segunda-feira, 22 de maio de 2017

Entrevista de Temer à Folha: “Se quiserem, me derrubem”

Fábio Zanini, Daniela Lima e Marina Dias
Folha

Enfrentando a mais grave crise de seu governo, o presidente Michel Temer (PMDB) diz que renunciar seria uma admissão de culpa e desafia seus opositores: “Se quiserem, me derrubem”.Em entrevista à Folha no Palácio da Alvorada, Temer afirma que não sabia que Joesley Batista, que o gravou de forma escondida, era investigado quando o recebeu fora da agenda em sua residência em março –embora, naquele momento, o dono da JBS já fosse alvo de três operações.
Sobre o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, flagrado correndo com uma mala de dinheiro, Temer diz que mantinha com ele apenas “relação institucional”. A atitude de Loures, para o presidente, não foi “aprovável”. Mas ele defende o caráter do ex-assessor. “Coitado, ele é de boa índole, de muito boa índole.”
O sr. estabeleceu que ministro denunciado será afastado e, se virar réu, exonerado. Caso o procurador-geral da República o denuncie, o sr. vai se submeter a essa regra?
Não, porque eu sou chefe do Executivo. Os ministros são agentes do Executivo, de modo que a linha de corte que eu estabeleci para os ministros, por evidente não será a linha de corte para o presidente.

Mas o sr. voluntariamente poderia se afastar.
Não vou fazer isso, tanto mais que já contestei muito acentuadamente a gravação espetaculosa que foi feita. Tenho demonstrado com relativo sucesso que o que o empresário fez foi induzir uma conversa. Insistem sempre no ponto que avalizei um pagamento para o ex-deputado Eduardo Cunha, quando não querem tomar como resposta o que dei a uma frase dele em que ele dizia: “Olhe, tenho mantido boa relação com o Cunha”. [E eu disse]: “Mantenha isso”. Além do quê, ontem mesmo o Eduardo Cunha lançou uma carta em que diz que jamais pediu [dinheiro] a ele [Joesley] e muito menos a mim. E até o contrário. Na verdade, ele me contestou algumas vezes. Como eu poderia comprar o silêncio, se naquele processo que ele sofre em Curitiba, fez 42 perguntas, 21 tentando me incriminar?

O Joesley fala em zerar, liquidar pendências. Não sendo dinheiro, seria o quê?
Não sei. Não dei a menor atenção a isso. Aliás, ele falou que tinha [comprado] dois juízes e um procurador. Conheço o Joesley de antes desse episódio. Sei que ele é um falastrão, uma pessoa que se jacta de eventuais influências. E logo depois ele diz que estava mentindo.

Não é prevaricação se o sr. ouve um empresário dentro da sua casa relatando crimes?
Você sabe que não? Eu ouço muita gente, e muita gente me diz as maiores bobagens que eu não levo em conta. Confesso que não levei essa bobagem em conta. O objetivo central da conversa não era esse. Ele foi levando a conversa para um ponto, as minhas respostas eram monossilábicas…

Quando o sr. fala “ótimo, ótimo”, o que o sr. queria dizer?
Não sei, quando ele estava contando que estava se livrando das coisas etc.

Era nesse contexto da suposta compra de juízes.
Mas veja bem. Ele é um grande empresário. Quando tentou muitas vezes falar comigo, achei que fosse por questão da [Operação] Carne Fraca. Eu disse: “Venha quando for possível, eu atendo todo mundo”. [Joesley disse] “Mas eu tenho muitos interesses no governo, tenho empregados, dou muito emprego”. Daí ele me disse que tinha contato com Geddel [V. Lima, ex-ministro], falou do Rodrigo [Rocha Loures], falei: “Fale com o Rodrigo quando quiser, para não falar toda hora comigo.”

Ele buscou o sr. diretamente?
Ele tentou três vezes me procurar. Ligou uma vez para a minha secretária, depois ligou aquele rapaz, o [Ricardo] Saud, eu não quis atendê-lo. Houve um dia que ele me pegou, conseguiu o meu telefone, e eu fiquei sem graça de não atendê-lo. Eu acho que ele ligou ou mandou alguém falar comigo, agora confesso que não me recordo bem.

Por que não estava na agenda? A lei manda.
Você sabe que muitas vezes eu marco cinco audiências e recebo 15 pessoas. Às vezes à noite, portanto inteiramente fora da agenda. Eu começo recebendo às vezes no café da manhã e vou para casa às 22h, tem alguém que quer conversar comigo. Até pode-se dizer, rigorosamente, deveria constar da agenda. Você tem razão.

Foi uma falha?
Foi, digamos, um hábito.

Um hábito ilegal, não?
Não é ilegal porque não é da minha postura ao longo do tempo [na verdade, está na lei 12.813/13]. Talvez eu tenha de tomar mais cuidado. Bastava ter um detector de metal para saber se ele tinha alguma coisa ou não, e não me gravaria.

É moralmente defensável receber tarde da noite, fora da agenda, um empresário que estava sendo investigado?
Eu nem sabia que ele estava sendo investigado.

O sr. não sabia?
No primeiro momento não.

Estava no noticiário o tempo todo, presidente [Joesley naquele momento era investigado nas operações Sepsis, Cui Bono? e Greenfield].
Ele disse na fala comigo que as pessoas estavam tentando apanhá-lo, investigá-lo.

Um assessor muito próximo do sr. [Rocha Loures] foi filmado correndo com uma mala pela rua. Qual sua avaliação?
Vou esclarecer direitinho. Primeiro, tudo foi montado. Ele [Joesley] teve treinamento de 15 dias, vocês que deram [refere-se à Folha], para gravar, fazer a delação, como encaminhar a conversa.

A imagem dele correndo com dinheiro não é montagem.
[Irritado] Não, peraí, eu vou chegar lá, né, se você me permitir… O que ele [Joesley] fez? A primeira coisa, o orientaram ou ele tomou a deliberação: “Grave alguém graúdo”. Depois, como foi mencionado o nome do Rodrigo, certamente disseram: “Vá atrás do Rodrigo”. E aí o Rodrigo certamente foi induzido, foi seduzido por ofertas mirabolantes e irreais. Agora, a pergunta que se impõe é a seguinte: a questão do Cade foi resolvida? Não foi. A questão do BNDES foi resolvida? Não foi.

O Rocha Loures errou?
Errou, evidentemente.

O sr. se sente traído?
Não vou dizer isso, porque ele é um homem, coitado, ele é de boa índole, de muito boa índole. Eu o conheci como deputado, depois foi para o meu gabinete na Vice-Presidência, depois me acompanhou na Presidência, mas um homem de muito boa índole.

Ele foi filmado com R$ 500 mil, que boa índole é essa?
Sempre tive a convicção de que ele tem muito boa índole. Agora, que esse gesto não é aprovável.

O sr. falou com ele desde o episódio?
Não.

O sr. rompeu com ele?
Não se trata de romper ou não romper, não tenho uma relação, a não ser uma relação institucional [com ele].

Quando o sr. diz para o Joesley que ele poderia tratar de “tudo” com o Rodrigo Rocha Loures, o que o sr. quer dizer?
Esse tudo são as matérias administrativas. Não é tuuudo [alongando o “u”]. Eu sei a insinuação que fizeram: “Se você tiver dinheiro para dar para ele, você entregue para ele”. Evidentemente que não é isso. Seria uma imbecilidade, da minha parte, terrível.

O sr. o conheceu há quantos anos?
Quando ele era deputado, portanto, há uns dez anos.

E mesmo o conhecendo há dez anos, ele tendo sido seu assessor…
Mas espera aí, eu conheço 513 deputados há dez anos.

Mas apenas ele foi seu assessor próximo.
Como são próximos todos os meus assessores.

E mesmo próximo era apenas uma relação institucional?
Institucional, sem dúvida.

Nos últimos dias, o sr. veio numa escalada nas declarações. Acha que a Procuradoria-Geral armou para o sr.?
Eu percebo que você é muito calma [risos]. Espero que você jamais sofra as imputações morais que eu sofri. Eu estava apenas retrucando as imprecações de natureza moral gravíssimas, nada mais do que isso. Agora, mantenho a serenidade, especialmente na medida em que eu disse: eu não vou renunciar. Se quiserem, me derrubem, porque, se eu renuncio, é uma declaração de culpa.

No pronunciamento o sr. foi muito duro com o acordo de delação.
Não faço nenhuma observação em relação à Procuradoria. Agora, chamou a atenção de todos a tranquilidade com que ele [Joesley] saiu do país, quando muitos estão na prisão. Ou, quando saem, saem com tornozeleira. Além disso, vocês viram o jogo que ele fez na Bolsa. Ele não teve uma informação privilegiada, ele produziu uma informação privilegiada. Ele sabia, empresário sagaz como é, que no momento em que ele entregasse a gravação, o dólar subiria e as ações de sua empresa cairiam. Ele comprou US$ 1 bilhão e vendeu as ações antes da queda.

Se permanecer no cargo, em setembro tem de escolher um novo procurador. O sr. acha que tem condição de conduzir esse processo sem estar contaminado depois de tudo isso que está acontecendo?
Contaminado por esses fatos? Não me contamina, não. Aliás, eu tiro o “se”. Porque eu vou continuar.

É preciso alguma mudança na maneira como esses acordos são feitos? Mudança na lei?
Acho que é preciso muita tranquilidade, serenidade, adequação dos atos praticados. Não podem se transformar em atos espetaculosos. E não estou dizendo que a Procuradoria faça isso, ou o Judiciário. Mas é que a naturalidade com que se leva adiante as delações… Você veja, as delações estão sob sigilo. O que acontece? No dia seguinte, são públicas. A melhor maneira de fazer com que eles estejam no dia seguinte em todas as redes de comunicação é colocar uma tarja na capa dizendo: sigiloso.

Esse processo dá novo impulso ao projeto de lei de abuso de autoridade?
É claro que ninguém é a favor do abuso de autoridade. Se é preciso aprimorar toda a legislação referente a abuso de autoridade, eu não saberia dizer. Abusar da autoridade é ultrapassar os limites legais.

O sr. falou muito do Joesley. Mas qual a culpa que o sr. tem?
Ingenuidade. Fui ingênuo ao receber uma pessoa naquele momento.

Além dos áudios, há depoimentos em que os executivos da JBS fazem outras acusações. Por exemplo, que o sr. pediu caixa dois em 2010, 2012 e 2016. Inclusive para o [marqueteiro] Elsinho Mouco, para uma campanha da internet.
No caso do Elsinho, ele fez a campanha do irmão do Joesley, e por isso recebeu aquelas verbas. Fez trabalhos para a empresa. Diz que até recentemente, esse empresário grampeador pediu se o Elsinho poderia ajudá-lo na questão da Carne Fraca.

Empresário grampeador?
Mas qual é o título que ele tem de ter? Coitadinho, ele tem de ter vergonha disso. Ele vai carregar isso pelo resto da vida. E vai transmitir uma herança muito desagradável para os filhos.

Nos depoimentos, há conversa do Loures com o Joesley sobre a suposta compra do Cunha que é muito explícita.
Por que é explícita?

Porque eles conversam sobre pagamentos.
Você está falando de uma conversa do Joesley com o Rodrigo. De repente, você vai me trazer uma conversa do Joesley com o João da Silva.

O Rocha Loures não é um João da Silva.
[Irritado] Eu sei, você está insistindo nisso, mas eu reitero que o Rodrigo era uma relação institucional que eu tinha, de muito apreço até, de muita proximidade. Era uma conversa deles, não é uma conversa minha.

Um desembarque do PSDB e do DEM deixaria o sr. em uma situação muito difícil. O sr. já perdeu PSB e PPS.
O PSB eu não perdi agora, foi antes, em razão da Previdência. No PPS, o Roberto Freire veio me explicar que tinha dificuldades. Eu agradeci, mas o Raul Jungmann, que é do PPS, está conosco.

Até onde o sr. acha que vai a fidelidade do PSDB?
Até 31/12 de 2018.

Até que ponto vale a pena continuar sem força política para aprovar reformas e com a economia debilitada?
[Irritado] Isso é você quem está dizendo. Eu vou revelar força política precisamente ao longo dessas próximas semanas com a votação de matérias importantes.

O sr. acha que consegue?
Tenho absoluta convicção de que consigo. É que criou-se um clima que permeia a entrevista do senhor e das senhoras de que vai ser um desastre, de que o Temer está perdido. Eu não estou perdido.

O julgamento da chapa Dilma-Temer recomeça no TSE em 6 de junho. Essa crise pode influenciar a decisão?
Acho que não. Os ministros se pautam não pelo que acontece na política, mas pelo que passa na vida jurídica.

Se o TSE cassar a chapa, o sr. pretende recorrer ao STF?
Usarei os meios que a legislação me autoriza a usar. Agora, evidentemente que, se um dia, houver uma decisão transitada e julgada eu sou o primeiro a obedecer.

O sr. colocou ênfase no fato de a gravação ter sido adulterada. Se a perícia concluir que não há problemas, o sr. não fica em situação complicada?
Não. Quem falou que o áudio estava adulterado foram os senhores, foi a Folha [com base em análise de um perito feita a pedido do jornal]. E depois eu verifiquei que o “Estadão” também levantou o mesmo problema. Se disserem que não tem modificação nenhuma eu direi: a Folha e o “Estadão” erraram.

Como o sr. vê o fato de a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] ter decidido pedir o seu impeachment?
Lamento pelos colegas advogados. Eu já fui muito saudado, recebi homenagens da OAB. Tem uma certa surpresa minha, porque eles que me deram espada de ouro, aqueles títulos fundamentais da ordem, agora se comportam dessa maneira. Mas reconheço que é legítimo.

Em quanto tempo o sr. acha que reaglutina a base?
Não sei se preciso reaglutinar. Todos os partidos vêm dizer que estão comigo. É natural que, entre os deputados… Com aquele bombardeio, né? Há uma emissora de televisão [TV Globo] que fica o dia inteiro bombardeando.

Essa crise atrasou quanto a retomada da economia?
Tenho que verificar o que vai acontecer nas próximas semanas. [Henrique] Meirelles [Fazenda] me contou que se não tivesse acontecido aquele episódio na quarta [dia da divulgação do caso], ele teria um encontro com 200 empresários, todos animadíssimos. Causam um mal para o país.

Como o sr. está sentindo a repercussão de seus dois pronunciamentos, mais incisivos?
Olha, acho que eles gostaram desse novo modelito [risos]. As pessoas acharam que “enfim, temos presidente”.

domingo, 21 de maio de 2017

A irresponsabilidade de Janot

Associação Nacional dos Peritos Criminais

Em relação às recentes notícias veiculadas pela mídia, que dizem respeito a existência de possíveis edições na gravação da conversa entre Joesley Batista e o presidente da República Michel Temer, a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais esclarece que, ao se ouvir o áudio divulgado pela imprensa, percebe-se a presença de eventos acústicos que precisam passar por análise técnica, especializada e aprofundada, sem a qual não é possível emitir qualquer conclusão acerca da autenticidade da gravação. Ademais, sempre que houver vestígios materiais, é temerária a homologação de delações sem a devida analise pericial.

Cabe destacar, ainda, ser inaceitável que, tendo à disposição a Perícia Oficial da União, que possui os melhores especialistas forenses em evidências multimídia do país, não se tenha solicitado a necessária análise técnica no material divulgado; permitindo que um evento de grande importância criminal para o país venha a ser apresentado sem a qualificada comprovação científica.

Por fim, a APCF recomenda o envio imediato do áudio e do equipamento gravador ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), órgão central de perícia criminal da Polícia Federal, de reconhecida idoneidade e imparcialidade; estando convicta de que tudo será devidamente esclarecido quando forem realizados os necessários exames periciais por Perito Oficial.

sábado, 20 de maio de 2017

Globo prepara o “ippon”. Tem o comando e cartas na manga. Crime perfeito em curso

Ricardo Capelli

Por que o jornalista Lauro Jardim teve o “privilégio” de dar “o furo do século”? Por que a Globo resolveu exigir a saída de Temer e colocar a família de Aécio no presídio no JN? Teria a família Marinho dado uma súbita guinada à esquerda? Seria Lauro Jardim o mais competente jornalista de todo hemisfério sul? Por que Meireles anunciou ontem ao mercado que, seja qual for o presidente, ele e sua equipe permanecerão? Quem lhe deu esta segurança?

Por que foram feitas sonoras com alguns Ministros do STF defendendo a manutenção das atuais regras constitucionais (indiretas)? As revelações “exclusivas” da Globo são mais um capítulo da parceria de sucesso entre a emissora e setores da burocracia estatal de caráter antinacional que começou com o impeachment de Dilma e pode acabar instaurando uma “democracia de fachada” no país. São eles que estão no comando.

O “furo”, ou o vazamento, como queiram, foi milimetricamente planejado no jogo em curso. Temer e Aécio foram a “manga do kimono” dada de caso pensado. Querem utilizar a “força da suposta imparcialidade” para o grande golpe final. Após o enfrentamento Lula x Moro ficou evidente a fragilidade de um contrato em branco para decretar a prisão de alguém. A partir daí foi colocada em curso a estratégia final. Do lado do mercado foi ficando claro também a dificuldade de Temer aprovar as reformas. A saída foi a “Operação Patmos (Apocalipse)”. Obviamente que aparecerá munição pesada contra os governos Lula e Dilma em seguida. As cartas estão com eles e serão usadas no momento certo.

Afastado Temer e destruído o PSDB, ninguém se levantará contra uma prisão “parcial” de Lula e outros da esquerda. Está em curso o Apocalipse do sistema político brasileiro. Alguém lembra o que fazia Meireles até o ano passado? Acertou quem respondeu que ele era um dos principais executivos do grupo....JBS, isto mesmo. Joesley está agora no seu apartamento de 45 milhões de dólares nos EUA, pelo acordo com “eles” não será preso nem usará tornozeleira eletrônica, é o segundo maior anunciante da Globo, e seu principal executivo (Meireles), garantido pelo Globo, continuará a comandar a economia do país sem os políticos com quem antes tinha que negociar.

Existe crime perfeito só em filme? Parece que não. A sanha da Globo por uma queda rápida de Temer reside no medo de que, se arrastando, possa levantar a população por Diretas, o que bagunçaria toda sua estratégia. Os jornais de hoje são categóricos. Folha e Estadão pedem prudência, equilíbrio e racionalidade, o Globo fuzila. As manifestações de ontem foram importantes, mas foram pão com mortadela. Nós com nós mesmos. Se não ampliarmos rapidamente, a Aliança do Coliseu, formada pela Globo e setores da burocracia estatal de caráter antinacional, nomeará o biônico pelo Congresso.

Parte da esquerda se ilude com uma saída mediada no congresso. Com Rodrigo Maia no alvo e munição de sobra para ele e para seus deputados, dificilmente não ficarão de cócoras para a Globo. Teremos um governo biônico com a política de joelhos, um arremedo de democracia. Conseguir colocar a população na rua parece o único caminho para tentar impor eleições Diretas, mas não será tarefa fácil. A população está anestesiada. Hora é de muita amplitude e mobilização. Haverá força para um contragolpe? Dias difíceis pela frente. Infelizmente, o jogo é bruto, e vai piorar.


Vixi!!! Quem levou quanto e por que, segundo a JBS

Congresso em Foco

Os valores são astronômicos. Pelo menos R$ 500 milhões e de US$ 80 milhões a US$ 150 milhões foram distribuídos pela JBS a políticos, lobistas, advogados e agentes públicos, segundo os delatores do grupo. Dinheiro que, de acordo com eles, foi repassado a algumas das principais lideranças da política nacional, como o presidente Michel Temer, os ex-presidentes Lula e Dilma, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e os últimos dois candidatos do PSDB à Presidência, os senadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG).

Mas a lista dos beneficiários, conforme a delação, é muito maior: inclui governadores, ex-governadores, parlamentares, ministros, ex-ministros, jornalista, entre outras pessoas. Uma relação com 1.829 candidatos a cargos eletivos de 28 partidos, nas contas do diretor de Relações Institucionais do grupo, Ricardo Saud. Segundo ele, os repasses chegaram a R$ 600 milhões. “Tirando esses R$ 10 milhões, R$ 15 milhões aqui, o resto é tudo propina”, disse Saud.


Com isso, de acordo com  o delator, a empresa ajudou a eleger 179 deputados estaduais, de 23 estados, e 167 deputados federais, de 19 partidos. “Demos propina para 28 senadores da República, sendo que alguns disputaram e perderam eleição para governador e alguns disputaram reeleição ou eleição para o Senado. E demos propina para 16 governadores eleitos, sendo 4 do PMDB, 4 do PSDB, 3 do PT, 2 do PSB, 1 do PP e 1 do PSD”, relatou.

O presidente do grupo, Joesley Batista, também afirma que boa parte do dinheiro repassado era propina disfarçada de doação política. “Dos R$ 500 milhões então, total, pode se considerar que, dos R$ 500 milhões, R$ 400 milhões foram contrapartida a ajustes ilícitos feitos pelos políticos. Naquela hora, pagamos”, disse o empresário.

Em depoimento em vídeo, Joesley relata como eram realizados os repasses: “Tem pagamento via oficial, caixa 1, via campanha política, tem via caixa 2, tem via dinheiro em espécie. Basicamente essa é a forma de pagar. Normalmente acontece o seguinte: se combina o ilícito, se combina o ato de corrupção com o político, com o dirigente do poder público, e daí pra frente se procede o pagamento. Os pagamentos são feitos das mais diversas maneiras. Seja nota fiscal fria, seja dinheiro, caixa 2, até mesmo doação política oficial”.

Com base nos documentos da delação premiada, o Congresso em Foco publica, abaixo, quem são as pessoas citadas, os valores repassadas e as contrapartidas envolvidas, na versão dos delatores.


- Michel Temer R$ 15 milhões
Pessoas citadas:
Paulo Skaf, Eduardo Cunha e Guido Mantega.
A contrapartida, segundo os delatores: o pagamento foi realizado em troca de atuação favorável aos interesses do grupo J&F.

- Michel Temer e o depuatdo Rodrigo Loures (PMDB-PR) 5% sobre lucro obtido com afastamento da Petrobras
Pessoas citadas: Wagner Rossi, Milton Ortolan, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco. Eduardo Cunha, Gilvandro Araújo, Roberta Funaro, Dante Funaro.
A contrapartida, segundo os delatores: a porcentagem foi combinada com base no lucro futuro obtido com o afastamento do monopólio da Petrobras no fornecimento de gás, bem como outros créditos em razão da atuação em benefício da J&F no que tange ao destravamento das compensações de crédito de PIS/Cofins com débitos do INSS. Uma parte, em valor total não especificado, foi pagamento de vantagem de forma lícita para Roberta Funaro, em 2017, em razão de um “mensalinho criado desde a prisão de operador Lúcio Funaro.

- Lula US$ 50 milhões *

- Dilma US$ 30 milhões *
A contrapartida, segundo os delatores: os pagamentos foram realizados por intermédio do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega em razão de esquema criminoso no BNDES e em fundos de pensão (Petros e Funcef) para beneficiar a JBS. No acordo de colaboração, o MPF relata que os pagamentos haviam sido de US$ 50 milhões para Lula e US$ 30 milhões para Dilma. Mas no depoimento, Joesley Batista, aponta cifras ainda mais altas: “Na fase do presidente Lula, chegou acho que nuns 80 milhões de dólares e depois, na Dilma, chegou nuns 70. Ou o contrário, 70 na do Lula e 80 na da Dilma”. Os valores foram pagos, conforme o delator, em uma conta no exterior. Em 2014, a conta tinha um saldo de cerca de US$ 150 milhões.

Eduardo Cunha R$ 50 milhões (CEF) + R$ 20 milhões (Aprovação da desoneração) + R$ 30 milhões (em troca de apoio enquanto presidente da Câmara)
Lúcio Funaro – gerenciava as contas
A contrapartida, segundo os delatores: os pagamentos foram realizados por meio de um sistema de “conta-corrente”, gerenciado por Lúcio Funaro. Entre 2009 e 2014, o saldo era de cerca de R$ 50 milhões. Os valores repassados se referiam a questões relativas a financiamentos da Caixa Econômica Federal, bem como do FI-FGTS.

- Aécio Neves R$ 65 milhões
Pessoas citadas: Andréa Neves, Frederico Pacheco, Paulo Pereira, Luis Tibé, Aldemir Bendini.
A contrapartida, segundo os delatores: os valores são referentes ao pagamento de propina, em 2014, em torno de R$ 63 milhões ao senador Aécio Neves em troca de atuação favorável aos interesses do grupo J&F, dentre eles a liberação de crédito do ICMS. Outros R$ 2 milhões foram pagos já em 2017, em razão da aprovação da lei de abuso de autoridade e anistia ao caixa dois.

- Marcos Pereira – Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – Valor não especificado
Pagamento de propina em troca de aprovação de um empréstimo de R$ 2,7 bilhões junto à Caixa Econômica Federal em benefício da J&F

- João Bacelar - Deputado (PR-BA)- Valor não especificado
Pessoas citadas: Guido Mantega, Dilma Rousseff.
A contrapartida, segundo os delatores: pagamento de propina em troca da não convocação de Guido Mantega para depor na CPI do Carf.

- Marta Suplicy – Senadora (PMDB-SP) – R$ 4 milhões
Pessoas citadas: Antônio Palloci, Márcio Toledo.
A contrapartida, segundo os delatores: a senadora teria recebido R$ 1 milhão a pretexto de campanha eleitoral de 2010 e R$ 3 milhões em 2014 em troca de possíveis negócios caso a peemedebista vencesse a eleição para prefeitura de São Paulo.

- José Serra – Senador (PSDB-SP) – R$ 20 milhões
Pessoas citadas: Luiz Fernando Furquim.
A contrapartida, segundo os delatores: o senador teria  recebido R$ 20 milhões, conforme diz o delator, a pretexto de campanha eleitoral, sendo que R$ 6 milhões foram realizados por meio notas frias à empresa LRC Eventos e Promoções, com a falsa venda de um camarote no Autódromo de Interlagos em São Paulo; R$ 420 mil para a empresa APPM Analista e Pesquisa, também em notas frias; R$ 13.580 em doações oficiais. A operacionalização dos pagamentos foi realizada por Furquim, já falecido, amigo de Serra.

Antonio Palocci – R$ 320 milhões
Pessoas citadas: Dilma Rousseff, Paulo Ferreira, Brane.
A contrapartida, segundo os delatores:repasses realizado a pretexto da campanha eleitoral presidencial de Dilma Rousseff em 2010.

- Silval Barbosa (PMDB) – ex-governador do Mato Grosso – Valor não especificado
Pessoas citadas: Pedro Nadaf, Marcelo Souza de Cursi.
A contrapartida, segundo os delatores: pagamento de propina ao então governador do Mato Grosso em troca de benefícios fiscais à J&F.

- Cid Gomes – ex-governador do Ceará (PDT) – R$ 20 milhões
Pessoas citadas: Antonio Balhmann Cardoso Nunes, Arialdo Pinho, Francisco José Pinheiro, Camilo Sobreira Santana, Gelson Ferraz de Medeiros.
A contrapartida, segundo os delatores: pagamento feito em troca de liberação de créditos de ICMS em benefício da J&F.

- Reinaldo Azambuja e André Puccineli (atual e ex-governador de Mato Grosso do Sul)  R$ 150 milhões
Pessoas citadas: André Luiz Cance.
A contrapartida, segundo os delatores: pagamento realizado aos governadores de Mato Grosso do Sul, entre os anos de 2007 a 2016, em troca de benefícios fiscais.

- Fernando Pimentel (governador de Minas Gerais) – R$ 3,6 milhões
A contrapartida, segundo os delatores: o valor, de acordo com o empresário da JBS, foi repassado a Pimentel quando o petista era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio por meio do Escritório Andrade, Antunes e Henrique Advogados, em Belo Horizonte.

- Raimundo Colombo (governador de Santa Catarina) – R$ 10 milhões
A contrapartida, segundo os delatores: repasse feito em troca de favorecimento na licitação da Companhia de Água e Esgoto de Santa Catarina

- Delcídio do Amaral (ex-senador) – R$ 5 milhões
A contrapartida, segundo os delatores: pagamento de propina por conta da concessão de Tares (Termo de Acordo de Regime Especial).

- Eunício Oliveira (senador e atual presidente do Senado) – R$ 5 milhões
A contrapartida, segundo os delatores: pagamento realizado em razão da medida provisória que disciplina créditos de PIS/Cofins por meio de doação oficial fora do período eleitoral.

- Sérgio Cabral (ex-governador do Rio de Janeiro) – R$ 40 milhões
Pessoas citadas: Julio Bueno, Hudson Braga.
A contrapartida, segundo os delatores: pagamento no montante de R$ 40 milhões, sendo que R$ 20 milhões foram realizados como doações oficiais ( R$ 5 milhões para o PMDB-RJ; R$ 1,660 milhão para o PMDB-RJ; R$ 900 mil para o PDT; R$ 1 milhão para o PMDB-RJ; R$ 1,440 milhão para o PMDB-RJ; R$ 2,5 milhão para o PMDB/RJ; R$ 5 milhão para o PMDB-RJ; e R$ 2,5 milhão para o PMDB-RJ). Os pagamentos foram feitos em momentos distintos. Além dos valores pagos, R$ 7,5 milhões foram pagos em espécie para Hudson Braga.

- Fábio Faria (deputado PSD-RN) e Robinson Faria (governador PSD-RN) - R$ 5 milhões
A contrapartida, segundo os delatores: o repasse, de acordo com delator da JBS, foi feito em troca da privatização da Companhia de Água e Esgoto do Estado do Rio Grande do Norte.

- Luiz Fernando Emediato (jornalista) – R$ 2.8 milhões
Pessoas citadas: Carlos Eduardo Petra Lopes.
A contrapartida, segundo os delatores: motivo não especificado.

- Marco Aurélio Carvalho – valor não especificado
Pessoas citadas: José Eduardo Cardozo.
A contrapartida, segundo os delatores: pagamento de vantagens indevida com o propósito de ter os pleitos da J&F favorecidos na área de atuação do Ministério da Justiça. Os pagamentos de deram através de um contrato fictício com escritório advocatício de Marco Aurélio.

- Pagamento de propina em Rondônia - valor não específicado
Pessoas citadas: Edgar Nilo Tonial.
A contrapartida, segundo os delatores: pagamento de propina a fiscais da Secretaria Estadual da Receita em Rondônia em troca de benefícios fiscais.

- Pagamento de propina para homologação de créditos tributários – R$ 160 milhões
Pessoas citadas: Antonio Miranda, David Mariano.
A contrapartida, segundo os delatores: pagamento em troca de agilização para homologação de créditos tributários.

- Gilberto Kassab (Ministro das Ciência, Tecnologia e Inovação) – valor não definido
A contrapartida, segundo os delatores: em 2009, a JBS deu continuidade ao contrato de aluguel de caminhões com sobpreço em torno de R$ 350 mil a cada mês, mediante notas fiscais. Propinas autorizadas por Mantega para o PSD no valor de R$ 7 milhões.

- Angelo Goulart (procurador do MPF) – Valor não especificado.
Pessoas citadas: Willer Tomaz, Anselmo Cordeiro, Ricardo Leite.
A contrapartida, segundo os delatores: solicitação de vantagem indevida em contrapartida a beneficiar a J&F na operação Greenfield, bem como obstruir a celebração de acordo de colaboração premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

- Crimes contra o sistema financeiro
Valor não definido – pessoas não citadas
A contrapartida, segundo os delatores: o Grupo J&F destinou entre 1% a 3% para pagamento lícito de comissões originadas das exportações de suas empresas. Para isso, foram constituídas as empresas offshores Lunsville e Valdarco, que recebiam sempre os valores destinados ao pagamento de comissões, e mantinham sempre um saldo disponível para ser usado por determinação de Joesley Batista para pagamentos de propina.

- Geração de pagamentos em espécie – valor não especificado.
Pessoas citadas: Michel Temer, Márcio Tolego, Marta Suplicy, Antonio Miranda, Davi Mariano, Roberta Funaro, Altair, Eduardo Cunha, Lucio Funaro, Ivanildo Baerts, João Baerts, Pedro Nadaf.
A contrapartida, segundo os delatores: relata diversas entregas de valores em espécie em decorrência de acertos espúrios.

- Repasses não contabilizados a partidos políticos – valor não especificado
Pessoas citadas: Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), Bruno Araújo (PSDB-PE), Beto Richa, Alceu Moreira, Gabriel Guimarães, Marcos Montes Cordeiro, Aelton freitas, Raimundo Gomes de Matos, Eduardo Sciara, Geddel Vieira Lima, Luiz Fernando Emediato, Paulo Ferreira, Zé Silva, Brizola Neto.
Segundo os delatores, o método de pagamento era sempre determinado pelo político, podendo consistir em doação oficial, pagamento de notas fiscais avulsas ou entrega de dinheiro em espécie; que os partidos e agentes políticos que receberam por meio de pagamento de notas fiscais avulsas ou entrega de dinheiro.
A contrapartida, segundo os delatores:

- Compra de partidos para formação de coligação em campanha presidencial de 2014 – Valor não especificado
Pessoas citadas: Guido Mantega, Vital do Rego, Michel Temer, Eduardo Cunha, Sergio Cabral, Eunício Oliveira, Aécio Neves, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Valdir Raupp, Henrique Eduardo Alves, Antonio Carlos, Ciro Nogueira, Carlos Luppi, Edinho Silva, Renato Rabello, Gilberto Kassab.
A contrapartida, segundo os delatores: os valores eram oriundos da conta corrente a partir de tratativas com Guido Mantega. Foram realizados diversos pagamentos a políticos e a partidos políticos, de forma a trazê-los para a coligação da qual o Partido dos Trabalhadores fazia parte nas eleições de 2014.

- Operações fraudulentas no Banco Rural – Valor não especificado
Pessoas citadas: Guido Mantega, José Roberto Salgado.
Joesley Batista relata a prática do crime de empréstimo vedado, previsto no artigo 17 da lei 7.492/86, versando sobre operação conhecida como “troca de chumbo”

- Lúcio Funaro R$ 11 milhões
Pessoas citadas: Evaldo Ulinsky.
A contrapartida, segundo os delatores:Repasse realizado por uma intermediação de venda da empresa Jandelle/Big Frango

Cláudio Humberto (jornalista) R$ 18 mil mensais, pagos por 24 meses.
A contrapartida, segundo os delatores: o colaborador Ricardo Saud diz ter sido chantageado pelo jornalista para que deixasse de fazer publicações relativas a ele. Cita caso de notícias que o associaria como sendo o “homem da mala” do grupo J&F.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Quem vazou?

Lauro Jardim precisa se explicar
A hora da responsabilidade - O Estado de S.Paulo

Este grave momento da vida nacional deverá passar à história como aquele em que a irresponsabilidade e o oportunismo prevaleceram sobre o bom senso e sobre o interesse público. Tudo o que se disser agora sobre os desdobramentos do terremoto gerado pela delação do empresário Joesley Batista, em especial no que diz respeito ao presidente Michel Temer, será mera especulação. Mas pode-se afirmar, sem dúvida, que a crise é resultado de um encadeamento de atitudes imprudentes, tomadas em grande parte por gente que julga ter a missão messiânica de purificar a política nacional. A consequência é a instabilidade permanente, que trava a urgente recuperação do País e joga as instituições no torvelinho das incertezas – ambiente propício para aventureiros e salvadores da pátria.

O vazamento de parte da delação do empresário Joesley Batista para a imprensa não foi um acidente. Seguramente há, nos órgãos que têm acesso a esse tipo de documento, quem esteja interessado, sabe-se lá por quais razões, em gerar turbulência no governo exatamente no momento em que o presidente Michel Temer parecia ter arregimentado os votos suficientes para a difícil aprovação da reforma da Previdência. Implicar Temer em uma trama para subornar o deputado cassado Eduardo Cunha a fim de mantê-lo calado, como fez o delator, segundo o pouco que chegou ao conhecimento do público, seria suficiente para justificar seu afastamento e a abertura de um processo contra o presidente – o Supremo Tribunal Federal já autorizou a instauração de inquérito.

É preciso destacar, no entanto, o modus operandi do vazamento. A parte da delação que foi divulgada não continha senão fragmentos de frases transcritas de uma gravação clandestina feita por Joesley Batista em uma conversa com Temer. Não se conhecia o contexto em que o diálogo se deu, porque a gravação não foi tornada imediatamente pública. Durante as horas que se seguiram à divulgação da existência do explosivo material, mesmo que não se soubesse o exato teor do que disse Temer, criou-se um fato político gravíssimo. A demora em tornar pública a gravação se prestou, deliberadamente ou não, a prejudicar o acusado, encurralando-o. A versão que certamente interessava ao vazador, portanto, se impôs.

Até mesmo uma conversa informal, na qual Temer teria confidenciado a Joesley Batista que a taxa de juros estava para cair – o que qualquer pessoa medianamente inteirada da conjuntura já imaginava –, está sendo interpretada como tráfico de informação privilegiada. O Banco Central informou o óbvio – que não há possibilidade de que Temer tenha tido conhecimento antecipado de uma decisão sobre juros –, mas, num momento em que o debate político se resume ao disse que disse frívolo das redes sociais, prevalece não a verdade, mas o rumorejo.

Não é de hoje que há vazamentos desse tipo – e isso só pode ser feito por quem tem acesso privilegiado a documentos sigilosos. Ao longo de toda a Operação Lava Jato, tornou-se corriqueira a divulgação de trechos de depoimentos de delatores, usados como armas políticas por procuradores. O vazamento a conta-gotas das delações dos executivos da Odebrecht que envolvem quase todo o Congresso Nacional, mantendo o mundo político em pânico em meio a especulações sobre o completo teor dos depoimentos, foi um claro exemplo desse execrável método.

Enquanto isso, fica em segundo plano o fato de que Joesley Batista e outros delatores sairão praticamente livres, pagando multas irrisórias, embora tenham cometido – e confessado! – cabeludos crimes. Para honrar tão generoso acordo com o Ministério Público, o empresário saiu por Brasília a armar flagrantes, com gravador escondido no bolso, a serviço dos que pretendem reformar a política na marra.

Nesse clima de fim de mundo, revoam os urubus. Parlamentares e líderes políticos, uns mais criativos que outros, propõem as soluções mais estapafúrdias para uma crise que só existe porque grassa a insensatez entre aqueles que deveriam preservar a estabilidade no País.

Resta demandar que a Constituição não seja rasgada ao sabor das conveniências daqueles que lucram com o caos.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

No Rio de Janeiro nunca há nada tão ruim que não possa piorar: Romário lidera pesquisa para governador

O levantamento feito este mês pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Social que ouviu 1.208 pessoas na capital e em municípios do interior e da Região Metropolitana, apontou Romário (PSB) liderando a pesquisa com 16,9% das intenções de voto. Carlos Bolsonaro aparece em segundo com 11,4%, Eduardo Paes e Garotinho com 9,9% e Indio da Costa, o quinto colocado, com 6,7%.

Quiuspariu! Ô gente idiota tem esse meu estado!


Ninguém merece Rodrigo Maia como Presidente da República

Constituição:

Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal.

Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga.
§ 1º - Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.
§ 2º - Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.

Uma Comissão Mista sobre a Consolidação da Legislação Federal e Regulamentação de Dispositivos da Constituição aprovou em 6 de junho de 2013 proposta que disciplina o artigo 81 da Constituição, que trata da eleição indireta para cargos de presidente e vice-presidente da República, em caso de vacância nos últimos dois anos do período presidencial. Diz o seguinte:

A eleição indireta deve ser convocada pelo Congresso Nacional em até 48 horas da abertura das vagas. As candidaturas devem ser registradas até dez dias após a convocação da eleição. A votação ocorrerá em sessão unicameral, com voto ostensivo e aberto de deputados e senadores. A direção dos trabalhos ficará a cargo da Mesa do Congresso Nacional.

Será eleita a chapa de presidente e vice que obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos. Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, será feita nova eleição imediatamente após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos.

Segundo o projeto, o resultado da apuração será proclamado em sessão solene até 48 horas depois de apurado. Os eleitos serão empossados nesta mesma sessão.

Pois é, vai ser uma merda. Breve, mas uma merda.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Ives Gandra Martins - pasmem - defende imunidade jurídica temporária de Temer

Reinaldo Azevedo divulgou esse “vídeo”, arrolando Gandra como uma espécie de testemunha de defesa das bobagens que anda dizendo. No entanto, o estranho do “testemunho” não é Gandra corroborar com Reinaldo Azevedo. Estranho é um jurista defender que não se façam investigações sobre o envolvimento de Temer com a corrupção agora, pelo fato de o País estar “em recuperação” (aos 0:55). Que raio de justiça é essa que, em vez de ser precisa, age de acordo com conveniências de momento? Eu também acho que uma eventual condenação de Temer seria ruim para o País, mas daí a dar a ele uma inédita imunidade jurídica temporária vai uma grande distância.


terça-feira, 16 de maio de 2017

Cinerastas, intelequituais e outros lixos

Um filme que não deveria existir - Carlos Andreazza

Esquerda acostumou-se à hegemonia político-cultural de tal forma que é hoje incapaz de tolerar, ainda que apenas taticamente, a mais mínima ‘cota outro lado’

A intelectualidade que — desde as universidades, redações, palcos e estúdios — promoveu e alicerçou o projeto criminoso de poder ora desmascarado não cai necessariamente com a estrela. E nem por um segundo para de se mover. Governos esquerdistas tombam podres, a farsa de seus líderes exposta como fratura; mas isso normalmente sem que a hegemonia político-cultural que os sustentou seja sequer tisnada.

À tomada — político-econômica — de um país precede a cooptação do intelectual: a frouxidão da independência, o aluguel do pensamento, a ridicularização da sensibilidade moral, a desarticulação do contraditório, a ascensão de patrulhas em detrimento da consciência individual.

Não se chega às condições privilegiadas para assaltar o Estado sem que à sociedade seja impingida longa preparação anestésica de ordem moral-cultural, por meio do que, ministrada a apatia, cultiva-se, por exemplo, a mentira de que há campo aberto para o debate entre divergentes. A estratégia dissimulada é a própria armadilha: intimida-se o diverso (até anulá-lo) pelo controle — pelo monopólio artificial — da diversidade.

A cineasta Gabi Saegesser é vítima e agente dessa perversão com método. Desde o alto do pedestal de superioridade onde seus curtas-metragens bancados pelo Estado a colocaram, declarou: “O filme vai contra qualquer possibilidade de diálogo, fala sobre o filósofo Olavo de Carvalho, um dos maiores representantes do conservadorismo de direita.” Ela, que se definirá como alguém livre, refere-se ao documentário “O jardim das aflições”, de Josias Teófilo (que o realizou sem um tostão de origem pública), e reage ao que compreende ser impossibilidade de diálogo, claro, interditando qualquer possibilidade de diálogo.

Decerto julgando-se corajosa, Saegesser compõe o grupo de cineastas que decidiu boicotar um festival, o Cine PE (afinal cancelado), porque a organização da mostra ousou incluir no programa duas obras que, de acordo com a patrulha, representam “um desrespeito à visão política e social de outros filmes”. A compreensão dessa galera sobre o que seja “desrespeito” é como uma revelação no parquinho: “Somos mimados!” Não é necessário escrever que a turma empastela o que não viu, nem que não são os filmes os que têm “visão política e social”. Tampouco é preciso apontar o vergonhoso de que, considerando-se artistas, não se constranjam em investir na censura. (Imagino em que andar do inferno estaria Teófilo se fizesse uma ressalvazinha ao festival pela inclusão de “Vênus: Filó, a fadinha lésbica” na programação.)

A esquerda brasileira, especialmente aquela que sequestrou o cinema, acostumou-se à hegemonia político-cultural de tal forma que é hoje incapaz de tolerar, ainda que apenas taticamente, a mais mínima “cota outro lado” — no caso, dois filmes entre 26 selecionados: além de “O jardim das aflições”, “Real”, sobre o plano econômico que nomeia a moeda nacional, baseado no livro “3000 mil dias no bunker”, de Guilherme Fiuza.

A obra sobre Olavo de Carvalho, ao longo dos últimos meses, vinha sendo rejeitada por todos os festivais em que seus produtores tentaram inscrevê-la. Já ali, na recusa formal, era possível ler a matriz ideológica do veto — cuja escritura velada ainda assim Teófilo não deixou de denunciar. Em vão. Tudo ia bem — de acordo com a cartilha silenciosa de interdição cumprida, há décadas, pela patota que se crê defensora da liberdade, muito à vontade para chamar os outros de golpistas — até o Cine PE furar o bloqueio. Então, como só raramente, as máscaras caíram.

Há novidade, pois, na blitz dos conspiradores que dominam a produção cultural no Brasil; porque, ao reagirem, acabaram por desnudar suas ferramentas. De hábito, sabe-se, a mordaça se aplica nos bastidores, tacitamente, sem necessidade de manifestação pública, e aos que discordam dessa simonalização — para escapar da máquina de assassinar reputações — convêm se omitir. (Qual cineasta brasileiro, mesmo entre os graúdos, protestou, até agora, contra a barbárie em curso?) Esse conjunto castrador prospera à sombra, protegido por códigos que blindam os grupos de pressão — a militância que se travestiu em arte — de terem a truculência descoberta.

O alarme de que a Coreia do Norte em que suas ideias se elogiam tivesse de conviver, dentro de um festival, com a “direita conservadora" resultou, porém, em que as aparências cedessem à natureza e a violência — o ímpeto de apagar o outro — precisasse emergir do bueiro, situação em que os senhores do discurso da diversidade, os monopolistas do pluralismo, não pestanejaram antes de revelar o Guilherme Boulos (os que vivem de boquinha) ou mesmo o Marcola (os que vivem da boca) interior.

O terrorismo cultural, vê-se, não é bonito, exibe os artifícios da educação totalitária; mas — atenção — há ciência também na brutalidade. Não é, portanto, uma esquerda perdida, ultrapassada, excepcional, a que boicota e censura — mas a própria esquerda, a que temos, sob a luz do sol. Não é belo, mas não deixa de ser liberdade de expressão.


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Um breve recado ao Olavo de Carvalho

Um breve recado ao "filósofo", astrólogo, stalinista, islâmico, carola empedernido e vagabundo (sim, ele é ou já foi tudo isso) Olavo de Carvalho:

Cinerastas de esquerda, uma praga difícil de ser exterminada, boicotam festival em Pernambuco, que é cancelado

Com a decisão o público ficou impedido de ver algumas obras primas desses calhordas, como “Vênus-Filó, a Fadinha Lésbica” do esquerdopata Savio Leite. Uma pena.

A Fodinha, perdão, a Fadinha lésbica

Um grupo de sete cineastas retirou seus filmes do Cine PE, festival de cinema que existe há mais de 20 anos em Pernambuco, por “discordar ideologicamente” de dois filmes programados para o festival. Reclamaram da inclusão dos documentários “Jardim das aflições”, de Josias Teófilo, sobre Olavo de Carvalho, e “Real: o plano por trás da história”, de Rodrigo Bittencourt, sobre o Plano Real.

Não acredito que se tenha perdido grande coisa com a desistência dos sete patetas, em todo caso, aí vai a lista dos filmes e seus diretores: “Abissal” (Arthur Leite), “O Silêncio da Noite é que Tem Sido Testemunha das Minhas Amarguras” (Petrônio Lorena), “A Menina Só” (Cintia Domit Pittar), “Baunilha” (Leo Tabosa), “Iluminadas” (Gabi Saegesser), “Não me Prometa Nada” (Eva Randolph) e “Vênus-Filó, a Fadinha Lésbica” (Savio Leite).

Aliás, foram 26 os filmes inscritos.

De acordo com uma nota pública divulgada pelos sete idiotas, a curadoria do Cine PE “favorece um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuaram e financiaram o golpe ao estado democrático de direito ocorrido no Brasil em 2016. Para nós, isso deixa claro o posicionamento desta edição, ao qual não queremos estar atrelados”.

Em entrevista ao jornal “Diário de Pernambuco”, uma das diretoras que assina a nota, Gabi Saegesser, disse, ao justificar sua repulsa ao filme “Jardim das aflições”: “O filme vai contra qualquer possibilidade de diálogo, fala sobre o filósofo Olavo de Carvalho, um dos maiores representantes do conservadorismo de direita”. Para a cineasta, a presença do título na programação “é como se desrespeitasse a visão política e social de outros filmes e só reforça o ponto de vista do festival, é um desrespeito à visão política e social de outros filmes” e ainda que discorda “da linha adotada pela organização do festival nos últimos anos, sobretudo no caso específico do produtor Alfredo Bertini, que em 2016 assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, da qual saiu em dezembro”.

Ora, dona Gabi, se a senhora já discordava da “linha adotada pela organização do festival nos últimos anos”, por que, raios a partam, se inscreveu?

E depois somos nós, da direita, os fascistas...


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Assim não dá: 57,9 milhões de brasileiros recebem algum tipo de pagamento diretamente do Estado

Excelente reportagem de Renata Mariz em O Globo

Cerca de 57,9 milhões de brasileiros, ou 28% da população, recebem algum tipo de pagamento diretamente do Estado. Fazem parte desse universo os 10 milhões de servidores ativos e inativos que têm governos municipais, estaduais e a União como pagadores no contracheque, além dos 33,8 milhões que recebem aposentadorias e benefícios do INSS. Soma-se a isso os 13,4 milhões de inscritos no Bolsa Família, além de alguns milhares de destinatários de repasses mais pontuais, como seguro-defeso e bolsas de estudo.

O volume de pagamentos chegou a R$ 941 bilhões em 2016, cerca de 15% do PIB daquele ano (de R$ 6,3 trilhões). No caso da remuneração de servidores de estados e municípios, a base considerada foi de 2015, a mais atual disponível. A maior folha de pagamento é a do INSS (R$ 507,8 bilhões anuais), seguida pela União (R$ 273,6 bilhões), estados (R$ 106,3 bilhões) e municípios (R$ 24,7 bilhões). Dos programas assistenciais, o Bolsa Família tem o maior orçamento (R$ 27,4 bilhões em repasses).

Na avaliação de especialistas, os números estratosféricos apontam que o Estado, que provê diretamente ou complementa a principal renda de praticamente um terço da população, é grande, mas nem sempre inchado. Eles chamam a atenção para a distribuição extremamente desigual dos recursos e como esse aspecto deve ser levado em consideração na análise do impacto dos pagamentos nas contas públicas.

Na avaliação de Raul Velloso, consultor econômico e ex-secretário do Ministério do Planejamento, a “grande folha de pagamento” da União hoje não tem paralelo no mundo ocidental. Os números apontam, segundo o especialista, uma dependência enorme das pessoas em relação ao Estado, com consequências nefastas nas escolhas políticas em virtude da posição do governo como patrão ou provedor principal.


— Duvido que haja um país desenvolvido na Europa que gaste tanto com pessoas em relação ao orçamento central como nós gastamos. Significa que as pessoas dependem muito do Estado, o que leva a uma captura mútua — afirma Velloso. — Os beneficiários capturam o político pelos seus anseios e o político captura o beneficiário-eleitor com medidas nem sempre adequadas naquele momento, aumentando salário, por exemplo.

Velloso ressalta, porém, que apesar de um grande número de destinatários dos pagamentos do governo, os valores repassados à maioria fazem parte do “bolo do salário-mínimo”. Ou seja, há uma massa de pessoas que recebem um valor extremamente baixo.

Entre os aposentados da iniciativa privada, mais de 70% ganham um salário-mínimo. E o teto não passa de R$ 5,5 mil. No caso dos cerca de 1 milhão de inativos da União, o pagamento médio girou em torno de R$ 10 mil por mês em 2016.

— Tudo isso tem que ser levado em consideração nas reformas discutidas atualmente. É preciso ponderar a questão da justiça social com o ajuste quando se tem grandes grupos consumindo somas elevadas, mas também grupos pequenos com quinhões tão grandes.

Para Cláudio Hamilton Matos dos Santos, coordenador de Finanças Públicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mais importante do que a quantidade de pessoas alcançadas é verificar o foco e a equidade dos pagamentos. Ele separa o grande grupo de 57,9 milhões de pessoas em três blocos — os servidores públicos (ativos, inativos e pensionistas), os recebedores pelo INSS e a população atendida por benefícios assistenciais — para analisar cada gasto.

— É preciso diferenciar juízes que ganham R$ 30 mil e pessoas que recebem R$ 200 de benefício assistencial. São perfis muito diferentes — justifica Santos.

Segundo ele, antes de afirmar que um subgrupo custa muito ao Estado, olhando para o orçamento que consome, é necessário avaliar o tamanho daquela população. O exercício mostra o impacto significativo dos servidores públicos inativos na folha de pagamentos.

— O gasto com inativos do INSS representa 7% do PIB, o que é muito elevado, mas atinge 28 milhões de pessoas, enquanto os servidores públicos inativos são apenas 4 milhões de brasileiros que consomem 4% do PIB — diz Santos.

O economista do Ipea não considera que haja inchaço no funcionalismo do Brasil, com mais de 10 milhões de servidores, o que representa 5% da população. O problema, de acordo com Santos, decorre dos aumentos salariais concedidos nos últimos anos — na esfera estadual, o salário médio dos funcionários públicos subiu 50% na última década — e da regra de paridade, que eleva o contracheque dos aposentados de acordo com os ganhos dos ativos.

Santos também destaca que o próprio regime público de Previdência adotado pelo Brasil leva naturalmente a um número maior de pessoas pagas pelo governo ao se aposentarem. Não é o caso do Chile, exemplifica o economista, que tem uma previdência gerida por órgãos não estatais.

Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, afirma que o peso do Estado, responsável por tantos pagamentos diretos, tem relação direta com a tributação elevada. De acordo com ele, o lado negativo da situação é visto especialmente nos momentos de crise.

— A carga tributária é alta porque muita gente depende do Estado, é o custo de o Estado arcar com esse papel, hoje sustentado com dívidas por causa da crise. Como resultado disso, vem o aperto nos investimentos — alerta Gomes. — Diria que esse é o ponto nevrálgico de toda a engrenagem: o corte dos investimentos que leva o governo a suspender bolsas de estudos, programas científicos, projetos na área de tecnologia. Ou seja, leva a uma involução do Estado.

O economista pondera que a própria legislação proíbe que o governo deixe de honrar determinadas contas, como salários e aposentadorias. Quanto à pequena margem de manobra nos itens discricionários, Gomes considera fundamental manter programas assistenciais, cujo impacto nas contas é pequeno.

Ele aponta o Bolsa Família como exemplo de programa que custa pouco, R$ 27,4 bilhões em pagamentos em 2016, dado o alcance de 13,4 milhões de beneficiários diretos (ou cerca de 45 milhões de pessoas, considerando o tamanho médio das famílias atendidas), embora com repasses pequenos por pessoa. No entanto Gomes insiste na necessidade de incentivar o crescimento:

— Sem investimento não tem emprego. Então esse tipo de subsídio social, que é importante, passa a ser autoliquidável, ou seja, acaba em si mesmo. Não haverá porta de saída.


sábado, 6 de maio de 2017

O importante para Gilmar Mendes é não deixar de ser “Supremo”


Os juristas petralhas Celso Antônio Bandeira de Mello, Fábio Konder Comparato, Sérgio Sérvulo da Cunha e Álvaro Augusto Ribeiro da Costa pediram o impeachment de Gilmar Mendes por este adotar “comportamento partidário”, mostrando-se leniente em relação a casos de interesse do PSDB e “extremamente rigoroso” no julgamento de casos de interesse do PT e de seus filiados, “nomeadamente os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, não escondendo sua simpatia por aqueles e sua ojeriza por estes”.

Isso foi no ano passado. Perguntem agora, depois da soltura de Dirceu, se algum deles se manifestou contra o beiçola...


Onze “Supremos” e seus currículos suspeitos

Rui Lacerda

CELSO DE MELLO – indicado ministro pelo dono do Maranhão, José Sarney, depois de trabalhar no seu governo. Dividiu apartamento com José Dirceu nos tempos de estudante universitário em São Paulo. Antes disso, havia sido burocrata no Ministério Público de São Paulo.

MARCO AURÉLIO DE MELLO – indicado ministro por seu primo, o famoso coronel das Alagoas,  Fernando Collor de Mello. Virou ardoroso defensor do PT após sua filha, Letícia de Mello, ser indicada Desembargadora Federal por Dilma Rousseff no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em 2014. Antes disso, foi burocrata no Tribunal Superior do Trabalho.

GILMAR MENDES – indicado ministro pelo sociólogo marxista, Fernando Henrique Cardoso, depois de trabalhar no seu governo como Advogado-Geral da União. Sua esposa trabalha no escritório do lobista jurídico Sérgio Bermudes, advogado de Eike Batista. Não por coincidência, Gilmar Mendes soltou Eike Batista da cadeia.

RICARDO LEWANDOWSKI – indicado ministro pelo líder da quadrilha petista, Lula da Silva. Sua mãe era amiga pessoal da esposa de Lula, a famigerada Dona Marisa, aquela que mandou os coxinhas enfiarem as panelas no cu. Antes disso, foi secretário da Prefeitura de São Bernardo do Campo, berço do PT e do peleguismo. Durante o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, rasgou a Constituição brasileira ao dividir a votação das penas a que Dilma seria submetida. Com isso, favoreceu a ex-presidente, que não teve seus direitos políticos cassados. Seu filho é advogado no escritório de advocacia Tauil e Chequer, responsável pela compra da refinaria de Pasadena, que lesou milhões de brasileiros e deu início às investigações da Operação Lava-jato. Quem também atua nesse escritório é Luís Inácio Adams, ex-Advogado Geral da União de Dilma Rousseff.

CARMEN LÚCIA – indicada ministra pelo líder da quadrilha petista, Lula da Silva. Foi burocrata na Procuradoria Geral do Estado de Minas Gerais.

DIAS TOFFOLI – indicado ministro pelo líder da quadrilha petista, Lula da Silva. Foi advogado do PT e assessor de José Dirceu na época do mensalão. Reprovado duas vezes no concurso para juiz do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, foi aprovado pelo Senado Federal para virar ministro do Supremo Tribunal Federal. Tendo sido assessor de José Dirceu, votou pela soltura de seu ex-chefe.

LUIZ FUX – indicado ministro pelo líder da quadrilha petista, Lula da Silva. Antes de sua indicação para o cargo de ministro, reuniu-se com José Dirceu para dizer que “mataria no peito” o julgamento do mensalão. Sua filha, que atuava no escritório de Sérgio Bermudes – sim, o mesmo escritório em que trabalha a mulher de Gilmar Mendes –, foi indicada desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro por Pezão, atual governador do Rio e melhor amigo de Sérgio Cabral, ex-governador preso na Operação Lava-jato.

ROSA WEBER – indicada ministra pela guerrilheira Dilma Rousseff. É uma das melhores amigas do ex-marido de Dilma, Carlos Araújo, ex-assaltante de bancos e advogado de sindicatos em Porto Alegre. Antes disso, foi burocrata no Tribunal Superior do Trabalho.
LUÍS ROBERTO BARROSO – indicado ministro pela guerrilheira Dilma Rousseff. Foi advogado do terrorista Cesare Battisti e defensor do aborto. Seu antigo escritório foi contratado por 2 milhões de reais pela Eletronorte (empresa estatal federal). Antes disso, foi burocrata na Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro.

LUIZ EDSON FACHIN – indicado ministro pela guerrilheira Dilma Rousseff. Pediu votos para Dilma Rousseff na campanha presidencial de 2010. Professor da Universidade Federal do Paraná, apoiou a criação de turma especial para os militantes do MST dentro da Faculdade de Direito. Sua filha, advogada da empresa estatal Itaipu, já foi condenada por litigância de má-fé pelo próprio STF. Foi procurador do Estado do Paraná e, rasgando a Constituição do Estado, exerceu ao mesmo tempo a advocacia privada mesmo estado proibido de fazê-lo.

ALEXANDRE DE MORAES – indicado ministro pelo atual presidente, ex-vice de Dilma Rousseff. Foi secretário de Gilberto Kassab e de Geraldo Alckmin.


Dilma descobre a causa da corrupção!

Para vocês que estavam morrendo de saudades da anta paraplégica mental, vejam a parte da aula inaugural ministrada(?) por ela na UFRGS onde ela elucida, com o costumeiro brilhantismo, o mistério da causa da corrupção.
Aliás, o que tem na cabeça de um reitor de uma universidade que convida esse pedaço de jumenta para uma aula inaugural?


quinta-feira, 4 de maio de 2017

“Gilmar, Toffoli e Lewandowski não são juízes, são políticos travestidos de juízes.” Helio Bicudo


Perguntar não ofende, ministro Fachin:

Como relator da Operação Lava Jato no STF, V.Exa. tem a prerrogativa de decidir se as matérias referentes ao caso serão analisadas pelo colegiado de cinco ministros (Segunda Turma) ou no plenário, pelos onze ministros, e assim o fez quanto ao habeas corpus de Palocci. Após negá-lo, encaminhou o mérito do caso para votação no plenário.

A pergunta é a seguinte: Por que, depois das suas derrotas nos habeas corpus do pecuarista José Carlos Bumlai e do ex-tesoureiro do Partido Progressista João Cláudio Genu, julgados pela Segunda Turma, ficou claro e evidente o lado em que estavam os componentes do trio assombro – Gilmar, Toffoli e Lewandowski –, mas mesmo assim V.Exa. insistiu e submeteu o habeas corpus de Dirceu à mesma Segunda Turma em vez do plenário, mesmo sabendo que seria derrotado?


domingo, 30 de abril de 2017

DataFalha aponta que 66% do eleitorado tem merda na cabeça

Eu não dou muita bola para a DataFalha, assim como também não acredito que o quadro dos candidatos à Presidência seja o mesmo mostrado acima, daqui a um ano e meio, mas, apesar disso, não deixa de ser surpreendente a indicação de que entre os cinco primeiros colocados na recente pesquisa, quatro sejam idiotas absolutos  (Lula, Marina, Bolsonaro e Ciro) e um seja uma incógnita (Doria), o que significa que 66% do eleitorado tem merda na cabeça e 9% faz uma aposta às cegas.