domingo, 22 de novembro de 2015

sábado, 21 de novembro de 2015

“Em matéria de Oriente Médio, o senhor (Caetano) Veloso toca de ouvido e jamais leu a partitura”

Toma Mais Uma, tia!  

Zevi Ghivelder: A razão da ocupação

Embora soe recorrente, é preciso voltar ao assunto Caetano Veloso/Israel, sobretudo em função do recente artigo de Donna Nevel, publicado neste jornal. Em matéria de Oriente Médio, o senhor Veloso toca de ouvido e jamais leu a partitura. Ele se apieda dos palestinos nos territórios ocupados por Israel, mas ignora, ou finge ignorar, o motivo da ocupação. Em junho de 1967, Israel foi atacado pelo Egito, ao sul, e pela Síria, ao norte. Durante 72 horas, o rei Hussein da Jordânia ficou em cima do muro, até que falou pelo telefone com o ditador egípcio Nasser, que o exortou a entrar no conflito. Há uma gravação histórica dessa conversa. Assim como também está documentado o pedido feito pelo então primeiro-ministro israelense Eshkol, diretamente a Hussein, para que este se abstivesse da guerra.

Como se sabe, a Jordânia foi derrotada, e Israel ocupou a Cisjordânia, onde viviam cerca de 800 mil palestinos, dos quais 400 mil ali já eram residentes, e a eles se somaram mais 300 mil oriundos de Israel, após a Independência daquele país. Em tempo: não foram expulsos, apenas atenderam às promessas árabes de que voltariam no dia seguinte para esmagarem o novo país e se banharem na bela praia de Tel Aviv. Estes palestinos viveram de 1948 a 1967 como súditos servis do rei da Jordânia, sem jamais reivindicarem a criação de um estado próprio. Quando esboçaram algum desejo neste sentido, foram massacrados pelo rei Hussein no Setembro Negro de 1970 e aí, sim, milhares deles foram expulsos de seu território, deixando um rastro de quatro mil a seis mil mortos.

Àquela altura, a Faixa de Gaza pertencia ao Egito. No acordo de Camp David, de 1978, o então presidente Sadat sabiamente abriu mão de Gaza e deixou a batata quente nas mãos de Israel, que dali se retirou unilateralmente em 2005. Como recompensa, continua vítima de foguetes disparados pelo Hamas contra sua população civil.

O senhor Caetano se refere ao assunto da troca de paz por terra. Esta não é a questão. Quando a discórdia foi territorial, Israel devolveu todo o Sinai ao Egito e foi assinado entre ambos um tratado de paz que perdura desde 1979. O problema atual não se resume à posse de mais ou menos quilômetros quadrados. Do lado palestino há uma perniciosa junção de fanatismo religioso com um nacionalismo hoje dividido entre as aspirações (a destruição de Israel) do Hamas, em Gaza, e do Fatah, na Cisjordânia. Do lado de Israel, há também fanatismo religioso, nacionalismos exacerbados e uma impossibilidade de interlocução no caminho da paz. Com quem negociar? Com o Hamas ou com o Fatah?

Enfim, o povo de Israel sobreviveu ao faraó, sobreviveu à Inquisição, sobreviveu ao Holocausto e vai sobreviver ao senhor Veloso também.


Fala sério, vagabundo! Fogueira Santa de Gideão é o cacete!

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Justiça de merda

“Suzane Richthofen, personalidade brasileira que adquiriu seu status após decidir assassinar os próprios pais, o engenheiro Manfred Alfred e a psiquiatra Marizia von Richthofen, parece ter dado outro rumo à sua existência. Presa desde 2002 em regime fechado na Penitenciária Santa Maria Eufrásia Pelletier, em Tremembé (SP), Suzane acaba de se tornar pastora evangélica. Além do mais, devido à sua conduta impecável, logrou, junto à Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mudar o regime de fechado para semiaberto, quando é possível deixar o presídio durante o dia para trabalhar. E, de fato, conseguiu um trabalho junto a outros criminosos que laboram poucas horas por dia. Devido à intercessão do Deputado Marco Feliciano, Suzane foi compulsoriamente filiada ao PSC (Partido Social Cristão) e, de quebra, foi nomeada para a presidência da CSSF (Comissão de Seguridade Social e Família), mais uma entre as controversas Comissões Permanentes da Câmara dos Deputados.”

Essa notícia vem a reboque de uma outra dada pelo Fantástico há mais de um ano. Só que a do Fantástico é falsa: Suzane não é pastora evangélica e muito menos filiou-se ao PSC. Ela foi batizada em uma igreja protestante, provavelmente luterana, predominante na Alemanha, terra dos seus ascendentes, e só.

Bom, mas o caso é que o Tribunal de Justiça de São Paulo aceitou há um mês o pedido de Suzane von Richthofen para progressão ao regime semiaberto, benefício que ela havia recusado em agosto de 2014. Mas os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, respectivamente o ex-namorado e o ex-cunhado que mataram seus pais, também condenados pelo crime, não recusaram nada e cumprem pena no regime semiaberto desde 2013.

Suzane foi condenada a 39 anos de prisão e está presa há 13 (provavelmente os Cravinhos também). Com um detalhe: em 2013, um laudo médico atestou que Suzane não tinha condições psicológicas de ir para o semiaberto.

Resumindo: a nossa justiça é uma merda! Basta ter grana e um advogado que saiba molhar as mãos certas que ela senta na boneca direitinho.

Dizem que isso é arte, cultura... Pra mim é viadagem e putaria

Oito atores completamente nus com o dedo no cu, uns dos outros.

Enviado (êpa) pela Ana Paula V.

E se fosse islamofobia, qual o problema?

De vez em quando - quando não defende o Cunha, por exemplo - ele dá uma dentro.


Reinaldo Azevedo: Islamofobia uma ova!

É preciso pôr as coisas na balança, atribuindo ao horror o peso que ele tem. Se existe o Islã pacífico, que se manifeste então com mais do que condolências retóricas

O melhor marketing do mundo é o das comunidades islâmicas -e notem que nem vou discriminar se dessa ou daquela, já que o islamismo, por ser uma religião descentralizada, tem muitas vertentes, incluindo as que se matam mutuamente. Nota à margem: para escândalo do Corão, os muçulmanos são os que mais fazem correr o sangue muçulmano!

No sábado de manhã, não se sabia ainda o número de mortos dos atentados na França. Mais de 100, dizia-se. Os feridos, também incertos, mais de 300. E a imprensa internacional e nacional já estava debatendo a islamofobia.

Convenham: os articuladores dessa estratégia merecem um prêmio. Os corpos ainda estavam no chão, crivados de balas. Mas se especulava sobre a perseguição injusta a que os muçulmanos seriam supostamente submetidos.

Na GloboNews, um professor da Universidade Federal Fluminense advertia para o oportunismo dos reacionários e dizia que um governo direitista na Europa é tudo o que quer o Estado Islâmico.

Sob a gestão do esquerdista François Hollande, houve dois atentados brutais na França em 10 meses. A direitista Angela Merkel, da Alemanha, abriu as portas para os refugiados. Esses "analistas" não precisam estar certos, mas apenas estar "do lado certo" das milícias do pensamento.

Na terça, na mesma emissora, uma autoridade islâmica era entrevistada no Brasil. O rapaz se esforçava para se solidarizar com os familiares dos mortos, mas a repórter estava obcecada pela islamofobia.

Ele fugia do assunto e exaltava a integração religiosa no Brasil, e a moça insistia na islamofobia. Ele driblava, mas o gerador de caracteres no pé da tela anunciava: "Comunidade islâmica teme preconceito..." O tema, afinal, era a... Islamofobia, e entrevistado nenhum tem o direito de estragar a pauta. Mesmo sobre 129 cadáveres.

É evidente que islâmicos inocentes não podem pagar pelos culpados, mas é preciso ter um mínimo de decoro para, ao menos, velar as reais vítimas do dia. Ou as vítimas da semana. Ou as vítimas de um tempo. Os cristãos mortos, só por serem cristãos, podem chegar a 100 mil por ano em todo o mundo, segundo o Observatório de Liberdade Religiosa, da Itália. Seus algozes são milícias islâmicas. Quem se ocupa da "cristofobia", inclusive no Ocidente?

Onde estava o Islã pacífico em janeiro deste ano, quando houve o massacre no "Charlie Hebdo"? Até por aqui li alguns "sensatos", com ou sem religião, a acusar o jornal de, afinal de contas, ter "exagerado". Digamos que tivesse. Admitiremos o assassinato na escala das reações, como a dizer: "Ok! Não desenharemos o Profeta, e vocês não nos matam"?

É preciso que a gente comece a pôr as coisas na balança, atribuindo ao horror o peso que ele tem. Se existe o Islã pacífico –árabe, persa, turco, indonésio, paquistanês, afegão–, que se manifeste então com expressões mais claras do que condolências retóricas.

Na terça, no jogo amistoso entre as seleções da Turquia e da Grécia, em Istambul, vimos o estádio vaiar em peso o minuto de silêncio em homenagem às vítimas. Os turcos presentes aplaudiam os terroristas.

Perdoem-me a crueza, mas aquela não era uma vaia de alguns extremistas. Era a expressão de uma cultura. Era o barulho de uma forma de viver a religião. E olhem que o país não é um exemplo de "extremismo islâmico", certo?

E que, se saiba, a Turquia do religioso e autoritário Recep Tayyip Erdogan não pediu desculpas ao mundo.

Não adianta tapar os ouvidos. Em que país islâmico aquela vergonha não se repetiria?

43 mil mortos pelo terrorismo no mundo no ano passado? Isso é mole para o braziu de Dilma e Cunha!

Segundo o Globo, no ano passado, foram mais de 16 mil atentados terroristas, com mais de 43 mil mortos no mundo. Cidadãos comuns foram o principal alvo nos últimos 45 anos, e a explosão de bombas a ação mais usada. Iraque, Paquistão e Índia registram o maior número de ataques e de vítimas.

Molinho molinho pra nóis, né politicanalha safada? Por baixo, eu deixo em 60 mil assassinatos no braziu do pt no ano passado.

Matrículas abertas

Estado Islâmico chega ao Rio de Janeiro


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Motoristas do TCE do Rio ganham R$ 32 mil, mas Pézão suspende pagamento dos fornecedores, que não têm nada com isso

A reportagem de Luiz Gustavo Schmitt é boa e reveladora, só que salários “vultuosos” é o cacete!

Globo

Um grupo de motoristas-segurança, auxiliares administrativos e auxiliares de serviço do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) ganha salários que podem superar o de um juiz em início de carreira e até, em alguns casos, se igualar ao de um governador de estado. Um levantamento feito pelo GLOBO, que teve acesso à folha de pagamentos de outubro do órgão de fiscalização, revela que os vencimentos do corpo de funcionários do tribunal batem longe os pisos de várias categorias profissionais e contrastam com a crise do estado. Com base em uma amostragem de 500 nomes, foi possível constatar que 94% do total recebem salários brutos superiores a R$ 20 mil.

Somente entre o contingente de funcionários de cargos que exigem ensino fundamental, caso dos motoristas-segurança, auxiliares administrativos e auxiliares de serviço — um total de 121 profissionais —, os vencimentos oscilam entre R$ 18 mil e R$ 32 mil por mês. Para comparação, um juiz em início de carreira ganha R$ 26.125,17. Já o governador Luiz Fernando Pezão recebe atualmente R$ 28.719, o equivalente a 85,22% dos vencimentos de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Hoje, o teto salarial de um membro do STF é R$ 33,7 mil. O TCE explica que muitos desses funcionários entraram sem concurso em 1985. O tribunal também garante que os vencimentos acima do teto são submetidos ao redutor salarial, previsto na Constituição.

Alguns salários de motoristas são tão vultuosos (sic) que, em outubro, chegaram aos R$ 32 mil. Um valor 27 vezes maior que o pago a um motorista, por exemplo, da iniciativa privada. Segundo o Sindicato dos Rodoviários do Município do Rio de Janeiro, o salário mensal para oito horas diárias de direção é de R$ 1.127. Mesmo o início de carreira de um motorista no tribunal já causa inveja a um médico recém-formado, por exemplo. Pela tabela de remuneração do órgão, ele começa ganhando R$ 8.225, sendo R$ 4.446 de salário base e mais R$ 3.779 de gratificações especiais.

Além dos altos salários, os funcionários do tribunal também têm direito a auxílio-saúde de R$ 600; alimentação, de R$ 880; e locomoção, de R$ 260. Também são acrescentadas aos salários as gratificações especiais.

Os dados obtidos pelo jornal foram publicados no site do TCE, na semana passada. A medida foi tomada para cumprir a Lei da Transparência, que desde 2011 determina que a remuneração dos servidores públicos seja acessível a todo cidadão. O GLOBO já havia solicitado ao TCE, desde maio, o acesso à folha de pagamento do órgão, pedido que vinha sendo negado. A alegação da Ouvidoria era que as informações eram de caráter sigiloso. No entanto, 26 tribunais de contas do país já divulgavam esses dados, com exceção apenas de Alagoas e Mato Grosso.
No site, é possível o acesso à folha de pagamentos de mais de 1.600 funcionários. A lista, no entanto, não é editável e é preciso fazer um cadastro, cujo acesso só é liberado durante 24 horas. Ao final desse prazo, o usuário precisa fazer um novo cadastramento.

Na lista de funcionários do TCE, também foram identificados 16 funcionários com cargos de técnicos (com ensino médio) que ganham salário bruto entre R$ 23 mil e R$ 35 mil. Esse valor supera até mesmo os vencimentos de um conselheiro ou procurador, que estão em torno de R$ 30 mil.

Segundo fontes do próprio TCE, esses salários brutos da folha de outubro também incluiriam pagamentos de diárias, como por exemplo em casos de viagens para inspeções em municípios a mais de cem quilômetros de distância do Rio. Quando o servidor se ausenta por cinco dias da corte, recebe cerca de R$ 1.400.

O próprio TCE alega que a maior parte dos funcionários identificados pelo GLOBO entrou para seus quadros no período de 1983 a 1985, ou seja, antes da Constituição Federal de 1988, que tornou obrigatório o ingresso no serviço público através de concurso. De acordo com o tribunal, os funcionários obtiveram a estabilidade e, ao longo do tempo, incorporaram gratificações, à época, legais.

O TCE não informou a função exata ou mesmo a carga horária dos motoristas-segurança, auxiliares administrativos e auxiliares de serviço. Mas, segundo funcionários que pediram para não serem identificados, eles atuam nas áreas de transporte de pessoal, vigilância e manutenção, em serviços elétricos e de carpintaria.

Presidente da Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil (ANTC), Lucieni Pereira afirma que a explicação do TCE para os altos salários de funcionários de primeiro grau (motorista-segurança e auxiliares) se refere a uma herança produzida por distorções na legislação que vigorou até 1996. Na época, era permitido a qualquer agente público ocupar funções, inclusive comissionadas, com valores elevados e muito acima da complexidade do cargo original. Segundo Lucieni, essas distorções foram extintas após a mudança da lei.

— Esses salários são incompatíveis com a natureza do cargo e com a responsabilidade porque a lei permitia distorções — observa.

Especialista em administração pública e economista, Carlos José Guimarães diz que os altos salários pagos pelo TCE se baseiam na cultura do “deixa como está para ver como é que fica”:

— Não existem apenas os direitos adquiridos, mas sim os privilégios adquiridos. Só o tempo, com a extinção desses vínculos, poderá acabar com esse tipo de coisa.

O presidente do Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas, Luiz Fonseca Magalhães, não quis comentar o caso e se limitou a informar que considera um avanço a divulgação dos salários na internet.

O pagamento de altos salários no TCE causou perplexidade quando, em outubro do ano passado, veio à tona que o conselheiro Júlio Rabello tinha contratado sua professora de educação física, que ganhava R$ 9 mil por mês. Na época, a informação era que a funcionária dava duas horas de aulas diariamente para o conselheiro e sua mulher. A professora acabou sendo exonerada. Mas, em janeiro, uma sindicância do próprio tribunal concluiu que não houve irregularidade na contratação da personal trainer. Rabello morreu em maio deste ano.

Os salários do tribunal transformaram numa verdadeira batalha política a disputa por uma indicação para a vaga de conselheiro. Atualmente, o cargo, que é vitalício, é cobiçado por dois nomes do PMDB: o ex-presidente da Alerj e atual secretário de governo, Paulo Melo, e o líder do governo, deputado Edson Albertassi.

Oito candidatos apresentaram seus nomes em abril para ter o privilégio de conquistar uma vaga de conselheiro. O cargo traz a reboque salário de mais de R$ 30 mil, além de auxílios moradia (R$ 4.377,73), alimentação (R$ 880), saúde (até R$ 600) e educação de R$ 970 por dependente em idade escolar (máximo de 3 filhos). Isso sem contar que o conselheiro pode nomear até 20 assessores para cargos de confiança (sem concurso) e ainda convocar 35 funcionários de carreira para seus gabinetes.

Entre os últimos a conseguir a vaga, estão o deputado estadual Domingos Brazão (PMDB), que era citado numa ação por improbidade administrativa e tinha sido acusado pelo TRE de captação de sufrágio (compra de votos), e Marianna Montebello, filha do presidente do TCM, Thiers Montebello.

  

“Racismo é qualquer discurso que reafirme a existência de raças, seja para o bem ou para o mal”

Paulo Cruz
Pedro Henrique Franco: Racismo e ideologia - Uma entrevista com Paulo Cruz

O racismo é assunto muito presente no debate público em nosso país. Frequentemente a sociedade brasileira é chamada de “racista” por um grupo de paladinos da bondade composto, geralmente, pela esquerda política. Isso foi tão repetido ao longo dos anos que muitos acreditam ser verdade. Nós temos certeza que enquanto indivíduos não somos racistas, mas, ao mesmo tempo, afirmamos que a sociedade da qual somos parte, o é. Será que isso é verdade? Será que a sociedade brasileira é realmente racista? Ou será que a esquerda se utiliza desse discurso somente para se perpetuar no poder?

Paulo Cruz, dono do blog “Esperando as musas”, nos ajudou a responder essas perguntas na brilhante entrevista que segue.

1) Olá, Paulo. Primeiramente, gostaria de salientar que é um prazer realizar essa entrevista com você. De início, você poderia nos contar um pouco da sua história?

O prazer é todo meu! Bem, sou o caçula (a “raspa do tacho”, nascido dez anos após o último) dos quatro filhos de Antônio (in memorian) e Benedita. Sou casado e tenho um filho. Cresci num lar de muito trabalho, estudo e incentivo. Meu pai, já casado e com três filhos, resolveu voltar a estudar; com muitas dificuldades fez supletivo do ensino fundamental, curso técnico em contabilidade e duas faculdades: Ciências Contábeis e Direito. Tudo isso após os trinta anos de idade e recém saído do alcoolismo. Depois, quando eu já estava na escola, foi a vez de minha mãe voltar a estudar – ela também só tinha o fundamental incompleto. Terminou o Ensino Médio, formou-se Técnica em Enfermagem, e voltou a trabalhar, concursada, aos 57 anos. Acabou de se aposentar, aos 72.

Eu, após trabalhar como office-boy para o meu pai, fiz ensino médio técnico em Eletrônica e iniciei minha vida profissional, como estagiário, em 1994. Depois cursei tecnologia em Processamento de Dados, e, após mais um período como estagiário, me estabeleci nessa área.

Após 20 anos na área de Tecnologia, tive uma espécie de epifania lendo “A Montanha dos Sete Patamares”, de Thomas Merton, e descobri que Deus me vocacionara para a docência. Entrei na faculdade de Filosofia em 2009, formei em 2011, e, em 2014, deixei a área de TI para lecionar.

2) Você mantém o blog “Esperando as Musas” e já publicou também na “Gazeta do Povo” e no “Mídia Sem Máscara”. Foi por meio desses veículos que você se tornou conhecido na internet ou houve algum evento específico que o impulsionou?

O evento que, digamos, ampliou o alcance do que eu dizia nas redes sociais foi uma entrevista que concedi ao meu querido amigo Bruno Garschagen – autor do best-seller “Pare de acreditar no governo”, publicado pela Editora Record – e seu famoso podcast no Instituto Mises Brasil. E essa entrevista nasceu de um comentário que fiz, no Facebook, a respeito da invasão do Movimento Negro numa aula de economia, na USP.

3) No seu blog “Esperando as musas” você trata principalmente do racismo. Em sua opinião, a sociedade brasileira é racista?

Na verdade, eu não tratava de racismo em meu Blog até a entrevista para o Bruno, que foi em março deste ano (2015). Racismo é um assunto periférico em meus interesses, coisa da qual eu não falava há muito tempo. Eu convivi por muito tempo com esse tema fazendo parte do meu dia a dia: nasci numa família bastante consciente, conheci grupos de movimento negro, ajudei a criar um, li muita literatura direcionada a esse assunto, biografia de personalidades negras; enfim, cheguei a concordar bastante com o que o movimento negro que eu chamo de “clássico”, dizia, e me fiz porta-voz disso durante muito tempo. Porém, de uns 10 anos para cá esse assunto só entrou em meu caminho de maneira absolutamente incidental. Meus interesses são, sobretudo, Filosofia, Teologia, Literatura e Cinema – assunto que você encontra em meu blog.

Agora, respondendo à sua pergunta: não, a sociedade brasileira não é racista. Há racismo no Brasil, sim. E o que chamo de racismo é qualquer discurso que reafirme a existência de raças, seja para o bem ou para o mal. Diferentemente do preconceito, que também existe e é tirar, sem fundamento, conclusões a respeito de algo ou alguém. Dizer, por exemplo, que diminuir a maioridade penal afetará diretamente a população negra (não por haverem mais criminosos entre esse grupo, mas só por serem negros), é preconceito.

Veja, somos um país amplamente miscigenado – os pardos ou mestiços somam quase 50% da população –, a população brasileira não é branca. O segurança de shopping que “persegue” o negro, não é branco; o policial que aborda o negro, não é branco; o porteiro de prédio que discrimina, não é branco; e, muitas vezes, um negro é preterido em uma vaga de emprego (claro, nos casos raros em que a cor é o real motivo) por um empresário ou gestor que não é branco. Ou seja, o racismo no Brasil é um problema pontual e, sobretudo, de estupidez. Não é, em absoluto, generalizado. Eu mesmo já sofri preconceito, mas nem me lembro a última vez que isso ocorreu. Um país jovem, recém saído de um sistema escravista, tem muito que aprender. E esse ranço racial só acabará com o tempo e com a educação das novas gerações

4) Nos seus textos você utiliza a expressão “instrumentalização do racismo”. O que você quer dizer com isso?

Instrumentalização ideológica do racismo. Quero dizer que o conceito de “raça” (muito em voga no séc. XIX por conta dos eugenistas), abandonado quando não se concretizaram as diferenças biológicas que caracterizassem tal distinção entre os povos, foi posteriormente cooptado pelos intelectuais progressistas, transformado em “cultura” e é utilizado pelos movimentos de esquerda em sua sanha por “reformas sociais”. Daí colocam negros, LGBT, idosos, sem-terra etc., todos no mesmo balaio dos ressentidos, e dizem: “vamos defender vossos interesses”. Mas o que fazem, na verdade, é usar esses grupos como massa de manobra de próprios interesses. Isso começa, como eu disse, na Academia, as teses se proliferam e tomam proporções urgentes. Depois, os “justiceiros sociais” – muitos meros idiotas úteis desses movimentos revolucionários – saem repetindo uma série de jargões e fomentando tensões sociais por meio desse discurso. E toda a sociedade perde com isso.

5) É sabido que após a abolição da Escravatura grande parte da população negra descambou para uma vida à margem da sociedade, ou mesmo para a criminalidade. Até hoje, por exemplo, a maioria da população pobre brasileira é composta por negros e pardos. Em sua opinião, qual a melhor maneira de mudar esse quadro?

Primeiro: menos Estado; ou seja, menos impostos e menos “projetos sociais” eleitoreiros; segundo: valorização da educação de base; terceiro: incentivo ao empreendedorismo; quarto: formar o imaginário das novas gerações sem essa divisão por raças, que inferioriza e tira o ímpeto das pessoas por soluções. Esse quarto, em minha opinião, é o mais importante de todos!


6) É comum ver movimentos sociais que defendem minorias bem como “intelectuais” ou políticos de esquerda serem alçados ao status de ícones da bondade por pregarem um discurso de “igualdade”, por exemplo, racial. Em sua opinião, qual o benefício real que esses trouxeram para a vida dos negros e pardos brasileiros?

Nenhum. Só trouxeram mais problemas.

7) A esquerda faz um jogo de destruição da imagem pública muito forte. Na questão racial, por exemplo, durante anos parecia consenso que todo direitista (seja liberal ou conservador) era racista. Em sua opinião, qual a melhor forma da direita se livrar desse rótulo?

Divulgando ao máximo a atuação dos conservadores nos movimentos abolicionistas (tanto nos EUA como no Brasil) e na valorização do indivíduo. Lembrar, por exemplo, que a Ku Klux Klan foi criada pela esquerda americana; e que, no Brasil, havia um projeto dos conservadores (monarquistas) para a indenização dos ex-escravos, mas os republicanos não deram prosseguimento. E, sobretudo, surgirem mais conservadores negros intelectualmente preparados (afinal, se a cor da pele ainda é levada em consideração, que seja utilizada ao nosso favor) para o debate, como nos EUA: Booker T. Washington, Thomas Sowell, Walter Williams, Alfonzo Rachel, Allen West, Condoleezza Rice, Mia Love, Albert Guillory e tantos outros.

Publicado na Feedback Magazine.


Machadada freireana em Machado de Assis

Valentina de Botas: Um escritor genial foi castrado com o patrocínio do MEC

No bacharelado em Linguística pela USP, vi a importância do poliglotismo na própria língua, isto é, o falante conhecer os diferentes níveis de realização do idioma. A conversinha esquerdopata de equiparar a norma culta às outras variantes já rondava, mas os professores lúcidos destacavam que mesmo os defensores dessa bobagem usam a norma culta.

Considerando que cada um erra do próprio jeito, qual seria o “erro certo”, o “erro normativo”? Ou a proposta é cada um errar como quiser até que não falemos mais a mesma língua, diluindo-se o fator de integração nacional, até que a nossa literatura seja reescrita segundo o erro de… quem? As vigarices convergem na desnecessária Patrícia Secco que “simplificou” Machado de Assis, alterando “O alienista” com o patrocínio do MEC para 600 mil exemplares.

Desprezou que se extirpa um escritor de si mesmo ao lhe modificar o vocabulário e que simplificar um gênio é explicar Deus: impossível e contraproducente, pois a desvelação de divindades e gênios os extinguiria. Deus é simples, gênios também; e o contrário de simplicidade talvez não seja a complexidade, mas a falsidade. Ela sabe disso, só não se importa; não há inocência nesses soviets tropicaloides, mas premeditação.

O pecado maior de Patrícia não é sonegar 600 mil leitores a Machado, pois o gênio sobrevive ao país que o lê pouco, e sim confiscar o verdadeiro Machado da experiência leitora de 600 mil pessoas. Ensinar que o errado está certo é o cântico da doutrina do pobrismo-coitadismo com base na “educação do oprimido” de Paulo Freire, segundo a qual o aluno chega à escola com um saber determinado pelo meio. Até aí a novidade é nenhuma, a excrecência inexistente em países com educação decente é elevar esse saber, no Brasil, acima daquele adquirido com o estudo.

O abuso ideológico disso se volta contra a língua portuguesa e os brasileiros que conhecem a norma culta e os que não conhecem: condena os primeiros pelo “elitismo” e pela “humilhação” dos segundos; a estes, confina na ignorância sobre a própria língua e as magníficas potencialidades dela. Ora, o elitismo é saneado com o acesso ampliado à norma culta o que, consequentemente, aboliria a humilhação.

Mas, Machado – mulato, gago, franzino, pobre – oprime. Só pode ser ensinado se extirpado o nervo da cultura que espelha e que adquiriu apesar dessas condições. E consideram a letra dos funks estereotipados da periferia libertadora na chancela da ignorância narcísica como trincheira contra o “discurso opressor do saber institucionalizado”. Quem fala assim merece mesmo ouvir funk o resto da vida.

Então, pregam que se ensine “a norma culta, mas a partir da consideração de variantes populares do idioma que o aluno traz consigo ao chegar à escola”; ora, isso é assim há tempos. Mas essa gente faz do ponto de chegada o mesmo de partida. Enquanto na castração de Machado, há Estado demais; na deformação do ensino da língua, há Estado de menos para tanta ideologia, tóxica também na rede privada. Nesse primitivismo, o Brasil, que nunca foi são, tem a cara finalmente deformada pelos gênios falsos na era da mediocridade cujo patrono é um deus simplesmente jeca.


Macaqueando o PMDB, opositontos do PSDB agora vão lançar documento indicando “saídas para a crise”

O PSDB também prepara um documento para se posicionar como alternativa de poder e apresentar saídas para a crise. O texto, que será lançado na segunda semana de dezembro, terá foco na área social e servirá de trampolim para tentar recolocar o partido como protagonista da cena nacional, palco até aqui ocupado pelo PMDB. Presidente da legenda, o senador Aécio Neves dirá que “o PT fracassou na última bandeira que lhe restava como discurso”.

Aécio pediu a economistas ideias para contornar a crise. O grupo é organizado por Armínio Fraga. O PSDB também prepara a revisão de pontos de seu programa partidário. Para tucanos, o PMDB não pode conquistar o papel de salvador da pátria.

Estou cada vez mais impressionado com a capacidade do PSDB em ser inútil.

Redução do eleitorado petista

Durante missão na China, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, recebeu uma demanda inusitada de um empresário local. O investidor disse ter interesse em importar um milhão de jumentos por ano. A história foi relatada pela própria ministra pelo Twitter.

Rui Falcão está em pânico.

Carlos Chagas

Uma notinha do Carlos Chagas me chamou atenção hoje. Sob o título “Efeitos da privatização” ele diz que a tragédia de Mariana é consequência da privatização da Vale. Vejam:

Não há como evitar a conclusão: a queda das barragens poluídas em Mariana constitui evidência dos males da privatização. Desde Getúlio Vargas que a Vale sustentava boa parte da economia nacional como empresa estatal. Mesmo sujeita aos exageros do empreguismo e da burocracia, sempre foi penhor de eficiência. Privatizada pelo sociólogo e pelas facilidades do BNDES, viu-se endeusada no altar do neoliberalismo, pois passou a dar lucros cada vez maiores.

O resultado aí está: o maior desastre ecológico de nossa História, com amplas chances de multiplicar-se ainda mais. A solução para o governo será multar a companhia, nem tanto quanto devia, e ponto final.

Fossem os companheiros dignos dos tempos de fundação do PT e a Vale já estaria estatizada por um simples decreto da presidente da República. Bem como seus proprietários a caminho da cadeia.

Chagas anda deixando de tomar seu Lithium. Só pode ser. Se bem que ele sempre foi meio politicamente estranho, alternando bons artigos com besteiras inomináveis como esta.


Dilma, Cunha, Lewandowski, Janot e Renan: formação de quadrilha

Carlos Newton

Agora, já não há mais dúvidas. O acordo indecente entre a presidente Dilma Rousseff e o deputado Eduardo Cunha, costurado pelo ex-presidente Lula e pelo ministro Jaques Wagner, da Casa Civil, é mesmo para valer e os dois serão mantidos nos respectivos cargos. Não haverá processo de impeachment de Dilma nem processo de cassação de Cunha, e a política brasileira ficará mais enlameada do que as águas do antigo Rio Doce.

Reportagem de Débora Álvares e Ranier Bragon, na Folha, revela que Cunha disse a deputados da bancada do PMDB que não aceitará nenhum dos pedidos de abertura de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, sob alegação de que a campanha perdeu força. Depois de ter dado sucessivas declarações de que decidiria sobre os pedidos até o final de novembro, Cunha agora diz que a questão ficará para 2016, no mínimo.

“Ele disse ter a impressão de que a possibilidade de impeachment perdeu força, que não há nesse momento apoiamento popular, embora o ocorrido nas contas da Dilma [o Tribunal de Contas da União rejeitou a contabilidade de 2014] seja fato para levar o impeachment adiante”, afirmou o deputado Hildo Rocha (PMDB-MA), aliado de Cunha e que participou do jantar em que o assunto foi tratado

Segundo o deputado do PMDB do Maranhão, Cunha condicionou a possibilidade de deferir um pedido de impeachment somente se o Congresso ratificar a decisão do TCU pela rejeição das contas de Dilma. “Se isso acontecer, ele disse que a deflagração do impeachment volta à tona com toda a força, mas que neste ano não há a menor possibilidade de isso acontecer”, completou Rocha.

Não causa espanto o fato de autoridades como Dilma Rousseff e Eduardo Cunha celebrarem esse tipo de acordo rasteiro, de troca de favores institucionais, tão grave e surpreendente que chega a ser difícil de acreditar e impossível de aceitar. Trata-se de pessoas desclassificadas, sem o menor compromisso com a honra, a dignidade, o decoro e – sobretudo – o interesse nacional. Comportam-se como se estivessem acima da lei e da ordem, como se pudessem dispor das instituições nacionais a seu bel prazer, como se dizia antigamente.

O pior é que este acordo só pode existir se tiver a conivência e cumplicidade das três outras autoridades máximas do país – o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, e o presidente do Congresso, Renan Calheiros.

Recordar é viver. Janot pediu a abertura de inquérito no Supremo contra Cunha, anexou provas abundantes de irregularidades cometidas pelo deputado e há mais de um mês a Procuradoria vazou à imprensa informes de que seria oficialmente pedido seu afastamento  da presidência da Câmara. No dia 27 de outubro, Cunha reagiu, ameaçando aceitar o pedido de impeachment, caso Janot solicitasse seu afastamento da presidência da Câmara. Estranhamente, nada aconteceu, Janot se recolheu e só tem investido com o senador Fernando Collor, deixando Cunha de lado, sinal de que está no esquema.

O ministro Ricardo Lewandowski soltou a franga e anunciou na semana passada que considera “um golpe” a possibilidade de ser aberto o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.  Na condição de presidente do Supremo, ele jamais poderia dar esse tipo de declaração, pois a possibilidade de impeachment está expressamente prevista na Constituição e dois pedidos que aguardam despacho do presidente Eduardo Cunha já foram aprovados pela Assessoria Jurídica da Câmara – o requerimento do advogado Luiz Carlos Crema e o novo pedido dos juristas Helio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal. Ou seja, Lewandowski já está no esquema.

Por fim, o presidente do Congresso, Renan Calheiros, está empurrando com a barriga o exame do parecer unânime do Tribunal de Contas da União, que pede a rejeição das contas da presidente Dilma no ano de 2014, por causa das pedaladas fiscais, que configuram crimes de responsabilidade, na forma da lei, além dos dez decretos ilegais liberando despesas não autorizadas pelo Congresso. Portando, Renan também está no esquema.

Tradução simultânea de tudo isso: as cinco autoridades máximas do país entraram por caminhos escuros, totalmente à margem da lei, em benefício próprio e desprezando os interesses nacionais. Isso não é democracia, em que as leis têm de ser cumpridas por todos, especialmente por aqueles que se encontram no poder. Na verdade, este acordo escuso significa formação de quadrilha. Mas quem se interessa?

terça-feira, 17 de novembro de 2015

O Sinistério da Curtura cumunica:

O evento Emergências - “um encontro global de cultura, ativismo e política” - ocorrerá entre 7 e 13 de dezembro no Rio de Janeiro.

O mais importante: o evento contará com a presença, entre outros, dos cultíssimos e equilibrados Gegório Duvivier, Jean Wyllys, da prostituta e “ativista” Monique Prada e da “ativista” dos direitos humanos e senadora colombiana cassada por ser colaboradora das FARC, Piedad Córdoba.

Vai ser do cacete!...


Contato: Porto Alegre 9944-3822

Manual de redação da GloboNews


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Analistas tupiniquins inocentam muçulmanos e culpam as vítimas

De sexta-feira até sábado pela manhã fiquei sem internet mais uma vez. Aproveitei o embalo para dar um descanso no teclado o resto do fim de semana. Não liguei o computador nem para ver a desgraça na França, que acompanhei pela TV, e ainda bem que tenho a opção de outros canais que não a Globo News na TV a cabo - CNN e Bloomberg nem são tão bons assim, mas são bem mais objetivos. O problema da Globo News, além da pobreza das reportagens com imagens ao vivo, Reinaldo Azevedo resumiu muito bem hoje: “É evidente que há profissionais de primeiríssima linha atuando na emissora. Mas ali também se encontra a gaiola das loucas do esquerdismo chulo.”, a respeito de um debiloide - professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense - que, entrevistado como “expert”, entre outras coisas, sugeriu que o risco maior dos atentados era a exploração que a direita poderia fazer dos atentados.

Fora a TV, os colunistas e jornalistas da mídia impressa continuam fingindo perplexidade ante um fato mais que previsto, embora sem dia certo para acontecer. Uma disse no Globo que “armas não matam ideologia”. E quem disse que essa coisa chamada islã é ideologia?

Mas quem bateu o recorde de boçalidade foi Breno Altman, comunazinho empedernido das hostes petralhas, dono do site esgotosférico oficialóide  “Opera Mundi”. Leiam:

“A crescente violência entre os povos muçulmanos, muitas vezes banhada pelo desespero e a loucura social, somente pode ser explicada pela ação permanente de rapina das potências ocidentais. A origem da dor dos franceses não está no islamismo, mas nos Estados dominados pela vertente imperialista da cultura cristã, onde nasceu o colonialismo como sistema afrontoso à autodeterminação dos povos.”

Ou seja, segundo os “analistas”, se os atentados de sexta-feira só serviram para provar que os partidos de direita vão crescer nas próximas eleições europeias - logo são suspeitos -, que a violência do islã é resultado do capitalismo e que avanço dos atentados são culpa da vertente imperialista da cultura cristã, os muçulmanos são vítimas inocentes disso tudo! Todos, desde a Al Qaeda até o Estado Islâmico!

Só pode ser essa a conclusão. E as evidências não me deixam mentir, já a preocupação de 90% desses idiotas é com o aumento do preconceito contra os muçulmanos e a restrição das imigrações. Os europeus, os donos do pedaço, são os culpados!

Quem ria das piadas feitas com os supostos livros infantis de Nelson Rodrigues pode cair na real agora

“Os Três Porquinhos Pederastas”, “A Fadinha Lésbica” e por aí afora, eram piadas que faziam com o “Anjo Pornográfico” sobre seus “lançamentos” infantis. Só que hoje as “obras” podem não ter títulos identificadores das “qualidades” sexuais dos protagonistas - já que pederastas e lésbicas não gostam de ser chamados assim, embora declarem muito orgulho em ser -, mas transformaram em realidade o que era uma piada.

A putaria da vez é um livro de nome “A Princesa e a Costureira”, da psicóloga Janaína Leslão, que é um conto de fadas que narra a história da princesa Cíntia, prometida em casamento para Febo, o príncipe do reino vizinho. Quando Cíntia vai encomendar seu vestido para a cerimônia conhece a costureira Isthar, por quem se apaixona.

A princesa Cíntia ainda se diferencia das tradicionais mocinhas de contos de fadas não apenas por sua orientação sexual, mas também por não ostentar longas madeixas loiras e pele alva: ela é negra. Outro detalhe: os principais apoiares do casal lésbico são o próprio príncipe preterido (com seus frondosos dreadlocks) e a irmã da protagonista, Selene, que não possui uma das mãos.
O príncipe Febo e a princesa Selene, irmã da protagonista da história

Mais politicamente correto, impossível; mais imbecil, idem.

Mas leiam o primor dos argumentos da viadália que defende esse tipo de coisa para crianças:

Um conto de fadas geralmente traz uma receita já estabelecida: a princesa conhece o príncipe e, após algumas intempéries, acabam juntos com a clássica frase “e viveram felizes para sempre”. No entanto os tempos são outros e, assim como não é nada saudável fazer as crianças acreditarem em uma vida de felicidade ininterrupta, príncipes e princesas também precisam ganhar roupagens mais realistas agregando mudanças de valores sociais.

O livro, que pretende auxiliar famílias e escolas, tanto na discussão sobre a diversidade humana como sobre a luta mais ampla pelos direitos das pessoas LGBT, teve sua venda anunciada no Facebook da autora há poucos dias e causou bastante rebuliço. A escritora falou a respeito: 

“A repercussão está sendo ótima! Muita gente aprovando a ideia de termos um livro que ensine a convivência harmoniosa entre as pessoas, de amor, tolerância. Muitos pais dizendo que irão comprar para seus filhos, para ensiná-los desde cedo que ‘consideramos justa toda forma de amor’ (frase de música de Lulu Santos). Sim, existem indignados, mas apoiados em seus próprios preconceitos.”

Agregando mudanças de valores sociais” é falta de vara!

Banânia é um país singular. Um desastre único no planeta Terra.

Da Besta Fubana, só pela opinião.

A ex-senadora Marina Silva disse, em entrevista a Roberto D’Avila exibida nesta quarta-feira na GloboNews, que o país convive com vários planos econômicos ao mesmo tempo e que é preciso a definição de uma agenda para o Brasil sair da crise.

Quem dá ouvidos ao que esta idiota diz, é a mesma nação de gente que presta atenção no que Lula fala.

Ela é candidata a prisidente e ele já foi prisidente. Por duas vezes.

Banânia é um país singular. Um desastre único no planeta Terra.

Uma piadinha para recomeçar, que ninguém é de ferro

Depois dos terremotos ocorridos na Ásia, o Governo Brasileiro resolveu instalar um sistema de medição e controle de abalos sísmicos, que cobre todo o país. O então recém-criado Centro Sísmico Nacional, poucos dias após entrar em funcionamento, já detectou que haveria um grande terremoto no Nordeste do país.  Assim, enviou um telegrama à Delegacia de Polícia de Currais Novos, com o seguinte teor:

“Urgente. Possível movimento sísmico na zona. Muito perigoso. Richter 7. Epicentro a 3 km da cidade.Tomem medidas e informem resultados com urgência”.

Somente uma semana depois, o Centro Sísmico recebeu um telegrama que dizia:

“Aqui é da Polícia de Currais Novos. Movimento sísmico totalmente desarticulado. Richter tentou se evadir, mas foi abatido a tiros. Desativamos as zonas e todas as putas estão presas. Epicentro, Epifânio, Epicleison e os outros cinco irmãos estão detidos. PS: Não respondemos antes porque houve um terremoto da porra aqui.”

O fantasma de Bolsonaro na sucessão de 2018

A.C. Portinari Greggio: Bolsonaro já começou a fazer campanha pela internet

Jornal Inconfidência (MG)

Eles percebem o perigo. E nós, enxergamos a oportunidade? Dois jornalistas e dois generais. Essas são as peças de um pequeno quebra-cabeças que vamos montar para demonstrar, pela enésima vez, algo em que temos insistido nos últimos artigos: ou a Direita aproveita a oportunidade que a História lhe oferece nos próximos 24 meses, ou o Brasil afunda na anarquia, na haitização ou na guerra civil.

Não vou dizer o nome dos jornalistas. Não há necessidade, pois correspondem aos estereótipos da classe: odeiam os militares. Quanto aos generais: um da ativa, gen. Mourão, ex-Comandante Militar do Sul o outro, gen. Carlos Augusto Fernandes dos Santos, reformado.

A coisa começou há algumas semanas, quando o gen. Mourão, em palestra a alunos do CPOR de Porto Alegre, advertiu sobre a corrupção e a esbórnia geral da política brasileira, tão graves que ameaçam a estabilidade das instituições.

Entra a primeira jornalista. Em artigo publicado num jornalão, ela enquadrou o gen. Mourão por ter-se atrevido – vejam a audácia! – a falar de política. Segundo ela, militares não podem dar palpites porque “o Brasil avançou muito nos últimos trinta anos. (…) Escolhemos a democracia e a volta dos militares aos quartéis. Definítivamente.”

O gen. Carlos Augusto tomou a defesa do gen. Mourão. Segundo ele, a jornalista “quer chefes militares fracos, como freiras enclausuradas no castro, alienados dos aspectos políticos (…). Chefes eunucos, desprovidos de indignação e honra, que continuem bovinamente assistindo ao país despencar ladeira abaixo, na senda da roubalheira descarada, conduzida por políticos desprezíveis e bandidos que frequentam o esgoto da política, sem qualquer manifestação de inconformidade. Generais são líderes e têm responsabilidades e a história pátria está cheia de exemplos.” E continuou:

“O que incomoda a jornalista e sua grei política é ver surgir nova liderança nas Forças Armadas, embasada em alicerces e princípios morais e éticos inatacáveis. O Brasil anseia por governantes com esse perfil e com essa coragem.”

 “Tenho certeza que parcela expressiva da humilde e necessitada população brasileira aspira por mudanças e acalenta o sonho de voltar a ser conduzida por homens honrados. Não aceitam mais corruptos e políticos medíocres que, usando as chicanas da esperteza, só buscam benefício próprio”, disse o gen. Carlos Augusto, acrescentando:

“A palestra proferida pelo gen. Mourão sugere o nascimento de nova liderança militar. A decisão do marechal Castelo Branco, de limitar o tempo de permanência dos generais no serviço ativo, retirou dos quarteis as nefastas discussões político-partidárias e terminou de vez com caudilhos militares, mas deixou, entretanto, uma séria lacuna: o desaparecimento de lideranças militares autênticas e competentes, tão necessárias nos desastrosos e trágicos dias vividos pelo país.”

Poucos dias depois, o Ibope publicou nova pesquisa de intenções de voto para as eleições presidenciais de 2018. Resultado: forte aumento da rejeição aos principais nomes cotados para disputar a sucessão de Dilma: Inácio, 55% Aécio, 47% Marina, 50% Alckmin, 52% Serra, 54%. Rejeição significa: “não voto nele de jeito nenhum”. Do outro lado, da aprovação (eleitores que com certeza votarão no candidato), a coisa continua ruim para todos: Inácio, 23% Aécio, 15% Marina, 11% Serra, 8% Alckmin, 7%.

Nesse ponto, entra o segundo jornalista. No seu blog na Internet, ele avisa: “O dado mais significativo apontado pelo Ibope mostra que o aumento da rejeição das principais lideranças políticas do País é generalizado, com a queda da popularidade de Lula não beneficiando nenhum dos possíveis candidatos da oposição.”

E conclui, alarmado: “O levantamento reflete o crescente descontentamento da população com a classe política, sem que surjam novas lideranças nos grandes partidos. É um cenário favorável ao aparecimento de candidatos radicais nos extremos do espectro partidário, que se apresentam nestas horas como “salvadores da pátria”, sempre um perigo para a democracia.”

Juntemos as peças. Será que se encaixam? Dum lado, o fato incontestável: dentro da esculhambação geral, as Forças Armadas são vistas como única instituição confiável. Doutro lado, o eleitorado rejeita todos os políticos chapa-branca, quer sejam da quadrilha no poder ou da falsa oposição.

Ora, se o povo admira os militares e neles deposita suas esperanças, mas a constituição de 1988 o obriga a escolher nomes que ele, povo, rejeita, a única saída seria – falemos sem rodeios – o golpe militar. Mas os militares não querem nem ouvir falar disso.

Existe solução? Está na cara: um candidato com possibilidades de se eleger dentro das normas da constituição, mas identificado com os militares.


Parafraseando o Manifesto Comunista de 1848: um fantasma assusta a República Federativa de Bruzundanga: o fantasma do Bolsonaro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Car@s alun@s é o cacete!

Uma mensagem cordial ao Ministério da Educação (que me veio com “Car@ alun@” e outras demências):

“Car@ alun@”?

Isso não faz sentido algum.

O neutro (indefinido, no caso) na língua portuguesa não é masculino por acaso - e não, não tem nada a ver com o que ideólogos de boteco chamam de machismo. Aliás, a marcação feminina possui caráter, digamos, especial, “diferenciativo”; já o masculino e o neutro são ordinários; não é por acaso que o genérico, aquilo que não tem personalidade definida, é masculino (não-marcado). Ignorar o gênero na língua portuguesa, portanto, é atitude depreciativa às mulheres.

Aliás, que tolo sou! Não devo explicar isso a vocês; afinal, são do Ministério da EDUCAÇÃO. Certo?

De modo que, excluída a possibilidade de lógica gramatical, presumo que seja mesmo ideológica essa estupidez de marcar o neutro (indefinido) com um símbolo que por acaso contém um “a” e um “o” ­ nada mais fetichista e superficial.

(Aliás, o arroba é um “a” dentro de um “o”. CUIDADO! Será que vocês não estão perpetuando o machismo, desempoderando as mulheres ao restringir a letra que as representa ao universo continente do “o” masculino? Problematizem essa questão.)

Outra coisa, agora sobre a mensagem de vocês em si: dois em cada três brasileiros sofre de analfabetismo funcional. A maioria da nossa população é incapaz de escrever com correção e sentido -- incluída aí a chefe de vocês, Dilma Rousseff, que sequer completou o processo de aquisição da linguagem.

Então, parem de perder tempo com ideologism@s e parem de gastar o MEU dinheiro com essa brincadeira de fingir que ensinam inglês para universitários que não sabem escrever uma frase em português.

Cordialmente, Mateus Colombo Mendes.


Jornalista do Globo acha que queda de avião do Bradesco pode ter sido em função da sobremesa...

“Ele observou que a equipe de investigação deverá fazer uma varredura na região próxima ao local do acidente, na tentativa de encontrar alguma peça que possa ter se desprendido da aeronave, como pedaço da asa ou da calda, provocando a queda.”

Geralda Doca, jornalista de O Globo, informando que a equipe de investigação procura por um pedaço da calda (marsmallow?). Que tal procurar no frigobar?...

Aliás, essa deve ser a mesma opinião dos revisores e editores. Que nível!...

Universidades federais nordestinas, por falta do que fazer, vão comemorar a Intentona Comunista

A falta de senso de ridículo em todas as esferas do conhecimento é a marca registrada que essa corja petralha - em seus estertores como organização - nos deixa e que vai levar décadas para ser apagada por completo. 

Felipe Melo: A Intentona coroada

O dia 9 de novembro marca o aniversário da queda do Muro de Berlim. Por anos, esse muro foi a materialização de uma realidade que se tentava manter oculta para o resto do mundo – a adoção deliberada de repressão, patrulhamento, escassez, fome, perseguição e extermínio como políticas de Estado nos países comunistas. As notícias enviadas do outro lado da Cortina de Ferro eram aterradoras. Os vinte e seis anos da queda desse muro da vergonha deveriam ser motivo para manter viva a memória de todas as tragédias, coletivas e particulares, provocadas pelo comunismo. Mas há quem prefira, ao contrário, louvar a ideologia mais mortífera do século XX.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) promoverão, entre os dias 18 e 21 de novembro, um seminário de comemoração da Intentona Comunista. A Intentona, também conhecida como Revolução Vermelha de 1935, foi uma tentativa de golpe contra o presidente Getúlio Vargas levada a cabo pela Aliança Nacional Libertadora, organização de matiz socialista liderada por Luís Carlos Prestes – que havia, na década de 1920, liderado outra revolta, de caráter tenentista, conhecida como Coluna Prestes. De acordo com o portal da UFRN, a Intentona ensejou grande repressão por parte do governo Vargas e “o início de um anticomunismo ainda muito presente na sociedade brasileira”. A historiografia oficial nos conta que o objetivo desse movimento golpista era derrubar Vargas. No entanto, a Intentona começou a ser gestada muitos anos antes de Getúlio assumir o poder.

REVOLUÇÃO TIPO EXPORTAÇÃO
Com a vitória da Revolução Bolchevique de 1917, a liderança do Partido Comunista Russo, então liderado por Vladimir Lênin, enxergou a premente necessidade de organizar formalmente os esforços de todos os partidos comunistas do mundo para promover a revolução global. Desse modo, em 1919, foi criada a Internacional Comunista (Comintern) com o objetivo de concertar esforços, táticas e ações dos partidos comunistas de todo o mundo com o objetivo de tomar o poder em seus respectivos países e neles implantar a ditadura do proletariado. O Comintern, teoricamente, pautava-se pelo chamado “centralismo democrático”, onde questões programáticas eram objeto de discussão dos grupos internos da organização comunista. Na prática, esse princípio de organização leninista, que fingia ser uma espécie de fórum democrático em que debates abertos orientavam as diretrizes dos partidos comunistas, era falso: tudo era decidido pelo Partido Comunista da União Soviética (PCUS) – e, em última instância, por seus homens fortes.

Em 1922, entre os dias 5 de novembro e 5 de dezembro, ocorreu em Moscou o IV Congresso Mundial do Comintern. Partidos comunistas de 58 países enviaram delegados, sendo 343 o número de delegados votantes. Sob a presidência de Lênin e Leon Trotsky, o IV Congresso contou com a presença de personalidades comunistas importantíssimas, como o italiano Antonio Gramsci. No entanto, um dos destaques do congresso foi um ilustre desconhecido: Antônio Bernardo Canellas, delegado do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Canellas ficou famoso no contexto do IV Congresso por pedir um aparte no meio de um discurso Trotsky – o chefe do Exército vermelho chamaria o brasileiro de “o fenômeno sul-americano”.

O POTENCIAL COMUNISTA DOS TRÓPICOS
Durante o IV Congresso do Comintern, Canellas apontou a necessidade da criação de um órgão que tratasse especificamente da América Latina. A proposta foi submetida a votação, e contou com o entusiasmado apoio de Antonio Gramsci. Surgiu, assim, o Secretariado Latino do Comintern, submetido à autoridade do recém-criado Comitê Executivo da Internacional Comunista (CEIC). Em 1925, ocorreu o V Congresso do Comintern, do qual surgiu o Secretariado para a América do Sul, com sede em Buenos Aires. Seu principal órgão era o Escritório de Propaganda do Comintern para a América do Sul, chefiado por Abilio de Nequete, fundador e primeiro secretário-geral do PCB. Em 1927, saía a primeira edição do La Correspondencia Sudamericana, jornal do Secretariado para a América do Sul, cujo editor era o argentino Rodolfo Ghioldi.

O VI Congresso do Comintern ocorreu em julho/agosto de 1928. Com o relato do sucesso das atividades do Secretariado para a América do Sul, foram eleitos sete membros latino-americanos para o CEIC – dentre eles, Rodolfo Ghioldi e o brasileiro Astrojildo Pereira, membro-fundador do PCB. Essa eleição dava proeminência considerável ao secretariado, o que representava a importância da América Latina para o Comintern e, portanto, para Moscou.

Nesse ínterim, Prestes havia liderado seu frustrado levante dos anos 1920 e, junto com outros revolucionários, exilou-se na Bolívia. Em 1928, conheceu Ghioldi, sendo recrutado pelo argentino para as fileiras do Comintern. A partir desse ano, passou a receber treinamentos específicos para a organização de uma revolução comunista no Brasil. Em 1930, retornou para o País, instalando-se clandestinamente em Porto Alegre. No ano seguinte, a convite do governo soviético, mudou-se para Moscou, onde sua formação ganhou profundidade e amplitude. Sua importância estratégica para o Comintern era tamanha que, ao voltar para o Brasil, em 1934, veio acompanhado de dois importantes agentes da Internacional Comunista: os alemães Olga Benário (que, depois, seria mulher de Prestes) e Arthur Ernest Ewert, oficial da NKVD (serviço secreto que precedeu a KGB).

O “CAVALEIRO DA ESPERANÇA” CONTRA-ATACA
Em agosto de 1935, ocorreu o VII Congresso do Comintern, o último antes de sua dissolução. Georgi Dimitrov, Secretário-Geral do CEIC, determinou, dentro da estratégia de “frentes populares” – organizações de massa de caráter teoricamente anti-fascista –, que o PCB apoiasse a criação da Aliança Nacional Libertadora (ANL) tendo, por presidente, Luís Carlos Prestes. O papel da ANL seria o de promover uma sublevação armada no Brasil que tinha por objetivo a implantação de uma ditadura do proletariado a soldo de Moscou. Para tanto, era necessário organizar um discurso de caráter nacionalista e anti-varguista que, em seu bojo, carregasse bandeiras sociais que pudessem ludibriar o povo brasileiro e atrair sua simpatia – reforma agrária, abolição da dívida externa, etc. No mesmo congresso, Prestes foi eleito membro efetivo do CEIC, e Ghioldi, chefe do Secretariado para a América do Sul.

A operação revolucionária a ser liderada por Prestes e encampada pelo PCB teria como principais pontos de apoio: o Secretariado para a América Latina; Iumtourg, uma falsa agência de turismo e casa de câmbio controlada pelo Comintern e sediada no Uruguai, por meio da qual se poderia criar uma ponte financeira entre Moscou e o Brasil; e os partidos comunistas de Argentina, Uruguai e Chile. Todos os agentes envolvidos haviam sido financiados pelo governo soviético e recebido treinamento militar especializado. O momento exato do início da revolta armada dependia diretamente do aval do Comintern.

Os detalhes da Intentona Comunista tomam um livro inteiro – aliás, o jornalista William Waack escreveu o excelente “Camaradas”, com farta documentação comprobatória. Meu propósito não é apresentar uma análise profunda e exaustiva desse evento, que, para nossa sorte, não foi adiante. Almejo, ao traçar um breve histórico das origens da Intentona Comunista, duas coisas.

A primeira é expor esse movimento tal qual ele foi – uma tentativa de golpe que tinha por objetivo a implantação, no Brasil, de uma ditadura do proletariado nos moldes soviéticos e consolidar um posto avançado da União Soviética no continente americano. A segunda é suscitar uma pergunta: o que merece ser comemorado, afinal de contas? É digno de comemoração o aniversário de uma conspiração transnacional de tomada de poder através da violência armada, orquestrada por um governo que deixou em seu rastro dezenas de milhões de cadáveres, e que, mesmo fracassada, foi capaz de exemplos detestáveis de barbarismo e crueldade – como a execução da garota Elza, uma menina semi-alfabetizada de 16 anos estrangulada à morte a mando de Prestes?

Celebrar o aniversário da Intentona Comunista não é apenas um disparate: é um ultraje. E fazê-lo por meio de instituições federais de ensino superior – o que praticamente confere à homenagem um caráter de oficialidade governamental – é um ultraje além da medida. Se há algum exemplo claro e paradigmático de como as universidades federais brasileiras são ideologicamente orientadas para reproduzir o discurso hegemônico da esquerda, eis tal exemplo.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Os canalhas e suas desculpas

Do Sensacionalista

Cunha e mais sete desculpas mirabolantes de políticos que nem o Sensacionalista inventaria
Eles são muito, muito criativos. Basta que denúncias sejam feitas e investigações estejam em curso para que nossos políticos de maior destaque comecem a oferecer desculpas mirabolantes sobre a origem da própria riqueza.

Por isso, vamos voltar um pouco no tempo e relembrar histórias fantásticas de alguns representantes eleitos (e reeleitos) pelo povo brasileiro.

Tudo 100% verdade. A gente do Sensacionalista não teria capacidade de inventar algo assim. Estes são mestres. Como tal, merecem todo respeito e deferência.

“O dinheiro na Suíça foi conseguido vendendo carne enlatada para a África” Eduardo Cunha (2015)
Não foi só esta justificativa para os milhões numa conta em seu nome na Suíça que pareceu coisa do Sensacionalista. Cunha também afirma que parte do dinheiro foi depositado a sua revelia pelo deputado Fernando Diniz, morto em 2009. O deputado teria pegado dinheiro emprestado com Cunha porque perdeu tudo no esquema pirâmide de Bernie Madoff. Comprovantes? Ele não tem. Mas os comprovantes de que sua mulher, Cláudia Cruz, retirou US$ 59 mil para pagar aulas de tênis na Flórida? Estes existem

“Deus me ajudou e eu ganhei muito dinheiro” João Alves (1993)
Homem de sorte, o deputado João Alves, morto em 2004, foi um dos chamados “anões do orçamento”,  grupo de congressistas que desviou mais de 100 milhões de reais das contas públicas. João, que acabou conhecido como “João de Deus”, disse à CPI que havia ficado rico porque era um homem sortudo. Ele afirmou ter ganhado 200 vezes na loteria com a ajuda das forças divinas. Era verdade: ele ganhou, sim. Mas tudo não passava de um esquema para lavar o dinheiro desviado

“O dinheiro era para comprar panetones para entregar nos asilos e nas creches” José Roberto Arruda (2009)
Enquanto governava o Distrito Federal, Arruda foi flagrado, em vídeo, recebendo 50 mil reais de empresários por baixo dos panos. Sua justificativa? Era tudo para comprar panetones para os pobres. Que fofo. Pena que a Polícia Federal não acreditou muito e foi atrás das iguarias natalinas. Acabou descobrindo que Arruda tinha, em sua contabilidade, 1,39 milhão de reais em notas frias, tudo para comprar panetones. O destino do dinheiro, segundo as investigações, era alimentar o propinoduto do “Mensalão do DEM”, suposto esquema de pagamento de propina a deputados do DF. Arruda perdeu o cargo e foi preso mas solto em seguida

“A carta é falsa. A letra não é minha” Paulo Maluf (2004)
Quando foi entregue de bandeja pelas autoridades suíças (bem parecido com o caso de Eduardo Cunha, aliás), o ex-prefeito de São Paulo negou, negou e negou que tivesse conta no paraíso fiscal. No seu estilo bonachão, disse: “A carta é falsa. A letra não é minha. Eu não sou carteiro, não sei se foi enviada da Suíça ou se foi falsificada aqui”. Carteiro ou não, Maluf teve que usar uniforme logo depois, quando foi preso junto a seu filho. Foi solto 40 dias depois e, em seguida, eleito por São Paulo o deputado mais votado do país. Nas últimas eleições, foi reeleito mas teve a candidatura indeferida pela Lei da Ficha Limpa. Com recurso, em dezembro, assumiu. Até hoje, Maluf não pode deixar o país porque está na lista de criminosos procurados pela Interpol

Sou agricultor. É dinheiro da venda de verduras José Adalberto Vieira da Silva (2005)
Assessor do PT, José Adalberto Vieira da Silva é o famoso homem dos dólares na cueca. Em 2005, ele foi preso no aeroporto de Congonhas com 200 mil reais em uma mala e 100 mil dólares dentro da sua roupa de baixo. Assessor do irmão de José Genoino, então presidente do PT, ele disse que o dinheiro havia sido conseguido vendendo verduras para um armazém em São Paulo. Haja verdura

“Eu não sei o que é ato secreto. Aqui ninguém sabe” José Sarney (2009)
O imortal da Academia Brasileira de Letras e da política nacional fez-se de desentendido quando foi descoberto que, entre 1995 e 2009, o Senado aprovava medidas administrativas sem qualquer conhecimento público. Uma série de nomeações e benefícios que só quem recebia ficava sabendo. Na farra, empregaram parentes, distribuíram salários de até 15 mil e pagavam planos dentários para aliados. Sarney era um dos que fazia isso: primeiro, negou. Depois, admitiu e conseguiu se safar

“O painel eletrônico do Senado é inviolável” Antônio Carlos Magalhães (2000)
Há quem o considere o “papa” das maracutaias, e com razão. Chamado pelos inimigos de Toninho Malvadeza, ACM queria saber quem votaria a favor da cassação de um aliado seu, o senador Luís Estêvão. Este seria cassado por quebra de decoro após investigações comprovarem seu envolvimento no escândalo da construção do Tribunal Regional do Trabalho de SP. ACM, com a ajuda de José Roberto Arruda, deu um jeito de violar o painel do Senado. Conseguiu e foi descoberto. Depois negou. Acabou tendo que renunciar, junto a Arruda, para evitar as punições. Em 2002, foi eleito senador pela última vez. Morreria em 2007, com a denúncia já arquivada

“Nunca estive neste estabelecimento” Pedro Novais (2010)
Haja Viagra! No primeiro ano de governo Dilma, seu ministro do Turismo, o octagenário deputado federal Pedro Novais, pagou por uma festinha em um motel de São Luis (MA) e levou a nota fiscal para ser ressarcido pela Câmara. Descoberto, negou ter posto os pés no tal motel. Além da pajelança na casa de pecado, ele também foi acusado de pagar a empregada e o motorista com dinheiro público. Durou mais um ano até renunciar ao cargo, mas só quando denúncias de um esquema de corrupção no ministério explodiram na mídia.