho só de reflexão de cada um na hora de votar não é pedir demais para 2018.
Que a sensatez nos guie!
Feliz Ano Novo!

Fala sério! Os aspones da Assembleia de São Paulo aprovaram um PL do deputado estadual Feliciano Filho (PSC) que proíbe “o fornecimento de carnes e seus derivados às segundas-feiras, ainda que gratuitamente, nas escolas da rede pública de ensino e nos estabelecimentos que ofereçam refeição no âmbito dos órgãos públicos”. Não precisa dizer que o idiota come capim por dois motivos: além de vegetariano, é evangélico.

Perguntar não ofende:
Essa grana toda que a Petrobrás tem que pagar nos EUA não teria que ser cobrada do PT?

Apenas 201 idiotas colaboraram com o PT para financiar a baderna em Porto Alegre.
Perguntar não ofende: cadê os 35% do DataFalha?

O Papa Francisco é o primeiro Papa da História a desejar o inferno para seus fieis, e ainda em vida: o socialismo.

Suplente de Cristina Brasil - Nelson Nahim - é ex-presidiário, condenado por explorar menores e irmão de Garotinho.
Que currículo!

Saldo comercial de US$ 67 bilhões em 2017, recorde histórico.
Estranho um ministro pedir demissão depois de uma façanha dessas.

Quando se fala sobre as mazelas do funcionalismo público, sempre aparecem vários deles que levam a coisa para o lado pessoal, defendendo o "farinha pouca, meu pirão primeiro". Não é por aí. Na verdade, está mais para a Tia Zulmira, personagem do Stanislaw que, ao se deparar com uma suruba na casa do seu sobrinho, o Primo Altamirando, reclamou: "Ou todos nos locupletemos ou restaure-se a moralidade".

Existem hoje dois tipos de Arte, a estética e a sociopolítica: uma demanda inspiração e a outra piração.

Toda corrupção deveria ser tratada como crime hediondo. O corrupto é, em última análise, um genocida. Afinal todo dinheiro que ele rouba vem do imposto - que já é uma extorsão institucionalizada - que seria usado para saúde, segurança e educação, cujas deficiências são a principal causa de morte no Brasil, fora as sequelas.

“É o fracasso da democracia no Chile que leva novamente a direita ao poder.”Antônio Carlos Prado, da IstoÉ, um idiota a evitar.

“A melhor propaganda anticomunista é deixar um comunista falar.”Paulo Francis.

Pulga atrás da orelha:
Maria do Rosário estava num C3 vagabundo quando foi roubada. Logo ela que só anda de van blindada?
Armação?

O sábio e o asno:
“A ética é mais importante que a religião.” Dalai Lama
“Não passo um dia sem citar a Bíblia.” Crivella

Só mesmo a ONU!
Arábia Saudita foi eleita para a “Comissão sobre o Status da Mulher”.
Melhor acabar com essa josta!

Maria do Rosário é assaltada e tem seu carro roubado por “vítimas da sociedade”.
São as criaturas se voltando contra a criadora.

Esculhambação!
Ministério da Justiça declara que não sabe quantos detentos têm direito ao indulto natalino que acabou de decretar.

Engoli Temer até ontem, mas depois das benesses aos corruptos ele foi para o seu devido lugar, a latrina.

Os presidenciáveis que temos até agora não passam de uma lista com um aviso recomendando em quem não votar.

Pelo que se vê, 2018 vai ser mais um ano de eleições com as pessoas conscientes sendo obrigadas a votar no “menos pior”.

Ainda falta um mês para o meu Feliz Natal.
Dia 24 de janeiro é o julgamento de Lua.

Aviso:
Deixem seus presépios montados mais um mês.
Os Três Reis Magos - Laus, Paulsen e Gebran - só julgam Lula em 24 de janeiro.

Kakai, o advogado de onze entre dez facínoras, é o novo Nobel de Biologia por decrepitar Maluf 50 anos em um dia.

Quem é que veste vermelho, tem barba branca e fica o ano inteiro enchendo o saco pra depois não cumprir nada do que prometeu?


domingo, 7 de janeiro de 2018

E no caminho para Porto Alegre...


A conversa fiada da liberação das drogas

Percival Puggina

A relação direta de causa e efeito entre o consumo de drogas e a criminalidade gera, quase necessariamente, a ideia da legalização. Seus defensores sustentam que se o consumo e o comércio forem liberados, a maconha, a cocaína, a heroína e produtos afins serão formalmente disponibilizados, inviabilizando a atividade do traficante.

Extinto o comércio clandestino, dizem, cessariam os lucros que alimentam o crime organizado e se reduziria o nível de insegurança em que vive a população. Muitos alegam, ainda, que a atual repressão agride o livre arbítrio. Entendem que os indivíduos deveriam consumir o que bem entendessem, pagando por isso, e que os valores correspondentes a tal consumo, a exemplo de quaisquer outros, deveriam ser tributados para gerar recursos ao setor público e não ao mundo do crime.

A aparente lógica dos argumentos tem um poder muito forte de sedução.

No entanto, quando se pensa em levar a teoria à prática, surgem questões que  não podem deixar de ser consideradas. Quem vai vender a droga? As farmácias? As mesmas que exigem receita para uma pomadinha antibiótica passarão a vender heroína sem receita? Haverá receita? Haverá postos de saúde para esse fim? Os usuários terão atendimento médico público e serão cadastrados para recebimento de suas autorizações de compra? O Brasil passará a produzir drogas? Haverá uma cadeia produtiva da cocaína? Uma Câmara Setorial do Pó e da Pedra? Ou haverá importação? De quem? De algum cartel colombiano? O consumidor cadastrado e autorizado será obrigado a buscar atendimento especializado para vencer sua dependência? E os que não o desejarem, ou que ocultam essa dependência, vão buscar suprimento onde? Tais clientes não restabelecerão fora do mercado oficial uma demanda que vai gerar tráfico? A liberação não aumentará o consumo? Onde o dependente de poucos recursos vai arrumar dinheiro para sustentar seu vício? No crime organizado ou no desorganizado?

A Holanda, desde os anos 70 vem tentando acertar uma conduta de tolerância restritiva. É proibido produzir, vender, comprar, e consumir drogas. A liberação da maconha recuou de 30 gramas para apenas 5 gramas nos coffee shops, que acabaram sendo municipalizados para maior controle e diversos municípios se recusam a assumir a estranha tarefa. Bélgica se tornou a capital europeia da droga. Um plebiscito realizado na Suíça em 2008 rejeitou a liberação, mas autorizou trabalhos de pesquisa que envolvam a realização de estudos e testes com usuários de maconha. O país, hoje, fornece, com supervisão de enfermagem, em locais próprios para isso, quotas diárias de heroína para dependentes...

O uso da droga, todos sabem, não afeta apenas o usuário. O dependente químico danifica sua família inteira e atinge todo seu círculo de relações. Ao seu redor muitos adoecem dos mais variados males físicos e psicológicos. A droga é socialmente destrutiva, e o poder público não pode assumir atitude passiva em relação a algo com tais características.

“Qual a solução, então?”, perguntou-me um amigo com quem falava sobre o tema. E eu: “Quem pensa, meu caro, que todos os problemas sociais têm solução não conhece a humanidade”. O que de melhor se pode fazer em relação às drogas é adotar estratégias educativas e culturais que recomponham, na sociedade, valores, tradições, espiritualidade, disciplina, dedicação ao trabalho, sentido da vida e vida de família, para fortalecer o caráter dos indivíduos e os afastar dos vícios. Mas, como se sabe, é tudo intolerável e “politicamente incorreto”. Então, resta ampliar o que já se faz. Ou seja, mais rigor legal e penal contra o tráfico, mais campanhas de dissuasão ao consumo, menos discurso em favor da maconha, menos propaganda de bebidas alcoólicas, e mais atenção aos dependentes e às suas famílias.

Alguém aí acredita que, legalizado o tráfico e vendidas as drogas em farmácia ou coffee shops, todos os aparelhos criminosos estruturados no circuito das drogas se transmudarão para o mundo dos negócios honestos? Que os chefões das drogas se tornarão CEOs de empresas com código de ética corporativa e política de compliance? Que os traficantes passarão a bater ponto e terão carteira assinada? Pois é.


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Distorções Eleitorais

Tentando entender o absurdo sistema eleitoral proporcional, resolvi simular uma eleição em ritmo de piada, mas a coisa é séria.

Supondo que o estado do Rio de Janeiro tenha tido 1 milhão de votos válidos para deputado estadual (apenas os votos dados aos candidatos regularmente inscritos e às legendas partidárias);

Supondo que há quatro vagas a serem preenchidas;

Supondo que há só dois partidos: o MULA (Minorias Unidas na Luta Ativista) e o BROCHA (Brancos Ricos Ocidentais Capitalistas Heterossexuais e Associados), com 3 candidatos cada um. Então temos:

Art. 106. Determina-se o quociente eleitoral dividindo-se o número de votos válidos apurados pelo de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, desprezada a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um se superior.

Então 1.000.000 / 4 = 250.000. Esse é o quociente eleitoral.

Art. 107. Determina-se para cada partido ou coligação o quociente partidário, dividindo-se pelo quociente eleitoral o número de votos válidos dados sob a mesma legenda ou coligação de legendas, desprezada a fração.

Supondo ainda que o MULA tenha tido um total de 750.000 mil votos e o BROCHA 250.000. Então ficam:

Para o MULA: 750.000 / 250.000 = 3 cadeiras

Para o BROCHA: 250.000 / 250.000 = 1 cadeira

Supondo que o resultado da votação nos candidatos, por partido, tenha sido assim distribuído:

Votos no BROCHA:
Arnaldo Sabor - 85.000 votos
Eulavo Carvalho - 85.000 votos
Rei Naldo Azedo - 80.000 votos
Legenda - 0 votos

Votos no MULA:
Chic Buarq -  1 voto
Falsíssimo Veríssimo - 1 voto
José Abriu - 1 voto
Legenda - 749.997 votos

Art. 108. Estarão eleitos tantos candidatos registrados por um partido ou coligação quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido.

Então, teremos eleitos: Arnaldo Sabor, Chic Buarq, Falsíssimo Veríssimo e José Abriu.

Eulavo Carvalho e Rei Naldo Azedo ficaram de fora com 85 e 80 mil votos, respectivamente, enquanto entraram os três do MULA com 1 voto cada, porque os votos na legenda “carregaram” a votação do partido.

Detalhe: Eulavo Caralho ficou de fora, apesar de ter empatado em primeiro no BROCHA, porque Arnaldo Sabor é mais velho (Art. 110. Em caso de empate, haver-se-á por eleito o candidato mais idoso).

Essa é apenas uma das muitas distorções passíveis de serem causadas pelo nosso Código Eleitoral.


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

A incrível conquista do PT em números aproximados.

  • 40 bilhões de reais com os Jogos Olímpicos;
  • 30 bilhões de reais com a Copa do Mundo de Futebol;
  • 121 bilhões de reais desviados da Petrobras;
  • 12,6 bilhões de reais repassados a 7.700 ONGs, governo Lula;
  • 9 bilhões de reais em publicidade, em 4 anos do governo Dilma. O último não tenho;
  • 7 bilhões de reais em publicidade, governo Lula;
  • 1 bilhão de reais ao MST e outros movimentos ligados ao PT, governo Dilma;
  • 152 milhões de reais repassados ao MST, só no governo Lula;
  • 154 milhões de reais com cartão corporativo (gastos secretos), gestão Dilma;
  • 65,9 milhões de reais repassados à UNE nos governos Lula e Dilma;
  • 50 milhões de reais com cartão corporativo (gastos secretos), gestão Lula;
  • 11 milhões de reais repassados por Dilma a blogueiros petistas às vésperas do impeachment;
  • 6,5 bilhões de reais em obras na República Dominicana;
  • 1 bilhão de reais/ano de mesada à ditadura cubana, sob o disfarce de “Mais Médicos;
  • 2,9 bilhões de dólares investidos a fundo perdido na construção da primeira fábrica de medicamentos contra Aids da África, em Moçambique fazendas experimentais de arroz no Senegal e de algodão em Mali projetos agropecuários, de combate ao trabalho infantil e de capacitação de docentes para o ensino de português no Timor-Leste, e a implantação de bancos de leite humano de 22 países da África;
  • 1,5 bilhão de dólares de prejuízo naquela falsa tomada de assalto às refinarias da Petrobras na Bolívia. Na verdade foi um ato nojento e covarde de traição do governo petista ao povo brasileiro. Conforme posteriormente Lula confessou, ele e o índio cocaleiro já haviam acertado toda a farsa, anteriormente: Evo faria o teatrinho de “ocupação” das instalações da Petrobras e ele doaria tudo à Bolívia. E assim foi feito;
  • 1,22 bilhão de dólares na construção de uma 2ª ponte de 3.156 m sobre o rio Orinoco, Venezuela;
  • 1,5 bilhão de dólares na construção de um trem subterrâneo na Argentina (o famoso soterramento do Ferrocarril Sarmiento, ligando Buenos Aires a Moreno);
  • 1 bilhão de dólares para o metrô Cidade do Panamá;
  • 900 milhões de dólares de perdão de dívidas a ditaduras africanas para com o Brasil;
  • 792,3 milhões de dólares de prejuízo na compra da refinaria de Pasadena, Texas;
  • 732 milhões de dólares na construção do Metrô de Caracas, Venezuela;
  • 692 milhões de dólares para o porto de Mariel, Cuba;
  • 636,8 milhões de dólares na expansão de gasodutos da distribuidora Cammesa, Argentina;
  • 400 milhões de dólares em auxílio para compra de alimentos para Cuba;
  • 200 milhões de dólares para compra de máquinas agrícolas para Cuba (bolsa agrícola cubana);
  • 6 milhões de dólares para melhorias no porto de Mariel, em Cuba.

“Só” isto acima totaliza a bagatela de R$ 229.412.000.000,00 (DUZENTOS E VINTE E NOVE BILHÕES). E ainda falta coisa aí.

Realmente, como conseguimos sobreviver ao PT?


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Querem um Brasil economicamente liberal? Comecem a melhorar a cultura brasileira.

Por Hiago Rebello, publicado pelo Instituto Liberal

Em alguns comentários na página do Facebook do Instituto Liberal, recebo certas críticas bem infundadas ou, até mesmo, bem infantis sobre meu trabalho neste site. Alguns de meus artigos tratam de economia (de fato são apologéticos ao liberalismo econômico), mas se comparados aos que se referem à cultura – onde sou, de modo bem evidente, um conservador –, são minoritários.

As críticas podem se resumir em uma frase: o que um conservador está fazendo em um site liberal? Para marinheiros de primeira viagem, essa pergunta pode parecer desconcertante, mas, para minha pessoa, ela possui uma incoerência extrema. Se olharmos a História do Liberalismo econômico, vemos que ele está necessariamente atrelado aos paradigmas morais e culturais do tempo que o cria. Não nos esqueçamos de que a primeira proposta sistematizada e racionalizada de liberalismo surge na Universidade de Salamanca, no meio de monges e padres procurando uma via moral para a economia; mesmo com os britânicos, esta regra não se perde. John Locke e Adam Smith eram também filósofos da moral, e esta moral, esta cultura da moralidade, é o que matem as bases civilizacionais necessárias para o liberalismo.

Do mesmo modo, é conhecido o fato de o conservadorismo contemporâneo ter laços indissociáveis com o liberalismo. Edmund Burke e David Hume não eram estatistas ferrenhos, mas liberais. O ceticismo do conservadorismo (embora o ceticismo de Hume seja autocontraditório até a última potência) anda de mãos dadas com um liberalismo que não aceita mudanças abruptas vindas de ideologias sem laços com o concreto. Mas o que seria do liberalismo sem a noção desse concreto, isto é, da realidade social? Sem saber da existência de um terreno fértil para ser espalhado? O liberalismo econômico perderia a razão de ser, passaria a ser uma imposição administrativa e interventora, como infelizmente ocorreu no século retrasado, na Europa, com o liberalismo continental. O caso do Reino da Espanha, no golpe que os liberais aplicaram contra o rei, pode ser muito útil para entender a questão.

Em 1820, ocorreu a Revolução Liberal na Espanha. Os liberais, com a desculpa de terem em suas mãos receitas de governos melhores, tomaram o governo absolutista espanhol e iniciaram uma guerra civil no país. Poucos anos depois, com o auxílio da França, a Espanha recupera sua monarquia e o rei absolutista tem seu trono devolvido. A Revolução Liberal enfrentou gravíssimas resistências por parte da nobreza, do povo e da Igreja. Quiseram, com seus ideais liberais, estabelecer um Estado mais livre, mas, ao tentar fazê-lo, acabaram por agigantar o próprio aparelho estatal.Se um rei absolutista não teria esse poder, sem ser acusado de tirano e de dar legitimidade para ser destronado, o Estado liberal teve, ao exercer seu domínio para vilipendiar os nobres, a Igreja e, com isso, o próprio povo.

Se não fosse a força da monarquia, talvez o ano de 1820 fosse o 1789 de roupagem liberal. Por que os liberais espanhóis do século XIX fracassaram? Suas críticas ao absolutismo, podemos dizer, estavam corretíssimas em diversos pontos. Um monarca absoluto, como o pilar e a cabeça de todas as instituições do Estado, é realmente perigoso, embora esteja muito longe de qualquer ditador do século XX, em termos de poder. A verdade em suas críticas ao absolutismo não foi o que impediu o governo liberal, mas sim a forma que tais críticas foram aplicadas pelos liberais, forma esta que transformou o governo liberal em um algo criminoso e ilegítimo desde seu início. A política da Espanha do século XIX não podia ser solapada, em nome de uma verdade econômica. Suas estruturas políticas estavam embasadas por uma mentalidade, por uma cultura, que, se fosse mudada de modo rápido e inclemente, geraria um caos político no país.

Os liberais espanhóis cometeram os mesmos erros que os revolucionários franceses: em nome de ideias, ignoraram a realidade que os cercavam. Caos, destruição e morte são o que se consegue, quando se ignora a realidade do mundo, e ao mesmo tempo tenta-se muda-la.

A cultura, o modo de ver as coisas, os valores e os costumes devem ser considerados, logo, preservados em qualquer processo de modificação. Um Estado absolutista é perigoso? Ruim? Sem dúvidas, portanto vamos muda-lo, mas sem jogar fora o bebê com a água do banho.

Quem só pensa em economia, quem só considera o fator econômico, ou ainda acredita que este é o que predomina, não passa de um reducionista, alguém afogado em um pensamento metonímico, incapaz de ver o todo. E quando não se tem sequer um vislumbre, ou uma ideia de um todo social multiforme, plural, antigo e com bases tradicionais que necessitam ser respeitadas, nada além da injustiça e do caos pode ser gerado.

Querem consertar este país? Então façamos isso de modo lento, pela cultura, pelo resgate dos bons valores do passado, modificando-os, sem destruí-los, conservando-os para evitarmos o caos. Necessitamos mudar a mentalidade brasileira, se quisermos ter um liberalismo econômico, mas o próprio liberalismo não passaria de um mero detalhe, se o compararmos com outros setores de nosso país que necessitam ser urgentemente reerguidos do pó: a segurança pública, a volta da decência no judiciário, o fim de leis imbecis e, também, a caça à cleptocracia que comanda o Brasil – fora os problemas derivados do progressismo de esquerda que assolam as universidades e os maiores meios midiáticos da nação. Necessitamos resgatar nossa decência, nossos valores, nossas concepções de certo, errado, sagrado e profano, belo e feio, bem e mal. Esse resgate, essa conservação, necessariamente estarão no âmbito religioso, político, filosófico, pois têm ligações com a moral, com os hábitos e costumes, noções gerais e específicas dentro da cosmovisão do brasileiro. É claro que ninguém, com o mínimo de inteligência possível, deve esperar derrotar o legado de um Gramsci com um livro de Mises explicando o fracasso econômico do socialismo. É preciso ir além da economia, além do liberalismo.

Querem um Brasil economicamente liberal? Comecem a melhorar a cultura brasileira. O liberalismo não germinou em culturas libertinas (ele nasceu em culturas puritanas e/ou altamente religiosas, vale lembrar), em um caos civilizacional e moral, e ele não crescerá ou se manterá na cultura atual do nosso país.


“Pawn Sacrifice”

Eu não sei se alguém viu o filme  “Pawn Sacrifice” (sacrifício de peão), aqui no Brasil com o infeliz título de  “O dono do jogo”. Eu assisti e gostei muito, mas aviso aos navegantes: não sei avaliar se é um filme exclusivamente para quem gosta de xadrez, mas acrescento que ele não é de difícil entendimento para o leigo.

Trata-se de um quase documentário sobre a vida de Bobby Fischer, um dos maiores enxadristas que já houve. Na maior parte, o filme foca o embate entre ele e Boris Spassky pelo título mundial em Reykjavik, capital da Islândia, em 1972, mas mostra, ainda que de forma acelerada, a sua infância e juventude.

Filho de pais separados (mãe suíça e pai alemão) Robert James Fischer nasceu em 9 de março de 1943 na cidade de Chicago e aprendeu os primeiros movimentos do jogo com sua irmã mais velha Joan. Em 1956, aos 13 anos, teve sua primeira grande participação no Campeonato Norte-Americano de Xadrez para Amadores, conseguindo a 11ª colocação entre 88 inscritos, nada de mais, mas esse foi apenas o primeiro passo. Daí em diante, dos 13 aos 14 anos conquistou os três maiores torneios dos EUA e tornou-se o cara a ser batido, apesar da pouca idade. No Interzonal de 1958, seu primeiro grande torneio internacional, o quinto lugar obtido o levou ao Torneio de Candidatos de 1958 e ao título de Grande Mestre Internacional, o que o credenciou para disputar o Torneio de Candidatos (ao título mundial), quando foi arrasado pelo russo Mikhail Tal por 4-0.

Daí em diante, foram séries de vitórias, principalmente contra os russos, que dominavam o xadrez não só pelo talento indiscutível dos seus jogadores, mas também pelas suas tramóias, entre elas a vergonhosa e escancarada  combinação resultados de partidas entre eles.

Fischer, ao terminar em quarto lugar no Torneio de Candidatos de Curaçao em 1962, descobriu as mutretas do  “exército” soviético - Geller, Petrosian, Korchnoi e Tal - e os acusou de jogarem em equipe para favorecerem uns aos outros, o que foi de fácil comprovação pelo grande número de empates entre eles, sendo que, no final, Korchnoi perdeu três vezes seguidas para seus camaradas, para dar a vitória a Petrosian. A denúncia foi comprovada pela Organização Mundial de Xadrez (FIDE), que, a partir daí, modificou as regras da disputa: em vez de torneios, a habilitação à disputa do título mundial passou a ser jogada em matches individuais eliminatórios.

O filme mostra isso e termina focando o embate entre Fischer e Spassky pelo título mundial em Reykjavik. Nem tanto pelo resultado - uma óbvia vitória do americano - o desenrolar do match é surpreendente pelo verdadeiro pandemônio causado pelas exigências e reclamações de Fischer, já absolutamente tomado pela paranoia anti-soviética.

Para começar, às vésperas da cerimônia de abertura do match que estava marcada para o dia 1º de julho de 1972, Bobby, ciente do seu protagonismo, exigiu que 30% das receitas de bilheteria fossem repassados ao vencedor, exigência não aceita pela organização. Isso, além dos prêmios acordados de US$ 125.000 e 30% das receitas dos direitos de televisão e cinema (5/8 para o vencedor, 3/8 para o perdedor).

Detalhe: Bobby ainda estava nos Estados Unidos.

A cerimônia foi realizada sem a presença de Fischer. Faltando apenas 10 horas para a primeira partida o paradeiro do campeão americano era um mistério. Faltando cinco horas, em vista do não pronunciamento de Bobby, o presidente da FIDE, Max Euwe, anunciou que adiaria em 48 horas o início do match. No dia 3 de julho não havia qualquer sinal de que Bobby jogaria. No entanto, neste mesmo dia, além de ter recebido um telefonema de Henry Kissinger, o doidinho ganancioso aceitou uma oferta - só para ele - de US$ 125.000 do banqueiro londrino James Slater. “Convencido” assim, que deveria jogar, Fischer embarcou imediatamente para a Islândia, lá chegando no dia 4.

Confusão resolvida, as consequências do atraso de Bobby provocaram um novo adiamento do match em função das reclamações da federação soviética, que a FIDE conseguiu contornar. Finalmente, às 18:05h de 11 de julho de 1972, com atraso de 5 minutos por parte de Bobby, o match do século começou.

Para mais, façam o download do “Pawn Sacrifice”. Vale a pena (parece que tem no Netflix também).