Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! Não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha…
Quem com seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o sue esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! Não verás país nenhum como este!
Imita na grandeza a terra em que nasceste!
Você ganha uma causa no Supremo em 1995, sem direito a
recurso, recebe uma carta precatória que só consegue receber em 2007 por causa
de seus conhecimentos na imprensa, quando vai retirar o dinheiro no caixa do
Banco do Brasil, só recebe 40% porque seu advogado, até então reputado como o
melhor em causas cíveis do Rio de Janeiro, esqueceu de lhe avisar que como sua
sogra - meeira do processo - havia falecido, só ele, que tinha procuração, poderia
retirar o total e, como se não bastasse, o que restou foi parar no espólio da
sua sogra, que tinha apenas duas casas, mas que já passou pela mão de três
juízes que se sucederam na Quarta Vara de Família de Nova Iguaçu nos últimos
seis anos, sem que nenhum desse o jamegão definitivo, sendo que o quarto
assumiu semana passada e resolveu que precisa ler o processo.
Você vê um Guarda Municipal jogar uma bola de papel na
calçada, delicadamente lhe chama atenção sobre uma lata de lixo bem ao seu lado,
mas, apesar dele ter voltado e cumprido o penoso dever de jogar o lixo no
lugar, lhe olha de cara feia e sai resmungando.
Você está bebendo sua cervejinha em um bar e dois Policiais
Militares armados param a “viatura” com a qual fazem habitualmente a ronda no
bairro sobre a calçada, entram no bar, bebem três cervejas, conversam alto, não
pagam, voltam para o carro para seguir sua ronda, então você resolve perguntar
ao dono do bar se eles costumam “pendurar” o que bebem e o dito cujo responde
que a cervejinha é a retribuição para que os policiais não multem seu carro,
sempre estacionado em frente ao boteco, em lugar proibido.
Você sabe que esses mesmos policiais todas as sextas-feiras
param sua viatura - de maneira irregular também - em frente à banca de jornais que
fica na calçada do prédio onde você mora para receber a “taxa de segurança” que
os lojistas deixam na banca, que também inclui isenção de multas.
Você vai à praia, todas as vezes que atravessa a ciclovia,
sem exceção, é obrigado a chamar a atenção de ciclistas que não obedecem ao
sinal para pedestres e ainda é xingado pelos mesmos.
Você vai andar de bicicleta na ciclovia e encontra de tudo: babás
empurrando carrinhos de bebê, enfermeiras empurrando cadeiras de rodas, gente
caminhando lado a lado interrompendo uma faixa, triciclos de entrega de gelo e
bebidas interrompendo as duas, cachorros fazendo cocô e gente sem noção que não
se dá conta que está parada no meio da rua.
Você tem como vizinho, no prédio ao lado, um síndico que
manda fazer um “gatilho” no fornecimento de água, ligando três vezes por semana
uma mangueira antes do hidrômetro para que o faxineiro lave a calçada,
desperdiçando água sem pagar por ela e, quando reclama, como síndico que também
é, recebe a sugestão cínica de “por que você não faz o mesmo”.
Você compra uma máquina de lavar e secar de última geração que
custa os olhos da cara e assim que termina a garantia as peças começam a
quebrar.
Você compra um tipo de vassoura de uma esponja especial,
cujo refil dura três meses até precisar ser substituído, e já na terceira e
quarta trocas de esponja nota que o material usado se deteriora em dois ou três
dias, não lembrando nem de longe o material que era usado na época do seu
lançamento.
Você enfim encontra um xampu que lhe agrade, mas que da
terceira vez que usa nota que ele não faz nem mais espuma.
Você assina uma TV a cabo com internet, sofre constantes
interrupções no serviço e, no fim do mês, tem que pagar pelo serviço integral.
O que você diria de um país onde, somente na última semana,
tudo isso aconteceu a um cidadão?











