terça-feira, 8 de agosto de 2017

A grande família do Senado

Veja a relação dos senadores e seus parentes:

ACRE
Senadores
Gladson Cameli (PP) – Sobrinho do ex-governador Orleir Cameli e do ex-vice­governador do Acre César Messias.
Jorge Viana (PT) – Irmão do governador e ex-senador Tião Viana, filho do ex-deputado Wildy Viana e sobrinho do ex-governador Joaquim Macedo.
Sérgio Petecão (PSD) – Marido da suplente de deputada federal Marfisa Galvão, é irmão da vereadora Lene Petecão, de Rio Branco, e primo do ex-vereador Pedrinho Oliveira, também da capital do Acre.
ALAGOAS
Senadores
Benedito de Lira (PP) – Pai do deputado Arthur Lira (PP-AL) e padrasto de Marcelo Palmeira, vice-prefeito de Maceió.
Fernando Collor (PTC) – Filho do ex-senador e ex-governador Arnon de Mello e neto do ex-ministro do Trabalho Lindolfo Collor. Pai do ex-vereador de Rio Largo (AC) Fernando James e tio do ex-vice-prefeito de Atalaia (AC) Fernando Lyra Collor.
Renan Calheiros (PMDB) – Pai do governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), e irmão do deputado estadual Olavo Calheiros, do ex-deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB), que foi prefeito de Olinda, e de Robson Calheiros, ex-vereador de Maceió.  Remi Calheiros, seu outro irmão, e Olavo Calheiros Novais, seu pai, também foram prefeitos de Murici, município administrado hoje por Olavo Neto, sobrinho do senador.
AMAZONAS
Senadores
Eduardo Braga (PMDB) – Marido de Sandra Braga, que o substituiu como suplente no Senado enquanto ele era ministro.
Vanessa Grazziotin (PCdoB) – Casada com o ex-deputado estadual Eron Bezerra.
AMAPÁ
Senadores
Davi Alcolumbre (DEM) – Primo do deputado estadual Isaac Alcolumbre, do ex-vereador de Macapá Moisés Alcolumbre e do ex-suplente de senador Salomão Alcolumbre Junior.
João Capiberibe (PSB) – Marido da deputada Janete Capiberibe (PSB-AP) e pai do ex-governador do Amapá Camilo Capiberibe.
BAHIA
Senadores
Otto Alencar (PSD) – Irmão do ex-prefeito de Simões Filho (BA) Eduardo Alencar.
CEARÁ
Senadores
Eunício Oliveira (PMDB) – Irmão da ex-prefeita de Lavras da Mangabeira (CE) Dena Oliveira, genro do ex-presidente da Câmara Paes de Andrade e tio do deputado estadual Danniel Oliveira.
Tasso Jereissati (PSDB) – É filho do ex-senador e ex-deputado federal Carlos Jereissati.
DISTRITO FEDERAL
Senador
Reguffe (sem partido) – Neto do ex-deputado federal Expedito Machado e sobrinho do ex-senador Sérgio Machado.
ESPÍRITO SANTO
Senadores
Magno Malta (PR) – É casado com a ex-deputada federal Lauriete.
Ricardo Ferraço (PSDB) – Filho do deputado estadual Theodorico Ferraço e enteado da deputada federal Norma Ayub (DEM-ES).
Rose de Freitas (PMDB) – Foi casada com o ex-vereador de Vitória Huguinho Borges, já falecido, e cunhada do ex-deputado estadual Sérgio Borges, conselheiro do TCE-ES. O pai deles, Hugo Borges, foi prefeito de Guarapari (ES).
GOIÁS
Senadores
Lúcia Vânia (PSB) – Foi casada com o ex-governador Irapuan Costa Junior. É irmã do ex-senador Moisés Abrão Neto e prima do ex-deputado Pedrinho Abrão. É tia do deputado federal Marcos Abrão (PPS-GO).
Ronaldo Caiado (DEM) – Herdeiro de uma das famílias políticas mais tradicionais de Goiás nos séculos 19 e 20, é neto do ex-senador Totó Caiado, sobrinho dos ex-senadores Emival Caiado e Brasil Ramos Caiado e do ex-deputado Elcival Ramos Caiado. Primo dos ex-deputados Brasílio Ramos Caiado, Mário Alencastro Caiado e Sérgio Caiado e do ex-governador de Goiás Leonino Di Ramos Caiado.
Wilder Morais (PP) – Irmão do ex-prefeito de Taquaral de Goiás Willis Morais.
MARANHÃO
Senadores
Edison Lobão (PMDB) – Marido da ex-deputada federal Nice Lobão e pai de Lobão Filho, suplente que exerceu o mandato em seu lugar enquanto era ministro.
João Alberto (PMDB) – Pai do deputado João Marcelo Souza (PMDB).
Roberto Rocha (PSB) – Filho do ex-governador do Maranhão Luiz Rocha, ex-deputado federal, e irmão do ex-prefeito de Balsas (MA) Luiz Rocha Filho.
MINAS GERAIS
Senadores
Aécio Neves (PSDB) – Neto do ex-presidente Tancredo Neves e do ex-deputado Tristão da Cunha, é filho do também ex-deputado Aécio Cunha. É primo do vice-governador do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, e do deputado federal Marco Antônio Cabral (PMDB-RJ). É sobrinho-neto do ex-prefeito de Cláudio (MG) Múcio Tolentino.
Zezé Perrella (PMDB) – É filho de José Henrique Costa, ex-prefeito de São Gonçalo do Pará (MG), e pai do ex-deputado estadual Gustavo Perrella.
MATO GROSSO DO SUL
Senadores
Pedro Chaves (PSC) – Cunhado do ex-deputado estadual Jerson Domingos, conselheiro do TCE-MS, e da ex-vereadora de Campo Grande Tereza Name.
Simone Tebet (PMDB) – Casada com o deputado estadual Eduardo Rocha, é filha do ex-senador Ramez Tebet (PMDB-MS).
Waldemir Moka (PMDB) – Primo do ex-governador Zeca do PT, do ex-prefeito de Porto Murtinho (MS) Heitor Miranda e do deputado Vander Loubet (PT-MS).
MATO GROSSO
Senadores
Cidinho Santos (PR) – Irmão do ex-prefeito de Nova Marilândia (MT) Wener dos Santos.
Wellington Fagundes (PR) – Pai de João Antônio Fagundes Neto, que foi candidato a vice-prefeito de Rondonópolis (MT).
PARÁ
Senadores
Jader Barbalho (PMDB) – Pai do ministro Helder Barbalho, ex-prefeito de Ananindeua, marido da deputada Simone Morgado e primo do deputado José Priante, ambos do PMDB do Pará. Já foi casado com a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA).
PARAÍBA
Senadores
Raimundo Lira (PMDB) – Irmão de Francisco Lira e genro de Bento Figueiredo, ex-prefeitos de Campina Grande (PB), e cunhado do ex-prefeito de Igaracy (PB) Olívio Bandeira.
Cássio Cunha Lima (PSDB) – Filho do ex-governador e ex-senador Ronaldo Cunha e pai do deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB). É sobrinho do ex-senador Ivandro Cunha Lima e primo de Romero Rodrigues, prefeito de Campina Grande. Também é primo dos deputados estaduais Bruno Cunha Lima e Arthur Cunha Lima Filho.
José Maranhão (PMDB) – Filho de Benjamin Maranhão e irmão de Wilma Maranhão, ex-prefeitos de Araruna. O pai do senador ainda foi prefeito de Cacimba de Dentro. É tio do deputado federal Benjamin Maranhão (SD-PB) e da ex-deputada estadual Olenka Maranhão.
PERNAMBUCO
Senadores
Armando Monteiro (PTB) – Filho do ex-deputado e ex-ministro Armando Monteiro Filho e neto do ex-governador Agamenon Magalhães. É primo do deputado Fernando Monteiro (PP-PE) e do ex-deputado José Múcio Monteiro, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Fernando Bezerra Coelho (PSB) – Pai do deputado federal Fernado Coelho Filho, ministro de Minas e Energia, e do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. É sobrinho do ex-governador de Pernambuco Nilo Coelho e do ex-deputado Osvaldo Coelho. É irmão do ex-deputado Clementino Coelho e primo do deputado federal Guilherme Coelho (PSDB-PE).
PIAUÍ
Senadores
Ciro Nogueira (PP) – Marido da deputada federal Iracema Portella (PP-PI), filho do ex-deputado Ciro Nogueira e neto do ex-prefeito de Pedro II (PI) Manoel Nogueira Lima. É genro da ex-deputada federal Myriam Portella e do ex-governador Lucídio Portella.
Elmano Férrer (PMDB) – Primo do deputado estadual Heitor Férrer (PSB-CE).
PARANÁ
Senadores
Alvaro Dias (Podemos) – Irmão do ex-senador Osmar Dias.
Gleisi Hoffmann (PT) – Casada com o ex-deputado federal e ex-ministro Paulo Bernardo.
Roberto Requião (PMDB) – Filho do ex-prefeito de Curitiba Wallace Thadeude Mello e Silva, é pai do deputado estadual Requião Filho e irmão do ex-deputado federal Maurício Requião. É tio do deputado federal João Arruda (PMDB-PR).
RIO GRANDE DO NORTE
Senadores
Garibaldi Alves Filho (PMDB) – Filho do ex-vice-governador e ex-senador Garibaldi Alves e pai do deputado federal Walter Alves (PMDB-RN). É sobrinho do ex-governador e ex-ministro Aluizio Alves e do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Natal Agnelo Alves. É primo do ex-deputado Henrique Eduardo Alves e de Carlos Eduardo Alves, atual prefeito de Natal.
José Agripino (DEM) – Herdeiro de uma das mais famílias mais tradicionais da política do Rio Grande do Norte e da Paraíba, é pai do deputado Felipe Maia (DEM-RN) e primo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do ex-prefeito do Rio César Maia. É filho do ex-governador Tarcísio Maia, sobrinho do ex-senador João Agripino Maia Filho (PB) e primo do ex-deputado Lavoisier Maia. É parente da deputada Zenaide Maia (PR-RN), do ex-deputado João Maia e do deputado distrital Agaciel Maia. Outros parentes do senador exercem ou exerceram mandatos no Rio Grande do Norte.
RONDÔNIA
Senadores
Acir Gurgacz (PDT) – Filho do ex-vice-prefeito de Cascavel (PR) Assis Gurgacz, que exerceu mandato no Senado na condição de seu suplente, e irmão do deputado estadual Airton Gurgacz, ex-vice-governador de Rondônia.
Ivo Cassol (PP) – Filho de Reditário Cassol, suplente que já o substituiu no Senado e ex-prefeito de Colorado do Oeste. É irmão dos ex-prefeitos Nega Cassol, de Alta Floresta, e César Cassol, de Rolim de Moura (RO) e de Santa Luzia do Oeste (RO).
Valdir  Raupp (PMDB) – Casado com a deputada Marinha Raupp (PMDB-RO), irmão do suplente de deputado estadual Ademar Raupp e tio do ex-prefeito de Colniza (MT) Assis Raupp.
RORAIMA
Senadores
Angela Portela (PDT) – Casada com o ex-governador Flamarion Portela.
Romero Jucá (PMDB) – Pai do ex-deputado estadual Rodrigo Jucá e ex-marido da prefeita de Boa Vista, Teresa Surita.
Telmário Mota (PTB) – Marido de Suzete Mota e primo de Gelb Pereira, ex-deputados estaduais
RIO GRANDE DO SUL
Senadora
Ana Amélia (PP) – Viúva do ex-senador Octávio Cardoso.
SANTA CATARINA
Senadores
Dário Berger (PMDB) – Irmão do ex-deputado federal Djalma Berger, ex-prefeito de São José (SC).
Paulo Bauer (PSDB) – Filho do ex-prefeito de Jaraguúa do Sul (SC) Victor Bauer.
SERGIPE
Senadores
Antonio Carlos Valadares (PSB) – Pai do deputado Valadares Filho (PSB-SE) e filho de Josefa Matos Valadares e Pedro Almeida Valadares, ex-prefeitos de Simão Dias. Tio do ex-deputado federal Pedrinho Valadares.
Eduardo Amorim (PSDB) – Irmão do ex-candidato a deputado estadual Edivan Amorim e primo de Nenem Taxista, suplente de vereador em Capela (SE).
Maria do Carmo Alves (DEM) – Esposa do ex-governador de Sergipe João Alves Filho.
SÃO PAULO
Senadores
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) – licenciado, é ministro das Relações Exteriores
É filho do ex-deputado estadual Aloysio Nunes Ferreira.
Marta Suplicy (PMDB) – Foi casada com o ex-senador Eduardo Suplicy (PT), hoje vereador em São Paulo.
TOCANTINS
Senadores
Vicentinho Alves (PR) – Pai do deputado federal Vicentinho Junior (SD-TO) e primo do deputado estadual Paulo Mourão (PT).
Kátia Abreu (PMDB) – Mãe do deputado Irajá Abreu (PSD-TO) e do ex-vereador Iratã Abreu, de Palmas.


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Bozonarices

Um fulano qualquer contestou minhas críticas a Bozonaro dizendo:

“Insultar um cidadão formado em 5 anos de AMAM + um Curso de ESAO é um critério? Só se for no pensamento de esquerdopatas enrustidos.

Respondi:

“Qual, meu caro! Não confunda Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Então vamos lá.

Para dar apenas uma pincelada na carreira do capitão, na AMAN, os superiores de Bozonaro o avaliaram como dono de “excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente” bem como do “tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos”.

Na ESAO, Bozonaro foi preso por “transgressão grave”, acusado de “ter ferido a ética, gerando clima de inquietação no âmbito da organização militar” e também “por ter sido indiscreto na abordagem de assuntos de caráter oficial”, além de ter planejado explodir bombas em unidades militares do Rio para pressionar o comando, fato que ele tentou minimizar dizendo que seria “só a explosão de algumas espoletas” quando, sem o menor constrangimento, deu uma detalhada explicação sobre como construir uma bomba-relógio com TNT.

O fato de apenas frequentar instituições ilibadas não confere a ninguém o mesmo título.”

Por que não reconhecer o Rio como segunda capital do Brasil?

por Christian Edward Cyril Lynch* 

Regularizar a situação da cidade, devolvendo-lhe oficialmente a condição de Distrito Federal, repararia os males que lhe foram infligidos pela União
O atual governo, no intuito de apressar as reformas neoliberais que fazem parte do seu programa, tem procurado usar o Rio de Janeiro como espantalho, como se a crise do estado decorresse de excesso de gastos com funcionalismo e pudesse ser resolvido com o receituário da moda, que é arrocho e privatização. Mas são outras as causas profundas da crise fluminense.

Ela não é pontual, mas crônica, e data da transferência da capital em 1960, que a privou dos investimentos e da contribuição que lhe era paga pelo governo federal desde tempos imemoriais, e da falta de indenização pelo prejuízo, coisa inimaginável para os padrões atuais. A situação foi agravada pela ditadura, ao obrigar a fusão do Estado do Rio com a Guanabara, antiga capital da República, em 1975.
Hoje está patente a incapacidade do Rio de funcionar como Minas Gerais ou São Paulo, o que era o objetivo da fusão imposta pela ditadura. O estado deveria possuir uma elite política longamente estabelecida, consciente de seus interesses regionais, capaz de brigar pelos recursos federais. Em vez disso, é um estado anômalo no conjunto da federação, com uma capital que continua a ser um distrito federal, onde o governador manda pouco e tem menos funcionários que a União. Devido ao seu passado de capital, o estado governa-se tão mal quanto Brasília, elegendo quase sempre administradores incapazes, ambiciosos e corrompidos. Por fim, seus representantes no Congresso também se orientam como se o Rio ainda fosse centro do País e não precisasse antes de tudo focar nos seus interesses regionais. É o pior dos mundos: moldura jurídica estadual com mentalidade de capital.Essa situação contribuiu muito para a decadência do estado, obrigando a União nos últimos anos a fazer seguidas intervenções brancas em matéria de saúde e segurança pública. Por outro lado, de um ponto de vista “nacional”, o Rio nunca deixou de representar o papel de capital do Brasil. Se Brasília é hoje a capital federal, entendida como um espaço neutro em relação ao conjunto de estados que compõem a União, o Rio segue sendo percebido como a capital nacional do Brasil, como se viu nos Jogos Olímpicos. É o principal centro universitário federal do País e berço do nosso nacionalismo, que nele ainda pulsa intensamente como parte indissolúvel de identidade política.
Do ponto de vista “federal”, o Rio de Janeiro também nunca deixou de ser uma espécie de segundo Distrito Federal. De todos os órgãos e empresas públicas distribuídas entre Brasília e o Rio, cerca de um terço do total continua na ex-capital. São mais de 50 repartições, entre agências, autarquias, fundações e empresas públicas, como a Biblioteca Nacional, a Comissão Nacional de Energia Nuclear, a Fiocruz, a Petrobras, a Eletrobras, o IBGE, o BNDES, a Casa da Moeda, o Arquivo Nacional, para mencionar apenas alguns.
Gráfico 2
Além disso, o Rio de Janeiro possui um contingente de servidores federais que não só é superior ao de Brasília, mas também ao de servidores estaduais! Da mesma forma, é surpreende o fato de que o Rio continue sendo o estado da federação com o maior número de servidores públicos federais do Poder Executivo. Em outras palavras, o Rio é um Distrito Federal disfarçado de capital de estado.
Regularizar a situação do Rio, devolvendo-lhe oficialmente a condição de Distrito Federal, repararia os males que lhe foram infligidos pela União e o colocaria em uma condição de tutela federal permanente, de que ele se habitou e sem a qual reconhecidamente não sabe viver. A ideia não tem nada de maluca, porque mais de 15 países têm na prática duas capitais, como Alemanha, Holanda, Rússia, Chile e África do Sul.
Gráfico 1
Os municípios da Baixada Fluminense poderiam ser perfeitamente agregados ao novo Distrito Federal e se beneficiar do novo ambiente de negócios, que repercutiria por toda a região metropolitana. Brasília recebeu da União no ano passado o equivalente a todo o orçamento do município do Rio de Janeiro, tendo metade de sua população. Pode-se imaginar, pelo seu declínio, o impacto negativo que a perda desse investimento teve para o Rio no passado, mas também o impacto positivo que ele produziria em matéria de segurança pública, educação e saúde.
Está na hora de devolver o Rio de Janeiro ao Brasil. Consagrá-lo formalmente como segundo Distrito Federal seria tão somente reconhecer aquilo que ele já é, e de que precisa para continuar a sê-lo. O Rio serviu de capital do Brasil por 200 anos, sendo duramente disciplinada e treinada para exercer esse papel de representação do País. Até hoje não aprendeu a exercer outro e provavelmente não vai aprender mais.
Eis aí uma bela bandeira nesse período turbulento de nossa história, que impõe a refundação da República em bases mais democráticas. Ela seria a “meta-síntese” do projeto político mais amplo de que o País carece: o de uma República renovada, reintegrada com suas tradições, menos tecnocrática, menos oligárquica, mais próxima do povo e de sua sociedade civil.
* Cientista político, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj e pesquisador da Fundação Casa de Rui Barbosa
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domingo, 6 de agosto de 2017

Ironia


sábado, 5 de agosto de 2017

Foucaults e chomskys da vida

Pois é. “Filosofia é uma coisa que se discute filosofia”, como diria Millôr. Não serve para coisa nenhuma, a não ser para criar minhocas no cérebro em função da vasta quantidade de estrume acumulada na cavidade craniana, principalmente nos dias de hoje quando qualquer mequetrefe do tope de uma Marilena Chauí se arvora como filósofo e, o pior, há quem goste, idolatre até. Vivemos a era do “formidável despertar dos idiotas” preconizada por Nelson Rodrigues, na qual “o grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos” enquanto os melhores emudecem.

Não é consolo, mas ao ler esse panaca mexicano no Globo de hoje, a gente percebe que o fenômeno é no mundo inteiro, onde hoje pululam os foucaults e chomskys da vida com seus séquitos de néscios a dar-lhes força sem sequer ter lido uma página das miríades de abobrinhas escritas por eles.


Um boçal que diz que a Venezuela está dando “uma lição forte de democracia” e “uma lição moral para o planeta” merece castração em praça pública. É um dos milhares de exemplos que somos obrigados a aturar diariamente em virtude do “despertar dos idiotas” da imprensa.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Bolsonaro, o oportunista que não carrega caixão, prefere se retirar antes do velório

Lei Manzani

Quando Bolsonaro fazia comícios em caminhões da CUT pedindo fuzilamento de FHC pelas privatizações, eu já sabia que a CUT era um sindicato de ladrões, braço armado do PT e que Lula era um embusteiro. Ah, mas o mito não sabia? Se não sabia ou é um otário ou é um oportunista. Afinal, Bolsonaro sempre foi muito mais alinhado com a esquerda do que com a direita. Quanto Bolsonaro se diz de direita, eu acredito da mesma forma quando Lula diz que é honesto. Em pleno século XXI e um pateta falando em estatização de nióbio e grafeno, francamente... Como o povo brasileiro é inocente!


Não entro no mérito de seu voto, apenas, não poderá jamais reclamar que está sendo perseguido e processado pelo STF, pois ontem o ilibado disse que neste país ninguém está acima da Lei e todos podem ser investigados! Paira apenas uma dúvida: se a pesquisa lançada recentemente apontasse que 90% dos brasileiros não queria que Temer fosse investigado, como teria votado o mito que está sempre do lado de quem tem alta popularidade? E quando há votações de projetos polêmicos, como o da terceirização, opta sempre pela abstenção pra não ficar mal com ninguém! É o exemplo típico do oportunista que não carrega caixão, prefere se retirar antes do velório!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Enio Mainardi, o politicamente incorreto

Desbundes

Já nasci politicamente incorreto. E as tentativas que fiz para me adaptar ao mundo convencional, onde eu não conseguia ficar, sempre geraram em mim muito sofrimento.

E não estou sozinho nesse esforço de me ajustar para sobreviver.

O atrito entre ser “normal” e me assumir como alguém que se coloca em dúvida quanto a valores sociais considerados aceitáveis, gerou em mim um mundo de contradições.

Mas fui aos poucos entendendo que só eu e minha consciência é que poderíamos decidir quem eu queria realmente ser.

Exemplos alheios nunca me serviram satisfatoriamente. Então fui tateando mundo afora. Estou falando tudo isso por causa de umas tantas coisas que andei escrevendo sobre o homossexualismo. Eu tive muitos amigos homo: alguns deles morreram de Aids. Fotógrafos, modelos, produtores - artistas, enfim, gente que girou sua vida em torno da propaganda, teatro, cinema.

O desbunde radical vivido por alguns deles nunca foi minha praia. Entre sexo, drogas e rock and roll, sempre fiquei com sexo e rock - as drogas eu deixei para os outros.

Sei só que vivi sempre envolvido em paixões por mulheres, mulheres. Uma espécie de vício, tipo cocaína, imagino.

Mas tive alguns amigos com quem pude dividir intensamente minhas angústias existenciais. Amigos tão importantes quanto as mulheres com quem cruzei em minha vida.

Nunca tive impulsos homossexuais - mas pude compreender perfeitamente como e porque dois homens podem se apaixonar um pelo outro. Saber disso faz parte de me reconhecer como um ser dual. Dual - não ambíguo.

Bem, nestes dias andei dizendo que o homossexualismo explícito, exibicionista, me incomoda. É que eu reconheço o amor homoafetivo como algo respeitável, sério.

Acho que qualquer um pode exercer sua opção sexual como desejar. Mas sem tentar impor aos outros sua maneira de ser.

O proselitismo homossexual, na verdade, é desagradável e inconveniente. Até porque esse tipo de comportamento pode afetar crianças e adolescentes que ainda não se conhecem o bastante para decidir que tipos de experiência lhes serão mais interessantes, na vida adulta.

Detesto a parada gay. Vejo lá pessoas que se colocam quase como num zoológico - mas do lado de dentro das grades. E reagindo contra eventuais críticas, se arrebentam em desafios à moralidade vigente, num exibicionismo feroz. E quanto mais provocativamente, melhor.

Chato tudo isso. Falta generosidade, dos desfilantes e dos que olham os homossexuais num misto de desprezo mal disfarçado.

Inclusive me toca negativamente que se admita, no ensino, nas escolas, a ideologia de gênero.

Vida dura, a nossa, está muito difícil de descomplicar.

Eu bem que poderia ter escrito isso...


quinta-feira, 27 de julho de 2017

O Facebook é uma piada

Pois é. Pela enésima vez eu levei um gancho no Facebook.

Leiam o que eu comentei no Estadão sobre a decisão do Trump em proibir transgêneros nas forças armadas e digam se isso é motivo para ser considerado "fora de padrão" de qualquer comunidade, mesmo que ela seja composta só de transgêneros:


É mole? Só pode ter sido denúncia de algum viadinho mal resolvido.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Aviso aos navegantes

ISSO AQUI NÃO É FILIAL DE MANICÔMIO!

Ignorância, o legado do PT

O Ipsos, a terceira maior empresa de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo, ano passado realizou um estudo em 33 países - Perigos da Percepção - destacando o que erramos e por que muitas vezes estamos errados sobre temas como imigração, gravidez na adolescência e como mudar isso.

Com base em todas as questões do estudo, o Ipsos criou um “Índice de Ignorância”, para identificar quais países tiveram o melhor e pior entendimento desses fatos. Como mostra o gráfico, os brasileiros receberam o duvidoso privilégio de ser o terceiro mais ignorante, só perdendo para os mexicanos e para os indianos, enquanto os sul-coreanos são os mais precisos.

Eu não tenho dúvidas que os 13 anos de PT no poder foram fundamentais para alcançarmos essa condição vexaminosa através das suas políticas de emburrecimento maciço do povo, já que é público e notório que quanto mais ignorante for o cidadão, mais aumenta a chance dele ser um eleitor da quadrilha, que tem como expoente máximo um apedeuta que tem orgulho em dizer que detesta ler.




sábado, 1 de julho de 2017

A história de Jesus é plágio?

Jesus ou Horus?
Um artigo em um site americano dizendo que a verdadeira vida de Jesus, que até a ciência afirmou como tendo sido uma pessoa real, pode ter sido muito diferente e não como sugere a Bíblia, me chamou atenção. As histórias de Horus e Mithras, por exemplo, figuras messiânicas que antecederam Jesus, têm semelhanças significativas demais com a história de Cristo para serem ignoradas como inspiração para a criação de um suposto mito sobre a vida deste.

Horus, o deus egípcio do céu e da realeza, nasceu de uma virgem, foi batizado aos 30 anos, tinha 12 discípulos, também foi crucificado e também ressuscitou, como Jesus.

Mithras era um deus de culto romano e também nasceu de uma virgem, teve seu dia comemorado em 25 de dezembro, marcou seus seguidores na testa, foi associado com o leão e o cordeiro, sacrificou-se e teve seu dia sagrado aos domingos.

Achei o texto abaixo interessante e bastante pertinente.

A Religião do Egito de 4400 a.C. e semelhanças com o Cristianismo

O Livro dos Mortos
Ressurreição e vida futura, a grande idéia central da imortalidade, o viver no além túmulo, a natureza divina e o julgamento moral dos mortos, tudo isso está na coleção de textos religiosos que é o Livro dos Mortos, cujo verdadeiro nome é “Saída para a Luz do Dia” e é o 1o livro da humanidade.

O medo do desconhecido foi a causa que impulsionou o homem, apavorado com os trovões e raios, terremotos e vulcões, para um ser superior a ele, que assim se manifestava sobre as coisas do seu entorno.

Com o tempo, há uma evolução e o homem começa a temer as ações desse ser superior sobre sua vida e, depois, em suas manifestações sobre sua morte, nesse ponto o homem supera o animal e desponta como ser humano, e começa a enterrar os seus mortos e a lhes oferecer meios de sobreviver na vida eterna em suas tumbas, numa prática de oferendas mortuárias que perdura até hoje, através das ofertas de flores e outras dádivas nas sepulturas.

No Egito, desde 4400 a.C., no reinado de Mena o 1o rei histórico do país, I Dinastia, o egípcio esperava comer, beber, e levar uma vida regalada na região em que supunha estar o céu e ali partilharia para sempre, em companhia dos deuses, de todos os gozos celestiais. Já na IV dinastia, (3800 a.C.), todos os textos religiosos supõem que se imune o corpo por inteiro, mumificado/embalsamado cujo procedimento era o seguinte:

o cérebro do cadáver era extraído pelas narinas, as entranhas pelo anus, ou por uma incisão na barriga; por fim o coração era retirado e substituído por um escaravelho de pedra. Seguia-se uma lavagem e salgação onde o cadáver ficava por um mês. Era secado novamente por outro mês ou dois. Para evitar a deformação, o corpo era recheado de argila, areia, rolos de pano de linho, inclusive os seios, e embebidos em drogas aromáticas, ungüentos e betume. Geralmente o amortalhamento era feito em vários ataúdes de madeira, uns dentro dos outros e, finalmente, colocado em um sarcófago de pedra.

O homem egípcio e sua conceituação
A religião egípcia elabora um conceito complexo, e sofisticadíssimo, para entender/explicar a natureza do homem que, por ela, é composto de 8 partes:

“O corpo físico era o CAT. Ligado a esse CAT estava o duplo do homem o CA, cuja existência é independente do CAT podendo ir para lugares à sua vontade, as oferendas são para alimentar o CA que come, bebe e aprecia o cheiro do incenso. À alma chamava-se BA que é algo sublime, nobre, poderoso. O Ba morava no CA e tinha forma e substância e aparece como um falcão com cabeça humana nos papiros. O coração, AB, era a sede da vida humana. A inteligência espiritual, ou o espírito do homem era CU que era a parte brilhante e etérea do corpo e vivia com os deuses no céu. Outra parte do homem que também ia para o céu era o SEQUEM que era a sua força vital. Outra parte do homem era o CAIBIT, ou sombra, sempre considerada próxima à alma, o BA. Por fim, temos o REN que é o nome do homem e que é uma de suas partes mais importantes, pois se o nome for eliminado poder-se-á se destruir o homem, ou seja, o homem se constituía de corpo, duplo, alma, coração, inteligência espiritual, poder vital, sombra e nome, e essas 8 partes podem se reduzir a 3 partes corpo, alma e espírito, deixando-se de lado as 5 outras”. Na V dinastia (3400 a.C.) afirmava-se de modo preciso:

“A alma para o céu e o corpo para a terra”.

O julgamento da alma e a vida eterna
A religião egípcia, como todas as outras religiões antigas, com execeção do Budismo, apresenta os deuses como seres com os vícios e virtudes dos homens, porém muito mais sábios e com a magia que os torna muito mais poderosos.

Graças ao Livro dos Mortos, o defunto pode vencer todos os obstáculos e ser convertido em Espírito Santificado, após cruzar os 21 pilares, passar pelas 15 entradas, e cruzar 7 salas até chegar frente a Osíris e aos 42 juizes que irão julgá-lo. E graças ao Livro, ele sabe o que pode salvá-lo e conduzi-lo à morada dos deuses após transpor as Portas da Morte, onde, no Campo de Paz, gozará os prazeres da Vida Eterna entre os deuses.

O Livro ajuda a alma a se refazer do susto da morte quando tenta voltar ao corpo, porém os deuses encarregados de guiá-la, arrastam-na para longe do ataúde. Sempre guiada, a alma atravessa uma região de trevas, o Aukert, o Mundo Subterrâneo, sem ar e água, difícil e muitas vezes obstruída. Depois ela chega ao Amenti, onde mora Osíris que, imóvel e enigmático, contempla a alma tendo atrás de si suas irmãs, e esposas, Ísis e Néftis; a alma é conduzida por Horo, e Anúbis verifica o fiel da balança, e pesa o coração do defunto na balança, junto a uma pena, na presença da deusa da Justiça/Verdade, Maât, que não toma parte no julgamento, e mais os 42 deuses (cada um representa um nome do Egito) e, ante cada um, o falecido o interpela pelo nome e declara não ter cometido determinado pecado é a “Confissão Negativa” do papiro de NU (O Juízo Final e os 10 Mandamentos):

“Nada surja para opor-se a mim no julgamento, não haja oposição a mim em presença dos príncipes soberanos, não haja separação entre mim e ti na presença do que guarda a Balança. Não deixe os funcionários da corte de Osíris (cujo nome é: “O Senhor da Ordem do Universo” e cujos 2 Olhos são as 2 deusas irmãs, Ísis e Néftis) que estipulam as condições da vida do homens, que meu nome cheire mal!. Seja o Julgamento satisfatório para mim, seja a audiência satisfatória para mim, e tenha eu alegria de coração na pesagem das palavras. Não se permita que o falso se profira contra mim perante o Grande Deus, Senhor de Amenti”. É de um texto da época de Mencau-Ra (Miquerino dos gregos) 3800 anos a.C., IV Dinastia. E Tot anota o resultado e faz o seguinte discurso aos deuses:

“Ouvi esse julgamento, ............ verificou-se que ele é puro, ............ e ser-lhe-ão concedidas oferendas de comida e a entrada à presença do deus Osíris, juntamente com uma herdade perpétua no Sekht-Ianru, o Campo de Paz (Paraíso), como as que se consideram para os seguidores de Horo”.

O papiro de NU permite observar que o código moral egípcio era muito abrangente, pois o falecido afirma que não lançou maldições contra deus, nem desprezou o deus da cidade, nem maldisse o Faraó, nem praticou roubo de espécie alguma, nem matou, nem praticou adultério, nem sodomia, nem crime contra o deus da geração, não foi imperioso ou soberbo, nem violento, nem colérico, nem precipitado, nem hipócrita, nem subserviente, nem blasfemador, nem astuto, nem ávaro, nem fraudulento, nem surdo a palavras piedosas, nem praticou más ações, nem foi orgulhoso, não aterrorizou homem algum, não enganou ninguém na praça do mercado, não poluiu a água corrente pública, não assolou a terra cultivada da comunidade (10 Mandamentos).

Desde os tempos mais remotos, (II Dinastia), a religião egípcia tendeu para o monoteísmo que aflorou na XVIII Dinastia, (1500 a.C.), com Amenófis IV e sua rainha Nefertiti, a Bela, e seu deus Aton para quem constrói uma cidade fora de Tebas, Tel El Amarna, esse culto durou apenas no seu reinado e, depois, foi proscrito de todo Egito. Lembremos que os seguidores de cada grande religião do mundo nunca se livraram das superstições que sabiam ser produto de seus antepassados selvagens e que, em todas as gerações, as herdam de seus avós e, o que é verdadeiro em relação aos povos do passado é verdadeiro, até certo ponto, em relação aos povos de hoje. No Oriente, quanto mais velhas forem as idéias, crenças e tradições, mais elas serão sagradas. No Egito foi desenvolvido um códice de elevadas concepções morais e espirituais, extremamente sérias e maduras, entre elas, a do DEUS UNO, auto gerado e auto existente, que os egípcios adoravam (O Deus cristão).

A criação do Mundo conforme os egípcios
Houve um tempo em que não existia nem céu, nem terra, e nada era senão a água primeva, sem limites, amortalhada, contudo em densa escuridão (e Deus fez a Luz), nessas condições, permaneceu água primeva por tempo considerável, muito embora contivesse dentro de si os germes de todas as coisas que, mais tarde, vieram a existir neste mundo, e o próprio mundo. Por fim, NU, o espirito da água primeva, o pai dos deuses, sentiu o desejo da atividade criadora e, tendo pronunciado a palavra, o mundo existiu imediatamente na forma já traçada na mente do espírito e antes de se pronunciar a palavra, (o Verbo Divino) que resultou na criação do mundo. O ato da criação, seguinte à palavra, foi a formação de um germe, ou ovo, do qual saltou Ra, o deus sol, dentro de cuja forma brilhante estava incluído o poder absoluto do espirito divino, o criador do mundo, Ra o deus sol, adorado desde os tempos pré históricos sendo, em 3800 a.C., considerado o rei de todos os deuses, na IV Dinastia suas oferendas são apresentadas por Osíris que, mais tarde, suplanta Rá.

Papiro de Hunefer (1370 a.C.): homenagem a ti que é Rá quando te levantas e Temu quando te pões, .................... És o senhor do céu, és o senhor da terra; o criador dos que habitam nas alturas e dos que moram nas profundezas. És o Deus Uno que nasceu no principio dos tempos, criaste a Terra, modelaste o Homem, fizeste o grande aqüífero do céu, formaste Hapi, (o Nilo), criaste o grande mar e dás vida a quantos existem dentro dele. Juntaste as montanhas umas às outras, produziste o gênero humano e os animais do campo, fizeste os céus e a terra, ............Salve, oh tu, que pariste a si mesmo. Salve Único Ser poderoso de miríades de formas e aspectos, rei do mundo. Homenagem a ti Amon-Rá que descansas sobre Maât, ............És desconhecido e nenhuma língua será capaz de descrever seu aspecto; só mesmo tu, ....... És Uno, ......... Os homens te exaltam e juram por ti, pois é senhor deles. .......Milhões de anos passaram pelo mundo, .......... seu nome “Viajor”.

Papiro de Nesi Amsu (300 a.C.): Rá o deus solar, evolveu do abismo aqüífero primevo por obra do deus Quépera, que produziu esse resultado pelo simples pronunciar do próprio nome e que seu nome é Osíris, a matéria primeva da matéria primeva, sendo Osíris como resultado disso, idêntico a Quépera no que respeita suas evoluções.

Osíris, deus da ressurreição e da vida eterna nos Campos de Paz
Os egípcios, de todos os períodos dinásticos, acreditavam em Osíris que, sendo de origem divina, padeceu a morte e a mutilação sob as potências do mal, após grande combate com essas potências e voltou a levantar-se tornando-se, dali para adiante, rei do mundo inferior e juiz dos mortos e acreditavam que, por ele ter vencido a morte, os virtuosos também poderiam vencê-la. Osíris é a união do Sol e da Lua e foi morto e esquartejado em 14 pedaços por seu irmão Set, filho de Seb e Nut e marido de Néftis, que espalhou seus membros por todo o Egito, isto é, todo o Universo pois, ao separar a dupla original, o Sol e a Lua, Set dá origem aos planetas, às estrelas fixas, a todos os seres da Natureza, tudo isso nascido dos membros de Osíris, que foram arrancados e disseminados por todo o Universo, o Egito. Entretanto Osíris, ligado à morte, é o mundo atado, petrificado, privado da liberdade e submetido às leis da Natureza e aos ritmos implacáveis do Destino. Sua irmã, e esposa, Ísis, o trouxe de volta à vida depois de muito trabalho e esforço utilizando as fórmulas mágicas que lhe dera Tot, e teve um filho dele, Horo, que cresceu e combateu Set venceu-o e assim vingou o pai. Osíris passou a ser igual, ou maior, que Rá. Ele representa para os homens a idéia de um ser que era, ao mesmo tempo, deus e homem, e tipificou para os egípcios, de todas as épocas, a entidade capaz, em razão de seus padecimentos e de sua morte como homem, de compreender-lhes as próprias enfermidades e a morte. Originalmente, encaravam Osíris como um homem que vivera na terra como eles, comera e bebera, sofrera morte cruel e, com a ajuda de Ísis e Horo (seu filho), triunfara da morte e alcançara a vida eterna ao subir aos céus (Jesus Cristo). Por mais que se recue no tempo das crenças religiosas egípcias sempre há a crença na ressurreição e a morte física pouco importava, pois o morto atingia o Além que é a representação da terra ideal no céu e, porisso, era importante a conservação do corpo, pois o morto renascia no além. O centro do culto de Osíris, durante as 1as dinastias, foi Abidos capital do Antigo Egito e que recebe as tumbas dos 1os Faraós e lá onde estaria enterrada a cabeça do deus quando fora esquartejado pelas potências do mal e aonde, a partir o Reino Médio, se fazem peregrinações anuais com milhares de peregrinos, inclusive com a participação do próprio Faraó, para celebrar a ressurreição de Osíris. Os vários episódios da vida do morto se constituíram em representações no templo de Abidos (Via Sacra). Há outros templos, Ahmose, Senusret III, Seti I, Ramses II, cujas construções se sucedem desde as 1as Dinastias, continuam pelo Reino Médio (1975-1640 a.C.) atravessam o Reino Novo (1539-1075 a.C.) até o Último Período (715-332 a.C.). Com o tempo, Osíris passa de exemplo de ressurreição para a causa da ressurreição dos mortos e Osíris se torna um deus nacional igual e, em alguns casos, maior que Rá. Nas XVIII e XIX dinastias (1600 a.C.), ele parece ter disputado a soberania das 3 companhias de deuses, o que quer dizer, a trindade das trindades das trindades. Durante 5.000 anos no Egito, mumificaram-se os homens à imitação da forma mumificada de Osíris e eles foram para os seus túmulos crentes que seus corpos venceriam o poder da morte, o túmulo e a decomposição, porque Osíris os vencera.

A principal razão da persistência do culto de Osíris no Egito foi, provavelmente, ele prometer a ressurreição e a vida eterna aos fiéis. Mesmo depois de haver abraçado o cristianismo, os egípcios, continuaram a mumificar os seus mortos e a misturar os atributos de Osíris aos de Cristo e as estátuas de Ísis, amamentando seu filho Horo, são o protótipo da Virgem Maria e seu Filho.

Outros Deuses do Egito
Além dos deuses da família e da aldeia havia os deuses nacionais, deuses dos rios das montanhas, da terra, do céu formando um número formidável de seres divinos. Os egípcios tentaram estabelecer um sistema de deuses incluindo-os em tríades , ou grupos de 9 deuses e, nos últimos anos, se aprendeu que houve diversas escolas teológicas no Egito; Heliópolis, Mênfis, Abido, Tebas e, de todas essas, a que mais perdurou foi a de Heliópolis (V e VI dinastias) com sua grande companhia dos deuses, tendo Temu como deus maior mas que se funde em um único deus com Rá e Nu. Havia uma grande quantidade de deuses, mas apenas os que lidavam com o destino do homem, obtinham o culto e a reverencia do povo e, pode-se dizer que, eram os deuses que se constituíam na grande companhia de Heliópolis, ou seja, nos deuses pertencentes ao ciclo de Osíris.

São esses os 9 deuses, da grande companhia de Heliópolis.
  • ·         Seb é a terra, era filho de Xu e é o pai dos deuses: Osíris, Ísis, Set e Néftis, passou, mais tarde, a ser o deus dos mortos.
  • ·         Nut é o céu, é esposa de Seb e mãe de: Osíris, Ísis, Set e Néftis é considerada mãe dos deuses e de todas as coisas vivas.
  • ·         Seb e Nut existiam no aqüífero primevo ao lado de Xu e Tefnut.
  • ·         Osíris, filho de Seb, e de Nut, marido de Ísis, e pai de Horo, é o Deus da Ressurreição e sua história já foi retro citada.
  • ·         Ísis esposa e irmã de Osíris e mãe de Horo, é a deusa da natureza, a divina mãe, nessa qualidade tem milhares de estátuas onde está sentada amamentando o filho Horo, (Virgem Maria e Jesus Cristo) suas peregrinações em busca do corpo de Osíris, a tristeza ao dar a luz e educar o filho, Horo, no pântano de papiro do Delta do Nilo, a perseguição que sofreu dos inimigos do marido são citados em textos de todas as dinastias.
  • ·         Set, filho de Seb e Nut, é marido de Néftis sua irmã, e é irmão de Osíris e Ísis, representa a noite, e estava sempre em guerra com Horo, o dia e é a personificação de todo o mal.
  • ·         Néftis, mulher, e irmã, de Set, irmã de Osíris e Ísis, e é mãe de Anúbis filho dela e de Osíris; ela ajudava os mortos a superar os poderes da morte e do túmulo.


A seguir, os principais deuses das outras companhias:

  • ·         Nu, pai dos deuses, e progenitor da grande companhia dos deuses, era a massa aqüífera primeva.
  • ·         Ptá, é uma forma de Rá e é tipificado como o abridor do dia.
  • ·         Ptá-Sequer, é o deus duplo da encarnação do Boi Ápis de Mênfis com Ptá.
  • ·         Ptá-Sequer-Ausar, três deuses em um, simbolizava: a vida, a morte e a ressurreição.
  • ·         Cnemu, foi quem modelou o homem numa roda de oleiro, ajudava Ptá a cumprir as ordens de Tot (o homem moldado no barro por Deus).
  • ·         Quépera, é o tipo da matéria que contem em si o germe da vida em vias de aflorar numa nova existência, significava o corpo morto que estava preste a fazer surgir o corpo espiritual.
  • ·         Amon, era um deus local de Tebas com seu santuário fundado na XII dinastia (2500 a.C.), significa oculto, e passou a ser um deus de primeiríssima importância nas XVIII, XIX e XX dinastias e, a partir de 1700 a.C. foi declarado representante do poder oculto e misterioso que criou e sustenta o universo e o fundiram com os deuses mais antigos e ele usurpou os poderes de Nu, Cnemu, Ptá e vira um deus sagrado senhor de todos os deuses, Amon Rá, como está no papiro da princesa Nesi-Quensu de 1000 a.C.. A partir de 800 a.C. declina o poder de Amon.
  • ·         Maât, grande deusa, tipifica a Verdade/Justiça. Presente no julgamento dos mortos, dela dependia a salvação.
  • ·         Horo, simbolizado pelo falcão, que parece ser a 1a coisa viva que os egípcios adoraram, era o deus sol como Rá que em épocas mais recentes foi confundido com Horo filho de Osíris e Ísis. Ele estava associado aos deuses que sustentam o céu nos 4 pontos cardeais, os 4 espíritos de Horo, que são: Hapi, Tuamutef, Amset e Quebsenuf. É, também, tipificado como o dia sempre em luta contra Set.
  • ·         Anúbis, filho de Osíris com Néftis que presidia a morada dos mortos, era o condutor dos mortos e protetor dos cemitérios.
  • ·         Tot, deus da Palavra criadora e mágica, divindade lunar, encarnação da sabedoria, toda a cultura humana era obra de suas inspirações.
  • ·         Ápis, touro que recebia culto, pois acreditavam que a alma de Osíris tivesse habitado o seu corpo, tinha uma mancha branca, em forma de crescente, na testa.
  • ·         Rá, o deus Sol, é, provavelmente, o mais antigo dos deuses adorados no Egito, ele velejava pelo céu em 2 barcos o Atet, desde o nascer do sol até o meio dia, e o Sectet, do meio dia até o por do sol. Visto ser Rá o pai dos deuses nada mais natural que cada deus representasse uma fase dele e que ele representasse cada um dos milhares de deuses egípcios, numa explícita alegoria do fundamento moneteista da religião egípcia.


A trindade Egípcia:
  • ·         Temu ou Atmu, isto é, o que fecha o dia, seu culto vem da V Dinastia e é o fazedor dos deuses, criador de homens.
  • ·         Xu, é o primogênito de Temu e tipifica a luz. Ele colocava um pilar em cada ponto cardeal para sustentar o céu, os suportes de Xu são os esteios do céu.
  • ·         Tefnut, era irmã gêmea de Xu e tipificava a umidade, seu irmão Xu é o olho direito, e ela é o olho esquerdo de Temu.


Os deuses Temu, Xu e Tefnut formavam uma trindade e Temu na história da criação diz:
“Assim, sendo um deus, tornei-me 3” (a Santíssima Trindade católica).

O Barco do Sol representa a lua, seu quarto crescente, tendo o disco do Sol sobre ele e, essas 2 luminárias, formam essa imagem que é o núcleo central da religião egípcia, a Lua é fria e úmida, sempre em eterna mutação, governa a afeição, os amores, é feminina. O Sol é quente e seco e governa a razão de modo impessoal e objetivo, é masculino. Essas duas forças são equipotentes, com naturezas opostas, é o Yin e Yang da religião chinesa, o Enxofre e o Mercúrio da Alquimia, o Positivo e o Negativo da Eletricidade, a eterna oposição do bem e do mal,do amor e do ódio, do dia e da noite, a sublime dualidade de todas as coisas, desde sua Criação do aqüífero primevo, na gênese do mundo contada pelos egípcios, há 6.000 anos atrás, através dessa religião e sistema moral complexo e maduro, que nada fica a dever às concepções desenvolvidas pela Grécia que dizia que: a matéria era uma carga muito pesada para o espírito, nascido no Céu e, consequentemente, a vida consistia em viver morrendo, enquanto a morte era, para a alma, a porta da Liberdade.

Anibal de Almeida Fernandes, Junho, 2006.

Bibliografia:
O Livro dos Mortos, Hemus, Editora LTDA SP.
A Religião Egípcia, E. A Wallis Budge, Cultrix, SP.
Egypt's First Pharaohs, National Geographic, April 2005, pgs 106 a 121.


quarta-feira, 28 de junho de 2017

Juiz atropela a Constituição e autoriza deputado preso a voltar a exercer seu mandato

Celso Jacob
O deputado Celso Jacob (PMDB-RJ), condenado a sete anos e dois meses de xilindró por falsificação de documento público, pediu e o juiz Valter Bueno Araújo, da Vara e Execuções Penais de Brasília, concedeu-lhe o direito de manter a atividade parlamentar aprovando leis, emendas constitucionais e medidas provisórias, etc., em regime semi-aberto.

Como é que pode um juiz atropelar a Constituição dessa maneira tão escancarada? Em seu Artigo 55, inciso VI a Constituição diz que “Perderá o mandato o Deputado ou Senador (...) que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado”. Mais claro do que isso só dois disso!

Pior que isso: como é que pode a Justiça ter deixado de cassar o mandato de Jacob concomitantemente com a expedição da sua condenação definitiva se ela não depende de qualquer iniciativa, bastando apenas a aplicação, de ofício, do Artigo 55?

Eu me considero um otimista - ainda -, mas, a cada dia, as dezenas de notícias com absurdos desse quilate minam meu entusiasmo de uma tal maneira que, dentro em breve, provavelmente trocarei de lado.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Bar de Ferreirinha é excluído da plataforma do Google sem maiores explicações


Eis a mensagem que recebi dos seus editores:

Ricardo,
O endereço bardeferreirinha.blogspot.com.br foi excluído da plataforma do Google, sem maiores explicações, exceto a de que teríamos violado a sua política de uso.
Não houve detalhamento desta violação.
Enviamos um pedido de reconsideração, porque há milhares de textos produzidos pelos editores e colaboradores, que dizem respeito à cultura do povo de Caicó e do Seridó.
Muitos destes textos viraram livros, com enorme repercussão na cena cultural norte-rio-grandense.
De calças curtas, e atendendo a milhares de apelos enviados via whatsapp e telefone, reativamos o blogue Bar de Ferreirinha noutro endereço: www.novobardeferreirinha.blogspot.com.br
Enquanto isso, providenciaremos o registro de um domínio próprio do Bar que nos dê garantia da propriedade e integridade do conteúdo que eventualmente for publicado.
A frase 'Não existe almoço grátis' atribuída ao economista americano Milton Friedman revelou-se por inteiro neste episódio.
O Google não cobra nada pelo uso da sua plataforma, mas também não dá maiores satisfações aos usuários quando resolve excluir uma conta.
Agradecemos a compreensão e, quando puder, altere o link de redirecionamento na sua página.
Um abraço,
Roberto e Pituleira

Editores

Solidarizo-me com vocês. Tais situações são, infelizmente, inevitáveis e imprevisíveis, já que tudo indica que apenas uma queixa contra um blog seja motivo suficiente para os donos da web apliquem punições sem justificativas, sem dar direito a argumentações e sem respostas às nossas solicitações, visto que essa parafernália é gerida por algoritmos tão estúpidos quanto seus criadores.

Ricardo Froes

Em seis anos, BNDES torrou 25% a mais do que foi gasto no Plano Marshall

Uma história de dois Planos Marshall

Samuel Pessôa

Entre 1948 e 1951, os EUA despenderam pouco mais de US$ 13 bilhões para ajudar na reconstrução de 16 países europeus, com população, à época, de 290 milhões.

O gasto do programa de recuperação da Europa, também conhecido por Plano Marshall, corresponderia a preços de hoje a cerca de US$ 100 bilhões, ou R$ 315 bilhões ao câmbio de R$ 3,15 por dólar.

Por aqui, entre 2008 e 2014, o Tesouro emprestou ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a taxas muito reduzidas e em condições extremamente favoráveis, R$ 400 bilhões. Ou seja, uma quantia de dinheiro 25% maior e que atingiu uma população 31% menor do que aquela beneficiada pelo Plano Marshall.

No nosso “Plano Marshall”, diversos trabalhos acadêmicos documentaram que as firmas que se beneficiaram do crédito subsidiado eram as maiores, mais antigas e menos arriscadas. Essas empresas não investiram mais do que as empresas equivalentes não beneficiadas pelos créditos subsidiados.

A elegância dessa literatura é que a evidência foi obtida comparando empresas incentivadas com empresas com as mesmas características, mas que não tiveram acesso ao incentivo. As empresas não incentivadas funcionaram como um grupo de controle, sugerindo, portanto, que o efeito medido representa de fato a causalidade do incentivo sobre o comportamento das firmas.

Adicionalmente, as empresas beneficiadas efetivamente experimentaram redução de seu custo financeiro e aumentaram seu grau de endividamento.

Dado que essas empresas não elevaram seu investimento, mas aumentaram seu endividamento e seu custo financeiro foi reduzido, provavelmente o crédito subsidiado foi empregado para liberar recursos dos acionistas para serem aplicados no mercado financeiro com maiores retornos.

O leitor encontra resenha recente da evidência empírica no trabalho “Brazil - Financial Intermediation Costs and Credit Allocation”, texto para discussão do Banco Mundial de março de 2017, preparado por diversos autores.

Evidentemente, os subsídios saíram caro para o Tesouro. Segundo cálculos de meu colega do Ibre Manoel Pires, o custo total dos subsídios foi, somente em 2015, de R$ 57 bilhões, algo próximo ao custo anual de dois programas Bolsa Família.

Também há evidência de que o crédito subsidiado dificulta a política monetária, aumentando o juro necessário para estabilizar a inflação. Segundo trabalho recente de Monica de Bolle (goo.gl/VTEunr), cada 1 ponto percentual do PIB de crédito subsidiado eleva os juros em 0,5 ponto percentual.

Esse resultado é mais sujeito a crítica. A razão são as dificuldades naturais de inferência de causalidade com dados macroeconômicos. De qualquer forma, outros estudos
têm obtido resultado equivalente.

É praticamente consensual entre diversos analistas -suportando, portanto, a evidência de Mônica- que a taxa de juro neutra brasileira, aquela que estabiliza a inflação, reduziu-se recentemente por volta de um ponto percentual, em razão da mudança de política do BNDES.

Aqui temos que desfazer nosso Plano Marshall para arrumar a casa de uma economia devastada por esta e outras iniciativas da ruinosa nova matriz econômica. Na Europa, o verdadeiro Plano Marshall estabeleceu as bases do formidável crescimento do pós-guerra.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O fabuloso despertar dos idiotas.


Até o século XIX o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar um cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os “melhores” pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas. Nelson Rodrigues