domingo, 23 de junho de 2013

Estatísticas do blog - статистики блога


Por curiosidade, eis o número de acessos do Toma Mais Uma (ou Duas) por país durante a semana:

Brasil 1124
Estados Unidos 257
Rússia 94
Ucrânia 59
Bélgica 45
França 23
Portugal 19
Alemanha 9
Canadá 4
Holanda 4

Já no Toma Mais Uma antigo, que fui obrigado a fechar por causa de uma barbeiragem minha aliada à boçalidade do Google que não me permitiu corrigir o problema, a frequência por país foi a seguinte:

Brasil 256.370
Estados Unidos 32.386
Portugal 14.247
Bélgica 6.272
Alemanha 5.616
Rússia 4.510
França 1.708
Polônia 801
Holanda 744
Reino Unido 450

As presenças da Rússia e da Ucrânia, muito bem vindas, são uma surpresa para mim.

Chuck Norris assistindo o pronunciamento de Dilma Rousseff


Compre sua bandeira do PT com desconto!

Esse rapaz deve ter morrido envenenado...

“Lojinha do PT-SP: bandeiras oficiais com 10% de desconto”.
Mensagem publicada no Twitter do PT de São Paulo nesta quinta-feira, informando que os companheiros sobreviventes da Retirada da Paulista poderiam substituir as bandeiras rasgadas ou abandonadas no local do vexame por outras 10% mais baratas.

Do Augusto Nunes

A "popularidade" de Dilma após o discurso na TV

Um vídeo postado no YouTube mostra o impressionante flagrante da vaia à presidenta Dilma Rousseff logo após seu pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, sexta-feira. A gravação foi realizada no bairro da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e mostra as pessoas vaiando Dilma, xingando-a a plenos pulmões de suas próprias casas, além de piscarem as luzes das varandas de inúmeros apartamentos. O vídeo foi postado por Fabio Ramalho.

Movimento do Passe Livre e Exército Zapatista de Libertação Nacional, um caso antigo


De O Globo.

“Abajo y a la izquierda está el corazón”. A frase do subcomandante Marcos, do Exército Zapatista de Libertação Nacional, do México, embala o discurso do Movimento do Passe Livre (MPL), que deu início às manifestações pelo país, forçando a queda no preço das tarifas de transporte público. “Abaixo” estão os grupos marginalizados e as minorias, que o MPL chama de “os de baixo”. E “à esquerda”, o discurso anticapitalista. Formado por universitários da USP e trabalhadores da periferia, o movimento se intitula anticapitalista, apartidário, pacífico, autônomo e horizontal.

Zapatista recebe bandeira de militante o MPL de Brasília no México, em 2007
Alguns dos militantes do MPL, como Luiza Calagian, paulista de 19 anos, já atravessaram o continente para conhecer as comunidades zapatistas de Chiapas, que ganharam atenção mundial em 1994, quando os zapatistas baixaram as armas e passaram a negociar direitos indígenas com o governo mexicano pacificamente. Viraram exemplo para os novos movimentos sociais que se organizavam contra os efeitos da globalização.

Como os zapatistas, o MPL se difere dos partidos na forma horizontal de se organizar, em que tudo é decidido coletivamente. Não existem cargos nem líderes. Todos falam em nome do movimento. Nas ruas, não têm carro de som nem comício, para não ditarem o discurso dos “de baixo”.

“Marcos é um gay em São Francisco, um negro na África do Sul, um asiático na Europa, um chicano em San Isidro, um anarquista na Espanha...”. Nos anos 90, o subcomandante Marcos, o intelectual da Universidade Autônoma do México que se embrenhou pela selva de Chiapas para lutar com os indígenas, tornou-se quase uma lenda. Questionados sobre quem seria o subcomandante - “sub” porque o comandante são os índios, os zapatistas, que cobrem o rosto com máscaras -, respondem: “Todos somos Marcos”. No Brasil, o MPL tenta seguir por uma linha semelhante:

“Podemos ser qualquer um de vocês”. Mayara Vivian, 23 anos, representante do movimento

A Revolta do Vintém versão 2013 e o apartidarismo


“Quando se grita ‘sem partido’, nós vemos aí um grande pedido. E não há democracia sem partido. Não há democracia sem uma forma mínima de instituição. Sem partido, no fundo, é ditadura.”
Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República

Na verdade, ninguém ainda conseguiu digerir essa doideira que ocorreu no Brasil. É palpite pra lá e pra cá, contra, a favor ou café-com-leite, sem que ninguém consiga explicar por que e tão de repente os jovens passaram da pasmaceira à atitude quase que guerreira nos protestos. O “resto” do Brasil aproveitou as “manifestações pelo vintém” dos babaquaras do MPL a serviço do PT e, num piscar de olhos, botou mais de milhão nas ruas. Alguém explica?

Mas tudo bem, cada um tem um palpite e, enquanto todos fiquem restritos à especulação sobre os motivos, nada a declarar. O problema é que uma boa parte dos “analistas” arvoraram-se em críticos do apartidarismo - ou antipartidarismo, tanto faz - da esmagadora maioria das manifestações. Ontem mesmo, o Globo, em seu editorial, concordou com o salafrário Gilberto Carvalho, que disse que apartidarismo é ditadura, mas este não conta, está apavorado com a ideia de o PT ter perdido o monopólio de botar gente na rua para protestar, com um detalhe: ao contrário da claque paga pelos petralhas, esse povo das manifestações dos últimos dias saiu por livre e espontânea vontade.

Agora me digam se faz sentido que gente decente e com propósitos - difusos, por certo, mas propósitos - se submeta às lideranças partidárias de um PT ou PMDB, por exemplo, que juntos compõem a maior quadrilha que se tem notícia? Ou de um PSDB, a terceira força, a que deveria ser oposição, mas que há mais de dez anos só faz dizer amém ao que o governo faz?

Que me expliquem também como chegaram a essa conclusão absurda, porque até onde eu saiba, toda e qualquer ditadura tem um comando, um líder ligado a um partido. Até mesmo as militares, onde as Forças Armadas passam a desempenhar essa função, ainda que travestidas.

P.S.: Revolta do Vintém foi um protesto ocorrido entre 28 de dezembro de 1879 e 4 de janeiro de 1880, nas ruas do Rio de Janeiro, capital do império brasileiro, contra a cobrança de vinte réis, ou seja, um vintém, nas passagens dos bondes, instituída pelo ministro da fazenda, Afonso Celso de Assis Figueiredo, futuro Visconde de Ouro Preto. Aos gritos de "Fora o vintém" a população espancou os condutores, esfaqueou os burros, virou os bondes e arrancou os trilhos ao longo da Rua Uruguaiana.

sábado, 22 de junho de 2013

Movimento Passe Livre, de esquerda, deu um baita tiro no pé!


Desde o começo dessa onda de manifestações mantive meu pé atrás com relação a esse tal de Movimento Passe Livre, como pode ser comprovado em comentários anteriores.

Ontem pela manhã, em uma entrevista, o rapazinho boca-murcha e barbudinho que me parece ser o chefe MPL, Lucas Monteiro, anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, de novos atos na cidade de São Paulo. No anúncio de interrupção dos atos, decidido anteontem, depois que grupos “antipartido” hostilizaram manifestantes com bandeiras do PT, PSTU e PSOL durante um ato que serviria de “comemoração” pela redução da tarifa de transporte na capital, o MPL afirmou que um dos motivos para a decisão foi a suposta “infiltração” de “grupos conservadores” nas manifestações.

Já hoje, leio na Folha que no final da noite, Caio Martins, um dos integrantes do MPL disse: “Todo mundo publicou uma coisa num tom que não é isso. Você acha que vamos parar de fazer lutas? Não vamos. Protesto não é todo dia. Não temos data, mas uma hora vai acontecer. Acabamos de vencer, vamos vencer mais. Agora temos que formular o que vamos exigir”. Essa nova “diretriz” foi dada depois que os partidos de esquerda fizeram uma reunião, na noite de ontem, para discutir a necessidade de apoio a novos atos que forem programados.

Então tá. Como a coisa já ia se colorindo de vermelho, fui buscar mais e li que Rafael Siqueira, professor de música e ativista do MPL, disse que “grupos conservadores se infiltraram nas manifestações e defenderam, ontem, propostas que não nos representam, como a redução da maioridade penal.”

E mais: “Mesmo que sejamos contra a política de transporte duma prefeitura do PT, achamos que o PT deve ter total garantia de participar das manifestações públicas. É inconcebível essa onda oportunista da direita de tomar os atos para si”.

Portanto, fica patente que esse MPL é um movimento partidário e político de esquerda, mas, em compensação, eles deram um baita tiro no pé, já que as manifestações tomaram um rumo diverso do que eles imaginaram, aglutinando dezenas de vezes mais gente a protestar contra a péssima situação do país em geral, cuja culpada, em última análise, é a a sua queridinha Dilma Rousseff. Agora, todos os membros do MPL estão com cara de paisagem, sem saber o que fazer.

Toma!

“Decálogo do perfeito idiota da direita”, por Marcos Coimbra, um mais-que-perfeito imbecil por conveniência


Não resisti a essa piada escrita por Marcos Coimbra, dono do Vox populi, vox moluscus e comento:

O Brasil está à beira do abismo
Ainda que os cidadãos normais tenham dificuldade de entender quem diz isso, os genuínos idiotas da direita estão convencidos: vivemos o caos e estamos a caminho do buraco. Há exemplo mais patético que a “inflação do tomate”?
Quando é conveniente, o crápula interpreta tudo ao pé da letra: tudo aumentou barbaridades e ele fala do tomate. Mas não é só de inflação que vive o abismo. O abismo também vive de imoralidade, de falta de vergonha, de falta de política econômica, de péssima política externa, das faltas de saúde, de educação, segurança e justiça e de imbecis como Marcos Coimbra, cegos por conveniência, e protegidos que são do sistema vigente.

O Bolsa Família é esmola usada para manipular os pobres
Marca distintiva desses idiotas, a ideia mistura velharias, como a noção de que os pobres são constitutivamente preguiçosos, com a pura inveja de ter sido Lula o criador do programa. No fundo, o conservador despreza os mais humildes.
Que me conste, a bolsa família é criação de FHC, tanto que Lula foi o primeiro a criticá-la.


O Brasil tem um governo inchado
Mundo afora, depois de a crise internacional sepultar a tese de que Estado bom é Estado mínimo, ninguém mais tem coragem de revivê-la. A não ser no Brasil. Fernando Henrique Cardoso deixou 34 ministérios quando saiu do governo. Esse seria o tamanho ótimo? Cinco a mais se constitui uma catástrofe?
O rapazinho se faz de desentendido. Primeiro que o inchaço não está só na quantidade de Ministérios e sim nas centenas de milhares de apaniguados do PT que foram nomeados pelo governo e, depois, quem disse que os 34 Ministérios de FHC seria um “tamanho ótimo” a não ser o próprio Marcos Coimbra?

O Brasil tem municípios demais
Exemplo de idiotice conjuntural, é prima da anterior. Que sentido haveria em considerar imutável a organização administrativa de um país em que a população se movimenta pelo território, fixando-se em novas regiões?
Exemplo de imbecilidade conjuntural, é irmã da anterior. O problema não é a quantidade de municípios e sim as despesas que ela gera.

O Judiciário é nosso deus e Joaquim Barbosa, nosso pastor
Como seus parentes no resto do mundo, os conservadores brasileiros desconfiam da política e têm ojeriza a políticos. Quem mais senão o presidente do Supremo Tribunal Federal encarnaria os “anseios da sociedade contra os políticos corruptos”? Transformado em ferrabrás dos petistas, Barbosa virou herói da direita.
Desta vez Marcos está certo: “os conservadores brasileiros desconfiam da política e têm ojeriza a políticos”, sim. Têm ojeriza a pelo menos 80% dos políticos brasileiros: os do PT e do resto que se vendeu e perfaz os 80% de apoio que o governo tem no Congresso.

O “mensalão” foi o maior escândalo de nossa história
Conversa para boi dormir entre os conhecedores da política brasileira, o “mensalão” não passa de um exemplo do modo como as campanhas eleitorais são financiadas. Só os desinformados acreditam ser ele um caso excepcional.
Ã-hã... Ça va sans dire. Nous sommes mal informés...

A liberdade de imprensa está ameaçada
Na vida real, ninguém leva isso a sério. Volta e meia, a ideia é, no entanto, usada pela imprensa conservadora para defender os interesses de um pequeno grupo de corporações de mídia. De carona, alguns políticos da oposição a endossam para preservar as relações privilegiadas que mantêm com os proprietários dos meios de comunicação.
Tem razão também. Ninguém pode levar Franklin Martins a sério. Aliás, quem é mesmo o maior anunciante da Globo? Dou uma dica: não são “alguns políticos da oposição”...

Dilma antecipou a eleição
Desde ao menos o início do ano, a oposição de direita repete, em tom queixoso, o mantra. O que imaginava? Que uma presidenta tão bem avaliada não fosse candidata? Que fingisse não sê-lo? Qualquer idiota sabe que os governantes pensam na reeleição. Assim que tomam posse, entram no páreo.
Quem entra no páreo mas “queima” a largada tem que ser punido.

O Brasil virou as costas para seus parceiros internacionais e se aliou aos radicais
A fantasia desconhece a realidade da política externa e o modo como funciona a diplomacia brasileira. É montada em duas etapas: primeiro, desconstrói-se a imagem de um país ou liderança. Depois, afirma-se que o governo a apoia. De qual país o Brasil se afastou, de fato, nos últimos anos?
Primeiro que eu não entendi, depois, a realidade da política externa do Brasil hoje é perdoar dívidas de países africanos governados por déspotas, financiar portos em Havana e estradas para o escoamento da coca boliviana. Para falar só de América do Sul, que tal Evo Morales, o índio de araque, nos tomar a Petrobras, incentivado por Hugo Chávez, que o Brasil tratava como um democrata irretocável? Que tal promover a entrada da Venezuela no Mercosul? Que tal a Argentina nos impor barreiras comerciais à vontade? Que tal o Paraguai rasgar o contrato de Itaipu? Que tal o Equador e a Bolívia sequestrarem brasileiros e ninguém tomar providências?

O Brasil moderno está na oposição, o arcaico é governo
Trata-se de um erro factual, somado a muita pretensão. Ao contrário, como mostram as pesquisas, o governo é mais bem avaliado (e Dilma tem mais votos) entre, por exemplo, jovens e aqueles conectados à internet que na média da população. A oposição possui, é claro, sua base na sociedade. Em nada, no entanto, esta é “melhor” que aquela apoiadora do governo.
Então tá, né? Esse pessoal que está nas ruas é só sacanagem, invenção da mídia conservadora e golpista...

Palhaço!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

ETs enchem o saco no History Channel


Sinceramente eu não entendo o tal do History Channel. Com tanto acervo, tanta matéria interessante para programar, ele insiste à exaustão no tema dos alienígenas, ETs, discos voadores, deuses astronautas e babaquices no gênero.

São miríades de documentários repetitivos e repetidos à exaustão que apresentam pencas de malucos jurando por deus que outras pencas de doidos falam a verdade quando dizem que viram OVNIs ou que foram abduzidos. Isso quando não apelam para a distorção da História na série “Alienígenas do Passado”, atribuindo a construção da pirâmides do Egito e de Stonehenge, só para citar alguns, a extraterrestres. Desenhos maias, egípcios e astecas de criaturas estranhas também viraram a representação de “deuses” que vieram do espaço.

Ontem, em um desses programas, eu assisti ao cúmulo da estupidez: “Destino Orion”, cuja chamada no site diz que “muitas civilizações antigas estavam obcecadas com a constelação de Orion. Seria porque os extraterrestres a utilizavam como um portal estelar, o ‘Stargate’, para entrar no nosso mundo? Neste programa, cientistas e especialistas compartilham suas teorias sobre este gigante celestial.”

É o seguinte: os luminares do tipo Giorgio Tsoukalos (foto) simplesmente querem nos fazer crer que uma tribo indígena norte-americana recebeu a visita de habitantes que se identificaram como sendo originários da constelação de Orion e que os sete povoados dos índios em questão, cuja situação geográfica assemelha-se à disposição das sete estrelas da constelação entre si, foram construídos por orientação extraterrestre.

Ora, não é novidade para ninguém que todas as constelações celestes são apenas fruto da imaginação humana que agrupava as estrelas de acordo com suas aparentes proximidades entre si e magnitude (brilho aparente) e as “batizava” de acordo com suas crenças ou mitologias, nada tendo a ver com sua real posição no universo (Órion, Osíris, Gilgamesh, Ymir, Tsan e Zilikawai são os vários nomes da mesma constelação dados por povos diferentes). Tanto que as estrelas de Orion têm as mais variadas distâncias da Terra, a saber:

Betelgeuse (Alfa): 427 anos-luz;
Rigel (Beta): 773 anos-luz;
Bellatrix (Gama): 250 anos-luz;
Saiph (Kappa): 650 anos-luz;
Mintaka (Delta): 900 anos-luz;
Alnilan (Epsilon): 1340 anos-luz;
Alnitak (Zeta): 800 anos-luz.

Como dá para perceber, a grosso modo, se considerarmos o universo plano (o que encurta as distâncias) as estrelas de Orion mais próximas entre si são Mintaka e Anitak, uma a 100 anos-luz da outra!, sendo que a mais distante da Terra, Alnilan, dista mais de cinco vezes de nós do que a mais próxima, Bellatrix! Portanto, não faz nenhum sentido que um ET venha até nós dizendo-se oriundo de Orion, que é um ajuntamento de estrelas só na imaginação os povos antigos, não representando, de forma alguma um sistema nem uma localização astronomicamente correta.

Como, aliás, não faz sentido que nenhum ET venha até nós de uma maneira geral. Basta olhar para as fuças do seu Giorgio Tsoukalos para perceber que os ETs são embustes que vêm da Terra mesmo: ele é um dos seus representantes.

Fora PT, leva a Dilma com você!

É nisso que dá um país sem oposição: ela acaba sendo feita na rua. Entenderam, mauricinhos do PSDB?


A culpa por esse caos que se instaurou nas ruas de todo país tem que ser creditada principalmente ao PSDB (Partido Só De Bananas), principal força de oposição ao governo, que não é força e nem faz oposição nenhuma!

O resultado é as pessoas que têm alguma reivindicação - e são muitas pessoas e muitas reivindicações - não têm outro caminho a não ser protestar por si mesmas, já que quem tem as procurações para representá-las, os votos que receberam, não tem a decência e nem a coragem de cumprir seu papel. Uma oposição que não faz outra coisa a não ser discursinhos pífios, sem nenhuma ação, agora tem mais é que se recolher à sua insignificância. Agora não adianta mais chiar e, caso o PSDB resolva, por sua covardia, pegar carona na voz das ruas - coisa bem provável de acontecer -, vai ser rechaçado como o foram todos os outros que tentaram, como um PSTU qualquer.

O que os “donos” do Observador Político fizeram é emblemático e retrata bem essa covardia.

E pensar que um dia eu já gostei do PSDB...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Religião 1, Xadrez 0


É muito difícil encontrar alguém muito inteligente em todos os sentidos. São raríssimos e não me ocorre ninguém para citar agora. Parece que a tal da "inteligência emocional" não se faz presente em nenhum deles.

Tive o privilégio de ser amigo de um gênio dos grandes: Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, um fenômeno do xadrez que sucumbiu vítima de sua total incapacidade para lidar com as coisas mais simples da vida, apesar de falar sete idiomas, ter uma memória (geral) incomparável e ser capaz de bater qualquer um em um tabuleiro de xadrez.

Além de amigo, fui seu assessor informal durante algum tempo, chegando até a dar algumas entrevistas em seu lugar pela absoluta falta de “saco” de Mequinho para esse tipo de coisa. Ele me pedia e se justificava com o entrevistador: “o Ricardo sabe mais da minha vida que eu mesmo”. Certamente eu não sabia, mas sabia o justo para responder as perguntas previsíveis dos jornalistas, mesmo dos - raros - que entendiam um pouco de xadrez.

Conhecemo-nos em um torneio carioca de xadrez universitário em que me inscrevi e Mequinho compareceu para “prestigiar”. Foi gozado. Por uma coincidências chata, fui emparceirado na primeira rodada justamente com o cara com quem eu treinava xadrez diariamente, o Zé Luiz. Combinamos então empatar a partida após uns 15 movimentos e jogamos despretensiosamente e rápido. Fomos o primeiro tabuleiro a terminar o jogo. Então Mequinho se aproximou e falou com o Zé: “como é que você aceita empate com o jogo ganho?”. Explicamos então que foi um jogo pró-forma, combinado. Após a bronca - ele, talvez com razão, achou isso errado - ficamos conversando e ele “se convidou” para participar da nossa turma. E apareceu.

Mequinho vivia xadrez, mas tinha muita “inveja” - inveja entre aspas e no bom sentido - de uma vida “normal” de um garoto de 18 anos como a minha. Suas obrigações e obsessões enxadrísticas não lhe deixavam tempo para isso. Frequentava minha casa e, mesmo quando eu não estava lá, ele aparecia para conversar com meus pais ou, por exemplo, perguntar à minha mãe se a barba dele estava bem feita, as orelhas e o nariz limpos, antes de aparecer em programas de TV. Até minha namorada entrou na dança: ele se apaixonou por ela, platonicamente.

Mequinho era um fenômeno. Despontou cedo para o xadrez, que aprendeu de ficar olhando seu pai e o prefeito de Pelotas, onde nasceu, jogarem e aos cinco anos já era capaz de ganhar os dois. Em uma terra onde o jogo (chamar xadrez de esporte é sacanagem) não representava nada, que não tinha um jogador sequer de nível internacional, um sujeito chegar a ser apontado como o único capaz de ganhar de Robert Fisher, o imbatível e louco campeão mundial, é muita coisa.

Aos 12 anos foi campeão gaúcho, aos 13, brasileiro, aos 15 sul-americano e Mestre Internacional e aos 20 obteve o título de Grande Mestre Internacional. Mas o começo foi difícil. Quando começou a carreira internacional, nem a Federação Brasileira e nem o governo o ajudavam. Não tinha dinheiro para contratar um analista para treinar ou estudar suas partidas adiadas durante os torneios, tendo que, várias vezes, passar as noites acordado, ele mesmo analisando como seguir os jogos. Alie-se a isso, a companhia nada agradável do seu pai nas viagens, que só fazia atrapalhar. Em um torneio na Holanda em 1967, se não me engano, assim que Mequinho deitou seu rei, reconhecendo a vitória do seu adversário, seu pai levantou-se, foi até o tabuleiro e tascou-lhe um puxão de orelha!

Fatos como esse fizeram Mequinho fazer suas malas e sair de casa. Veio para o Rio com a cara e a coragem e, por força da sua fama já consolidada, conseguiu logo um contrato com o Flamengo e depois um “emprego” dado por Médici, além de ter suas viagens e analistas também bancados pelo governo. Comprou um fusca e, com os prêmios que ganhava, acabou comprando um apartamento de dois quartos em Ipanema. Sua vida, então, enfim estava organizada, mas sua cabeça não. Padecia de uma enorme carência afetiva que, tenho certeza, não era nova e nem pela sua vida monástica no Rio: ela veio de Pelotas, em função de uma família meio estranha que não se limitava aos puxões de orelha públicos do seu pai. Seu avô, de quem não guardava lembranças nada agradáveis, castigava suas travessuras de criança enterrando-o até o pescoço - pelo menos foi isso que ele me contou.

Não sei precisar bem o ano, mas por volta de 1975 ou 76, resolveu ir contra os meus conselhos e entregar suas economias a um argentino que lhe fora indicado como um mago das finanças que cuidava dos investimentos de vários artistas e jogadores de futebol. O resultado foi catastrófico: depois de algum tempo, o sujeito sumiu com tudo que ele, os artistas e os jogadores de futebol tinham. Mequinho teve até que vender o apartamento no Leblon para o qual se mudara recentemente, por não ter mais como pagá-lo.

Daí para a pane de crânio total foi um pulo. Com o sistema nervoso - que já não era grande coisa - abalado, foi definhando física e mentalmente, passando a abandonar e até desistir de participar de torneios, mas foi quando algum “luminar” da medicina diagnosticou que ele tinha miastenia gravis que foi tudo pro brejo. Era evidente que seu mal era puramente psicológico, mas Mequinho precisava de uma desculpa que não denunciasse a sua fraqueza emocional e resolveu “adotar” a miastenia como fosse uma explicação mais nobre sobre seu estado.

Aqui cabe um parêntesis. A miastenia gravis é uma deficiência na transmissão dos impulsos nervosos que provoca o enfraquecimento dos músculos e até hoje não se conhece o que a provoca. A miastenia gravis não tem cura. Tive um amigo com a doença e sei muito bem da sua irreversibilidade, tanto que de nada adiantou a montoeira de dinheiro gasto por ele na busca de uma cura ou mesmo de um paliativo: ele definhou até morrer. Parece que hoje há alguns medicamentos que ajudam a suportá-la, mas não impedem a sua progressão.

Posto isto, Mequinho, de cama e em desespero, recebe romarias de religiosos que através de passes, rezas e outras mazelas lhes prometem uma “cura milagrosa” - é impressionante o oportunismo dessa gente -, entre eles, um grupo da Renovação Carismática da Igreja Católica que, não sei por que cargas d’água, entre as tantas visitas caiu no goto de Mequinho. Escolhido o “caminho” por ele, deu-se o “milagre da cura”, e ficou mais claro ainda que a única coisa que ele precisava era se sentir seguro, mesmo que amparado. E foi assim que a tal miastenia que nunca existiu, sumiu da sua cabeça, dando lugar à religião católica, que abraçou a ponto de se formar em teologia, filosofia e tentar ser padre, o que lhe foi negado pela igreja, sabe-se lá por quê.

A igreja se recusou a ganhar um padre, mas o xadrez perdeu um gênio, que depois dessa dedicação toda à religião, não é nem sombra do que foi.

Talvez meu julgamento pareça cruel, negando até mesmo um suposto diagnóstico médico, mas para mim é mais que claro que seu único mal é a sua cabeça.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Reinaldo Azevedo, o “Rei da verdade” atola-se em sua teimosia, mas insiste em cantar uma vitória que não existe


Continuo rolando de rir com Reinaldo Azevedo insistindo que essa movimentação toda não passa de um movimento orquestrado pelo PT. Para tal, ele faz tantos exercícios de retórica, mas tantos, que deve estar extenuado, a se considerar que ele agora se limita a criticar os vândalos - parte numericamente insignificante de todo o processo - para tentar fazer com que suas críticas façam um mínimo de sentido, e isso é profundamente desonesto, além de ser uma das coisas pelas quais Reinaldo sempre se bateu contra, ou seja, tomar uma parte como o todo, desde que os protagonistas sejam seus “inimigos”, é claro.

Hoje, Reinaldo em seu blog, jacta-se de ter tido 300 mil visitas ontem, só que ele não diz quantos comentários censurou, já que ele tem esse péssimo hábito que eu já denunciei aqui várias vezes: discordou do “tio Rei” - como o trata seu séquito de baba-ovos - é lixo. Uma vírgula em um lugar que ele não concorde é motivo para censura. Eu mesmo já tentei comentar no blog várias vezes e pude constatar que uma discordância com suas ideias, por mais banal que seja, não será publicada. Assim é fácil gabar-se por 300 mil visitas. Para tal, bastaria eu dizer que Jesus Cristo é um grande filho da puta, esperar o resultado e computar como visitas quem me desancou.


Não nego que Reinaldo tenha lá seu valor quando usa exclusivamente a sua inteligência, mas se depender de caráter, a coisa fica feia para ele.

Manifestações: uma opinião de alguém que continua coçando a cabeça como eu


Marco Antonio Villa: Passe Livre e as manifestações

1. este movimento tem características que, sinceramente, não encontro paralelo no que li e estudei;

2. sendo assim, avaliações e perspectivas são traçadas ao calor da hora e modificadas dependendo do que acontece. Isto pode parecer óbvio mas não é;

3. conversei com muita gente. A ampla maioria é favorável aos manifestantes;

4. os atos de vandalismo não representam o que pensa (e exprime) a maioria dos manifestantes;

5. há um claro sentimento de exaustão, de saco cheio com tudo o que está ocorrendo;

6. a liderança não lidera nada, o que é ótimo;

7. vi relatos de pessoas – que, sinceramente nunca imaginaria que iriam a um ato, por mais banal que fosse – que foram satisfeitíssimas às passeatas;

8. temos não algo novo mas uma manifestação nova, uma forma de se manifestar que não segue os padrões clássicos;

9. os partidos tradicionais não dão conta da complexidade da moderna sociedade brasileira. Na verdade, ninguém dos políticos tradicionais consegue sequer entender o que está acontecendo (queria ver um deles – qualquer um – no meio dos manifestantes);

10. pode ser que o movimento acabe como surgiu. Na verdade, não é um movimento. É um ajuntamento de pessoas que querem dizer que não aguentam mais;

11. o PT perdeu quando quis usar o movimento;

12. o que estamos vendo é uma maioria irritada com tudo (corrupção, mensalão, gastos com a Copa, etc, etc) e uns grupelhos oportunistas ultra esquerdistas que querem tirar algum proveito do que está ocorrendo;

13. o que vai acontecer amanhã? Não tenho a mínima ideia. Mas o Brasil, hoje, é melhor do que era antes das manifestações.

Perguntar não ofende

A revelação da “espionagem” da internet feita pelo governo americano foi novidade para alguém?

Vai dizer que ninguém sabia que Google, Facebook, Microsoft e congêneres já realizam esse “trabalho” há anos?

Sem vandalismo e sem violar o direito de ir e vir, vale tudo.

Calma, Boechat...

Perfeito!


Para Dirceu, mais uma vez a culpa é da imprensa, principalmente da Globo.

“Essa juventude está contaminada pelo discurso plantado de modo sistemático e recorrente pela Rede Globo, segundo o qual, vivemos no pior país do mundo, mal administrado, precário, aquele onde a corrupção sobrevive, já tendo sido exterminada em todas as outras paragens do planeta.”
Chico Cavalcante, o mesmo petralha que defende a “tese” que só bêbados vão a estádios de futebol.

“O problema, para a mídia, especialmente a Globo, é que ela é alvo das manifestações. E pior, a Copa é sua principal fonte de receita.

O mais grave foi a retirada ontem de propósito da Polícia Militar da cidade de São Paulo e a depredação da sede da Prefeitura e os saques na avenida Paulista e em outros locais da cidade por grupos organizados, que podem ser identificados pelas autoridades.

E mais grave ainda foram as TVs Record e Globo, sem nenhum pudor, depois de exigir repressão e desqualificar os protestos, de tentar virar e se apoderar os movimentos e transformá-los em atos políticos contra o governo.”

Zé Dirceu, quase ininteligível, inventando o “mais grave” e o “mais grave ainda”.

Segundo petralha, quem assiste futebol é bêbado

“A vaia que Dilma tomou em estádio de futebol apenas serve para provar uma antiga tese que defendo: políticos não devem comparecer a eventos esportivos, onde a ingestão de bebida alcoólica antecede as partidas e entorpece a razão.”
Chico Cavalcante, pelo visto um petralha empedernido, defendendo sua "tese" brilhante que no estádio Mané Garrincha haviam 70 mil bêbados.

P.S.: E um presidente da República bêbado, pode?

Agora chega, acabou o recreio! Vão todos para a aula de democracia para aprender a votar!

Leio que hoje estão programadas manifestações em 70 municípios do Brasil e que São Paulo, mais uma vez está nessa. Mesmo abstraindo o vandalismo inerente a essas manifestações e considerando só os anjinhos que protestam pacificamente, o simples fato do incômodo que tudo isso causa à população é enorme. Ninguém aguenta ter o seu direito de ir e vir sendo violado todos os dias. O feitiço acaba virando contra o feiticeiro e essa garotada vai acabar sendo demonizada até pelos que a princípio os apoiaram.

Além disso, esse pessoal “do bem” tem que se conscientizar também que não há como controlar o pessoal “do mal” que se agrega às manifestações.

Por essas e outras, já está na hora de voltar para a sala de aula e repensar modos menos invasivos de protesto, se é que todos querem mesmo continuar a protestar. Se é que isso é algo mais do que um simples arroubo adolescente, então provem, sejam criativos e, acima de tudo, provem que, orientando seus objetivos de maneira a serem relevantes, isso tudo é algo mais que manifestações difusas de rebeldia sem causa.

Outra coisa: li e soube por várias fontes que rola pela internet um abaixo-assinado pedindo o impeachment de Dilma. Por mais que eu seja contra esse governo petralha - e não há ninguém mais contra que eu -, não dá nem para pensar nisso, principalmente porque Dilma tem apoio de 80% do Congresso. Depois, ela foi eleita em um pleito legítimo - apesar de não muito honesto pela campanha, reconheço. Em terceiro lugar, democracia não é uma brincadeira onde o sujeito pode errar e logo depois tentar corrigir seu próprio erro cometendo um maior. Quem votou em Dilma, passou-lhe uma procuração com quatro anos de validade, sendo que até agora, a rigor, ela não cometeu nenhum crime ou ato ilícito que justifique o cancelamento dessa procuração. Os erros de Dilma são ser completamente imbecil, incompetente, inepta, inábil, enfim, totalmente incompatível com o cargo que ela ocupa, mas isso não é crime. Crime é se querer tirá-la de onde está depois de ter votado nela.

Portanto, o mais importante que se tira desse charivari todo é que o povo, de uma maneira geral, precisa aprender a escolher seus candidatos e não fazer do seu voto um instrumento de troca, usá-lo em por causa de um arroubo de empolgação ou achar que ele vale pouco e não se acostumar com essa história de pedir impeachment à toda hora.

Democracia não é brincadeira. Apesar de passar a noção de muita liberdade ela tem regras claras que passam principalmente pela conscientização política. Se essas regras não forem obedecidas, a vítima acaba sendo exatamente quem as transgrediu.

Acabou o recreio, moçada! Vamos “estudar” democracia para não errar mais!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Os "patrocínios" do PSTU e do PT

Em nenhum protesto no mundo democrático, os profissionais de imprensa são obrigados a retirar os cubos que identificam seus microfones e a cobrir os logotipos nas câmeras para não serem identificados. Na cobertura da invasão da ALERJ, no Rio, o repórter da Globo News teve que filmar com o próprio celular, tendo em vista a insegurança para o trabalho da imprensa. Como eu disse anteriormente, quem estava lá era o pessoal do PSTU!


Em Sampa, manifestantes insuflados pelo PT na internet, pela velha turma que odeia a imprensa livre, associados à TV Record, onde Paulo Henrique Amorim é âncora, avançaram contra a sede da TV Globo. A cada vez que um repórter da Globo entrava ao vivo, manifestantes estrategicamente colocados gritavam palavras de ordem contra a emissora. O fato gerou um mini-editorial lido em plena edição do Jornal Nacional.


Manifestação em Brasília: "Dirceu, pode esperar, a cadeia é seu lugar"

E agora, pra que lado eu vou?

Sampa e o patrocínio dos partidos

Passei a noite coçando a cabeça, tentando entender alguma coisa do que aconteceu ontem, quando pelo menos 240 mil pessoas saíram às ruas para protestar, e a única coisa que eu acho que entendi foi que, apesar da coincidência de data e hora, a manifestação em São Paulo foi a única no Brasil que se manteve fiel ao seu propósito, que seja de protestar contra os famigerados 20 centavos de aumento nas passagens, insuflada que foi pela militância do PT, partido que há décadas tenta, sem sucesso, tirar o PSDB do governo do estado. O alvo claro é a desestabilização de Alkmin, tanto que o PT fretou ônibus para trazer a militância (provavelmente paga) do interior do estado.

Rio
Já no Rio, a coisa foi diferente. Os mauricinhos e patricinhas entediados deram lugar a uma adolescência bem mais ordeira e (parece que) consciente que esqueceu os 20 centavos e protestou contra a corrupção de um modo geral, e contra esse estado de calamidade que se encontra o país, tanto que uma das “palavras de ordem” repetidas em coro pela moçada faziam menção a um protesto sem partidos políticos. Talvez não fossem todos, mas a maioria esmagadora não tinha partido mesmo, tanto que as bandeiras dos famigerados e onipresentes em badernas PSTU e PSOL não foram vistas, a não ser quando um grupo de marginais destruiu o Palácio Tiradentes, onde fica a Assembleia Legislativa do Rio, em um lamentável episódio de vandalismo, isolado, que destoou do resto da manifestação, tanto que, dos cem mil presentes, foram calculados em apenas 600 os protagonistas da barbárie.

Palácio Tiradentes
Não, eu não fiquei nem um pouco surpreso com a destruição do Palácio Tiradentes e do seu entorno - a igreja São José foi toda pichada. Quando eu vi direto pela TV algumas bandeiras e faixas do PSTU - até então sumidas - nas imediações do palácio, tive a certeza que ia sair besteira. Não precisava ser pitonisa. Tanto essa turma destoava, que durante a transmissão ao vivo, a repórter informou que estavam ocorrendo vários roubos de celulares e câmeras. Eram os marginais em ação e, como marginais tinham que ser tratados pela polícia, que subestimou a corja e demorou a dar reforço aos policiais que guardavam a Alerj, tanto que 20 deles foram feridos.

Cúpula da Câmara
O que impressionou também foi a manifestação em Brasília, talvez pela imagem simbólica, onde dez mil garotos e garotas cercaram o Congresso, subiram as rampas e lotaram o telhado onde ficam as duas cúpulas representando o Senado e a Câmara. Também me ocorreu o inusitado que é uma cidade habitada quase que na sua totalidade por funcionários públicos, políticos e suas respectivas famílias ter sido palco de protesto tão significativo contra o governo.

Tal como no Rio, em Brasília a manifestação parece que também foi apartidária, tanto que um tal Pedro Henrich, da direção da “Juventude do PT”, vestido a caráter com uma camiseta do partido, foi se meter a fogueteiro querendo assumir a negociação com a Polícia Legislativa da Câmara em nome do grupo e foi expulso à base de vaias e coisas do tipo “você não nos representa, tira essa camisa”. E saiu de fininho.

Em todo caso, acima de tudo eu estou surpreso principalmente pelos cem mil no Rio. E não eram exclusivamente gays, nem crentes, nem maconheiros: tinha de tudo. Uma população que vive em um torpor político constante, de uma hora para outra mobilizar tanta gente é de se espantar.


Continuo coçando a cabeça tentando entender isso tudo, mas não posso deixar de rir do desespero do Reinaldo Azevedo em tentar achar pelos em ovos em vez de assumir que suas avaliações sobre o movimento estão erradas.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Esses maravilhosos ministros do STF e seus incríveis habeas corpus

No dia 24 de dezembro de 2009, escrevi, aqui mesmo, o seguinte, sobre o habeas corpus dado por Gilmar Mendes a Roger Abdelmassih, então médico, acusado de abusar sexualmente de suas pacientes enquanto estavam sob efeitos de sedativos:


Será que cabe na cabeça de alguém com um mínimo de razão aceitar que o presidente do órgão máximo da Justiça no Brasil, o STF, conceda um habeas corpus a um sujeito em prisão preventiva pela suspeita de ter estuprado 56 mulheres?

Leiam só as conclusões absurdas de Gilmar Mendes:

a) Sem a demonstração de fatos concretos que, cabalmente, demonstrem a persistência dos alegados abusos sexuais, em momento posterior à deflagração do procedimento investigatório, a prisão preventiva revela, na verdade, mero intento de antecipação de pena, repudiado em nosso ordenamento jurídico;
Bom, no mínimo, Gilmar Mendes deve querer um vídeo de sexo explícito, ou coisa que o valha. Se o argumento do juiz fosse sólido o suficiente, as 56 mulheres que se queixaram teriam que ser indiciadas por falso testemunho e formação de quadrilha.
b) ao decretar a prisão preventiva, em 17 de agosto de 2009, o juízo da origem não indicou elementos concretos e individualizados, aptos a demonstrar a necessidade da prisão cautelar do ora paciente;
“Ora paciente”? De quê?
c) o argumento de que, em liberdade, poderia o paciente voltar a cometer a mesma espécie de delito em sua atividade profissional assenta-se em mera especulação, sem mínima base fática que, de forma idônea, demonstre efetiva reiteração em momento posterior ao início da persecução penal;
Como é que pode um cidadão nomeado juiz do STF por “notório saber” dizer que é “mera especulação” o fato de um canalha que estupra um 56 mulheres estuprar outras tantas?
d) a precariedade de tal argumento mostrou-se implicitamente aceita pelo próprio Ministério Público, o qual, ao requerer o decreto de prisão preventiva, formulou pedido alternativo ao juízo, pleiteando o simples afastamento do paciente da atividade médica caso desacolhido o pleito de encarceramento provisório;
O erro do Ministério Público ao pleitear o pedido alternativo ao juízo, pleiteando o simples afastamento do paciente da atividade médica caso desacolhido o pleito de encarceramento provisório não justifica o erro de quem tem o poder máximo de decidir.
e) o exame dos autos deixa claro que, em 18 de agosto de 2009, o Conselho Regional de Medicina suspendeu o registro profissional do paciente, afastando a possibilidade de reiteração temida pelo juízo monocrático, nada mais justificando, assim, a manutenção da custódia provisória.
Então tá. Roger Abdelmassih está livre, rico e prontinho para fugir do país, já que nem seu passaporte foi confiscado.

O pior é que tem mais, muito mais. Há suspeitas que Abdelmassih tenha fecundado um sem número de pacientes com seu próprio sêmen. Mas isso fica para depois.

Não precisava ser pitonisa: Abdelmassih fugiu no início de 2011 e até o momento se encontra desaparecido, inclusive figurando na lista de criminosos procurados pela Interpol.


domingo, 16 de junho de 2013

Distorções Eleitorais

Tentando entender o absurdo sistema eleitoral proporcional, resolvi simular uma eleição em ritmo de piada, mas a coisa é séria..

Supondo que o estado do Rio de Janeiro tenha tido 1 milhão de votos válidos para deputado estadual (apenas os votos dados aos candidatos regularmente inscritos e às legendas partidárias);

Supondo que há 4 vagas a serem preenchidas;

Supondo que há 2 partidos: o MULA (Minorias Unidas na Luta Ativista) e o BROCHA (Brancos Ricos Ocidentais Capitalistas Heterossexuais e Associados), com 3 candidatos cada um. Então temos:

Art. 106. Determina-se o quociente eleitoral dividindo-se o número de votos válidos apurados pelo de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, desprezada a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um se superior.


Então 1.000.000 / 4 = 250.000. Esse é o quociente eleitoral.

Art. 107. Determina-se para cada partido ou coligação o quociente partidário, dividindo-se pelo quociente eleitoral o número de votos válidos dados sob a mesma legenda ou coligação de legendas, desprezada a fração.


Supondo ainda que o MULA tenha tido um total de 750.000 mil votos e o BROCHA 250.000. Então ficam:


Para o MULA: 750.000 / 250.000 = 3 cadeiras

Para o BROCHA: 250.000 / 250.000 = 1 cadeira


Art. 108. Estarão eleitos tantos candidatos registrados por um partido ou coligação quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido.


Supondo que o resultado da votação nos candidatos, por partido, tenha sido:

No BROCHA:
Arnaldo Sabor – 85.000 votos
Ferreira Gulloso  – 85.000 votos
João Obalde – 80.000 votos

Legenda - 0 votos

No MULA:
Chic Buarq –  1 voto
Falsíssimo Veríssimo – 1 voto
José Abriu – 1 voto

Legenda - 749.997 votos


Então, teremos eleitos: Ferreira Gulloso, Chic Buarq, Falsíssimo Veríssimo e José Abriu.

Arnaldo Sabor e João Obalde ficaram de fora com 85 e 80 mil votos, respectivamente, enquanto entraram os três do MULA com 1 voto cada, porque os votos na legenda “carregaram” a votação do partido.

Detalhe: Arnaldo Sabor ficou de fora, apesar de ter empatado em primeiro no BROCHA, porque Ferreira Gulloso é mais velho (Art. 110. Em caso de empate, haver-se-á por eleito o candidato mais idoso).

Essa é apenas uma das muitas distorções possíveis de serem causadas pelo nosso Código Eleitoral.

Joseph Blatter: quem é você para tentar impedir uma manifestação popular e ordeira no Brasil?

“Amigos do futebol brasileiro, onde estão o respeito e o fair-play, por favor?”
Joseph Blatter, presidente da Fifa, metendo o nariz onde não é chamado. 

Por que é que ele não foi pedir isso do lado de fora do estádio, onde a baderna resultou em 27 feridos e oito presos?

Algumas fotos censuradas no Toma Mais Uma, mas que continuam no Estadão, no Dia, no CoroneLeaks, etc.


Censura no Toma Mais Uma!

Clique para ampliar
Ontem eu estava fazendo uma "operação resgate" nos principais posts do "Toma Mais Uma" antigo e dei de cara com isto:

Trata-se (ou tratava-se) do post "Sergio Cabral et caterva: manual de péssimas maneiras", onde eu mostrava  vídeos (que foram apagados do YouTube) e fotos da farra do Cabral e seu staff de governo em um restaurante em Paris. Era aquele onde tinha gente até com guardanapo amarrado na cabeça.

Não sei de quem veio a censura, mas de qualquer maneira eu não mostrei nada que não tivesse sido veiculado em todo canto na época.

Foram censurados também, só que não tão escancaradamente, mais três posts: 

Um em que eu mostrava fotos do filho de Jader Barbalho ("Escárnio em nome do pai") mostrando a língua para os jornalistas depois de participar da posse do pai, o senador Jader Barbalho. Detalhe: o site do estadão ainda mantém essas fotos.

Outro que mostra uma foto de Aécio abraçado com petralhas, cujo título é "Coisas que quem faz oposição faria - Aécio faz".

O terceiro foi uma montagem fotográfica que fiz ("E não é que Papai Noel ficou no Rio") sobre uma piada que diz que o Bom Velhinho, quando chega o Natal,  sempre passa aqui na Farme de Amoedo para trocar os viadinhos.

Não recebi nenhum comunicado de ninguém, nada. É muito estranho, mas vindo de políticos e da militância gay, a gente pode esperar tudo.







sábado, 15 de junho de 2013

Quem é Dilma para falar de terrorismo, quando tudo o que a imprensa faz é informar?

“Peço a vocês que não deem ouvidos a esses que jogam sempre no quanto pior, melhor. Críticas, todo mundo tem de ter a humildade de aceitar. Mas terrorismo, não.”
Dilma ontem, fazendo campanha (ilegal) na favela da Rocinha.

Repito as afirmações do CoroneLeaks sob forma de pergunta:

Criticar um PIB de 0,6% é terrorismo? É terrorismo informar a maquiagem nas contas públicas, com o superavit primário sendo reduzido à metade ou a imprensa mostrar que um dólar disparando, devido à perda da confiança na economia do país, o mesmo acontecendo com os investimentos? Será que é terrorismo informativo divulgar que o governo bate cabeças em tudo: na articulação política, na solução de crises como a indígena, na perda de valor das principais empresas estatais, na péssima gestão da Bolsa Família? E a inflação em 6,5%, no topo da meta e disparando, também seria terrorismo informativo?

E mais: quem é Dilma para falar de terrorismo?