Por curiosidade, eis o número de acessos do Toma Mais Uma (ou
Duas) por país durante a semana:
Brasil 1124
Estados Unidos 257
Rússia 94
Ucrânia 59
Bélgica 45
França 23
Portugal 19
Alemanha 9
Canadá 4
Holanda 4
Já no Toma Mais Uma antigo, que fui obrigado a fechar por
causa de uma barbeiragem minha aliada à boçalidade do Google que não me
permitiu corrigir o problema, a frequência por país foi a seguinte:
Brasil 256.370
Estados Unidos 32.386
Portugal 14.247
Bélgica 6.272
Alemanha 5.616
Rússia 4.510
França 1.708
Polônia 801
Holanda 744
Reino Unido 450
As presenças da Rússia e da Ucrânia, muito bem vindas, são
uma surpresa para mim.
“Lojinha do PT-SP: bandeiras oficiais com 10% de desconto”.
Mensagem publicada no Twitter do PT de São Paulo nesta
quinta-feira, informando que os companheiros sobreviventes da Retirada da
Paulista poderiam substituir as bandeiras rasgadas ou abandonadas no local do
vexame por outras 10% mais baratas.
Um vídeo postado no YouTube mostra o impressionante flagrante da vaia à presidenta Dilma Rousseff logo após seu pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, sexta-feira. A gravação foi realizada no bairro da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e mostra as pessoas vaiando Dilma, xingando-a a plenos pulmões de suas próprias casas, além de piscarem as luzes das varandas de inúmeros apartamentos. O vídeo foi postado por Fabio Ramalho.
“Abajo
y a la izquierda está el corazón”. A frase do subcomandante Marcos, do
Exército Zapatista de Libertação Nacional, do México, embala o discurso do
Movimento do Passe Livre (MPL), que deu início às manifestações pelo país,
forçando a queda no preço das tarifas de transporte público. “Abaixo” estão os
grupos marginalizados e as minorias, que o MPL chama de “os de baixo”. E “à
esquerda”, o discurso anticapitalista. Formado por universitários da USP e
trabalhadores da periferia, o movimento se intitula anticapitalista,
apartidário, pacífico, autônomo e horizontal.
Zapatista recebe bandeira de militante o MPL de Brasília no México, em 2007
Alguns dos militantes do MPL, como Luiza Calagian, paulista
de 19 anos, já atravessaram o continente para conhecer as comunidades
zapatistas de Chiapas, que ganharam atenção mundial em 1994, quando os
zapatistas baixaram as armas e passaram a negociar direitos indígenas com o
governo mexicano pacificamente. Viraram exemplo para os novos movimentos
sociais que se organizavam contra os efeitos da globalização.
Como os zapatistas, o MPL se difere dos partidos na forma
horizontal de se organizar, em que tudo é decidido coletivamente. Não existem
cargos nem líderes. Todos falam em nome do movimento. Nas ruas, não têm carro
de som nem comício, para não ditarem o discurso dos “de baixo”.
“Marcos é um gay em São Francisco, um negro na África do Sul,
um asiático na Europa, um chicano em San Isidro, um anarquista na Espanha...”.
Nos anos 90, o subcomandante Marcos, o intelectual da Universidade Autônoma do
México que se embrenhou pela selva de Chiapas para lutar com os indígenas,
tornou-se quase uma lenda. Questionados sobre quem seria o subcomandante -
“sub” porque o comandante são os índios, os zapatistas, que cobrem o rosto com
máscaras -, respondem: “Todos somos Marcos”. No Brasil, o MPL tenta seguir por
uma linha semelhante:
“Podemos ser qualquer um de vocês”. Mayara Vivian, 23 anos, representante do movimento
“Quando se grita ‘sem partido’, nós vemos aí um grande
pedido. E não há democracia sem partido. Não há democracia sem uma forma mínima
de instituição. Sem partido, no fundo, é ditadura.”
Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da
Presidência da República
Na verdade, ninguém ainda conseguiu digerir essa doideira
que ocorreu no Brasil. É palpite pra lá e pra cá, contra, a favor ou
café-com-leite, sem que ninguém consiga explicar por que e tão de repente os
jovens passaram da pasmaceira à atitude quase que guerreira nos protestos. O “resto”
do Brasil aproveitou as “manifestações pelo vintém” dos babaquaras do MPL a
serviço do PT e, num piscar de olhos, botou mais de milhão nas ruas. Alguém
explica?
Mas tudo bem, cada um tem um palpite e, enquanto todos fiquem
restritos à especulação sobre os motivos, nada a declarar. O problema é que uma
boa parte dos “analistas” arvoraram-se em críticos do apartidarismo - ou antipartidarismo,
tanto faz - da esmagadora maioria das manifestações. Ontem mesmo, o Globo, em
seu editorial, concordou com o salafrário Gilberto Carvalho, que disse que
apartidarismo é ditadura, mas este não conta, está apavorado com a ideia de o
PT ter perdido o monopólio de botar gente na rua para protestar, com um detalhe:
ao contrário da claque paga pelos petralhas, esse povo das manifestações dos
últimos dias saiu por livre e espontânea vontade.
Agora me digam se faz sentido que gente decente e com
propósitos - difusos, por certo, mas propósitos - se submeta às lideranças
partidárias de um PT ou PMDB, por exemplo, que juntos compõem a maior quadrilha
que se tem notícia? Ou de um PSDB, a terceira força, a que deveria ser
oposição, mas que há mais de dez anos só faz dizer amém ao que o governo faz?
Que me expliquem também como chegaram a essa conclusão
absurda, porque até onde eu saiba, toda e qualquer ditadura tem um comando, um
líder ligado a um partido. Até mesmo as militares, onde as Forças Armadas
passam a desempenhar essa função, ainda que travestidas.
P.S.: Revolta do Vintém foi um protesto ocorrido entre 28 de
dezembro de 1879 e 4 de janeiro de 1880, nas ruas do Rio de Janeiro, capital do
império brasileiro, contra a cobrança de vinte réis, ou seja, um vintém, nas
passagens dos bondes, instituída pelo ministro da fazenda, Afonso Celso de
Assis Figueiredo, futuro Visconde de Ouro Preto. Aos gritos de "Fora o
vintém" a população espancou os condutores, esfaqueou os burros, virou os
bondes e arrancou os trilhos ao longo da Rua Uruguaiana.
Desde o começo dessa onda de manifestações mantive meu pé
atrás com relação a esse tal de Movimento Passe Livre, como pode ser comprovado
em comentários anteriores.
Ontem pela manhã, em uma entrevista, o rapazinho boca-murcha
e barbudinho que me parece ser o chefe MPL, Lucas Monteiro, anunciou a
suspensão, por tempo indeterminado, de novos atos na cidade de São Paulo. No anúncio
de interrupção dos atos, decidido anteontem, depois que grupos “antipartido”
hostilizaram manifestantes com bandeiras do PT, PSTU e PSOL durante um ato que
serviria de “comemoração” pela redução da tarifa de transporte na capital, o MPL
afirmou que um dos motivos para a decisão foi a suposta “infiltração” de “grupos
conservadores” nas manifestações.
Já hoje, leio na Folha que no final da noite, Caio Martins, um
dos integrantes do MPL disse: “Todo mundo publicou uma coisa num tom que não é
isso. Você acha que vamos parar de fazer lutas? Não vamos. Protesto não é todo
dia. Não temos data, mas uma hora vai acontecer. Acabamos de vencer, vamos
vencer mais. Agora temos que formular o que vamos exigir”. Essa nova “diretriz”
foi dada depois que os partidos de esquerda fizeram uma reunião, na noite de
ontem, para discutir a necessidade de apoio a novos atos que forem programados.
Então tá. Como a coisa já ia se colorindo de vermelho, fui
buscar mais e li que Rafael Siqueira, professor de música e ativista do MPL, disse
que “grupos conservadores se infiltraram nas manifestações e defenderam, ontem,
propostas que não nos representam, como a redução da maioridade penal.”
E mais: “Mesmo que sejamos contra a política de transporte
duma prefeitura do PT, achamos que o PT deve ter total garantia de participar
das manifestações públicas. É inconcebível essa onda oportunista da direita de
tomar os atos para si”.
Portanto, fica patente que esse MPL é um movimento partidário
e político de esquerda, mas, em compensação, eles deram um baita tiro no pé, já
que as manifestações tomaram um rumo diverso do que eles imaginaram,
aglutinando dezenas de vezes mais gente a protestar contra a péssima situação
do país em geral, cuja culpada, em última análise, é a a sua queridinha Dilma
Rousseff. Agora, todos os membros do MPL estão com cara de paisagem, sem saber
o que fazer.
Não resisti a essa piada escrita por Marcos Coimbra, dono do
Vox populi, vox moluscus e comento:
O Brasil está à beira do abismo
Ainda que os cidadãos normais tenham dificuldade de entender
quem diz isso, os genuínos idiotas da direita estão convencidos: vivemos o caos
e estamos a caminho do buraco. Há exemplo mais patético que a “inflação do
tomate”?
Quando é conveniente, o crápula interpreta tudo ao pé da
letra: tudo aumentou barbaridades e ele fala do tomate. Mas não é só de
inflação que vive o abismo. O abismo também vive de imoralidade, de falta de
vergonha, de falta de política econômica, de péssima política externa, das
faltas de saúde, de educação, segurança e justiça e de imbecis como Marcos
Coimbra, cegos por conveniência, e protegidos que são do sistema vigente.
O Bolsa Família é esmola usada para manipular os pobres
Marca distintiva desses idiotas, a ideia mistura velharias,
como a noção de que os pobres são constitutivamente preguiçosos, com a pura
inveja de ter sido Lula o criador do programa. No fundo, o conservador despreza
os mais humildes.
Que me conste, a bolsa família é criação de FHC, tanto que
Lula foi o primeiro a criticá-la.
O Brasil tem um governo inchado
Mundo afora, depois de a crise internacional sepultar a tese
de que Estado bom é Estado mínimo, ninguém mais tem coragem de revivê-la. A não
ser no Brasil. Fernando Henrique Cardoso deixou 34 ministérios quando saiu do
governo. Esse seria o tamanho ótimo? Cinco a mais se constitui uma catástrofe?
O rapazinho se faz de desentendido. Primeiro que o inchaço
não está só na quantidade de Ministérios e sim nas centenas de milhares de
apaniguados do PT que foram nomeados pelo governo e, depois, quem disse que os
34 Ministérios de FHC seria um “tamanho ótimo” a não ser o próprio Marcos
Coimbra?
O Brasil tem municípios demais
Exemplo de idiotice conjuntural, é prima da anterior. Que
sentido haveria em considerar imutável a organização administrativa de um país
em que a população se movimenta pelo território, fixando-se em novas regiões?
Exemplo de imbecilidade conjuntural, é irmã da anterior. O
problema não é a quantidade de municípios e sim as despesas que ela gera.
O Judiciário é nosso deus e Joaquim Barbosa, nosso pastor
Como seus parentes no resto do mundo, os conservadores
brasileiros desconfiam da política e têm ojeriza a políticos. Quem mais senão o
presidente do Supremo Tribunal Federal encarnaria os “anseios da sociedade
contra os políticos corruptos”? Transformado em ferrabrás dos petistas, Barbosa
virou herói da direita.
Desta vez Marcos está certo: “os conservadores brasileiros
desconfiam da política e têm ojeriza a políticos”, sim. Têm ojeriza a pelo menos 80% dos
políticos brasileiros: os do PT e do resto que se vendeu e perfaz os 80% de
apoio que o governo tem no Congresso.
O “mensalão” foi o maior escândalo de nossa história
Conversa para boi dormir entre os conhecedores da política
brasileira, o “mensalão” não passa de um exemplo do modo como as campanhas
eleitorais são financiadas. Só os desinformados acreditam ser ele um caso
excepcional.
Ã-hã... Ça va
sans dire. Nous sommes mal informés...
A liberdade de imprensa está ameaçada
Na vida real, ninguém leva isso a sério. Volta e meia, a
ideia é, no entanto, usada pela imprensa conservadora para defender os
interesses de um pequeno grupo de corporações de mídia. De carona, alguns
políticos da oposição a endossam para preservar as relações privilegiadas que
mantêm com os proprietários dos meios de comunicação.
Tem razão também. Ninguém pode levar Franklin Martins a
sério. Aliás, quem é mesmo o maior anunciante da Globo? Dou uma dica: não são “alguns
políticos da oposição”...
Dilma antecipou a eleição
Desde ao menos o início do ano, a oposição de direita
repete, em tom queixoso, o mantra. O que imaginava? Que uma presidenta tão bem
avaliada não fosse candidata? Que fingisse não sê-lo? Qualquer idiota sabe que
os governantes pensam na reeleição. Assim que tomam posse, entram no páreo.
Quem entra no páreo mas “queima” a largada tem que ser
punido.
O Brasil virou as costas para seus parceiros internacionais
e se aliou aos radicais
A fantasia desconhece a realidade da política externa e o
modo como funciona a diplomacia brasileira. É montada em duas etapas: primeiro,
desconstrói-se a imagem de um país ou liderança. Depois, afirma-se que o
governo a apoia. De qual país o Brasil se afastou, de fato, nos últimos anos?
Primeiro que eu não entendi, depois, a realidade da política
externa do Brasil hoje é perdoar dívidas de países africanos governados por
déspotas, financiar portos em Havana e estradas para o escoamento da coca
boliviana. Para falar só de América do Sul, que tal Evo Morales, o índio de
araque, nos tomar a Petrobras, incentivado por Hugo Chávez, que o Brasil tratava
como um democrata irretocável? Que tal promover a entrada da Venezuela no
Mercosul? Que tal a Argentina nos impor barreiras comerciais à vontade? Que tal
o Paraguai rasgar o contrato de Itaipu? Que tal o Equador e a Bolívia sequestrarem
brasileiros e ninguém tomar providências?
O Brasil moderno está na oposição, o arcaico é governo
Trata-se de um erro factual, somado a muita pretensão. Ao
contrário, como mostram as pesquisas, o governo é mais bem avaliado (e Dilma
tem mais votos) entre, por exemplo, jovens e aqueles conectados à internet que
na média da população. A oposição possui, é claro, sua base na sociedade. Em
nada, no entanto, esta é “melhor” que aquela apoiadora do governo.
Então tá, né? Esse pessoal que está nas ruas é só sacanagem,
invenção da mídia conservadora e golpista...
Sinceramente eu não entendo o tal do History Channel. Com
tanto acervo, tanta matéria interessante para programar, ele insiste à exaustão
no tema dos alienígenas, ETs, discos voadores, deuses astronautas e babaquices
no gênero.
São miríades de documentários repetitivos e repetidos à
exaustão que apresentam pencas de malucos jurando por deus que outras pencas de
doidos falam a verdade quando dizem que viram OVNIs ou que foram abduzidos.
Isso quando não apelam para a distorção da História na série “Alienígenas do
Passado”, atribuindo a construção da pirâmides do Egito e de Stonehenge, só
para citar alguns, a extraterrestres. Desenhos maias, egípcios e astecas de
criaturas estranhas também viraram a representação de “deuses” que vieram do
espaço.
Ontem, em um desses programas, eu assisti ao cúmulo da
estupidez: “Destino Orion”, cuja chamada no site diz que “muitas civilizações
antigas estavam obcecadas com a constelação de Orion. Seria porque os
extraterrestres a utilizavam como um portal estelar, o ‘Stargate’, para entrar
no nosso mundo? Neste programa, cientistas e especialistas compartilham suas
teorias sobre este gigante celestial.”
É o seguinte: os luminares do tipo Giorgio Tsoukalos (foto)
simplesmente querem nos fazer crer que uma tribo indígena norte-americana
recebeu a visita de habitantes que se identificaram como sendo originários da
constelação de Orion e que os sete povoados dos índios em questão, cuja
situação geográfica assemelha-se à disposição das sete estrelas da constelação
entre si, foram construídos por orientação extraterrestre.
Ora, não é novidade para ninguém que todas as constelações celestes
são apenas fruto da imaginação humana que agrupava as estrelas de acordo com
suas aparentes proximidades entre si e magnitude (brilho aparente) e as “batizava”
de acordo com suas crenças ou mitologias, nada tendo a ver com sua real posição
no universo (Órion, Osíris, Gilgamesh, Ymir, Tsan e Zilikawai são os vários
nomes da mesma constelação dados por povos diferentes). Tanto que as estrelas
de Orion têm as mais variadas distâncias da Terra, a saber:
Betelgeuse (Alfa): 427 anos-luz;
Rigel (Beta): 773 anos-luz;
Bellatrix (Gama): 250 anos-luz;
Saiph (Kappa): 650 anos-luz;
Mintaka (Delta): 900 anos-luz;
Alnilan (Epsilon): 1340 anos-luz;
Alnitak (Zeta): 800 anos-luz.
Como dá para perceber, a grosso modo, se considerarmos o
universo plano (o que encurta as distâncias) as estrelas de Orion mais próximas
entre si são Mintaka e Anitak, uma a 100 anos-luz da outra!, sendo que a mais
distante da Terra, Alnilan, dista mais de cinco vezes de nós do que a mais próxima,
Bellatrix! Portanto, não faz nenhum sentido que um ET venha até nós dizendo-se
oriundo de Orion, que é um ajuntamento de estrelas só na imaginação os povos antigos,
não representando, de forma alguma um sistema nem uma localização
astronomicamente correta.
Como, aliás, não faz
sentido que nenhum ET venha até nós de uma maneira geral. Basta olhar para as
fuças do seu Giorgio Tsoukalos para perceber que os ETs são embustes que vêm da
Terra mesmo: ele é um dos seus representantes.
A culpa por esse caos que se instaurou nas ruas de todo país
tem que ser creditada principalmente ao PSDB (Partido Só De Bananas), principal
força de oposição ao governo, que não é força e nem faz oposição nenhuma!
O resultado é as pessoas que têm alguma reivindicação - e
são muitas pessoas e muitas reivindicações - não têm outro caminho a não ser
protestar por si mesmas, já que quem tem as procurações para representá-las, os
votos que receberam, não tem a decência e nem a coragem de cumprir seu papel.
Uma oposição que não faz outra coisa a não ser discursinhos pífios, sem nenhuma
ação, agora tem mais é que se recolher à sua insignificância. Agora não adianta
mais chiar e, caso o PSDB resolva, por sua covardia, pegar carona na voz das
ruas - coisa bem provável de acontecer -, vai ser rechaçado como o foram todos
os outros que tentaram, como um PSTU qualquer.
O que os “donos” do Observador Político fizeram é
emblemático e retrata bem essa covardia.
É muito difícil encontrar alguém muito inteligente em todos
os sentidos. São raríssimos e não me ocorre ninguém para citar agora. Parece que a tal da "inteligência emocional" não se faz presente em nenhum deles.
Tive o privilégio de ser amigo de um gênio dos grandes:
Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, um fenômeno do xadrez que sucumbiu
vítima de sua total incapacidade para lidar com as coisas mais simples da vida,
apesar de falar sete idiomas, ter uma memória (geral) incomparável e ser capaz
de bater qualquer um em um tabuleiro de xadrez.
Além de amigo, fui seu assessor informal durante algum
tempo, chegando até a dar algumas entrevistas em seu lugar pela absoluta falta
de “saco” de Mequinho para esse tipo de coisa. Ele me pedia e se justificava
com o entrevistador: “o Ricardo sabe mais da minha vida que eu mesmo”.
Certamente eu não sabia, mas sabia o justo para responder as perguntas
previsíveis dos jornalistas, mesmo dos - raros - que entendiam um pouco de xadrez.
Conhecemo-nos em um torneio carioca de xadrez universitário
em que me inscrevi e Mequinho compareceu para “prestigiar”. Foi gozado. Por uma
coincidências chata, fui emparceirado na primeira rodada justamente com o cara
com quem eu treinava xadrez diariamente, o Zé Luiz. Combinamos então empatar a
partida após uns 15 movimentos e jogamos despretensiosamente e rápido. Fomos o
primeiro tabuleiro a terminar o jogo. Então Mequinho se aproximou e falou com o
Zé: “como é que você aceita empate com o jogo ganho?”. Explicamos então que foi
um jogo pró-forma, combinado. Após a bronca - ele, talvez com razão, achou isso
errado - ficamos conversando e ele “se convidou” para participar da nossa
turma. E apareceu.
Mequinho vivia xadrez, mas tinha muita “inveja” - inveja
entre aspas e no bom sentido - de uma vida “normal” de um garoto de 18 anos
como a minha. Suas obrigações e obsessões enxadrísticas não lhe deixavam tempo
para isso. Frequentava minha casa e, mesmo quando eu não estava lá, ele
aparecia para conversar com meus pais ou, por exemplo, perguntar à minha mãe se
a barba dele estava bem feita, as orelhas e o nariz limpos, antes de aparecer
em programas de TV. Até minha namorada entrou na dança: ele se apaixonou por
ela, platonicamente.
Mequinho era um fenômeno. Despontou cedo para o xadrez, que
aprendeu de ficar olhando seu pai e o prefeito de Pelotas, onde nasceu, jogarem
e aos cinco anos já era capaz de ganhar os dois. Em uma terra onde o jogo
(chamar xadrez de esporte é sacanagem) não representava nada, que não tinha um
jogador sequer de nível internacional, um sujeito chegar a ser apontado como o
único capaz de ganhar de Robert Fisher, o imbatível e louco campeão mundial, é
muita coisa.
Aos 12 anos foi campeão gaúcho, aos 13, brasileiro, aos 15
sul-americano e Mestre Internacional e aos 20 obteve o título de Grande Mestre
Internacional. Mas o começo foi difícil. Quando começou a carreira internacional,
nem a Federação Brasileira e nem o governo o ajudavam. Não tinha dinheiro para
contratar um analista para treinar ou estudar suas partidas adiadas durante os
torneios, tendo que, várias vezes, passar as noites acordado, ele mesmo
analisando como seguir os jogos. Alie-se a isso, a companhia nada agradável do
seu pai nas viagens, que só fazia atrapalhar. Em um torneio na Holanda em 1967,
se não me engano, assim que Mequinho deitou seu rei, reconhecendo a vitória do
seu adversário, seu pai levantou-se, foi até o tabuleiro e tascou-lhe um puxão
de orelha!
Fatos como esse fizeram Mequinho fazer suas malas e sair de
casa. Veio para o Rio com a cara e a coragem e, por força da sua fama já
consolidada, conseguiu logo um contrato com o Flamengo e depois um “emprego”
dado por Médici, além de ter suas viagens e analistas também bancados pelo
governo. Comprou um fusca e, com os prêmios que ganhava, acabou comprando um
apartamento de dois quartos em Ipanema. Sua vida, então, enfim estava
organizada, mas sua cabeça não. Padecia de uma enorme carência afetiva que,
tenho certeza, não era nova e nem pela sua vida monástica no Rio: ela veio de
Pelotas, em função de uma família meio estranha que não se limitava aos puxões
de orelha públicos do seu pai. Seu avô, de quem não guardava lembranças nada
agradáveis, castigava suas travessuras de criança enterrando-o até o pescoço -
pelo menos foi isso que ele me contou.
Não sei precisar bem o ano, mas por volta de 1975 ou 76,
resolveu ir contra os meus conselhos e entregar suas economias a um argentino
que lhe fora indicado como um mago das finanças que cuidava dos investimentos
de vários artistas e jogadores de futebol. O resultado foi catastrófico: depois
de algum tempo, o sujeito sumiu com tudo que ele, os artistas e os jogadores de
futebol tinham. Mequinho teve até que vender o apartamento no Leblon para o
qual se mudara recentemente, por não ter mais como pagá-lo.
Daí para a pane de crânio total foi um pulo. Com o sistema
nervoso - que já não era grande coisa - abalado, foi definhando física e
mentalmente, passando a abandonar e até desistir de participar de torneios, mas
foi quando algum “luminar” da medicina diagnosticou que ele tinha miastenia
gravis que foi tudo pro brejo. Era evidente que seu mal era puramente
psicológico, mas Mequinho precisava de uma desculpa que não denunciasse a sua
fraqueza emocional e resolveu “adotar” a miastenia como fosse uma explicação
mais nobre sobre seu estado.
Aqui cabe um parêntesis. A miastenia gravis é uma
deficiência na transmissão dos impulsos nervosos que provoca o enfraquecimento
dos músculos e até hoje não se conhece o que a provoca. A miastenia gravis não
tem cura. Tive um amigo com a doença e sei muito bem da sua irreversibilidade,
tanto que de nada adiantou a montoeira de dinheiro gasto por ele na busca de
uma cura ou mesmo de um paliativo: ele definhou até morrer. Parece que hoje há
alguns medicamentos que ajudam a suportá-la, mas não impedem a sua progressão.
Posto isto, Mequinho, de cama e em desespero, recebe romarias
de religiosos que através de passes, rezas e outras mazelas lhes prometem uma “cura
milagrosa” - é impressionante o oportunismo dessa gente -, entre eles, um grupo
da Renovação Carismática da Igreja Católica que, não sei por que cargas d’água,
entre as tantas visitas caiu no goto de Mequinho. Escolhido o “caminho” por ele,
deu-se o “milagre da cura”, e ficou mais claro ainda que a única coisa que ele
precisava era se sentir seguro, mesmo que amparado. E foi assim que a tal
miastenia que nunca existiu, sumiu da sua cabeça, dando lugar à religião católica,
que abraçou a ponto de se formar em teologia, filosofia e tentar ser padre, o
que lhe foi negado pela igreja, sabe-se lá por quê.
A igreja se recusou a ganhar um padre, mas o xadrez perdeu
um gênio, que depois dessa dedicação toda à religião, não é nem sombra do que
foi.
Talvez meu julgamento pareça cruel, negando até mesmo um
suposto diagnóstico médico, mas para mim é mais que claro que seu único mal é a
sua cabeça.
Continuo rolando de rir com Reinaldo Azevedo insistindo que essa
movimentação toda não passa de um movimento orquestrado pelo PT. Para tal, ele
faz tantos exercícios de retórica, mas tantos, que deve estar extenuado, a se
considerar que ele agora se limita a criticar os vândalos - parte numericamente
insignificante de todo o processo - para tentar fazer com que suas críticas
façam um mínimo de sentido, e isso é profundamente desonesto, além de ser uma
das coisas pelas quais Reinaldo sempre se bateu contra, ou seja, tomar uma
parte como o todo, desde que os protagonistas sejam seus “inimigos”, é claro.
Hoje, Reinaldo em seu blog, jacta-se de ter tido 300 mil
visitas ontem, só que ele não diz quantos comentários censurou, já que ele tem
esse péssimo hábito que eu já denunciei aqui várias vezes: discordou do “tio
Rei” - como o trata seu séquito de baba-ovos - é lixo. Uma vírgula em um lugar
que ele não concorde é motivo para censura. Eu mesmo já tentei comentar no blog
várias vezes e pude constatar que uma discordância com suas ideias, por mais
banal que seja, não será publicada. Assim é fácil gabar-se por 300 mil visitas.
Para tal, bastaria eu dizer que Jesus Cristo é um grande filho da puta, esperar
o resultado e computar como visitas quem me desancou.
Não nego que Reinaldo
tenha lá seu valor quando usa exclusivamente a sua inteligência, mas se depender
de caráter, a coisa fica feia para ele.
Marco Antonio Villa: Passe Livre e as manifestações
1. este movimento tem características que, sinceramente, não
encontro paralelo no que li e estudei;
2. sendo assim, avaliações e perspectivas são traçadas ao
calor da hora e modificadas dependendo do que acontece. Isto pode parecer óbvio
mas não é;
3. conversei com muita gente. A ampla maioria é favorável
aos manifestantes;
4. os atos de vandalismo não representam o que pensa (e
exprime) a maioria dos manifestantes;
5. há um claro sentimento de exaustão, de saco cheio com
tudo o que está ocorrendo;
6. a liderança não lidera nada, o que é ótimo;
7. vi relatos de pessoas – que, sinceramente nunca imaginaria
que iriam a um ato, por mais banal que fosse – que foram satisfeitíssimas às
passeatas;
8. temos não algo novo mas uma manifestação nova, uma forma
de se manifestar que não segue os padrões clássicos;
9. os partidos tradicionais não dão conta da complexidade da
moderna sociedade brasileira. Na verdade, ninguém dos políticos tradicionais
consegue sequer entender o que está acontecendo (queria ver um deles – qualquer
um – no meio dos manifestantes);
10. pode ser que o movimento acabe como surgiu. Na verdade,
não é um movimento. É um ajuntamento de pessoas que querem dizer que não
aguentam mais;
11. o PT perdeu quando quis usar o movimento;
12. o que estamos vendo é uma maioria irritada com tudo
(corrupção, mensalão, gastos com a Copa, etc, etc) e uns grupelhos oportunistas
ultra esquerdistas que querem tirar algum proveito do que está ocorrendo;
13. o que vai acontecer amanhã? Não tenho a mínima ideia.
Mas o Brasil, hoje, é melhor do que era antes das manifestações.
“Essa juventude está contaminada pelo discurso plantado de
modo sistemático e recorrente pela Rede Globo, segundo o qual, vivemos no pior
país do mundo, mal administrado, precário, aquele onde a corrupção sobrevive,
já tendo sido exterminada em todas as outras paragens do planeta.”
Chico Cavalcante, o mesmo petralha que defende a “tese” que
só bêbados vão a estádios de futebol.
“O problema, para a mídia, especialmente a Globo, é que ela
é alvo das manifestações. E pior, a Copa é sua principal fonte de receita.
O mais grave foi a retirada ontem de propósito da Polícia
Militar da cidade de São Paulo e a depredação da sede da Prefeitura e os saques
na avenida Paulista e em outros locais da cidade por grupos organizados, que
podem ser identificados pelas autoridades.
E mais grave ainda foram as TVs Record e Globo, sem nenhum
pudor, depois de exigir repressão e desqualificar os protestos, de tentar virar
e se apoderar os movimentos e transformá-los em atos políticos contra o
governo.”
Zé Dirceu, quase
ininteligível, inventando o “mais grave” e o “mais grave ainda”.
“A vaia que Dilma tomou em estádio de futebol
apenas serve para provar uma antiga tese que defendo: políticos não devem
comparecer a eventos esportivos, onde a ingestão de bebida alcoólica antecede
as partidas e entorpece a razão.”
Chico Cavalcante, pelo visto um petralha empedernido, defendendo sua "tese" brilhante que no estádio Mané Garrincha haviam 70 mil bêbados. P.S.: E um presidente da República bêbado, pode?
Leio que hoje estão programadas manifestações em 70
municípios do Brasil e que São Paulo, mais uma vez está nessa. Mesmo abstraindo
o vandalismo inerente a essas manifestações e considerando só os anjinhos que
protestam pacificamente, o simples fato do incômodo que tudo isso causa à
população é enorme. Ninguém aguenta ter o seu direito de ir e vir sendo violado
todos os dias. O feitiço acaba virando contra o feiticeiro e essa garotada vai
acabar sendo demonizada até pelos que a princípio os apoiaram.
Além disso, esse pessoal “do bem” tem que se conscientizar também
que não há como controlar o pessoal “do mal” que se agrega às manifestações.
Por essas e outras, já está na hora de voltar para a sala de
aula e repensar modos menos invasivos de protesto, se é que todos querem mesmo
continuar a protestar. Se é que isso é algo mais do que um simples arroubo
adolescente, então provem, sejam criativos e, acima de tudo, provem que, orientando
seus objetivos de maneira a serem relevantes, isso tudo é algo mais que
manifestações difusas de rebeldia sem causa.
Outra coisa: li e soube por várias fontes que rola pela
internet um abaixo-assinado pedindo o impeachment de Dilma. Por mais que eu
seja contra esse governo petralha - e não há ninguém mais contra que eu -, não
dá nem para pensar nisso, principalmente porque Dilma tem apoio de 80% do
Congresso. Depois, ela foi eleita em um pleito legítimo - apesar de não muito
honesto pela campanha, reconheço. Em terceiro lugar, democracia não é uma brincadeira
onde o sujeito pode errar e logo depois tentar corrigir seu próprio erro
cometendo um maior. Quem votou em Dilma, passou-lhe uma procuração com quatro
anos de validade, sendo que até agora, a rigor, ela não cometeu nenhum crime ou
ato ilícito que justifique o cancelamento dessa procuração. Os erros de Dilma são
ser completamente imbecil, incompetente, inepta, inábil, enfim, totalmente
incompatível com o cargo que ela ocupa, mas isso não é crime. Crime é se querer
tirá-la de onde está depois de ter votado nela.
Portanto, o mais importante que se tira desse charivari todo
é que o povo, de uma maneira geral, precisa aprender a escolher seus candidatos
e não fazer do seu voto um instrumento de troca, usá-lo em por causa de um
arroubo de empolgação ou achar que ele vale pouco e não se acostumar com essa
história de pedir impeachment à toda hora.
Democracia não é brincadeira. Apesar de passar a noção de
muita liberdade ela tem regras claras que passam principalmente pela
conscientização política. Se essas regras não forem obedecidas, a vítima acaba
sendo exatamente quem as transgrediu.
Acabou o recreio, moçada! Vamos “estudar” democracia para
não errar mais!
Em nenhum protesto no mundo democrático, os profissionais de
imprensa são obrigados a retirar os cubos que identificam seus microfones e a
cobrir os logotipos nas câmeras para não serem identificados. Na cobertura da
invasão da ALERJ, no Rio, o repórter da Globo News teve que filmar com o
próprio celular, tendo em vista a insegurança para o trabalho da imprensa. Como
eu disse anteriormente, quem estava lá era o pessoal do PSTU!
Em Sampa, manifestantes
insuflados pelo PT na internet, pela velha turma que odeia a imprensa livre,
associados à TV Record, onde Paulo Henrique Amorim é âncora, avançaram contra a
sede da TV Globo. A cada vez que um repórter da Globo entrava ao vivo,
manifestantes estrategicamente colocados gritavam palavras de ordem contra a
emissora. O fato gerou um mini-editorial lido em plena edição do Jornal Nacional.
Passei a noite coçando a cabeça, tentando entender alguma
coisa do que aconteceu ontem, quando pelo menos 240 mil pessoas saíram às ruas
para protestar, e a única coisa que eu acho que entendi foi que, apesar da
coincidência de data e hora, a manifestação em São Paulo foi a única no Brasil
que se manteve fiel ao seu propósito, que seja de protestar contra os
famigerados 20 centavos de aumento nas passagens, insuflada que foi pela
militância do PT, partido que há décadas tenta, sem sucesso, tirar o PSDB do
governo do estado. O alvo claro é a desestabilização de Alkmin, tanto que o PT
fretou ônibus para trazer a militância (provavelmente paga) do interior do
estado.
Rio
Já no Rio, a coisa foi diferente. Os mauricinhos e
patricinhas entediados deram lugar a uma adolescência bem mais ordeira e
(parece que) consciente que esqueceu os 20 centavos e protestou contra a
corrupção de um modo geral, e contra esse estado de calamidade que se encontra
o país, tanto que uma das “palavras de ordem” repetidas em coro pela moçada
faziam menção a um protesto sem partidos políticos. Talvez não fossem todos,
mas a maioria esmagadora não tinha partido mesmo, tanto que as bandeiras dos
famigerados e onipresentes em badernas PSTU e PSOL não foram vistas, a não ser
quando um grupo de marginais destruiu o Palácio Tiradentes, onde fica a
Assembleia Legislativa do Rio, em um lamentável episódio de vandalismo,
isolado, que destoou do resto da manifestação, tanto que, dos cem mil
presentes, foram calculados em apenas 600 os protagonistas da barbárie.
Palácio Tiradentes
Não, eu não fiquei nem um pouco surpreso com a destruição do
Palácio Tiradentes e do seu entorno - a igreja São José foi toda pichada. Quando
eu vi direto pela TV algumas bandeiras e faixas do PSTU - até então sumidas -
nas imediações do palácio, tive a certeza que ia sair besteira. Não precisava
ser pitonisa. Tanto essa turma destoava, que durante a transmissão ao vivo, a
repórter informou que estavam ocorrendo vários roubos de celulares e câmeras.
Eram os marginais em ação e, como marginais tinham que ser tratados pela
polícia, que subestimou a corja e demorou a dar reforço aos policiais que
guardavam a Alerj, tanto que 20 deles foram feridos.
Cúpula da Câmara
O que impressionou também foi a manifestação em Brasília, talvez
pela imagem simbólica, onde dez mil garotos e garotas cercaram o Congresso,
subiram as rampas e lotaram o telhado onde ficam as duas cúpulas representando
o Senado e a Câmara. Também me ocorreu o inusitado que é uma cidade habitada
quase que na sua totalidade por funcionários públicos, políticos e suas respectivas
famílias ter sido palco de protesto tão significativo contra o governo.
Tal como no Rio, em Brasília a manifestação parece que também
foi apartidária, tanto que um tal Pedro Henrich, da direção da “Juventude do PT”,
vestido a caráter com uma camiseta do partido, foi se meter a fogueteiro
querendo assumir a negociação com a Polícia Legislativa da Câmara em nome do
grupo e foi expulso à base de vaias e coisas do tipo “você não nos representa, tira
essa camisa”. E saiu de fininho.
Em todo caso, acima de tudo eu estou surpreso principalmente
pelos cem mil no Rio. E não eram exclusivamente gays, nem crentes, nem
maconheiros: tinha de tudo. Uma população que vive em um torpor político
constante, de uma hora para outra mobilizar tanta gente é de se espantar.
Continuo coçando a
cabeça tentando entender isso tudo, mas não posso deixar de rir do desespero do
Reinaldo Azevedo em tentar achar pelos em ovos em vez de assumir que suas
avaliações sobre o movimento estão erradas.
No dia 24 de dezembro de 2009, escrevi, aqui mesmo, o
seguinte, sobre o habeas corpus dado por Gilmar Mendes a Roger Abdelmassih,
então médico, acusado de abusar sexualmente de suas pacientes enquanto estavam
sob efeitos de sedativos:
Será que cabe na cabeça de alguém com um mínimo de razão
aceitar que o presidente do órgão máximo da Justiça no Brasil, o STF, conceda
um habeas corpus a um sujeito em prisão preventiva pela suspeita de ter
estuprado 56 mulheres?
Leiam só as conclusões absurdas de Gilmar Mendes:
a) Sem a demonstração de fatos concretos que, cabalmente,
demonstrem a persistência dos alegados abusos sexuais, em momento posterior à
deflagração do procedimento investigatório, a prisão preventiva revela, na
verdade, mero intento de antecipação de pena, repudiado em nosso ordenamento
jurídico;
Bom, no mínimo, Gilmar Mendes deve querer um vídeo de sexo
explícito, ou coisa que o valha. Se o argumento do juiz fosse sólido o
suficiente, as 56 mulheres que se queixaram teriam que ser indiciadas por falso
testemunho e formação de quadrilha.
b) ao decretar a prisão preventiva, em 17 de agosto de 2009,
o juízo da origem não indicou elementos concretos e individualizados, aptos a
demonstrar a necessidade da prisão cautelar do ora paciente;
“Ora paciente”? De quê?
c) o argumento de que, em liberdade, poderia o paciente
voltar a cometer a mesma espécie de delito em sua atividade profissional
assenta-se em mera especulação, sem mínima base fática que, de forma idônea,
demonstre efetiva reiteração em momento posterior ao início da persecução
penal;
Como é que pode um cidadão nomeado juiz do STF por “notório
saber” dizer que é “mera especulação” o fato de um canalha que estupra um 56
mulheres estuprar outras tantas?
d) a precariedade de tal argumento mostrou-se implicitamente
aceita pelo próprio Ministério Público, o qual, ao requerer o decreto de prisão
preventiva, formulou pedido alternativo ao juízo, pleiteando o simples
afastamento do paciente da atividade médica caso desacolhido o pleito de
encarceramento provisório;
O erro do Ministério Público ao pleitear o pedido
alternativo ao juízo, pleiteando o simples afastamento do paciente da atividade
médica caso desacolhido o pleito de encarceramento provisório não justifica o
erro de quem tem o poder máximo de decidir.
e) o exame dos autos deixa claro que, em 18 de agosto de
2009, o Conselho Regional de Medicina suspendeu o registro profissional do
paciente, afastando a possibilidade de reiteração temida pelo juízo
monocrático, nada mais justificando, assim, a manutenção da custódia
provisória.
Então tá. Roger Abdelmassih está livre, rico e prontinho
para fugir do país, já que nem seu passaporte foi confiscado.
O pior é que tem mais, muito mais. Há suspeitas que
Abdelmassih tenha fecundado um sem número de pacientes com seu próprio sêmen.
Mas isso fica para depois.
Não precisava ser pitonisa: Abdelmassih fugiu no início de
2011 e até o momento se encontra desaparecido, inclusive figurando na lista de
criminosos procurados pela Interpol.
Tentando entender o absurdo sistema eleitoral proporcional, resolvi
simular uma eleição em ritmo de piada, mas a coisa é séria..
Supondo que o estado do Rio de Janeiro tenha tido 1 milhão de
votos válidos para deputado estadual (apenas os votos dados aos candidatos regularmente inscritos e às
legendas partidárias);
Supondo que há 4 vagas a serem preenchidas;
Supondo que há 2 partidos: o MULA (Minorias Unidas na Luta
Ativista) e o BROCHA (Brancos Ricos Ocidentais Capitalistas Heterossexuais e
Associados), com 3 candidatos cada um. Então temos:
Art. 106.
Determina-se o quociente eleitoral dividindo-se o número de votos válidos
apurados pelo de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, desprezada
a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um se superior.
Então 1.000.000 / 4 = 250.000. Esse é o quociente eleitoral.
Art. 107.
Determina-se para cada partido ou coligação o quociente partidário,
dividindo-se pelo quociente eleitoral o número de votos válidos dados sob a
mesma legenda ou coligação de legendas, desprezada a fração.
Supondo ainda que o MULA tenha tido um total de 750.000 mil
votos e o BROCHA 250.000. Então ficam:
Para o MULA: 750.000 / 250.000 = 3 cadeiras
Para o BROCHA: 250.000 / 250.000 = 1 cadeira
Art. 108.
Estarão eleitos tantos candidatos registrados por um partido ou coligação
quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal
que cada um tenha recebido.
Supondo que o resultado da votação nos candidatos, por partido, tenha
sido:
No BROCHA:
Arnaldo Sabor – 85.000 votos
Ferreira Gulloso – 85.000
votos
João Obalde – 80.000 votos Legenda - 0 votos
No MULA:
Chic Buarq – 1 voto
Falsíssimo Veríssimo – 1 voto
José Abriu – 1 voto Legenda - 749.997 votos
Então, teremos eleitos: Ferreira Gulloso, Chic Buarq, Falsíssimo
Veríssimo e José Abriu.
Arnaldo Sabor e João Obalde ficaram de fora com 85 e 80 mil
votos, respectivamente, enquanto entraram os três do MULA com 1 voto cada,
porque os votos na legenda “carregaram” a votação do partido.
Detalhe: Arnaldo Sabor ficou de fora, apesar de ter empatado em
primeiro no BROCHA, porque Ferreira Gulloso é mais velho (Art. 110. Em caso de empate, haver-se-á
por eleito o candidato mais idoso).
Essa é apenas uma das muitas distorções possíveis de serem
causadas pelo nosso Código Eleitoral.
Ontem eu estava fazendo uma "operação resgate" nos principais posts do "Toma Mais Uma" antigo e dei de cara com isto:
Trata-se (ou tratava-se) do post "Sergio Cabral et caterva: manual de péssimas maneiras", onde eu mostrava vídeos (que foram apagados do YouTube) e fotos da farra do Cabral e seu staff de governo em um restaurante em Paris. Era aquele onde tinha gente até com guardanapo amarrado na cabeça.
Não sei de quem veio a censura, mas de qualquer maneira eu não mostrei nada que não tivesse sido veiculado em todo canto na época.
Foram censurados também, só que não tão escancaradamente, mais três posts:
Um em que eu mostrava fotos do filho de Jader Barbalho ("Escárnio em nome do pai") mostrando a língua para os jornalistas depois de participar da posse do pai, o senador Jader Barbalho. Detalhe: o site do estadão ainda mantém essas fotos.
Outro que mostra uma foto de Aécio abraçado com petralhas, cujo título é "Coisas que quem faz oposição faria - Aécio faz".
O terceiro foi uma montagem fotográfica que fiz ("E não é que Papai Noel ficou no Rio") sobre uma piada que diz que o Bom Velhinho, quando chega o Natal, sempre passa aqui na Farme de Amoedo para trocar os viadinhos.
Não recebi nenhum comunicado de ninguém, nada. É muito estranho, mas vindo de políticos e da militância gay, a gente pode esperar tudo.
“Peço a vocês que não deem ouvidos a esses que jogam sempre no
quanto pior, melhor. Críticas, todo mundo tem de ter a humildade de aceitar.
Mas terrorismo, não.”
Dilma ontem, fazendo campanha (ilegal) na favela da Rocinha.
Repito as afirmações do CoroneLeaks sob forma de pergunta:
Criticar um PIB de 0,6% é terrorismo? É terrorismo informar
a maquiagem nas contas públicas, com o superavit primário sendo reduzido à
metade ou a imprensa mostrar que um dólar disparando, devido à perda da
confiança na economia do país, o mesmo acontecendo com os investimentos? Será
que é terrorismo informativo divulgar que o governo bate cabeças em tudo: na
articulação política, na solução de crises como a indígena, na perda de valor
das principais empresas estatais, na péssima gestão da Bolsa Família? E a
inflação em 6,5%, no topo da meta e disparando, também seria terrorismo
informativo?